Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Os meus problemas com a justiça

Em 52 anos de vida nunca tive problemas com ladrões – só com a polícia e a justiça.

Fui preso duas vezes. A primeira foi em 1973, à saída de um comício antifascista, na escadaria da Reitoria da UPorto, fui apanhado com pedras nos bolsos (a intenção era apedrejar os vidros de um banco, símbolo odiado do capitalismo). Safei-me com uma multa, após uma noite no Governo Civil.

A segunda vez, foi em 1994, por ter andado à pancada com um polícia (quem começou foi ele!) na sequência de uma divergência de pontos de vista sobre se a minha carteira profissional me habilitava ou não a estacionar o carro num parque reservado a jornalistas.

Apanhei piolhos na noite passada numa cela do Aljube e fui beneficiado com uma visita guiada aos meandros da justiça em Portugal, bem mais aterradores que a visão dos Infernos pintada por Bosch.

Acabei absolvido (passou-se tanto tempo que o polícia já nem era capaz de me identificar), mas registei severas perdas materiais, pois senti-me na obrigação de compensar com garrafas de Barca Velha as dezenas de horas que as minhas testemunhas tinham perdido a comparecer em sessões que não se realizaram (por falta de sala, juiz, material, polícia, etc) ou em que não eram ouvidas – e nalguns casos a pagar multas por faltarem à chamada.

Eu já era um veterano conhecedor da absoluta incompetência do nosso sistema judicial. Enquanto responsável pelo “Comércio do Porto”, ao tempo em que o falecido diário denunciou um caso de corrupção na PJ (Sãobentogate), fui acusado da violação do segredo de justiça e abuso da liberdade de imprensa numa dúzia de processos. Meia dúzia de anos, centenas de sessões e milhares de horas depois, fui absolvido em todos.

Os tribunais são o sítio onde há mais falta de respeito pelas pessoas. Ninguém iria a um médico que marcasse a consulta de todos os pacientes para as nove da manhã, sabendo que não os podia atender em simultâneo Mas todas as testemunhas são obrigadas a aparecer à hora decretada pelo juiz.

Casa Pia, Portucale e Furacão são alguns dos sinónimos da completa ineficácia e degradação do sistema judicial que está agora a fritar Sócrates em lume brando, no caso Freeport.

Neste dia, 35 anos depois, não tenho dúvida. A justiça foi onde Abril falhou.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada hoje no Diário de Notícias

26 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D