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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Luis Miguel Rocha

O único autor português que conseguiu ter um livro na lista dos mais vendidos do New York Times ganhou o hábito de escrever os seus best sellers com os polegares no teclado de um Nokia E 70, durante os longos passeios que dá pelo Parque da Cidade do Porto e pelas marginais fluvial e marítima de Gaia.

“Escrevo em qualquer lado. Preciso de andar para pensar. Não consigo estar muito tempo parado em casa sentado à frente do computador”, conta Luis Miguel Rocha, 34 anos, o autor de “The Last Pope”, thriller sobre o curto pontificado e a misteriosa morte do papa João Paulo I, que vendeu meio milhão de exemplares.

Luis cresceu em Viana do Castelo onde teve o seu primeiro emprego como recepcionista de um hotel, que acabou no dia em que o patrão foi mal educado com ele. “Não levo desaforos para casa”, explica a propósito de lhe ter respondido à letra.

Despediu-se e foi para o Porto, onde se instalou no apartamento na zona do  Hospital de S. João onde ainda vive, apesar de ter acabado se assinar em Nova Iorque  um contrato milionário com a Putnam, para a entrega de três livros novos thrillers religiosos, à razão de um por ano.

Monárquico, portista e vagamente católico (“Não compro o produto que eles vendem. A religião não me diz nada, mas às vez dou por mim a usar o nós quando falo dos católicos”, precisa), começou por ganhar a vida como cameraman da produtora que filmava as missas para a TVI, antes da primeira incursão no mundo da escrita, redigindo guiões e fazendo traduções.

Sempre teve uma queda para as letras. “Sabia que as minhas palavras tinham efeito”, confessa Luís, que por brincadeira, costuma dizer que escreve bem demais (“Não sei escrever mal”). “Não sou eu que mando nas personagens, são elas que mandam em mim”, garante, acrescentando interrompeu, durante uma semana, a escrita do seu segundo “best seller” (“The Holy Bullet”, que em Julho vai ser editado em paperback nos EUA e em Inglaterra) por ter ficado chocado com a morte de uma das suas personagens favoritas.

Luís escolheu almoçarmos no café da livraria Almedina do Arrábida Shopping, que. além de uma esplanada com uma vista soberba do Porto. tem 20 salas de cinema que ele frequenta regularmente. Acompanhou a refeição com água, porque quer perder peso e retomar a forma da fotografia da contra capa da edição hardcover de “The Holly Bullet”, tirada num estúdio em Nova Iorque, numa sessão que durou quatro horas e meia.

O momento de viragem deu-se quando um seu conhecido, que refere como “a fonte”, lhe deu acesso a material (incluindo uma cópia dos diários do papa)  que acusava a loja maçónica P2 de ter responsabilidade no assassinato de João Paulo I, que planeava substituir membros da Cúria Romana envolvidos em lavagem de dinheiro.

Tinha 29 anos, quando, em Abril de 2005 contratou uma agente catalã, que com base nas primeiras 30 páginas do livro, vendeu na feira de Frankfurt os direitos de publicação para Espanha e Itália. A partir daí foi sempre subir e “The Last Pope” (onde a irmã Lúcia adverte João Paulo I que o terceiro segredo de Fátima é que ele vai ser assassinado) está editado em mais de 70 países – e em quase todos eles vendeu mais do que em Portugal, facto que ele aceita com um encolher de ombros.

“Um dia estava a tomar café na Piazza Navona com uma jornalista da Rádio Vaticano quando um alto dignatário da igreja apareceu e sentou-se na nossa mesa. Quando lhe perguntei o que diziam sobre “The Last Pope” ele respondeu: “É um livro que toda a gente lê, mas ninguém lê. A ordem é silêncio total porque tudo quanto escreveste nele é verdade”.

Luís tem duas jornalistas italianas a fazerem pesquisa para ele. Obrigou-se a ser muito rigoroso, pois os leitores americanos de thrillers verificam os factos, se possível até mesmo no local. Todos os padres, bispos e cardeais que aparecem nos livros existem na realidade.

No 4º livro desta saga (o 3ª é lançado a 5 de Agosto nos EUA), que ele começa a escrever para a semana, o enredo baseia-se no facto, que ele garante estar comprovado por ADN, de uma dos grandes papas do século XX ter tido uma filha.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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Cafetaria Almedina

Arrábida Shopping, Vila Nova de Gaia

2 Creme de legumes

2 Polvo assados

1 Água

1 Sumo de abacaxi

2 Cafés

Total … 12,00

 

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