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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Carmo Fonseca

A cara dela, com o cabelo curto e a determinação a transbordar dos olhos azuis, andou aí pelas ruas, reproduzida nos enormes outdoors da campanha de promoção de Portugal como West Coast da Europa. Quando se tratou de mostrar os melhores de entre nós, os escolhidos foram Mourinho, Joana Vasconcelos, Cristiano Ronaldo, Mariza e Carmo Fonseca, investigadora de Medicina Molecular, que, no meio século de vida que leva, já tem na bagagem uma quantidade impressionante de prémios, comendas e outras honrarias. Ela faz parte do clube restrito dos melhores dos melhores.

“Tenho um gravíssimo problema de tempo”, confessa esta mulher que acumula os prazeres de ser cientista com o de professor (dá aulas de Biologia Molecular aos caloiros de Medicina) e directora executiva do Instituto de Medicina Molecular e do programa Harvard Medical School Portugal.  Supervisiona mais de 300 investigadores, que trabalham em projectos tão apaixonantes como a descoberta de um algoritmo que, ao monitorizar a frequência cardíaca do feto, permita identificar o momento em que ele entra em sofrimento e deve ser provocado o nascimento para evitar lesões graves.

Filha de um engenheiro que esteve em grandes obras públicas (ponte sobre o Tejo e a barragem de Cabora Bassa), Carmo nasceu na Beira, Moçambique, mas cresceu em Almada, educada pela mãe, que deixou de ser professora primária para tratar da sua única filha, que em nome da paixão pela Ciência decidiu não ter filhos. “Não sou do tipo doméstico”, diz a cientista que não admite ser perturbada quando está a escrever um paper (como tem o curso de instrutora de obediência canina, o casal de pastores alemães que tem na sua casa em S. Domingos de Rana nunca a incomoda), ou que haja música no ar quando está concentrada nas experiências, em que é viciada.

Apaixonou-se à primeira vista pela descoberta do funcionamento da vida quando, ainda no ciclo, recebeu os primeiros livros de Ciência. A partir do meio do liceu, incapazes de satisfazer a sua inesgotável curiosidade, os professores despachavam-na para a outra margem do Tejo, para buscar as respostas nos livros da biblioteca da Faculdade de Ciências, onde os seus colegas universitários lhe achavam piada e forneciam moscas para ela investigar ao microscópio, tentando arranjar uma explicação para umas terem olhos brancos e outras vermelhos.

Fartou-se dos livros quando deixou de encontrar neles as respostas e foi para o laboratório resolver as questões em aberto. “Um dos males do nosso ensino é privilegiar a reprodução e memorização do conhecimento, em vez de estimula a análise , interpretação e criação de novo conhecimento”, explica Carmo, que estudou Medicina mas nunca exerceu, e escolheu almoçarmos no La Gondola. Como de costume, comeu uma sopa e uma salada (com folhados de queijo de cabra) dispensando o café, pois vai buscar a adrenalina a outros lados.

Carmo tem um físico de atleta que denuncia ter sido remadora de competição no Clube Ferroviário de Portugal (Alcântara), e a prática de canoagem e windsurf.   Coxear ligeiramente lembra-lhe a queda grave, em que se partiu toda (sofreu fractura exposta do fémur e foi submetida a diversas operações), quando, com 20 anos, praticava escalada no Farol da Guia. “Eu era fanática por escaladas. O meu maior gozo é superar dificuldades”, explica a cientista, que agora se diverte com o Airsoft,  modalidade que consiste em interpretar no terreno situações que podiam ser enredo dos thrillers de Daniel Silva – no último exercício a equipa dela foi bem sucedida na missão, que consistia em tomar um posto inimigo, descobrir o mapa que indicava a localização do prisioneiro, libertá-lo e conduzi-lo são e salvo ao ponto de aterragem do helicóptero que o evacuou.

“O meu objectivo na vida não é fazer muitas coisas mas arranjar boas soluções para os problemas”, sintetiza Carmo, que na sua investigação sobre o genoma humano percebeu o porquê da distrofia muscular que afecta alguns rapazes (e que por isso perdem progressivamente a força muscular e não chegam a atingir a idade adulta) – e esta resposta a vai ser usada para tratar esta doença.  

 

Curiosidades

Na Faculdade de Medicina, alguns professores proibiram-na de os interromper com perguntas, tantas eram as questões que ela levantava. Carmo reconhece que era um bocado chata e não totalmente inocente: “Se eu sentia que um professor não estava muito à vontade numa matéria, não o largava com perguntas”

 “Foram os anos de isolamento do país, fruto da política do Orgulhosamente Sós de Salazar, que mataram o nosso desenvolvimento são responsáveis pelo nosso atraso”, garante Carmo, que defende a exportação de estudantes e investigadores para, no estrangeiro, cresceram em contacto com outros modos de pensar e encarar a vida

Não vê muita televisão e não é fã de futebol, mas 3ª feira à noite esteve em frente ao ecrã, com o marido (um engenheiro electrotécnico), ambos a torcerem pelo Inter no jogo da Champions contra o Braça: “Os portugueses deviam seguir o exemplo do Mourinho, que chegou a Inglaterra e afirmou ser especial perante aqueles ingleses snobs e arrogantes que nos tratam por Piggs. That’s it man! Temos de deixar de ser subservientes. Mas depois não se pode falhar na entrega, na prova do I can do it!”.

 

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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La Gondola

Av. Berna, 64, Lisboa

2 sopas família … 6,00

Salada com queijo de cabra … 10,50

Carpaccio … 10,50

4 Águas das Pedras  … 6,00

2 ananás natural.. 9,00

1 café…1,50

Total… 43,50

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