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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

António Brandão Vasconcelos

O avô era juiz e o pai advogado, mas ele decidiu ir para Engenharia para aprender a compor a máquina de costura Singer da avó, que estava sempre a avariar. Enquanto estudava,  ganhou os primeiros dinheiros como modelo em campanhas publicitárias de alcatifas e margarinas. No final do Técnico, estagiou na EDP e deu aulas em Almada, antes de se apaixonar pelos computadores no Ministério da Indústria. Até fundar a Everis, passou pela IBM, Fujitsu e DRM Consulting 

 

Ele sabe mudar a roda

do carro em andamento

 

Idade: 58 anos

O que faz:  CEO da Everis, uma consultora multinacional com 21 escritórios em diversos países, de S. Paulo a Washington, passando por Roma, Buenos Aires e Varsóvia

Formação:  Licenciado em Engenharia Electrotécnica no Técnico (1976)

Família:  Casado com uma espanhola, têm quatro filhos bilingues e com dupla nacionalidade:  Ana, 28, engenheira civil, Maria, 26, biomédica (trabalha na Siemens), Cristina, 24, que está a fazer mestrado em Arquitectura, e António, 17 anos, que vai fazer Economia. “Que língua se fala lá em casa? Cada um fala o que sabe”, graceja

Casa:  Um andar na Infante Santo e uma casa na praia das Maçãs, onde passam os fins de semana

Carro:  Carrinha Mercedes

Telemóvel:  Blackberry

Portátil: HP  

Hóbis: “A família. Aproveito o pouco tempo livre que tenho para estar com a família. Claro que gosto de ler, ouvir música e ir ao cinema. Mas o meu hóbi é a família!

Férias:  O ano passado estiveram em Menorca – e adoraram. Este ano ainda não sabem: “Normalmente decidimos uma semana antes”, explica

Regra de ouro: Sustentabilidade. Tudo tem de ser sustentável. E também a atitude. A atitude faz a diferença

 

Para a SIBS, mudar de casa é bastante mais complicado do que contratar a Urbanos, pois gere uma complexa e sofisticada rede de transacções electrónicas que têm de estar operacionais 24 horas por dia nos sete dias na semana. Não pode parar.

Por isso, quando se tratou de mudar de instalações, Vítor Bento ligou a António Brandão Vasconcelos solicitando o apoio da Everis nesta delicada operação. Bateu à porta certa.

“Foi como substituir a roda de um carro em andamento”, resume António, partner e o CEO da Everis, que dirige as 230 pessoas que trabalham no 10 º andar do Atrium Saldanha, no escritório de Lisboa desta consultora multinacional, presente em onze países e especializada em tecnologias de informação.

A equipa da Everis cronometrou ao segundo 1600 diferentes actividades. Nenhum dos dez milhões de portugueses dependentes do multibanco deram pela mudança da SIBS. Ou seja,  tudo correu bem.

Não foi uma linha recta o caminho que trouxe António desde o seu nascimento em Arouca (onde a importância da sua família se mede pelo facto da principal praça do concelho se chamar Brandão Vasconcelos), em meados do séc. XX, até à liderança, em 2004, da compra pelos quadros de uma antiga divisão da Fujitsu (DMR Consulting), operação que esteve na origem da Everis.

Logo em miúdo decidiu  romper com a tradição de Direito que vigorava na família – o avô era juiz e o pai advogado, apesar de só ter exercido a profissão durante um ano devido a ter um feitio particularmente avesso a chefes.

António decidiu ir para engenheiro mecânico animado pelo louvável propósito de aprender a arranjar a máquina de costura Singer da avó que estava sempre a avariar. Foi para o Técnico, mas sempre que podia ia até à Cidade Universitária assistir a aulas de Direito, fascinado por esta disciplina usar um raciocínio lógico idêntico ao da Engenharia.

O primeiro dinheiro ganhou-o como modelo publicitário em campanhas de produtos tão diversos com pasta de dentes, margarinas ou alcatifas. “Pagavam mesmo muito bem”, recorda António que terminado o curso fez um estágio de seis meses na EDP e deu aulas no Secundário em Almada (substituição a uma grávida) até ir para o Ministério da Indústria, onde retomou o contacto com a Informática, a que tinha sido apresentado por uma cadeira semestral no Técnico.

Gostou. Não tardou mudar-se para o Ministério das Finanças, que tinha, em Alfragide, o Instituto de Informática, onde completou a formação nesta área. Até que, aos 33 anos, lhe surgiu a hipótese de ir trabalhar para a IBM, que à época era para um informático o equivalente ao Real Madrid para um futebolista ou treinador.

Instruído por um amigo, respondeu “system engineer” quando na entrevista lhe perguntaram o que queria fazer. E assim foi. Ficou engenheiro de sistema durante cerca de três anos até perceber estava a ser tonto, porque que fazia o essencial do trabalho e as glórias e as festas ficavam por conta do vendedor. Bandeou-se para a parte comercial.

Após seis meses na Big Blue, um head hunter levou-o para a Amdahl Fujitsu (de onde nasceria a DMR Consulting), onde além de hardware começou a tratar de projectos, como o do Banco de Portugal (que o contratou para ajudar a garantir a continuidade da actividade do banco mesmo após um terramoto que destruísse a sede em Lisboa liquidando sistemas e pessoas), onde ficou amigo dos quatro espanhóis que com ele lideraram a constituição da Everis, uma consultora que sabe mudar a roda de carros em andamento. 

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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