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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

João Pires da Cruz

Para começar teve a sorte de ter nascido em 1965, o que o lhe permitiu ter 21 anos quando Portugal aderiu à CEE. Depois teve a sorte de não saber o que queria ser quando fosse grande, o que o poupou a grandes desilusões. Finalmente, quando acabava o curso de Física, teve a sorte de ter arranjado o primeiro emprego no pior sítio do Mundo, o que obrigou a fazer pela vida. Uma breve história da vida de um físico com cérebro matemático que fundou a Closer, consultora de tecnologias de informação

 

O físico que teve a enorme sorte

de ir parar ao pior sítio do Mundo

 

 

Nome:  João Pires da Cruz

Idade: 45 anos

O que faz:  Sócio gerente e partner da Closer

Formação: Licenciado em Física na Faculdade de Ciências de Lisboa (1989), fez também um mestrado em Engenharia Física. Está a concluir o doutoramento

Família:  Casado, tem dois filhos, o João, 12 anos, que faz esgrima como o pai, e o Henrique, oito anos

Casa:  Apartamento em Carcavelos, a 30 metros da praia

Carro:  BMW 520 é o carro da empresa que usa. O dele é um Honda Civic, de 97, em que a mulher anda

Telemóvel:  Blackberry, “daqueles que é só um telemóvel e não um computador”

Portátil:  Compaq

Redes Sociais: Tem Facebook, que actualiza diariamente, e Linkedin

Hóbis:  Treina esgrima duas vezes, no Clube Atlântico de Cascais. Também duas vezes por semana, à noite, faz um jogging de 11 km, no passeio marítimo, entre Carcavelos e Paço de Arcos 

Férias:  Este ano não fez férias. “Entre o trabalho, o doutoramento, o esgrima e os filhos, alguma coisa tinha de ficar de fora”, explica João, que aproveita os fins de semana e todos os tempos livres para escrever a tese de doutoramento. O ano passado fizeram praia no Carvoeiro, Algarve. Não costumam fazer grandes viagens ao estrangeiro porque ele odeia andar de avião (“dois dias antes começo logo a ficar nervoso”), e por isso só voa por motivos profissionais, nunca por lazer

Regra de ouro: "O saber não ocupa lugar. Quando alguém me diz que não sabe uma coisa, eu respondo: Então vai saber, porque o saber não ocupa lugar. Além disso faço sempre por não me atrasar. O meu orientador de tese, que é meio alemão, diz que eu sou mais alemão  do que ele”

 

Aos 17 anos, quando acabou o liceu em Oeiras e se matriculou no curso de Física, não sabia o que queria ser quando fosse grande. “Os que sabem são os que têm as maiores desilusões”, explica João , 45 anos, um dos dois filhos (o irmão trabalha na Câmara de Cascais) do matrimónio entre uma educadora de infância e um empregado de escritório de uma firma de import/export.

Teve a fase de sonhar ser astronauta, como nove em cada dez rapazes da sua geração, e ainda lhe passou pela cabeça ser arqueólogo (efeito de ter conhecido um, na ilha do Pessegueiro), mas no final da adolescência, por influência do programa televisivo Cosmos, de Carl Sagan, decidiu inscrever-se em Ciências. “ Estava apaixonado pelo clima, geologia e geografia. Queria ser geofísico”, recorda. Cedo desistiu dessa ideia. No 3º anos optou pela área tecnológica.

Ao tê-lo em 1965, os pais nunca poderiam imaginar que lhe estavam a proporcionar o timing mais do que perfeito de ter 21 anos quando Portugal aderiu à CEE e passou a receber uma formidável enxurrada de fundos vindos de Bruxelas.

“Ganhei o triplo do meu antecessor. 250 contos em seis meses. Quando recebi o cheque, pensei que estava rico. Não descansei enquanto não encontrei um balcão do BPA para o depositar”, conta João, a propósito do primeiro emprego, como investigador estagiário num laboratório estatal, onde debutou quando andava o 4º ano.

“Tive a sorte de ter ido parar ao pior sítio do Mundo”, confessa, a propósito do laboratório onde ganhou o primeiro dinheiro. Como estava no pior sítio do Mundo, agarrou com ambas as mãos o convite para ir para a Fábrica do Braça de Prata trabalhar no desenvolvimento de um simulador de combate baseado em lasers, que passou da fase de protótipo para a de produto usado na instrução de soldados, em Mafra.

Demorou-se quatro anos nesta empresa do grupo INDEP, na altura próspera pois fornecedora ambos os lados do conflito entre Irão e o Iraque, “uma guerra de sonho, pois era longe, só morriam árabes, e, como tinham petróleo, pagavam bem e a tempo e horas”.

O projecto que desenvolveu no Braço de Prata era na área da electrónica, e aumentou-lhe a paixão pela programação que despertara desde quando recebeu um Spectrum 48K, a sublinhar a entrada para a faculdade.

Entre 1994 e 1995, quando estava a chegar aos 30 anos, a vida dele levou uma grande volta. Tirou a carta, comprou o primeiro carro (um R5 em 2ª mão, “que consumia metade da produção petrolífera do Iraque”), casou-se e desembarcou no admirável mundo da informática ao aceitar o convite para trabalhar na Praetor, uma software house que pouco tempo depois foi comprada pela Novabase.

“Tive finalmente a certeza de que estava a fazer o que queria. Gosto de coisas e neste sector há todos os dias coisas novas”, diz João, que se estreou como programador a trabalhar com bancos de negócios  (como o BESI e DBI, que ainda hoje são seus clientes), que também estavam a dar os primeiros passos.

“Aprendemos juntos”, afirma João, que em 2002 saiu da Praetor/Novabase, para fazer, com mais três colegas, a consultora de tecnologias de informação KPI, onde esteve até 2005, ano em que fez 40 anos, deixou de fumar, começou a praticar esgrima, vendeu a sua parte na KPI (“quando se deixa de fumar a primeira coisa que vai ao ar é a paciência”)  e fundou a Closer, que emprega 60 engenheiros informáticos, matemáticos e físicos num 14º andar das Amoreiras, com uma vista deslumbrante de Lisboa.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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