Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Michael DaCosta Babb

Keynes, que nestes tempos terríveis anda na boca de toda a gente, avisou-nos que a dificuldade não está nas ideias novas, mas sim em escapar das velhas, um ensinamento que tem sido o alfa e o ómega da actividade do seu compatriota Michael DaCosta Babb.

Um das ideias velhas de que Michael está a tentar escapar é a de que para termos uma casa para viver e trabalhar só há duas hipóteses: comprar ou alugar. Se for criativo e tiver vontade de habitar no centro histórico do Porto vi haver uma alternativa: um regime de propriedade conjunta. Escolhe um andar na Baixa, recuperado pela SRU Porto Vivo, paga metade, enquanto que os outros 50% são adquiridos por um fundo sem fins lucrativos, que lhe cobrará uma pequena renda. Fica dono de meia casa, mas com o seu usufruto a 100%.

Michael não é promotor imobiliário, mas sim o director executivo da ADDICT, e o que pretende com esta ideia meia nova e meia velha (inspira-se no share ownership inventado em Inglaterra para facilitar a compra de casa no centro por key workers, de rendimento curto, como enfermeiros, polícias ou bombeiros) é ajudar a repovoar a Baixa e fazer um caldo de cultura onde floresçam as indústrias criativas.

ADDICT são as iniciais porque responde a Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas, sector que entrou na moda após Cavaco, no discurso do 25 de Abril, ter anunciando que é ele a tabu de salvação a que o Porto se deve agarrar para evitar o naufrágio.

Viciado em criatividade, Michael é um inglês que nasceu e cresceu no Norte de Londres, filhos de um casal oriundo de Barbados (ela enfermeira, ele carteiro) , que se licenciou em Francês e depois de ter começado a trabalhar na City Limits (uma tentativa falhada de fazer concorrência à Time Out), vendendo publicidade e editando a secção de Moda, tirou o MBA em indústrias criativas na London School of Printing.

A maneira curiosa como se estreou no mercado de trabalho, escrevendo sobre moda ao mesmo tempo que procurava parcerias com anunciantes que assegurassem a sustentabilidade da publicação, ensinou-lhe para a vida a pragmática lição de que criar é precioso - mas arranjar dinheiro também.

Surfou em cima da onda das indústrias criativas, onde ganhou fama e notoriedade como Mr. Fix, o tipo que resolve, faz as coisas acontecerem e tem sempre na agenda do telemóvel o contacto certo a fazer para desatar um nó de marinheiro. O que o trouxe para o Porto? Cherchez la femme. Em Londres apaixonou-se pela portuguesa Eva e quando os frutos dessa paixão (Tiago, oito anos, e Matilde, quatro) começaram a crescer mudaram todos para cá.

Michael voltou a apaixonar-se à primeira vista, desta vez pelo país da mulher, mas a isso ajudou muito o facto de ter desembarcado cá nas vésperas do Euro 2004, com uma bandeirinha em cada janela e as ruas cheias de pessoal feliz. “Para uma pessoa do meu milieu, o Porto tem uma qualidade de vida superior à de Londres. A vida é calma, clima óptimo e as pessoas gostam muito de crianças”, explica, enquanto arrisca experimentar uma tibornada de bacalhau no Vinha d’ Alho, que fica na Ribeira, na porta ao lado da sede da ADDICT, com uma esplanada mesmo em cima do Douro.

“Vocês são muito modestos, o que até é bom, mas convém não exagerar. Se o Siza fosse espanhol, eles estavam a espalhar aos quatro ventos que tinham o melhor arquitecto do Mundo. Aqui, ninguém liga muito a isso. Os portugueses são demasiado relaxados para se gabarem. É preciso aumentar o volume” explica num inglês cool.

“Londres, Paris e Nova Iorque, são cidades fáceis de gostar à primeira. O Porto é para um relacionamento mais duradouro. As pessoas também são assim, não dizem que são best friend ao fim dez minutos de conversa. Demora-se mais tempo até conhecer a pessoa certa”, analisa Michael, que mantém o amor pelo país, apesar da paixão por Eva já ter desaparecido (agra está com uma polaca de Lodz).  “Em Portugal não é preciso inventar coisas boas para vender. Elas existem mesmo. Há coisas óptimas a acontecerem. O PR tem razão. Porto tem todo o potencial para ser o centro de gravidade do cluster criativo” concluiu.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

 

Menu

Vinhas d’Alho

Rua dos Bacalhoeiros 139-140, Porto

2 Menu executivo

Sopa de legumes

Tibornada de bacalhau

Pudim de manjericão …. 27,00

2 copos Arrojo 04 tinto Douro … 6,50

1 Vitalis 1 lt …2,00

2 cafés … oferta

Total… 35,50

 

Curiosidades:

Michael trabalhou muitos anos na publicidade. Uma das campanhas que mais o impressionou foi uma acção de marketing de guerrilha, que consistiu em colar o símbolo da Nike em todos os semáforos de Londres

Em Portugal, Michael colaborou com a Experimenta Design e adorou trabalhar com Guta Moura Guedes

Uma das sugestões do inglês é acrescentarmos a gastronomia, o bem estar e o turismo ao conceito tradicional de indústrias criativas que alberga disciplinas tão variadas como moda, publicidade, videojogos, design, media, software, música, antiguidades, etc, etc. 

28 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D