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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Fernando Santo

 

Pouca gente no Oeste saberá que o principal responsável por aeroporto de Lisboa não ir ser construído na Ota é um filho da região. Fernando Santo, 59 anos, nasceu e cresceu em Alcobaça, onde os pais têm pomares, pinhal e vinho. “Limitei-me a explicar de uma forma simples porque é que a Ota era uma má opção”, diz, modesto, o homem cuja intervenção pública forçou José Sócrates (que como é engenheiro técnico não está inscrito na Ordem) a reabrir a discussão sobre a localização do novo aeroporto. 

O ex-bastonário da mais populosa das ordens (há 44 mil engenheiros, 36 mil médicos e 30 mil advogados) concede que o dossiê Ota foi a mais vistosa acção dos seus dois mandatos, mas chama a atenção para outra, menos visível, mas que ele considera ainda mais importante. “A nossa influência na produção legislativa cresceu imenso, porque o poder político passou a olhar com outros olhos para os nossos contributos. A Ordem ganhou credibilidade” reivindica este engenheiro civil, que declara: “Não estou alinhado com nenhum partido, penso com a minha cabeça”.

Fernando habituou-se a ser independente logo aos dez anos, quando foi viver para um quarto alugado, em Leiria, onde fez o liceu. “Nunca tive ninguém ao lado que me mandasse estudar. Mas nunca chumbei nem deixei qualquer cadeira para trás. Aprendi a trabalhar com objectivos”, conta, com orgulho.

Acabar o liceu com 14 – de média geral mas também a Física e a Matemática - para entrar no Técnico foi o primeiro objectivo. A agricultura, com despesa certa e receita incerta, nunca o seduziu. Desde miúdo que queria ser engenheiro.  O Lego e o Meccano foram decisivos para este fascínio juvenil, confirmado quando os pais lhe deram uma caixa de construções electrónicas da Philips que lhe permitia fazer coisas como um rádio e um piano. Tinha 12 anos e ficou deslumbrado.

Sobreviver aos dois anos preparatórios do Técnico, com aulas das oito às 18, sábados incluídos, foi o objectivo seguinte. É com este saber de experiência feita, que critica Bolonha e a massificação do ensino feita à custa do abaixamento da qualidade.

“As escolas desceram o nível de exigência para terem mais alunos e assim se financiarem. A questão de fundo é que as pessoas se preocupam mais com os títulos académicos do que com o resultado da formação”, acusa o ex-bastonário, que escolheu almoçarmos no restaurante da Ordem, num 6º andar com vistas para o Parque Eduardo VII.

Abriu com uma sopa e seguiu com uma posta de garoupa grelhada (acompanhada por água e um copo de branco) numa refeição frugal sobremesada por fruta laminada. Já depois do café , aceitou, por insistência do presidente da Relação,  uma fatia de bolo de chocolate da festa de aniversário de um juíza, comemorada por um grupo que almoça todas as 6ª no restaurante da Ordem dos Engenheiros – onde também almoçou ontem Maria de Belém Roseira, que é casada com um engenheiro.

“A capacidade técnica da engenharia portuguesa é reconhecida em todo o mundo devido ao saber acumulado durante cem anos de ensino exigente – e não por causa dos cursos da treta”, diz, considerando um disparate os 526 cursos de engenharia (entre licenciaturas e mestrados) existentes no nosso país e “andarem para aí a vender que a vida é uma coisa fácil, pelo que os meninos podem passar pela escola como se fosse uma zona de lazer”.

Fernando deixou os quartos alugados quando andava no 4º ano do Técnico e foi trabalhar no IV Plano do Fomento. Em 1976, trocou a alcatifa pela Somapre, que projectava e construía escolas e habitações prefabricadas. Após três anos em regime de profissão liberal, foi para a EPUL (onde voltou agora, como administrador), onde viveu a mais gratificante experiência profissional da sua vida: dirigir a construção de 540 apartamentos na Vila Expo.

“Para um engenheiro, é um enorme prazer ver, em Janeiro de 95, um pântano onde o meu jipe ficou atascado, e três anos depois ver uma cidade no mesmo local. Não havia derrapagem possível. A 22 de Maio de 1998 tinha de estar tudo pronto”, concluiu o ex-bastonário, que vive em Telheiras e se despede com uma mensagem: “No séc. XXI a engenharia é um recurso estratégico nacional”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

 

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Ordem dos Engenheiros

Av. António Augusto de Aguiar, 3-6º andar, Lisboa

3 copos de branco Quinta do Cardo… 3,90

Águas … 1,30

2 refeições (sopa, garoupa e fruta)  … 28,00

2 cafés.. 1,60

Total… 34,80 

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