Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Não seria melhor voltar a fazer as contas?

As árvores não sobem até ao céu, mas nós as vezes esquecemo-nos disso.

É por excesso de optimismo que muitas famílias caem no pântano do sobre-endividamento. Convencidas que os seus rendimentos não vão parar de crescer ao longo dos próximos 15 ou 20 anos, contraem empréstimos que deixam de poder pagar quando a vida lhes prega uma partida feia e o desemprego lhes bate à porta.

É errado e perigoso planear o futuro tendo como base que os nossos rendimentos vão continuar a progredir ao mesmo ritmo que nos últimos anos.

As projecções valem o que valem (ou seja, pouco) e devíamos todos parar para mastigar a sabedoria de Voltaire quando nos avisou que não devíamos insultar o futuro tentando prevê-lo.

O futuro já não é o que era, e a prová-lo está aí o INE a dizer-nos que os preços, tal como as árvores, também não sobem até ao céu – e que a inflação homóloga, em Portugal ficou abaixo do zero pela primeira vez em quase meio século.

Vem tudo isto a propósito de o aeroporto de Lisboa ter perdido mil voos em 2008, de acordo com um estudo da operadora de jactos privados Jet Republic.

Se calhar não seria estúpido voltar a fazer as contas que nos garantiam que o aeroporto da Portela estava saturado e não ia chegar para as encomendas.

Se calhar até vamos concluir que, afinal, o aeroporto de Alcochete não é assim tão necessário – e corre o risco de se transformar em mais um elefante branco.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Música: O outro, Adriana Calcanhoto
Publicado por Jorge Fiel às 10:10
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13 comentários:
De salboerro a 14 de Abril de 2009 às 10:36
Caro Jorge Fiel,

Claro que é necessário fazer as contas, mas as contas de impacto.Será muito diferente o impacto ds investimentos de proximidade em todos os concelhos do nosso País (especialmente os menos desenvolvidos), nas pequenas e médias empresas dos diferentes (todos) sectores de actividade económica capazes de gerar nova e melhor produção. Tal produção é essencial para incrementar as exportações, substituir parte significativa das importações e aproveitar os recursos próprios que ainda possuímos e que têm sido desprezados ao longo de dezenas, dezenas e dezenas de anos, sobretudo os humanos (a diáspora, claro, continua a bom ritmo).
Outro impacto, socialmente muito mais pobre mas mais concentracionista na distribuição da riqueza envolvida, é o dos grandes investimentos que se perspectivam na construção do "Aeroporto Jamé" e do "TGV à les Mosques", depois de assistirmos quase passivamente à iniviabilização de linhas férreas centenárias e essenciais ao de serviço de transporte nos territórios do interior, verificada nas últimas décadas.
Por último, por exemplo, gostaria que alguém me informasse qual a dotação financeira anual do Estado reservada para o Teatro de Dona Maria II cuja actividade terá de ser preservada, aperfeiçoada e desenvolvida. O objectivo da obtenção desta informação é para confirmar ou não o que me foi dito ontem, em que alguém de grande credibilidade me garantiu que aquela dotação financeira anual, para o grande teatro português, era superior à indemnização compensatória anual decidida pelo Governo para a Sociedade Metro do Porto.
Os meus cumprimentos.
Salboerro


De EdeCarvalho a 14 de Abril de 2009 às 17:15
Sr. Salboerro


Estarei a ler bem?


http:/ jn.sapo.pt PaginaInicial /Interior.aspx?content_id=698879

Cumprimentos


De Jorge Fiel a 14 de Abril de 2009 às 19:13
Estimado EdeCarvalho

A indemnização compensatória para o Dona Maria foi de 5,2 milhões de euros. É muito mas é menos do que a que é devida ao Metro do Porto. Era o que faltava se assim não fosse.

Tenho dito!


De salboerro a 14 de Abril de 2009 às 20:16
Caro EdeCarvalho,

Se leu o que escrevi acabou por ler bem.
A distribuição de dinheiro pelo sistema financeiro, tanto por cá como lá por fora, sem aproveitar esta oportunidade de crise para alterar o nosso paradigma económico, é dinheiro quase "perdido". Por isso, é necessário voltar a fazer as contas em função da necessidade dessa mudança e dos investimentos de proximidade, onde as pequenas e médias empresas terão de desempenhar um lugar de destaque, uma vez que os grandes investimentos não têm a vantagem da continuidade e permanência dos pequenos investimentos mas alargados no "terreno" e a sua justificação macroeconómica ser sempre muito problemática: só acontecem uma vez de 30 em trinta anos, no mínimo.
Com a regionalização autonómica, as opções de investimento e de desenvolvimento seriam natural e qualitativamente diferentes.
Os meus cumprimentos.
Salboerro

PS - Se os valores estão correctos, em termos relativos, a dotação financeira anual para o Teatro D. Maria II é incomparavelmente alta em relação ao valor da indemnização compensatória anual entregue à Sociedade do Metrodo Porto.


De EdeCarvalho a 14 de Abril de 2009 às 17:27
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/383992


De Jorge Fiel a 14 de Abril de 2009 às 19:15
Estimado EdeCarvalho

Não consegui abrir esse link

Tenho dito!


De Jorge Fiel a 14 de Abril de 2009 às 18:58
Estimado Salboerro

Estou de acordo consigo em quase tudo - sendo que o quase se refere ao TVG, cujo impacto estou em crer poderá ser positivo.

Não quero acreditar que seja possível que o Teatro Dona Maria receba do Orçamento masi dinheiro que o Metro do Porto. Se isso for verdade é um pretexto para a Secessão.

Tenho dito!


De salboerro a 14 de Abril de 2009 às 20:20
Caro Jorge Fiel,

Como é possível ter um TGV e um novíssimo aeroporto com quase tudo o resto a degradar-se no domínio da economia, especialmente ao nível das pequenas e médias empresas (industriais, comerciais, agrícolas, pesqueiras, etc) e de muitas cooperativas vinícolas e frutícolas?
Como será possível compatibilizar tudo isto, em termos de desenvolvimento?
Só com a regionalização autonómica.
Os meus cumprimentos.
Salboerro


De Jorge Fiel a 25 de Abril de 2009 às 09:17
Estimado Salboerro

É preciso sempre começar por algum lado. E o TGV e um bom aeroporto podem ser poderosas alavancas para fazer renascer o resto.

Tenho dito!


De EdeCarvalho a 14 de Abril de 2009 às 17:27
Seria de elementar bom senso que fizessem de novo as contas.

E já agora tendo em vista o todo nacional.

Porém acho que não teremos sorte.


A 3ª República está defunta.


Venha a 4ª e que traga a regionalização autonómica.


Boa tarde a TODOS


De Jorge Fiel a 14 de Abril de 2009 às 19:00
Estimado EdeCarvalho

Independentemente da numeração da República estou de acordo consigo. Que venha a Regionalzição - e depressa.

Tenho dito.


De salboerro a 14 de Abril de 2009 às 20:45
Caro EdeCarvalho,

É importante numerar a República para que se possam estabelecer as diferenças, tanto por cada um de nós como pela História.
Se a próxima República (ou até Monarquia, é indiferente, face às duas alternativas partidárias de poder) tiver por obejctivo político a implementação da regionalização autonómica, com novos e melhores protagonistas políticos, então que seja repidamente a 4 ª. República.
Os meus cumprimentos.
Salboerro


De Jorge Fiel a 25 de Abril de 2009 às 09:20
Estimado Salboerro

Calma que com essa da Monarquia não estou de acordo.

Porque carga de água havemos de ser governados por alguém que vai buscar a legitimidade à familia onde nasceu. Por amor de Deus! Andar para trás não!

Tenho dito!


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