Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Eu estava a ressonar durante o blackout

O Froiz subiu de 5,95 para 7,90 euros o preço do quilo do rolo da carne picada recheada com queijo e chouriço, em linha com aumentos superiores a 30% verificados no bife. Tenho pensado muito nas razões deste aumento e até já me passou pela cabeça escrever ao Dear Economist, do Financial Times, para saber o que é que o Tim Harford pensa sobre o assunto.

A melhor explicação que arranjei para a brutal inflação do custo da matéria prima do meu assado dominical foi a da que a pessoa que marca os preços das carnes na rede galega de supermercados foi uma das vítimas do flash forward e teve uma visão muito cor de rosa do estado da nossa economia a 21 de Abril de 2010.

Passo a dar o contexto, para acautelar o caso, altamente improvável, de não ser umas das 12 milhões de pessoas que não perdem um episódio de FlashForward. A intriga desta série televisiva (AXN, 4ª feira, 22h25) baseia-se num desmaio global ocorrido às 11 da manhã (Pacific Standard Time) do passado 6 de Outubro, com a duração de 2m17s, durante o qual a generalidade das pessoas abriu uma janela no futuro e teve uma visão da sua vida a 21 de Abril de 2010.

Não sei se fui vítima deste blackout, o que até se compreende porque às 11h00 em Los Angeles são três da manhã no Porto e eu, a essa hora, tenho o hábito de estar a dormir. Não tive nenhuma visão do futuro, que fundamente uma atitude mais optimista ou pessimista na compra de prendas de Natal. Mas sei que o marcador do preço das carnes do Froiz não foi o único a ter uma visão encorajadora durante os 137 segundos em que perdeu a consciência.

Os bancos voltaram a abrir a torneira do crédito à habitação e o preço das das casas voltou logo a subir. A Brisa prevê, para 2010, um aumento de 3,6% no tráfego das auto-estradas. E, apesar da tradicional correcção de Outubro, os indicadores anualizados do Euronext Lisbon dizem que o champanhe está de regresso à bolsa.

Apesar desta euforia, eu (que, como estava ressonar durante o blackout, não faço a mínima do que vai acontecer na Primavera) continuo bastante preocupado com o Inverno da nossa economia revelado pelas previsões de Outono da Comissão Europeia de que Portugal vai ter crescimentos microscópicos do PIB (0,3% em 2010, e 1%, em 2011), dos mais baixos da UE e do Mundo, depois de este ano termos perdido a riqueza que demoramos quatro anos a construir.

Eu não sou daqueles que olham para os dois lados antes de atravessar uma rua de sentido único, mas não consigo deixar de enrugar a testa quando vejo o Estado a gastar mais de metade do PIB e os escândalos a sucederem-se, ameaçando tolher o Governo numa altura em que, mais que nunca, o país precisa de governo.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

17 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D