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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Os lisboetas não são necessariamente, e por regra, menos inteligentes do que nós

 

Almeida Garrett, de Barata Feyo. Está um bocado suja, mas é uma bela estátua

 

 

Sobe-me a mostarda ao nariz sempre que um lisboeta acha de bom gosto cumprimentar-me usando uma canhota tentativa de imitar o nosso sotaque: «Atão, murcóm?!. Cumu bai o Puaaaartu?». 

  

Imbuído de um espírito cristão, contenho-me e absolvo a idiotice do infeliz, que na sua santa e doce ignorância está convencido que não tem sotaque e a sua amaricada maneira de falar é o cânone.

 

Nessas alturas, respiro fundo, e repito mentalmente, as vezes que se revelar  necessário, o maior dos ensinamentos biblícos: «Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles será o Reino dos Céus/Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles será o Reino dos Céus!»».

 

Quando a minha tensão arterial regressa à normalidade, concentro os meus esforços em evitar que a condescendência que me vai na alma se reflicta no sorriso que componho.

 

Não pensem, por favor, que sou um discípulo das teorias do James Watson. Não! Não acho que os lisboetas sejam necessariamente, e por regra, menos inteligentes do que nós.

 

O problema é que um fatal erro de paralaxe distorce a visão lisboeta do país.

 

Antes de Copérnico, a Humanidade estava firmemente convencida de que a Terra era o centro do Universo.

 

Neste dealbar do século XXI, há alfacinhas em demasia a pensarem que Lisboa é o Sol à volta da qual gira o resto do país. O que é, convenhamos, pouco inteligente.

 

Os brasileiros, que tiveram a argúcia de ultrapassar a rivalidade Rio de Janeiro/S.Paulo deslocalizando a capital para Brasília, perceberam muito mais depressa do que os lisboetas que não há cânone – e que deve ser estimulada a pluralidade de pronúncias em que é declinada a língua que nos une.

 

Na última revisão do seu livro de estilo, a TV Globo acabou com a ditadura do sotaque único e decretou a liberdade de expressão da multitude de sotaques em que o português é falado.

 

Quando ouço um lisboeta a tentar ser engraçado, pontuando as frases com «caragos», lembro-me logo do que escreveu o nosso conterrâneo Almeida Garrett, escritor, político e heróis do Cerco do Porto:

 

«Se na nossa cidade há muito quem troque o b pelo v, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão».

Jorge Fiel

 

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