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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

O Tio Abilio e Luis Filipe Vieira

No auge da sua juventude, no início dos anos 60, o meu tio Abílio jogou basquetebol e voleibol, em dois clubes diferentes (Vasco da Gama e Académico). Era um atleta mediano, que só por uma vez protagonizou os títulos dos jornais, com direito a foto a ilustrar a história – o motivo foi bom e adequado à velha regra do jornalismo de que notícia é o homem a morder o cão.

Num lance polémico de um set renhido, o árbitro, que começou por julgar a favor do Académico, fez marcha atrás na decisão depois do meu tio, por sua iniciativa, lhe ter garantido que os adversários tinham razão – a bola batera dentro, o ponto devia ser contabilizado à outra equipa.

Vem a lembrança deste caso luminoso a propósito do início de mais um ano lectivo e do papel decisivo da escola na construção do futuro, pois na sociedade de conhecimento em que vivemos a riqueza das nações não assenta em reservas de ouro, divisas, petróleo ou gás, mas sim na formação dos seus cidadãos.

Não posso deixar de estar preocupado com o facto de, apesar de investirmos em educação 5,3% do PIB (mais do que a média dos países da OCDE) termos a mais elevada taxa de abandono escolar da EU (40 mil deixam todos os anos os estudos) e uma elevadíssima percentagem de chumbos (que custa 700 milhões euros/ano) – e sermos o país europeu onde menos pessoas dizem ter aprendido uma língua estrangeira na escola.

Mas sei que o papel da escola não se esgota na transmissão de conteúdos e que tão importante quanto a acumulação de conhecimentos é a aquisição de outras aptidões, como a de saber pensar e ser melhor cidadão. Neste particular as melhorias notam-se à vista desarmada. Basta olhar para os passeios. Cuspir ou deitar papéis para o chão são actos cada vez mais raros. Reciclar está a tornar-se um hábito.

Ganha a batalha da higiene pública, é urgente triunfar também no culto da meritocracia, da produtividade e da coragem de assumirmos as nossas responsabilidades, exterminando a velha e cobarde mania de estar sempre a tentar atirar para as costas de terceiros a culpa dos nossos fracassos.

Bento, um guarda redes recordado com saudade pelos benfiquistas, deu um exemplo acabado desta atitude deplorável quando, em 1983, atribuiu a severa derrota (5-0) sofrida por Portugal frente à URSS ao facto de não haver fruta no hotel moscovita onde os jogadores estiveram hospedados.

27 anos depois, na semana de abertura das aulas, Luís Filipe Vieira volta a dar um péssimo exemplo de carácter aos jovens benfiquistas ao atirar para cima de uma legião de terceiros (árbitros, Liga, Vítor Pereira, Joaquim Oliveira, adversários,  secretário de estado, etc) a culpa pelo facto do seu clube estar a jogar mal – e a perder.

Jorge Fiel

Esta crónica foi publicada hoje no Diário de Notícias    

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