Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Mário Dorminsky

Foto de Luís Costa Carvalho

Mário Dorminsky, 54 anos, é um Touro que se sente ao espelho quando lê as características do seu signo: considera-se um lutador persistente, que não desiste enquanto não leva a sua avante, um pouco ditador com a mania de centralizar tudo, mas um tipo bonacheirão e bem disposto, que faz amigos com facilidade.

É talvez esta capacidade de arredondar as esquinas do dia a dia que explica o facto de há cinco anos trabalhar como vereador da Cultura de Luís Filipe Menezes, que acha que o seu cunhado é “a loura do PSD” (Mário é casado com Beatriz, irmã de Pacheco Pereira), e de no seu outro chapéu, o de presidente da Cinema Novo (a entidade organizadora do Fantasporto), estar há dez anos em litígio com a Câmara de Gaia.

O conflito radica no não cumprimento pela autarquia da promessa, reduzida a escrito num protocolo assinado por Menezes e Dorminsky, de ceder à Cinema Novo um antigo armazém da Real Companhia Velha, que no entretanto foi parar a outras mãos e vai ser o Cais Cultural de Gaia. Mas Mário está convencido que tudo se resolverá e o seu projecto de instalar na margem esquerda do Douro uma Casa do Cinema (misto de museu da história da Sétima Arte e de videoteca gigante) irá um dia sair do papel. A esperança é a última coisa a perder.

Almoçarmos no Areal, que, como o nome indica, fica em cima da praia de Miramar (umas das 17 de Gaia com bandeira azul) e muito perto da casa que Dorminsky comprou há pouco tempo e usa como residência de fim de semana.  Não resistiu a uma baba de camelo a seguir a um bife à padeiro (uma variante do célebre bife Wellington) numa refeição que acompanhou com água Vitalis e uma Super Bock Stout  - a Unicer é, há um quarto de século, um dos principais  patrocinadores do Fantasporto, o maior festival de cinema do país,  que recebe em média 80 mil espectadores e cuja 30º edição arranca em Fevereiro.

Financiar o festival é uma dor de cabeça para Mário, que recebeu a mais moderna forma de dizer não (o “vamos a ver”) como resposta das 200 empresas a quem propôs patrocinarem o Fantasporto e se queixa amargamente de, a semanas da abertura do festival, o Instituto de Turismo de Portugal (ITP) ainda ter dito nada quanto a apoios.

“O ano passado recebemos 55 mil euros”, diz Mário, nada satisfeito pela desproporção dos apoios. Os 700 mil euros que o Turismo dá ao festival Estoril quase chegavam para fazer todo o Fantas 2010, que tem um orçamento de 780 mil euros (menos 25% que o 2009).

“Vamos fazer muito fumo com pouco fogo. Os espectadores não vão sentir que há crise. Vamos fazer uma belíssima omeleta francesa, pouco cozinhada como eu gosto, com poucos ovos”, garante Dorminsky a propósito de um festival, que inclui um ciclo dedicado à história do cinema francês (14 filmes, desde os irmãos Lumière até ao dias de hoje) uma homenagem a Luis Galvão Teles, conferências sobre robótica e work shops sobre efeitos especiais.

Apesar do Fantas ter projecção nacional, tal como Serralves e a Casa da Música, Mário não tem dúvidas que é prejudicado por estar no Porto. “Quinze revistas de companhias de aviação pediram-nos informação para publicação. Somos mais respeitados no estrangeiro do que no nosso país” , diz,  recordando a  história do enviado do JN ao Mundial da Coreia, que quando estava a credenciar-se e se declarou português, foi logo questionado pelo correspondente da Time em Seul: “Conheces o Dorminsky?”.

Apesar de declarar “trabalhar sem rede”, devido ao défice de equipamentos culturais em Gaia, diz que lhe tem dado “muito gozo” ser vereador, desbobinando com orgulho o nome de algumas das suas realizações, como o Teatro Brazão, o Arquivo Municipal Sophia ou o Atelier Soares dos Reis. Mas acha que se podia fazer muito mais e melhor.

“Porto, Gaia e Matosinhos deviam articular a oferta cultural, para que haver uma complementaridade de eventos. Devia haver uma empresa intermunicipal a gerir a cultura. Ao não conseguirem entender-se, os presidentes da Câmara prejudicam a imagem e a posição do Norte face ao centralismo total que Lisboa exerce sobre o resto do país”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

Menu

Areal, Avenida da Praia, Miramar, Gaia

Cesto de pão … 1 euro

2 bifes à padeiro … 18,50

Água sem gás … 1,50

2 Super Bock Stout … 3,00

Baba de camelo … 3,50

2 cafés … 1,60

Total … 29,10

20 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D