Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

A historiadora que vende bonecas de pano

Rosa Pomar. Como a condição de jovem mãe levou a neta de um célebre pintor a interromper uma tese de mestrado em História Medieval e a dedicar-se a fazer bonecas de pano, que vende através da Ervilha Cor de Rosa, um dos sete mil blogues mais importantes do mundo 

Nome: Rosa Pomar

Idade: 33 anos

O que faz: Bonecas de pano e porta bebés que vende essencialmente pela Net  

Formação Licenciada em História

Família:  Tem um marido e duas filhas, a Elvira, seis anos, e a Amélia, três anos

Casa: Andar no Bairro Alto, a precisar de obras

Carro: Não tem carro, nem carta de condução – “sei que é um handicap”

Telemóvel: Nokia

Portátil:  Mac, partilhado com a família

Hóbis:  “O meu trabalho é um bocado o meu hóbi. `Não trabalho por encomenda por que não trabalho por obrigação. Não em apetece. Além disso gosto de tricotar e de ler. E adoro vasculhar arquivos digitais, como o da New York Public Library”

Férias:  Gosta de férias em contacto com a Natureza.  Todos os anos passam uns dias numa casa de família em Carreço (Viana do Castelo). E também vai a Lebução, em Trás-os-Montes, que tem a vantagem de poder mostrar carneiros e burros aos filhos

Regra de ouro:  Pensar com os olhos, os ouvidos, com as mãos e os pés, com o nariz e a boca.

 

 

O que levou a neta de um pintor famoso a interromper uma investigação sobre as práticas funerárias da nobreza feminina no século XIII e começar a vender bonecas de pano pela Internet?

Elvira, a primeira filha Rosa, é a resposta certa a esta intrigante pergunta.

Se recuarmos cinco anos no tempo, tudo parecia encaminhado para que ela fizesse uma respeitável carreira académica no departamento de História da Nova de Lisboa, dirigido por José Mattoso.

A tese de mestrado já ia adiantada quando ela engravidou de Elvira, que ainda antes de nascer teve um papel determinante no baptismo do blogue de Rosa, que recebe em média três mil visitas por dia e ocupa um honroso lugar seis mil e tal no ranking dos dez mil blogues mais importantes do Mundo.

Em vão uma amiga tentou demovê-la de chamar Elvira à filha, aterrorizando-a com a perspectiva de, na escola, os coleguinhas lhe irem chamar ervilha. Rosa aproveitou a ideia e deu ao seu blogue o nome de Ervilha Cor de Rosa.

Nesta altura ninguém seria capaz de adivinhar que ela iria ganhar a vida vendendo, através do blogue, bonecas de pano.

Enquanto estudou, Rosa foi fazendo alguns biscastes para ganhar dinheiro para os seus alfinetes. Vendeu velharias na Feira da Ladra, digitalizou fontes para a Fundação dos Descobrimentos, ajudou no inventário do património artístico do BCP e foi bus lady no colégio St.Dominics, em Cascais – acompanhava os alunos nos trajectos casa-escola e escola-casa.

Pelo meio, tirou um curso de desenho e ilustração na Ar.Co (uma costela artística que não espanta em quem tem um avô chamado Júlio Pomar) e passou um Verão em Nova Iorque, de onde regressou três dias antes do 9/11.

O nascimento de Elvira, em 2003, fez com que a vida dela levasse uma volta de 180 graus.

Rosa não queria pôr logo a bebé no infantário (esperou até aos dois anos e meio) mas, como não tem feitio para dona de casa, aproveitou a overdose de tempo livre para fazer bonecas de pano para a filha, usando a técnica aprendida com a mãe médica.

Fotografias das bonecas, postadas no blogue, fizerem sensação e logo apareceram compradoras. Cinco anos depois, Rosa já vendeu mais de 850 bonecas, todas elas peças únicas, a preços que oscilam entre os 55 e os 120 euros.

“O meu género não é ser a Loja dos Trezentos”, explica Rosa, que este Verão vai abrir um atelier-loja num 2º andar da rua do Loreto, onde também promoverá workshops.

O sucesso das bonecas vendidas online (que foram imitadas por uma cadeia holandesa de artigos para criança) encorajou-a a produzir, em pequenas séries (no máximo dez de cada tecido), um modelo de porta-bebés (slings) que confeccionou para transportar Amélia, a sua segunda filha.

“É bom para os bebés andarem em contacto permanente com o corpo da mãe”, diz Rosa, que confessa sentir, de vez em quando, a nostalgia de um dia passado na Torre do Tombo.

Talvez para matar essas saudades, adora vasculhar arquivos digitais e numa dessas incursões descobriu que  a prática das mães andarem com os bebés presos ao seu corpo por um pano não era exclusiva das índias ou africanas.

“Até aos anos 50, em Portugal, as mulheres andavam com os filhos no xaile”, conta Rosa, uma empresária em nome individual que nunca teve um emprego fixo.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Este perfil foi hoje publicado no Diário de Notícias

2 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D