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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Andamos todos à caça de gambozinos?

O beijo na cara tem muito que se lhe diga. Os lisboetas usam o beijo único. Eu, que sou parolo, habituei-me de pequeno a dar dois beijos. Apesar de frequentemente ficar pendurado, por a face já lá não estar quando vou dar o segundo beijo, mantenho-me fiel ao beijo stereo, tanto mais que os franceses dão três beijos e são os maiores especialistas mundiais em questões de etiqueta.

Mas estou a encarar a hipótese de congelar esta prática por causa da terrível interpretação do art. 283º do Código Penal feita pelo Rui Pereira de Melo, da Abreu & Associados.

O 283 determina que quem propagar uma doença contagiosa arrisca-se a passar na choldra entre cinco (contágio por negligência) a oito anos (caso se prove ter havido intenção).

Na douta opinião do Melo, o 283º aplica-se ao contágio da gripe A. Ou seja, se eu, sem saber, estiver a chocar o H1N1 e o transmitir a alguém através dos beijos stereo, estou sujeito a ser posto à sombra até 2014.

A gripe A tem muito que se lhe diga. O Paulo dos Marques, consultor do Governo, prevê que dentro de um mês haverá tanta gente no país com gripe A como pobres no Norte – ou seja, um cerca de um milhão.

Os lojistas do Freeport acusam a gripe A de lhes estar a dar cabo do negócio, apesar da publicidade suplementar que o PSD e a TVI têm feito ao seu outlet.

O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores teme que as suas associadas abram falência se os seguros de saúde tiveram de cobrir as despesas provocadas pela gripe A (apesar de eu já ter ouvido médicos garantirem que ela se cura com quatro euros e uns dias de cama).

O BCP identificou a gripe A como a grande ameaça à sua actividade no 2º semestre e a ministra da Saúde adverte que as crianças com febre serão impedidas de entrar nas escolas (será que vamos ter à entrada alguém a pôr-lhes a mão na testa ou a enfiar-lhes um termómetro?).

A gripe A tem todo o aspecto de ser um caso muito sério, o que me deixa um bocado aborrecido por ninguém das minhas relações ter sido (ainda, acrescento com uma réstia de esperança) vítima dessa praga.

Mesmo da gente que só conheço dos Media, não sei de ninguém com a Gripe A – nem a Moura Guedes, nem a Nereida, nem a Cláudia Jacques, nem o advogado do Relvas, nem a Melanie Laurent (na fotografia)  nem a ex-mulher do Carlos Queiroz,  nem o Malato, nem o Ricardo Salgado, nem a Elsa Raposo ou Jorge Coelho.

É por isso que às vezes dou por mim a pensar se não estaremos a ser vitimas de uma gigantesca partida, e se a pandemia da Gripe A não será uma nova caçada aos gambozinos, uma espécie de Pai Natal dos tempos modernos, inventados pela LPM do Obama para afastar o espantalho da crise da cabeçalhos dos jornais e das aberturas dos telejornais…

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

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