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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Recado a Pereira, ministro e benfiquista

A minha admiração por Banksy não mais parou de crescer desde que me apercebi da sua existência quando ele, há coisa de cinco anos, expôs obras nos mais prestigiados museus de Nova Iorque - à revelia das respectivas direcções.

Disfarçado de reformado, gabardina e chapéu, nariz e barba postiças, plantou no MoMa uma tela pintada com uma lata de sopa da Tesco e enriqueceu durante três dias (o tempo que demorou até ser notada pelos responsáveis do museu) a exposição permanente do Metropolitan com um retrato de um almirante colonial com um spray na mão e slogans anti-guerra no fundo do quadro.

Esta genial e subversiva inversão do clássico golpe do roubo do quadro no museu, foi fotograficamente documentada por um cúmplice de Banksy, o nome de guerra de um artista britânico, de identidade e aparência desconhecidas.

O anonimato permite-lhe protagonizar acções espectaculares como a de atirar ao ar, no meio do desfile de Carnaval de Notting Hill,  centenas de notas falsas de 10 libras, com a cara de Lady Di no lugar da da rainha, que são vendidas no ebay a 200 libras cada – ou a substituição, em 43 lojas londrinas, de 500 CDs de Paris Hilton por outros em que ela está em top less na capa e as músicas foram remixadas por Danger Mouse.

Banksy, 35 anos, é um artista de rua, que apesar de ter sido reconhecido pelo sistema -  um graffiti dele num quiosque de Tottenham Court Road foi vendido por meio milhão de libras -  continua a espalhar gratuitamente o perfume do seu talento por paredes que não lhe pertencem. Representa para a arte o mesmo que Picasso no início do século XX. É o ícone da transgressão, o símbolo da arte urbana que alguns dos novos donos das cidades já compreenderam e outros teimam em rejeitar.

Antonio Costa percebeu, e a Câmara de Lisboa apoia não só o projecto Crono, que decorou com grafittis gigantes prédios devolutos no centro da cidade, mas também a recuperação, com o patrocínio da CIN, de quatro murais degradados, pintados no pós 25 de Abril.

Rui Rio não percebeu e ordenou à polícia municipal do Porto que detenha e acuse de vandalismo quem ousar pintar as paredes da cidade com mensagens políticas ou graffitis artísticos.

Os agentes da esquadra da PSP da Olaias também não perceberam e não se limitaram a prender cinco jovens comunistas que pichavam um slogan partidário no muro da sua escola -  também submeteram as duas raparigas do grupo à humilhação de se despirem à sua frente, sob o pretexto de que procuravam droga e armas dissimuladas. 

Era com escândalos como estes que o MAI Rui Pereira se devia preocupar – e não em conceder audiências ao presidente do seu clube para debaterem a segurança do autocarro do Benfica na deslocação ao Porto.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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