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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Miguel Mascarenhas

 

Desde miúdo que está atento às oportunidades de negócio. Aos seis anos, investia a mesada em bolas de pingue-pongue e chicletes, que revendia com lucro aos coleguinhas da Escola Alemã. Ainda adolescente, estabeleceu os seus primeiros domínios na Net, vendendo a anunciantes o tráfego gerado por sites de envio de SMS gratuitas. Aos 29 anos, dirige a FixeAds, que lidera o mercado português de leilões virtuais e de venda de automóveis usados online

 

O miúdo que aos seis anos

já vendia bolas de pingue-pongue

 

Nome:  Miguel Mascarenhas

Idade: 29 anos 

O que faz: Director e accionista da FixeAds

Formação: Falta-lhe uma cadeira para concluir o curso de Gestão na Católica

Família:  Solteiro

Casa:  Apartamento em Benfica, junto ao Califa

Carro:  Toyota Auris

Telemóvel: HTC com Android

Portátil:  Toshiba Satelitte Pro

Hóbis:  Desde o ano 2000 que abdica dos quase todos os hóbis para passar poder passar doze horas por dia a navegar na Net. “Tenho de estar atento a novos tipos de sites em novos países, mesmo naqueles em que não percebo a língua”, explica Miguel, cujo pequeno luxo é ir a concertos de bandas alternativas – o último  foi o dos Interpol, no Campo Pequeno. Dantes não perdia um episódio dos Ficheiros Secretos. Agora, de vez em quando, ainda vê algumas séries de televisão, como o Dexter   

Férias: “Poucas”, confessa. A pele, muito branca, revela que não é freguês. As últimas férias em grande que fez foram há dois anos, no México, e tiveram como pretexto assistir ao casamento de um familiar. De vez em quando vai passar um fim-de-semana a Londres, onde o seu irmão trabalha no site Lastminute.com

Regra de ouro:”A minha regra de ter regra de ouro. É muito perigoso ter regras de ouro, porque as coisas mudam cada vez mais rapidamente e quem tem regras de ouro arrisca-se a cair numa ratoeira”

 

Não era preciso ser um Einstein para ver que ele tinha queda para os negócios, pois aos seis anos, na Escola Alemã de Lisboa, já o vemos a tirar partido pessoal da variante oportunidade da lei da oferta e da procura, investindo a mesada em bolas de pingue-pongue e pastilhas elásticas que depois revendia, com lucro, aos coleguinhas.

Os óculos e a pele muito branca acentuavam-lho o ar desajeitado, mas era claro que aquele miúdo era fino como um coral e não lhe iria ser difícil desbravar o caminho na vida.

Filho de uma suíça (professora na Escola Alemã) e de um português (professor universitário, com consultório privado na especialidade de endocrinologia), que se conhecerem em Inglaterra, sempre teve uma enorme curiosidade em perceber como é que as organizações funcionam, pelo que decidiu estudar Gestão logo que soube que esse curso existia.

Aos 14 anos já passava horas no computador dos pais e, sempre que podia, escapava até ao cybercafé da esquina para navegar na rede que ia mudar o mundo.

Em 1999, com 18 anos acabados de fazer, estabeleceu o seu primeiro domínio na Net, o freeSMS, espreitando o facto das operadoras de telemóvel estarem a negligenciar o enorme potencial das mensagens de texto. O site era um entreposto que aproveitava o facto da TMN e Telecel não cobrarem as SMS, contanto que enviados por mail, e de haver ainda muita gente sem conta pessoal de email. A clientela deixava mensagem e o número de destino, e o site encarregava-se de a reenviar por email - e vender a anunciantes o caudal de tráfego assim conseguido.

Um ano depois as operadoras reagiram, obrigando Miguel a inovar. No seu segundo site (SMSfixe.net) oferecia como valor acrescentado milhares de mensagens tipo, arrumadas por categorias:  malvadas (“Tu gostas é de uma coisa grossa, que pela ponta derrama um liquido branco, tu precisas é de um corrector…”), românticas (“Os pingos que caem da chuva molham a terra e regam a semente do amor por ti que eu plantei e cultivo no meu coração”), etc, etc. Era só escolher e enviar!

Na viragem do século, os pais despacharam-no para estudar Gestão em St. Gallen, mas ele só aguentou um ano no desterro suíço, longe dos negócios que prosperavam em Portugal. Negociou com os pais o regresso, dando como contrapartida a assunção da responsabilidade pelo financiamento dos estudos, que reiniciou na Católica, em Setembro de 2001.

Além de manter os sites, arranjou dois part time, no online do jornal Ocasião e no portal Alice.pt, até que em 2004, na sequência de um trabalho para a cadeira de Marketing 2, alargou a oferta com um site (Fixeland.com) que disponibilizava animais de estimação virtuais (a sereia é a mais procurada, sabe-se lá porquê…).

O grande salto em frente foi dado mais tarde, quando Miguel resolveu ser  a locomotiva empreendedora de um projecto de que se falava recorrentemente no Ocasião mas sem nunca ir avante – a criação de um site de venda de automóveis usados.

O standvirtual.pt não demorou muito até tornar-se líder, o que levou a FixeAds, dirigida por Miguel, a lançar o Leilões.net (que já alcançou a liderança, ultrapassando o histórico miau.pt), e o coisas.com (um site de classificados que concorre com o Ocasião) - e a atrair a cobiça de um grupo holandês,  ao ponto de comprar uma posição de controlo na FixeAds, onde ele  (que já fez uma data de coisas antes de completar 30 anos) mantém 20% .

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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