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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Mais escovas de dentes do que telemóveis

Nunca andei no judo ou no karaté. Excluindo snooker e matrequilhos, a natação foi a única actividade desportiva em que me envolvi mais ou menos a sério. Mas sei que uma das primeiras regras que os mestres das artes marciais ensinam é a de que não se deve resistir à força do adversário, mas antes tirar partido dela -  e não se deve temer a queda.

O pedacinho de sabedoria dos cinturões negros que nos avisa que é sempre da queda que nasce alguma coisa, é primo direito da teoria, formulada por Schumpeter, de que a destruição criativa é não só inevitável como ainda necessária para fundar um novo e diferente período de crescimento.

Como não sou daqueles tipos que olham para os dois lados antes de atravessar uma rua de sentido único, tenho descoberto sinais bastante encorajadores em muitas notícias da crise.

Fiquei muito satisfeito em saber que há menos 30 mil carros a circularem diariamente nas ruas de Lisboa, o que corresponde a uma diminuição de 7% no trânsito. A queda de 9% no movimento na A1 (menos 8 500 automóveis por dia) é uma má notícia para a Brisa mas uma boa notícia para quem está preocupado com o futuro do planeta. Quero acreditar que, quando a noite passar, as pessoas que agora estão a deixar o carro na garagem continuarão a usar os transportes públicos.

Fiquei muito satisfeito em saber que as restrições ao crédito à habitação estão a fomentar o mercado de arrendamento. Ou seja, que a crise está a ser mais eficaz que Lei das Rendas na urgente tarefa de devolver ao mercado habitacional português a racionalidade e equilíbrio perdidos.

Fiquei muito satisfeito em saber que, pela primeira vez, caiu a venda de telemóveis e que a poupança dos portugueses aumentou 14%. Parece-me que 14,5 milhões de telemóveis são suficientes para dez milhões de portugueses e sonho com o dia em que voltarão a haver mais escovas de dentes nos copos da casa de banho do que telemóveis nos bolsos. 

Quando o sol voltar a nascer, espero que as pessoas não percam os bons hábitos forjados nestes tempos sombrios. E rezo para que o Estado, que por causa da crise está perder 9,5 milhões de euros/dia de receita fiscal, aproveite a oportunidade para emagrecer e se habituar a viver com menos.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

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