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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Mafalda Pinto Leite

A cozinha é território das mulheres, mas quando chegamos à haute cuisine, às estrelas Michelin e aos chefs que atingiram o Olimpo da celebridade, ao lado de cantores pop, vedetas de Hollywood ou futebolistas milionários, entramos num mundo quase exclusivamente masculino.

Mafalda, 33 anos, tem uma explicação: “O trabalho na cozinha de um grande restaurante é duro. É muita gente em stress, num espaço reduzido e num ambiente agressivo de vapores e cheiros. E a carga horária é muito pesada. O horário pode ser das nove às seis, mas o mais certo é não sairmos antes das duas da manhã. Chega a uma altura em que nós, mulheres, temos de optar entre a carreira e a família ”.

Melhor aluna do curso de chefes de cozinha do Natural Gourmet Institute for Health & Culinary Arts de Nova Iorque, Mafalda tinha 25 anos e trabalhava no Monte’s, em Chelsea, quando escolheu ser mãe.

Quando o espaço ocupado por Marina (a filha mais velha, que tem sete anos) na sua barriga se tornou incomportável com o duro trabalho na cozinha, não teve outro remédio senão sair do restaurante frequentado por Beckham, Madonna e príncipe William, e arranjar um emprego mais calmo na Book for Cooks, livraria londrina especializada em livros de culinária que tem uma cozinha ao fundo, onde são experimentadas receitas e servidas refeições rápidas.

Regressada a Portugal há cinco anos, Mafalda arranjou um irmão (Vasco, dois anos, obcecado por automóveis) para a Marina, escreveu dois livros práticos (“Cozinha para quem não tem tempo” e “Cozinha para quem quer poupar”), teve uma rubrica no Praça da Alegria (RTP) e uma participação no Mundo das Mulheres (SIC).

Falou-nos dos seus planos que, tal como as flores, vão desabrochar na Primavera, à mesa do Monte Mar, o restaurante da Quinta da Marinha que escolheu um pouco a medo (“não será muito caro?”), num dia em que a chuva nos impediu de desfrutar da magnífica varanda. Acompanhou os filetes de pescada com um improvável sumo de laranja, apenas por precaução, pois estava constipada e nas vésperas de umas mini-férias em Londres, aproveitadas a rever amigos, fazer compras de Natal em Oxford Street e repôr o stock de Earl Grey de chá verde na Fortnum & Mason. Não tomou café, porque do que ela gosta mesmo é de galões.

Na Primavera vai relançar o site, voltar à televisão e abrir um café (“Não é tão absorvente como um restaurante”) no Monte Estoril, onde mora. “Vai abrir às oito da manhã com um pequeno almoço fantástico. Durante o dia servirá comida leve, fresca e sazonal, num ambiente muito relaxado”, descreve Mafalda, que tem em curso uma cruzada de preservação dos sabores antigos e deliciosos da comida cozinhada pelas suas avós Pinto Leite e César Machado.  

“É possível fazer comida boa e saudável, temperada como antigamente”, diz, acrescentando ter pena que se esteja a perder o hábito da família conviver à volta da mesa: “Cozinhar é um acto de amor. É preciso ter carinho a pôr as coisas no prato, cortando, por exemplo, a maçã em forma de coração. E, ao fim de semana, a família pode juntar-se na cozinha a fazer um risotto”.

Mafalda nasceu no Porto, onde estudou no Colégio Inglês. A paixão pela cozinha despertada pelas avós, aguçou-se quando aos 16 anos se tornou vegetariana e tinha o desafio de infiltrar sabores no tofu, “uma tela em branco que não sabe a nada”. Aos 18 anos, iniciou a peregrinação pelo mundo fazendo cozinha vegetariana numa comunidade auto-suficiente, em Inverness, Escócia.

A excelente nota no curso em Nova Iorque abriu-lhe as portas do Chez Pannisse, em S. Francisco, de onde partiu para quatro anos como responsável pelas refeições num spa de luxo no Havai. Em Londres, no Monte’s aprendeu a cortar carnes. “Ser vegetariana fez parte do meu crescimento como pessoa. Em Portugal, com um peixe fabuloso, carne fantástica e queijos magníficos é quase um crime ser vegetariano”, diz Mafalda, que no Natal vai andar entre Lisboa e o Porto. Passa a véspera no Estoril. No dia, repartirá o almoço entre as famílias materna e paterna e à noite vai jantar à irmã. Como não é fã de rabanadas, vai levar um tiramisu, a sua sobremesa preferida.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Restaurante Monte Mar

Av. Nossa Srª do Cabo, 2845, Cascais

2 Filetes de pescada com arroz de berbigão… 46,00 euros

2 Águas do Castello 0,25 l…  4,00

1 Sumo de laranja natural …4,00

1 copo Monte Velho branco … 4,50

1 café … 2,00

Total … 60,50 euros

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