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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

João Bacelar de Vasconcelos

A luz fez-se na margem do lago Titicaca. A sua vida só faria sentido se ele fizesse algo de excepcional. Aos estudos de Economia, feitos entre Braga e a Florida, juntou seis anos na escola Sonae e três na BBDO, durante os quais afinou o projecto de pôr no ar um canal de televisão low cost, sem câmaras nem estúdio, com programação cultural alternativa. O júri do Prémio das Indústrias Criativas acreditou  - e distinguiu-o. A Zon acreditou – e deu-lhe uma posição na plataforma cabo. O programa segue dentro de momentos

 

O homem que vai fazer um canal

sem gastar em câmaras e estúdio

 

 

Nome:  João Bacelar de Vasconcelos

Idade: 32 anos  (faz 33 para a semana)

O que faz: Empresário fundador da OSTV, prepara o lançamento de um canal cultural de televisão por cabo

Formação: Licenciatura em Economia na Universidade do Minho (2000)

Família:  Vive com uma farmacêutica, de quem tem um João, com dois anos

Casa:  Andar na rua da Boavista, a uma distância a pé da praça Coronel Pacheco, onde está instalado o cluster de Media do Porto (Curso de Jornalismo e escritórios da Lusa, Público e Grande Porto) e vai pulsar o coração do novo canal

Carro:  VW Golf

Telemóvel: iPhone

Portátil:  Mac (o mais barato)

Hóbis:  Não tem jogado basquetebol, modalidade que praticou durante dez anos, como atleta federado, no Grupo Desportivo André Soares, onde apesar de não ser exactamente uma torre (mede 1m77) alinhava a extremo. Mas continua a fazer surf e a dar umas corridas. Vai regularmente ao cinema e a concertos. Gostava de ver mais televisão, mas a oferta é muito limitada. O Daily Show, de Jon Stewart, é o seu programa favorito, mas também petisca a Oprah e gosta de Mad Man e das Donas de Casa Desesperadas.   

Férias: Este ano estiveram na Carrapateira, a fazer praia e surf. O ano passado, andaram pela Cantábria, no Norte de Espanha, mas foi horrível, estava sempre a chover, tiveram de se refugiar dentro do Guggenheim de Bilbau para terem um dia decente   

Regras de ouro: “Não ligar muito ao que se diz nos telejornais. Tentar ser bem sucedido a fazer o que gosto”

 

 

Provavelmente a oferta da Zon não seria aumentada, no próximo trimestre, com um canal cultural de programação alternativa, se o padre Victor Melícias tivesse acolhido disponibilidade para partir como voluntário para Timor manifestada por um jovem recém licenciado em Economia chamado João Bacelar de Vasconcelos (o pai, Pedro, foi conselheiro da ONU em Dili).

A Sonae não cometeu o erro de Melícias e contratou-o para a Optimus, onde ele deu logo nas vistas ao criar e desenvolver o tarifário Zoom, a resposta da operadora 93 ao Yorn lançado pela Vodafone.

“A Sonae é uma grande escola”, declara João, acrescentando que em Portugal a universidade não é o sítio ideal para se aprender a trabalhar, ao contrário do que acontece nos EUA, onde estudou um ano (98) na West Florida University.

Após meia dúzia de anos na Sonae, resolveu mudar de vida. Pegou nas economias e na mochila e voou para o Peru, onde passou um mês. Tinha 29 anos e voltou com as ideias mais claras sobre que queria fazer na vida.  

Depois do Machu Pichu, apanhou em Cuzco o autocarro para Titicaca, onde conheceu um par de repórteres free lance, Ana Sofia Fonseca e Jordi Burch, que tinham acabado um trabalho sobre as plantações de coca na Bolívia e recolhiam elementos para uma reportagem sobre o trabalho infantil na América do Sul.

Nas horas de conversa passadas na margem do lago, Ana e Jordi contaram-lhe, entre outras coisas, a viagem pelo país com um pequeno circo familiar e a experiência de viverem um mês no Bairro 6 de Maio. “Foi inspirador ouvir estas histórias e saber que havia gente com espírito tão aberto”, conta João, que ficou animado pela ideia de fazer uma coisa excepcional.

De regresso ao rectângulo, foi para a BBDO e mudou-se para Lisboa, onde viveu três anos e meio no turbilhão da transformação brutal em curso da oferta e do consumo global, que abala as fundações do negócio publicitário.

“Lemos os livros todos sobre Web 2.0 para tentar perceber as novas oportunidades no mundo digital”, explica João, que fundiu a ideia geral nascida no lago Titicaca com toda esta informação, começando a chocar o projecto de um canal open source (o os de OSTV), que surfasse em cima do boom de oferta cultural e de entretenimento, agregando e dando sentido à enorme quantidade de vídeos que agora são feitos e consumidos.

A OSTV é a tradução para algo economicamente viável de uma ruptura com os vícios e formatos do mundo analógico. O desafio é provar que para fazer um bom produto televisivo não é preciso ir a Cannes comprar programas caríssimos ou negociar jogos de futebol com Oliveira.

O ano passado, deixou a BBDO para pôr um ar um canal de televisão com sede no Porto, sem estúdios nem câmaras mas com uma programação cultural (o que não deixa de fora gastronomia e viagens), dirigida a um público adulto, fundamentalmente no escalão etário 18-35 anos.

O júri do Prémio das Indústrias Criativas acreditou nesta nova maneira de pensar televisão – e distinguiu-a com o primeiro prémio. A Zon também acreditou – e deu-lhe um contrato de três anos, numa boa posição (que ainda é segredo, tal como o nome do canal). Já só falta mesmo as audiências e os anunciantes demonstrarem que também acreditam.

 “As marcas precisam de se associar a conteúdos culturais. Têm de ter assunto”, explica, optimista, João, acrescentando que até ao Dia D o efectivo da OSTV vai aumentar de dois para dez pessoas.

Jorge Fiel

Esta matéria foi publicada hoje no Diário de Notícias   

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