Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Tirem-me deste filme!

Esta minha vida de biscateiro consome-me tanto tempo que me tem privado do prazer de aproveitar a hora do almoço para ver um filme nas melhores salas do cinema do país –  as 20 da UCI (ex-AMC) no Arrábida Shopping,

Tenho por isso de me contentar a ver em versão compactada, ao sábado à tarde, as minhas séries preferidas - Good Wife, Lie to Me, Closer e Crash –, bem como alguns documentários dos canais História ou Travel, que deixo a gravar durante a semana. A gramática e tempo de duração das séries são bem mais adequadas ao ecrã de televisão do que um filme.

Mas nestes últimos dias,. eu e a generalidade dos meus infelizes compatriotas tivemos  de nos sujeitar a assistir um filme péssimo, completamente destituído de suspense, co-realizado por Sócrates e Passos Coelho. Não era preciso o professor Marcelo (que acrescentou à sua condição de comentador político a de oráculo, quem sabe se herdada do falecido polvo Paul …) nos ter sossegado a dizer que o Orçamento ia passar – já todos tínhamos adivinhado isso.

Este grotesco sucedâneo daqueles filmes de série B, recheados de aventura e acção, que durante a minha adolescência me divertia a ver no Carlos Alberto, foi protagonizado por dois actores, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga, que representaram muito mal os seus papéis num dramalhão pior que as outrora célebres novelas radiofónicas patrocinadas pelo detergente Tide – e  que só pode acabar mal.

Trata-se de uma fita que nos ficou caríssima (apesar de inverosímil, a cena da ruptura custou-nos 133 milhões de euros de juros suplementares na colocação de dívida publica) e, como seria de esperar num filme realizado por dois tipos saídos das fábricas partidárias e com dois artistas de cabelos brancos nos principais papéis, estava enxameado de ideias com rugas e não teve sequer a arte de rentabilizar aquela espécie de product placement involuntário da foto de assinatura do acordo tirada por telemóvel – ao menos deviam ter tido o discernimento de por a Blackberry a pagar a conta!

O filme “Salvem o Orçamento 2011” marcou o arranque de campanha eleitoral para as legislativas, que António Nogueira Leite, numa hábil manobra de antecipação ao seu correligionário Marcelo, nos informou que serão na Primavera. “Não vale a pena salvar o Governo a partir de Março”, declarou o conselheiro económico de Passos.

Enquanto não surge a sequela, fica-nos na boca o amargo de estarmos a ser tratados como súbditos, e não como cidadãos que somos, por dois partidos que em tudo são iguais e nos meteram num filme de terror tão pesado que ao pé dele o Funeral, de Abel Ferrara, é recomendável como programa para uma matinée infantil. Não andará por aí alguém capaz de nos tirar deste filme?

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

5 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D