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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Luis Veiga Martins

Não é fácil adivinhar qual o futuro das duas garrafas PET, de meio litro cada, que continham a água que acompanhou o nosso almoço de bacalhau à Brás no restaurante em frente à igreja da Cruz Quebrada, que o Luís usa no dia a dia como cantina, pois fica perto da sede da Sociedade Ponto Verde (SPV), onde dirige as 46 pessoas que trabalham na gestão do processo de recolha e reciclagem de 600 milhões de toneladas/ano de embalagens que para o lixo.

Se as duas garrafas de plástico integrarem o contingente das 61 mil toneladas que são anualmente recicladas, podem muito bem ressuscitar como novas garrafas PET (sabe-se lá se até na versão de 1,5 litros, pois as empresas estão a investir fortemente na redução do peso das embalagens, para pouparem dinheiro e o ambiente) ou assumir uma segunda vida sob a forma de fibras de poliester do casaco polar que nos vai aquecer no próximo Inverno.

Economista, com o curso e MBA em Marketing feitos na Católica, Luis Veiga Martins, 44 anos, passou pela Unissys, um banco estrangeiro (que prefere não nomear), Papéis Inapa e Portucel/Soporcel antes de, em Novembro de 2005, aceitar o desafio de atingir, até ao final de 2011, a meta de reciclar 55% do total das embalagens declaradas (1,1 milhões/ano), que Portugal prometeu a Bruxelas cumprir.

“Estamos muito próximo. Já vamos nos 53%”, garante Luís, reconhecendo que antes de aterrar na Ponto Verde era um “separador parcial”, que se limitava a meter os jornais velhos no ecoponto azul e as garrafas no amarelo. Comprou então um ecoponto doméstico e passou a ser um “separador total”, que confessa ter ficado com a rapidez com que enche o contentor amarelo – para onde vão os pacotes de leite e sumos, as embalagens de iogurtes, caricas, latas de conserva, sacos de plástico e aerossóis, entre outras coisas.

A nossa consciência recicladora não pára de aumentar. Entre 2007 e 2009, a percentagem de portugueses separadores totais quase triplicou, subindo de 12 para 34%, de acordo com um inquérito promovido pela SPV, que não se limita a fazer fé no que as pessoas dizem – também vai lá a casa inspeccionar o caixote do lixo, para ver se há alguma embalagem perdia no meio do lixo indiferenciado.

“Há 30 mil ecopontos espalhados pelo país – o dobro dos multibanco”, informa o director geral da SPV, para ajudar a explicar como é simples tornar-se separador total, e chamando a atenção para à elevação da nossa consciência recicladora não ser estranho o lóbi das crianças, “que além de serem as recicladoras do amanhã são já hoje a disciplinadoras dos pais”.

Nós, portugueses, produzimos cinco milhões de toneladas de lixo/ano (cerca de 500 kg por pessoa) das quais 1,5 milhões são embalagens que estão no centro da preocupação de Luís.

Criada em 1996, a SPV gere todo o processo que vai desde o momento em que deitamos ao lixo uma lata de conserva até ela ser reciclada em matéria prima para um bicicleta ou um pára choques.

Com um orçamento anual de 80 milhões de euros, financiado pelas empresas em proporção do peso total das embalagens que vendem (o que faz das duas cervejeiras as maiores contribuintes), a Ponto Verde paga ao 29 sistemas inter-municipais que fazem a recolha selectiva do lixo em mais de 99% de todo o território nacional.

Depois, trata de colocar no mercado o lixo separado, como matéria prima secundária, sujeitando-se aos caprichos da lei da oferta e da procura. Em Outubro de 2008, no espaço de 15 dais, a cotação da tonelada de papel para reciclar despenhou-se de 70 para seis euros. E há casos em que tem de pagar para lhe ficarem com o lixo, como quando se trata das embalagens de cartão para alimentos líquidos (vulgarmente designadas Tetra Pak) – a SPV paga em média 40 euros pró toneladas para se livrar delas.

Na praia dos Pescadores, em Cascais, os bancos, passadiços e suportes de chapéus de sol parecem de madeira, mas são efectivamente são feitos de plástico, fabricado a partir de lixo, como sacos de batata frita que a SPV paga 150 a toneladas para o fabricante ficar com eles.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

 

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O Caçador

Rua Bento Jesus Caraça 6, Cruz Quebrada

Pão … 0,80

Queijo … 6,00

Azeitonas … 0,60

Salada de polvo … 5,00

2 águas 0,5 l … 2,00

Bacalhau à Brás  ... 20,00

Melão … 3,00

2 cafés … 1,40

Total… 38,80 

 

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