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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Conceição Zagalo

 “Como é que se chama a uma pessoa que trata de bebés?”. Educadora de infância, respondi a medo. “E a uma pessoa que anda de capacete nas obras?”, voltou a perguntar. Capataz? interroguei, já certo que não lhe estavam a faltar palavras e se tratavam de perguntar retóricas, mas ainda sem perceber que ela queria chegar à questão do sexo de determinadas profissões que conspira contra a igualdade dos géneros. Porque não há-de um homem tomar conta de crianças num jardim infantil e uma mulher estar no posto de comando de uma obra. Ponto feito.

Conceição Zagalo, 57 anos, é a presidente da direcção do Grace, que reúne cerca de 80 empresas preocupados em devolver à sociedade parte do muito que ela lhes deu (definição possível da expressão responsabilidade social que entrou definitivamente na moda) e também tem um pequeno problema de género. Somos tentados em pronunciar-lhe o nome à inglesa (Greice) e por isso atribuir-lhe o sexo feminino, mas o género correcto é o masculino, pois Grace são as iniciais de Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial - fundado há dez anos, por impulso da Flad e que conta no seu elenco de associados com o Gotha do nosso tecido empresarial, desde multinacionais (Microsoft, Ikea e McDonalds) e grandes companhias portuguesas (Unicer, Portucel e Porto Editora), passando por bancos (Rotschild, Montepio, etc) e sociedades de advogados (Miranda, VdA, etc).

As perguntas eram a introdução a uma acção que o Grace vai fazer no final deste mês em Campo Maior (adivinhou, a Delta também faz parte do grupo!), onde  explicará a um grupo de 30 meninas do secundário que todas as engenharias e as profissões habitualmente masculinas também são opções para elas.

Partilhar, construir, agir e comunicar são os valores do Grace, que tem um largo espectro de iniciativas. Tanto ajuda uma emigrante romena a montar um negócio de lavandaria, como um sãotomense a criar uma agência de comunicação, ou um camionista de longo curso que, por causa de uma hérnia discal teve de largar o volante, a reconverter-se em secretário. E no âmbito do programa Giro (Grace Intervir Recuperar Organizar) transformam em realidade sonhos de diversas ONG. Com o trabalho de voluntários (dispensados pelas empresas associadas) recuperam os quartos e fazem um jardim no centro Luísa Canavarro que recolhe mães prematuras ou constroem uma pista de tartan no Centro de Jovens Tabor em Setúbal. “Ajudamos a semear, a regar e a colher os primeiros frutos. Depois deixamos as pessoas voarem sozinhas”, explica.

“Responsabilidade social e sustentabilidade são matéria de competitividade”, garante, citando os resultados de um inquérito feito pela IBM junto de 1130 CEO de todo o mundo, que referem o investimento em programas de cidadania empresarial como uma das prioridades no futuro. Ela sabe do que fale porque há 37 anos que trabalha na IBM, onde já fez praticamente tudo – foi administrativa, secretária, comercial e RP até que, em 2008, assumiu a responsabilidade do Marketing, Comunicação (interna e externa) e Responsabilidade Social.

Conceição escolheu almoçarmos na Brasserie Flo e aproveitou para dar o exemplo do Tivoli ter posto à disposição de Beatriz Costa uma suite vitalícia para afirmar que sempre houve responsabilidade social. Acompanhou com água o magret de pato, mas interferiu na escolha do género (“vinho é tinto”, disse) e da região do meu copo de vinho. Bebi um tinto ribatejano, pois ela nasceu em Riachos, em plena lezíria, filha do presidente da Câmara de Torres Novas, numa família enorme (cinco irmãos e um número incalculável de primos produzidos pelos nove irmãos do pai e os 15 da mãe), e cresceu numa quinta, onde passou uma adolescência arrapazada, subindo a árvores, brincando aos índios e aos cowboys e ganhando os primeiros escudos recolhendo numa cesta as azeitonas que caiam do chão.

“Os meus pais diziam-nos: façam o que fizerem, façam-no bem feito, sejam os melhores, padronizem-se pela excelência. Nunca me passou pela cabeça ser sofrível”, conclui esta mulher que só conhece uma forma de declinar o verbo fazer: “Há sempre duas hipóteses, fazer ou fazer, e uma terceira alternativa, que é fazer!

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Brasserie Flo

Av. Liberdade 185, Lisboa

Magret de pato com risotto de cogumelos selvagens … 20,00

Bife de atum com espargos verdes, compota de tomate e esmagada de batatas … 19,75

Luso de um litro … 4,00

1 copo Lagoalva tinto … 3,50

4 cafés … 10,00

Total… 57,25

 

 

Curiosidades

 

Aos 20 anos, Conceição tinha duas hipóteses de primeiro emprego, uma mais sedutora (a de hospedeira da TAP, o sonho cor de rosa de qualquer rapariga nos anos 60 e 70) e outra nem tanto – um trabalho administrativo na IBM. Já se imaginava a voar pelo mundo, dentro de um bonito uniforme, quando a voz paterna da razão a levou a decidir, com os pés bem assentes na terra, pela oferta de trabalho mais estável e bem remunerada. A 1 de Junho de 1973 começou a trabalhar no escritório da IBM na Barata Salgueiro, com um ordenado inicial de cinco contos (seis meses depois foi aumentada para 6500 escudos)

 

Aos 17 anos desaguou em Lisboa, para estudar Germânicas, e monta quartel general em Algés em frente ao quartel dos bombeiros, num apartamento partilhado com os irmãos. Estava no 3º ano quando concluiu que não era aquilo que queria, desistiu e inscreveu-se num curso de secretariado e relações públicas no Instituto das Novas Profissões (INP), à Duque de Loulé.

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