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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Fernando Cardoso

Foto Luis Costa Carvalho

Não. Não foi com leite que empurramos a Posta e o Arroz do Fumeiro (pratos que partilhamos), mas sim com um Planalto bem fresco. O leite foi só para a fotografia. Um truque para chamar a atenção.

Habitualmente, Fernando restringe ao pequeno almoço o consumo de leite – com cereais ou o café. Mas o filho adoptivo, de 18 anos, é como os nórdicos, ou seja acompanha as refeições com leite, o que faz com que os dois gastem um pacote todos os dias, bem acima do consumo médio per capita português, que estabilizou nos 90 litros/ano, em linha com a média europeia.

O Restaurante Caldeira, junto ao coreto do Jardim Cordoaria, fica a poucas centenas de metros da sede na Fenelac, na rua da Restauração, que desce em direcção ao rio, e por isso é um dos que ele mais frequenta no dia a dia por Fernando.

Mas a escolha de uma casa especializada em cozinha regional portuguesa (a alternativa era um italiano na Marginal), encerra algum simbolismo num momento em que as importações de excedentes de leite francês e polaco, pelos dois gigantes da distribuição (Sonae e Jerónimo Martins), obrigou os 50 mil produtores de leite a desenterraram o machado da guerra.

“O litro de leite está a ser vendido mais barato que um litro de água”, denuncia Fernando Cardoso, 35 anos, um engenheiro agrário que há nove anos trabalha na Fenalac.

No início de Junho, a Sonae pôs o sector a ferver ao pôr à venda a 39 cêntimos o pacote de litro de leite da sua marca branca de combate É, uma descida abrupta de preço que logo seguida pelo Pingo Doce (Jerónimo Martins) e as cadeias estrangeiras (Lidl, Auchan/Jumbo, etc).

Com os dois euros que custa um litro de água Vitalis Premium no Continente, compram-se cinco litros de leite e ainda se guarda cinco cêntimos de troco.

O leite está entornado, e os produtores já começaram os protestos, um pouco por todo o país, em frente a hiper e supermercados, acusando a grande distribuição de os encurralar numa situação dramática.

“O leite foi dos poucos sectores da agricultura que se soube organizar e ter uma visão de mercado. O equilíbrio desta fileira, que representa 1,5 milhões de euros/ano, está a ser rompido pelas importações maciças de excedentes de leite estrangeiro. É pena que sejam duas cadeias portuguesas a porem em causa a produção nacional”, denuncia – a Auchan garante que o seu leite é comprado em Portugal.

A produção nacional de leite correspondia grosso modo ao consumo. Esta tranquilidade foi sacudida pelo crescimento de 50% nas importações verificado em 2008. Hoje em dia, um em cada quatro pacotes de vendidos são de leite estrangeiro,  o que põe em perigo o futuro o nosso efectivo de 306 mil vacas leiteiras.

O dirigente da federação leiteira acusa a Sonae de “estar a atacar deliberadamente a Lactogal”, a maior empresa alimentar da Península Ibérica, criada por três organizações de produtores (Proleite. Agros e Lacticoop).

A Lactogal recolhe 55% da produção e com as suas marcas (Mimosa, Agros e Gresso) tem uma quota de mercado de 60%. Está a comprar o leite aos produtores a 30 cêntimos o litro, e como garante a compra de toda a produção dos seus associados está a secar 15% do leite e a constituir stocks monumentais.

A Fenelac desconfia de dumping nos 39 cêntimos por pacote. “O preço dos excedentes de leite do centro da Europa ronda os 22 cêntimos. A embalagem de Tetra Pak custa 10 cêntimos e há que adicionar os transportes, controlo de qualidade, distribuição e margem”, diz Fernando Cardoso, que acha estranho que a Jerónimo Martins venda o leite polaco dez cêntimos mais barato em Portugal do que na Biedronka.

“É impossível sermos competitivos com o litro a 39 cêntimos. Não podemos baixar mais os nossos custos de produção”, jura o secretário geral da Fenalac, que antecipa a eclosão de graves problemas sociais se a distribuição persistir no braço de ferro com os produtores de leite.

Como não vale a pena chorar sobre leite derramado, Fernando pediu um leite creme para a sobremesa. Assim como assim, sempre deu uma ajuda ao consumo…

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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Restaurante Caldeira

Campo Mártires da Pátria, 53, Porto

Posta Maronesa … 13,90 euros

Arroz do Fumeiro … 10,50

Planalto …. 9,50

Leite creme… 2,50

2 cafés… 1,40

Total … 37,80

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