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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

É preciso ver o que não está visível

 

Apesar de ter sido bastante acidentado, não tenho razão de queixa do curso de História que fiz na Faculdade de Letras de Universidade do Porto, entre os anos lectivos 75/76 e 79/80.

Foi agitado logo do princípio. As aulas a começarem apenas em Fevereiro de 1975.  No primeiro ano, havia uma lista de cem cadeiras, a escolher à vontade do freguês e se podiam ir fazendo ano após ano, mais ou menos arbitrariamente. Podíamos arrancar o curso com a seguinte combinação de cadeiras, tão interessante quanto desirmanada: Cronologia da Idade do Bronze Peninsular, História da I República, Introdução à Sociologia e Movimentos Populares na Idade Média.

Em todos os anos seguintes o plano de curso foi alterado, sendo que a mais profunda das mudanças ocorreu nas férias de Verão, a seguir a eu ter  passado para o 5º ano. Estava a banhos no Carvoeiro quando soube que o curso tinha minguado para quatro anos.

Passei as férias na dúvida sobre se já teria ou não acabado o curso quando na rentrée, há precisamente 30 anos, me foi explicado que tinha sido achado uma solução do tipo salomónica.

O curso, que era suposto ser de cinco anos e acabar em Junho de 1980, encolheu para quatro anos e meio e a sua conclusão foi antecipada para Janeiro, para não prejudicar os meus colegas que curso que queriam ir dar aulas e assim não teriam de concorrer ao mesmo tempo que os do ano anterior.

Nos cinco anos, mal medidos, em que andei na faculdade aprendi que mais importante do que estudar (decorando factos inúteis, que a memória cedo enviaria para o arquivo morto) era aprender a estudar.

Em 1980 saí da faculdade equipado com um preciosa ferramenta, que consiste em saber procurar e relacionar os factos, peneirar e calibrar a informação, de modo a poder pô-la em perspectiva e permitir assim que ela nos ajude a perceber o passado, compreender o presente e tentar ver o futuro.

Desde que acabei o curso, o mundo nunca mais tirou o pé do acelerador. Numa semana, o New York Times publica mais informação do que a que Luís de Camões recebeu em toda vida. Calcula-se que em 2009 serão produzidos quatro exabytes de informação, mais do que em todos os cinco mil anos anteriores.

A informação técnica duplica todos os anos, o que quer dizer que, num curso de quatro anos,  quando o aluno chega ao 3ª, metade do que aprendeu no 1º já está desactualizado.

Neste mundo o papel da escola é ensinar-nos a estudar, pensar, trabalhar - e a perceber à primeira o que Sun Tzu queria dizer quando há 2 500 anos escreveu: :”Não é preciso ter os olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter os ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para se ser vitorioso, é preciso ver o que não está visível”

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

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