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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

António Pais Antunes

O aviso vem do telemóvel: Pode descer, o seu autocarro chega dentro de cinco minutos. A recolha, tratamento, personalização e distribuição de informação vai ser, num futuro bem próximo, a mais poderosa das armas de combate ao congestionamento do trânsito nas cidades, que além de nos enervar também desgraça o planeta, pois é responsável por 40% das emissões de CO2 e destrói milhões de horas de trabalho/dia.

A sofisticação irá muito além dos lembretes. Antes de sair de casa ou do local de trabalho, vamos poder ver no telemóvel a melhor maneira para de chegarmos rapidamente ao destino, recorrendo não só aos meios tradicionais (carro próprio, metro, eléctrico, autocarro, táxi), mas também a soluções novas como car sharing, car pooling, táxis colectivos… 

“Estamos à beira de um revolução tecnológica nos transportes urbanos, com o uso de tecnologias e soluções que ainda não existem e vão mudar as cidades”, garante António Pais Antunes, 55 anos, engenheiro civil de Coimbra, que deu aulas em Princeton (EUA) e se doutorou em Louvaina (Bélgica), com um tese sobre planeamento de equipamentos colectivos, cujo modelo foi usado na definição do novo mapa judiciário português.

António é o motor, na área dos transportes, do projecto MIT Portugal, em que colaboram investigadores do Massachusets Institute of Technology, Técnico e das Engenharias do Porto e Coimbra. As suas credenciais são fáceis de estabelecer: integra o pequeno grupo que reúne a nata de especialistas mundiais que vai aconselhar o Governo de Singapura no desenvolvimento da sua rede de transportes – que é uma das avançadas do mundo.

Além disso, dirige o grupo contratado pela DLR (autoridade alemã que integra, entre outros, Lufthansa e o aeroporto de Frankfurt) para a ajudar a definir um plano estratégico para os próximos 25 anos – se devem ser criar mais aeroportos (e onde) e/ou expandir os existentes (e como). “A nossa parceria com o MIT aumentou de forma exponencial a nossa credibilidade e pôs-nos a jogar noutra divisão”, diz António Pais Antunes, para explicar a súbita procura internacional dos seus conhecimentos.

A informação é o combustível que alimenta os modelos de apoio à decisão construídos por António. Ele desenterra-a em praticamente todo o lado, como nas antenas dos operadores de telemóvel, que lhe dizem como é que as pessoas se estão a deslocar (a velocidade permite saber se vão ou não a pé) e para onde – e também às câmaras de segurança espalhadas pelas cidades, que o ajudam a medir o caudal de trânsito.

Apesar de viver em Coimbra (onde jogou futebol na Académica), tem um apartamento na avenida de Roma. “Neste país, é quase impossível passar uma semana sem vir a Lisboa”, lamenta António, que dirige mestrados e doutoramentos no Técnico, que fica a três estações de metro da sua casa (mas ele vai a pé quando faz bom tempo e não está muito carregado).

Almoçamos no Courenses, atrás do mercado de Alvalade, um restaurante barulhento que está sempre cheio como um ovo porque oferece comida boa e serviço rápido a preços razoáveis. Anteontem, Ana Maria Lucas, a primeira Miss Portugal, e Paulo Bento ajudavam a lotar as duas salas desta casa.

Ele escolheu o prato do costume (posta de carne). O vinho (Graco) foi-nos sugerido por Lasalete Fernandes e Jaime Antunes, que almoçavam numa mesa perto. Assinado por Paulo Laureano, é feito com uvas da herdade alentejana do casal fundador do Diário Económico.  A boa qualidade da pinga não afectou a prudência de António, quando lhe perguntamos se achava ou não necessário o TGV.

“Vou dar-lhe uma resposta de professor. Necessidade temos sempre. Diminuir o tempo de viagem é sempre bom. Mas dado o volume de investimento, é demagogia dizer que é uma decisão técnica. Só um político pode fazer a ponderação”. Mas lá foi acrescentando que dado o seu raio máximo (mil km) o TGV deixa-nos em Barcelona. “No sítio onde estamos, para ir para lá dos Pirinéus, temos de usar o avião. A minha impressão é que a primeira prioridade devia ser o novo aeroporto de Lisboa. Do ponto de vista de condições aeroportuárias, a Portela é um aeroporto muito fraquinho”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Os Courenses

Rua José Duro 27D, Lisboa

2 postas de vitela mirandesa … 22,00

Graco 2008 da Herdade Sousa da Sé … 16,00

2 pães … 1,20

4 cafés … 3,00

Total… 42,20 euros

 

 

Curiosidades

 

O aeroporto do Porto é a primeira coisa que lhe vem à cabeça, quando lhe perguntamos por coisas de grande qualidade que o nosso país tem na sua área de conhecimento. “O Sá Carneiro é um dos melhores a nível mundial na sua categoria”. A seguir elencou o metro do Porto, “um projecto extraordinário, pela sua extensão, adesão e eficácia”, e a A2.

 

“A A2 tem um traçado a todos os títulos magnífico, entradas correctíssimas, óptima integração na paisagem. É sempre muito elogiada a nível mundial nos congressos rodoviários. Há especialistas que vêm a Portugal de propósito para a verem”, revela António Pais Antunes, que fez ainda questão de salientar a Emel, que está a trabalhar em soluções inovadoras, como a de substituir os parquímetros por um sistema que identifica a chegada e saída dos carros e cobra o estacionamento recorrendo à Via Verde

 

O sistema de detecção e resolução de incidentes na rede de auto-estradas da Brisa é de categoria mundial. Se um cão entra numa auto-estrada, ou uma pessoa encosta o carro à berma para urinar, um segundo depois esses incidentes são detectados no centro de controlo. O sistema de monitorização da Brisa é provavelmente o melhor do mundo”, conta António Pais Antunes  

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