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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Fernando Morais

Em miúdo, Paulo Coelho tinha um sonho recorrente em que a mãe era violada por vários homens que, no final, urinavam em cima dela. O pior era não ser um pesadelo, mas um sonho que lhe dava prazer!

Este sonho tenebroso, que faria as delícias de Freud, é um dos pormenores cabeludos da vida do autor do Alquimista que estavam fechados à chave num baú e que o seu compatriota Fernando Morais pôs ao sol nas 600 páginas da biografia O Mago, onde revela o lado negro de um escritor místico e com uma imagem doce.

Antes de se tornar um escritor popstar (mais de 150 milhões de exemplares vendidos), Paulo quase morreu de overdose e foi por três vezes preso. Também por três vezes foi internado e tratado com choques eléctricos no manicómio onde morreu Garrincha. Teve relações homossexuais e prestou culto a Satanás. Atropelou um rapaz e fugiu, deixando-o às portas da morte. E induziu uma namorada ao suicídio. Isto num resumo muito resumido.  

“Paulo é um presente para um autor. Quando me propus fazer a sua biografia, esperava uma história bem ‘água de flor de laranjeira’ mas, para minha surpresa, a resposta foi ‘tirem a criança da sala’”, confessa Fernando Morais, 62 anos, enquanto petiscava bolinhos de bacalhau, empurrados por golos de Sagres (de garrafa) no Palmeira, o restaurante que lhe fora recomendado por Luís Fernando Veríssimo e fica perto do Hotel Borges, no Chiado, onde está hospedado.

Fernando já tinha 200 páginas escritas quando soube que da existência de um baú fechado à chave, atulhado de diários, que o escritor dispusera no testamento que fossem queimados, mal ele morresse. Paulo começou por lhe negar o acesso, mas face à insistência do biógrafo, propôs-lhe uma aposta: dava-lhe a chave se ele encontrasse o militar que o torturara no Paraná, em Agosto 1969.

Além da data e local, partiu para esta caçada ao tesouro sabendo o posto do militar e que ele tinha um dente de ouro. Fernando passou a pente fino uma lista dos 38 majores até descobrir o que torturara Paulo. Tirou-lhe uma fotografia com o telemóvel e ganhou o direito à chave do baú. Como descobriu coisas de arrepiar os cabelos nos 170 cadernos e 94 cassetes, as 200 páginas escritas foram para o lixo. Voltou ao quilómetro zero.

Conhecido fora do Brasil pelas biografias de uma mártir comunista (“Olga”, a companheira de Luís Carlos Prestes, a comunista e judia alemã, que estava grávida quando foi entregue aos nazis pela polícia brasileira) e de um capitalista desempoeirado (“Chatô”, a história de Assis Chateaubriand), Fernando já vendeu mais de três milhões de livros.

Tornou-se jornalista com 14 anos, quando era paquete na revista do Banco da Lavoura, em Belo Horizonte, e face ao impedimento dos dois jornalistas da publicação, entrevistou uma empregada do banco que se candidatara a Miss Minas Gerais.

“Adormeci office boy e acordei jornalista”, graceja, enquanto fuma umas cigarrilhas Jewels, feitas em Miami. “Fumar charuto cubano é mais caro que educar filho em colégio na Suíça”, lamenta este homem de esquerda, que sempre que visita Fidel lhe leva uma caixa de 48 latas de Guaraná light, a bebida que o barbudo adora.

“Para sobreviverem, os jornais vão ter de voltar à grande reportagem. Não há outra saída, pois as hard news da véspera já toda a gente as viu na Net, com fotos e imagens em movimento”, afirma Fernando, que vive em S. Paulo e trabalhou em vários jornais e revistas (Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo, etc) até se dedicar aos livros,

Casado com uma historiadora, ele “adora revela personagens que estão cobertas pelo pó da história” e reconhece que os olhares e objectivos de um académico e de um jornalista são diferentes.

“O historiador tem a obrigação de interpretar os factos, Nós temos de os revelar. Se o Paulo Coelho tem um buraco na sola do sapato e se o Prestes chega aos 37 anos virgem, eu escrevo isso”, explica Fernando, que nos próximos seis meses vai estar em Miami a recolher dados para o próximo livro onde vai contar a história de cinco cubanos que Havana infiltrou na CIA.

 

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Restaurante Palmeira

R. do Crucifixo, 69 a 73, Lisboa

6 Pasteis de bacalhau....5,40 euros

2 Água das Pedras…..1,50

2 Sagres de garrafa…… 2,20

2 Imperiais Sagres….. 1,80

2 Arroz de Polvo   …… 12,00

Total….. 22,90

 

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Este artigo foi hoje publicado no Diário de Notícias

 

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