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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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A minha conversa com a Linda da Payless

A Linda, que trabalha no balcão da Payless do aeroporto McCarran em Las Vegas, é muito simpática e tem aquele ar adorável e prestável que todas as avós deviam ter. Mal iniciou a verificação dos meus papéis reparou logo que éramos do mesmo ano: “Grande ano, o de 1956!”.

Após uma pesquisa na Net, escolhi a Payless, porque era a que me pedia menos dinheiro pelo aluguer de um carro durante dez dias: 161,60 USD. Eu sabia que a coisa não ia ficar por ali, pois haveria que somar uma data de taxas, seguros e ofícios correlativos, etc. Por isso não me irritei quando no final o preço subiu para 345,93 USD (255,96 de aluguer e impostos, mais 90 de seguro). Antes de conhecer a Linda, o preço do aluguer do carro que me habilita a dar umas voltas em Los Angeles estava em 24 euros/dia.

A Linda, que - não sei se já vos disse - é uma pessoa muito simpática e atenciosa, achou divertido o contraste entre o meu físico e a caligrafia miudinha (faço letras tão pequeninas que às vezes preciso de por os óculos para a decifrar). Ainda discutimos sobre a cor da esferográfica Muji que eu estava a usar (depois de ter estranhado que eu estivesse a escrever a vermelho, ela acabou por reconhecer que era maroon e não red ink) antes dela ter dado pela falta do Liability Insurance.

Eu tentei defender-me, dizendo que já tinha pago um seguro, mas ela abanou a cabeça e explicou-me com a clareza de uma professora primária que o seguro feito dizia respeito aos danos do carro alugado e não cobria a minha responsabilidade em danos causados a terceiros. E ter o Liability Insurance não só é prudente como obrigatório – pelo que adicionou logo ali mais 179,55 USD à conta. Dura lex sed lex.

Voltou à conversa mole e à medida que se ia inteirando sobre os detalhes das minhas férias, a Linda tentando tornar a viagem mais confortável - e pôr-me a pagar mais. “São cinco? Mais as malas? Por mais 150 dólares faço-lhe o upgrade para uma van e não vão apertados”. “Não têm GPS? Ainda se vão perder… Posso alugar-lhe um por 11 dólares/dia”. “Vai conduzir sozinho todo o tempo? Isso é muito cansativo. Por apenas 99 dólares posso averbar mais um condutor autorizado a guiar o carro”.

Quando finalmente me encaminhei para a garagem com a chave do Toyota Camry na mão, a conta tinha subido de 345,93 para 544,86 USD (além do seguro, ela vendeu-me um depósito de gasolina). Conhecer Linda encareceu em 13 euros (de 24 para 37 euros) o preço do aluguer diário, mas recordou-me uma coisa fundamental que nós, portugueses, esquecemos com demasiada facilidade – quem realmente paga o nosso salário não é o patrão, mas sim os clientes.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

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