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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

António Pires de Lima

Nem foi preciso pedir. O Miguel passou-nos logo para a mão duas lambretas (0,1 l de cerveja de pressão) de Super Bock, servidas em copo especialmente concebido pela Unicer.

António estava a jogar duplamente em casa. A sede da Unicer é em Matosinhos e  o Miguel é sportinguista como ele – devoção que não impede que o seu restaurante seja o santuário preferido do estado maior portista e do Gotha do empresariado nortenho. Quem vai à Marisqueira de Matosinhos arrisca-se a tropeçar em Pinto da Costa, Jesualdo, Belmiro ou Rui Moreira.

“O meu prato preferido é ouvir o meu concorrente dizer mal do Sporting. A última coisa que me passaria pela cabeça seria hostilizar a massa associativa de um grande”, atira Pires de Lima, 47 anos, enquanto ataca um pratinho de camarões de Espinho, que come com casca.

O seu prato preferido no Miguel é, efectivamente, robalo grelhado com arroz de amêijoas. Ele estava apenas a dar um pontapé debaixo da mesa a Alberto da Ponte, presidente da Central de Cervejas (Sagres) e leão como ele, que ameaça processar o Sporting, alegando incumprimento do contrato por o clube ir publicitar a Super Bock nas suas camisolas.

A Super Bock ficou com Porto e Sporting, a Sagres com o Benfica. Pires de Lima reconhece que há riscos, pois o futebol é dado a polémicas, mas não teme sofrer danos colaterais desta guerra.

“Temos excelentes relações com o Benfica. Manifestamos interesse em apoiar o clube. Não foi possível porque, disseram-nos, receberam uma ‘proposta irrecusável’. Mas se algum dia se sentirem insatisfeitos com o patrocinador, continuamos à disposição. Se precisar de ajuda, o Luís Filipe Vieira tem o meu número de telemóvel”..

Em 2008, pela primeira vez em 81 anos de história, a Unicer associou-se ao futebol.  “Não estar no futebol significava abdicar de lutar pela liderança na cerveja. Não podia deixar o monopólio desse território à nossa concorrente”, explica este gestor, que começou a carreira em multinacionais (introduziu em Portugal a Dodot, Evax. Tampax e Scottex) antes de entrar nas bebidas  - demorou-se 13 anos na Compal.

A pedido de Hermínio Loureiro, que não tinha patrocinador para as competições mais difíceis, a Unicer ficou madrinha da Liga de Honra (Vitalis) e da Taça da Liga (Carlsberg)  - e com a promessa (não cumprida) de ter a preferência para a I Liga, em caso de saída da Bwin. “Mas isso agora já são águas passadas”, diz.

Pires de Lima jura que investe no futebol “menos de metade” do que a Sagres e que a sua primeira preocupação é sair mais forte deste dois anos de crise  (prevê que o sol só voltará a brilhar em meados de 2010).

As vendas de cerveja em Portugal vão cair 5% este ano (10% se o Verão for mau) e em Angola o recuo será de 20% (“não há dólares”). O consumo de águas lisas registará pela primeira vez registar uma quebra. Apesar disso, ele promete lucros iguais aos de 2008.

“Cada um segue a sua agenda. A minha é a da sustentabilidade. Prefiro ser um nº 2 forte e rentável, do que um líder a perder 20 milhões de euros/ano”, afirma, antes de desfiar com orgulho os números gordos dos quatro anos que leva à frente da Unicer: tirou 40 milhões de euros aos custos, gerou 100 milhões de lucro, distribuiu 80 milhões de dividendos e abateu 50 milhões ao passivo. “Nesse período a Central perdeu 80 milhões”, acusa.

A aposta no futebol não afecta a música, que ele considera importante “pelos valores e convívio, modernidade e universalidade que transporta”. “Os consumidores percepcionam a Super Bock como mais sofisticada e arrojada. Não a podíamos deixar afunilar no futebol”, diz.

As festas são o terceiro pilar da sua estratégia. Anda satisfeitíssimo por ter conseguido ganhar as Festas de Lisboa por três anos.

 “Temos de crescer a sul. O Sporting e as festas de Lisboa vão ajudar a ganhar a confiança dos consumidores”, conclui este lisboeta que não se importa de passar parte da semana longe do seu harém (a mulher e cinco filhas, todas de olhos azuis ou verdes). “Gosto de viver na Foz, do cheiro da cidade e das pessoas do Porto”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

 

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Marisqueira de Matosinhos

Rua Roberto Ivens 717, Matosinhos

1 torrada aparada … 2,70 euros

1 torrada de centeio … 2,50

Camarão da costa…. 9,00

Percebas… 9,00

Robalo com arroz de amêijoas … 75,00

Cerejas… 6,00

8 lambretas … 8,00

2 cafés…2,60

Total….. 114,80 

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