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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Ricardo Moreira

Filho de uma governanta e de um torneiro mecânico, foi futebolista no Castelo da Maia. Impressionado com as histórias da descoberta de potes na citânia de Alvarelhos, ainda encarou tornar-se arqueólogo - mas desistiu da ideia quando o convenceram de que se tratava de uma profissão sem futuro. No 12º deixou de estudar e começou a trabalhar como técnico na Betronic, empresa que instalava relógio de pontos. Até que há seis anos se aventurou a criar a Redicom, o arco íris no final do qual estão enterrados potes de ouro

 

O futebolista do Castelo da Maia

que sonhava com potes de ouro

 

Nome:  Ricardo Moreira

Idade: 32 anos

O que faz:  Sócio e director comercial da Redicom

Formação: Frequência do curso de Contabilidade do ISCAP

Família:  Casado com uma psicóloga e assistente social, têm um filho de quatro anos, o Martim, que quando for grande quer ser como o pai

Casa:  Moradia na Trofa, junto ao Parque da Cidade da Maia

Carro:  BMW 3.20

Telemóvel:  Blackberry

Portátil:  Sony Vaio

Hóbis:  Há anos que mantém activo um grupo de amigos (os Caça Mouros) que fazem BTT à séria, por montes e vales, em locais variados como o Gerês ou a Galiza. Também gosta muito de futebol , não só na bancada (é portista ferrenho) mas também no campo – não há semana que passe se jogar uma partida de futebol de cinco ou de sete   

Férias: Tira férias várias vezes ao ano. No Carnaval vai sempre para a Serra da Estrela. Em Junho esteve em Amesterdão. De vez em quando aproveita o fim de semana para uma escapadela de turismo rural. No Verão fez praia no Dubai e veio encantado. No final deste ano vai à Lapónia mostrar ao Martim a terra do Pai Natal

Invejas: Usa Microsoft e Blackberry entre outras razões porque admira e inveja organizações que inventaram sistemas fechados e exclusivos, como a Apple e a Nespresso - e também o Facebook, mas este por ser uma fonte de improdutividade  

Regras de ouro: “Os problemas surgem e existem para serem ultrapassados. Tenho sempre a atitude de minimizar as dificuldades, e, em vez de dramatizar os problemas, concentro sempre os meus esforços em descobrir como os vou ultrapassar”.

 

Santo Tirso, nos arredores do Porto, onde as pessoas ainda deixam o ticket do parquímetro do lado de fora do pára brisas e Ricardo vê vacas a pastarem, da janela do seu gabinete, situado em frente à Câmara, é um local improvável para ancorar uma tecnológica. Mas tudo tem uma explicação. Ele mora na Maia. Serafim Costa (o seu sócio na Redicom) é das Aves. Decidiram estabelecer-se a meio caminho.

Não foi linear o caminho que levou Ricardo a dar o grito do Ipiranga, a 4 de Julho de 2002. Tinha 26 anos e era solteiro quando aceitou do desafio do seu colega Serafim Costa para se despedirem da Betronic, onde ambos trabalhavam, para montarem uma empresa, na altura com o objectivo de fazerem páginas na Internet.

“O Serafim falou-me no sábado. Argumentou bem. Ele é bom na parte técnica e eu na comercial.  Na 2ª feira entreguei a carta de demissão. Não trouxe nada. Só em despesas deixei lá ficar 2 500 euros”, conta Ricardo. Sair da Betronic, empresa especializada em relógios de ponto e sistemas de controlo de acesso, foi o maior alívio da sua vida: “Aprendi lá muita coisa, até o que não se deve fazer”

Filho mais velho do casal que resultou do casamento entre uma governanta e um torneiro mecânico, cresceu em S.Pedro de Avioso, onde logo de deixou atrair pela bola (foi defesa central nos juvenis e juniores do Castelo da Maia) e pela arqueologia, interesse despertado pelas histórias de descoberta de potes de ouro, ali perto, nas citânias de Alvarelhos. Quando percebeu que não ia ser um Eurico ou um Lima Pereira (a dupla de centrais do seu FC Porto) e o convenceram que arqueólogo não era uma profissão de futuro, passou a aprender informática e a interessar-se por tudo quando tivesse uma vertente tecnológica Esta paixão não passou despercebida aos pais, que aos 16 anos lhe deram o primeiro computador. “Tudo quanto os meus pais me deram foi com sacrifício, mas sempre com um objectivo. E eles viram que o computador iria ser um instrumento de trabalho”, explica.

Estava no 12º quanto tomou a decisão errada de deixar de estudar. Queria ser independente. Andou por aí com o nariz no ar, até que um dia estava num café e soube que no andar de cima estavam a fazer entrevistas para um lugar numa empresa que instalava relógios de ponto. A coisa interessava-lhe, devido à componente electrónica. Tentou a sua sorte e foi admitido, a ganhar 56.600 escudos. Começou como técnico e foi crescendo, enquanto estudava à noite, Chegou a director comercial e esteve meio ano em Madrid a consolidar a operação no país vizinho.

Até que em 2004, embarcou na aventura empresarial com Serafim, apesar do mau tempo que se fazia sentir. Guterres demitira-se e Durão declarou que o país estava de tanga. Não foi fácil. “Começamos do zero, Não tínhamos clientes. Foi preciso ter capacidade de sofrimento. Identificamos bem o nosso core business. Nós vendemos sonhos. Sabemos que estamos no caminho certo”, garante Ricardo, feliz por ter a Salsa como cliente (“uma loja online envolve muita complexidade e risco, mas é o futuro: Dentro de dez anos o o comércio electrónico vai valer mais do que o tradicional”), por terem dado um passo certo na internacionalização ao conceberem o portal que reúne toda a legislação angolana (vai estar no ar para a semana) e pela entrada no negócio do homebaking, ao conceberem o sistema usado pela Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo.  Não é só nas ruínas arqueológicas que se encontram potes de ouro…

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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