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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

João Simões

 

O curso de Gestão foi feito no ISEG. A pós graduação completou-a durante os cinco anos em que esteve na KPMG. Mas a verdadeira iniciação ao marketing e gestão aconteceu no Verão de 93 quando passou as férias grandes a carregar malas de turistas num hotel em Albufeira e conseguia triplicar o salário com gorjetas usando um método pessoal  elaborado a partir da teoria dos pescoços gordos. Uma breve história da vida do director geral da Grunenthal Portugal, um homem poupado que sempre gostou de andar depressa

 

 

O bell boy que sofisticou

a teoria dos pescoços gordos

 

Nome:  João Simões

Idade: 34 anos

O que faz: Director geral da Grunenthal Portugal

Formação: Licenciado em Gestão pelo ISEG (1998)

Família:  Casado com uma consultora da PWC, de quem tem um filho (o Manuel, que tem dois anos)

Casa:  Andar no Lumiar, em frente à Quinta das Conchas (onde sempre que pode passa uns tempos de qualidade com o miúdo)

Carro:  Audi AG

Telemóvel:  HTC

Portátil:  Dell

Hóbis:  Gosta de correr, de jogar à bola com os amigos, de grandes almoços em família, e de viajar para destinos tão diferentes e longínquos como Tailândia ou Moçambique   

Férias: A rotina é fazerem todos os anos uma viagem pela Europa e outra intercontinental. No Verão, o habitual é fazerem praia entre Tróia e Albufeira (onde vivem agora os pais dele). Este ano estiveram em Porto Santo

Regras de ouro: “Há uma frase de Peter Drucker que encaixa como uma luva na minha maneira de ser e estar: a melhor forma de prever o futuro é criá-lo”

 

No Verão de 1993, tinha ele 17 anos e carregava malas no Alfamar, em Albufeira, quando sofisticou a teoria dos pescoços gordos, o que não só foi proveitoso em termos de rendimento (“o hotel pagava-me o salário mínimo, mas eu ganhava o dobro em gorjetas”) mas também revelador das suas extraordinárias capacidades de marketeer que lhe viriam a proporcionar uma rápida ascensão na carreira profissional.

Era duro o trabalho de bell boy, porque à época as malas com rodinhas eram uma excepção, não a regra, e porque não raro tinha de transportar baús com mais de 20 quilos para estúdios no 3º andar, em edifícios sem elevador, distantes da recepção.

A teoria dos pescoços gordos tem um fundamento simples – os alemães mais gordos, de 40 ou 50 anos, bem na vida, dão mais gorjetas que os outros. Mas ele inovou em cima desta teoria baseada no princípio da segmentação, acrescentando-lhe o relacionamento. Enquanto transportava as malas de cara alegre, ia conversando com o cliente, dando-lhe dicas e pondo-se à sua disposição para tudo quanto melhorasse as suas férias algarvias.  “Criava no cliente a vontade de dar a gorjeta – não a obrigação”, conta João, reconhecendo que esta experiência o ajudou muito a desembrulhar-se no mercado do trabalho.

Filho de um bancário e de uma farmacêutica, João fez-se homem em Faro, onde o pai foi colocado com director regional do BPA quando ele tinha 11 anos. Na hora de escolher o curso, hesitou entre seguir o caminho do pai (Economia) ou da mãe (Farmácia) antes de resolver ir para Gestão.

Desde miúdo que se habituou a ganhar e gerir o seu dinheiro. Os pais davam-lhe prémios pecuniários por ele arrumar o quarto e aspirar a casa. Aos 14 anos abriu a primeira conta no banco, que ainda existe, pois ele sempre foi um rapaz poupado. “Guardei esse dinheiro até aos dias de hoje. Não lhe mexo. É uma reserva moral”, explica.

No final do curso, feito no ISEG, recebeu como prémio um Seat Ibiza todo artilhado (ele sempre gostou de andar depressa) e foi trabalhar para a KPMG. Estávamos em 1998, o ano da Expo de Lisboa. “Foi como se me tivesse saído a sorte grande. Ganhávamos clientes uns atrás dos outros. Progredíamos muito rápido porque havia caminho livre à frente”, recorda.

O trabalho na consultora, onde teve a Pfizer como primeiro cliente, marcou o reencontro com uma velha paixão (o sector farmacêutico). Por isso não espanta que, após cinco anos na KPMG, tenha agarrado com ambas as mãos o convite de um head hunter da Heidrick & Struggles para criar de raiz a área de controlo de gestão da subsidiária portuguesa da farmacêutica alemã Grunenthal. “Sempre gostei de responder a desafios. Não mudei para ganhar mais dinheiro. Não é isso que me faz mover”.

Nos seis anos que leva na Grunenthal Portugal, ocupou diversos lugares até chegar ao topo (ele sempre gostou de andar depressa), com apenas 33 anos, mas nunca perdeu de vista os ensinamentos do Verão de 93: segmentar (especializou-se no tratamento da dor) e criar boas relações com todos os stakeholders (trabalhadores, doentes, profissionais da saúde, escolas e ministério). “Sou transparente. Não escondo, nem minto e faço questão de envolver todas as pessoas nos processos. O objectivo do trabalho que fazemos com os nossos parceiros é melhorar o tratamento da dor em Portugal. O lucro não é o objectivo, mas sim a consequência”, conclui o gestor que sofisticou a teoria dos pescoços gordos.

 

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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