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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

É uma idiotice tentar medir a felicidade

A minha expectativa sobre o contributo para a nossa felicidade das presidenciais de domingo é absolutamente idêntica à que tenho relativamente ao relatório da Comissão Stiglitz. É zero!

A base da criação Stiglitz até é inteligente. O exemplo do engarrafamento, que faz crescer o produto ao aumentar o consumo de gasolina, chega para demonstrar aos mais distraídos que o PIB não é mais o indicador adequado para medir o progresso de uma sociedade, pois na sua cega avaliação numérica não contabiliza os perniciosos efeitos secundários do trânsito entupido: os atentados ao ambiente (poluição do ar) e ao bem estar do automobilista, bem como o desperdício de tempo, recursos e paciência.

Há dois anos, por sugestão de Sarkozy, foi cometida a dois laureados com o prémio Nobel (Joseph Stiglitz e Amartya Sen) a tarefa de elaborarem uma ciência de felicidade.

A felicidade tem sido bastante estudada pelos académicos, muitos deles norte-americanos, o que se compreende depois de Thomas Jefferson ter escrito na declaração de Independência dos EUA que a busca de felicidade é um dos direitos inalienáveis dos cidadãos.

Fujo a sete pés das pessoas avinagradas, de rosto amargo e ar de terem crescido no interior de um frasco de pickles, pois acredito que a felicidade é contagiosa, como defende Nicholas Christakis, investigador de Harvard.

Acredito em Bruno Frey, quando este professor universitário de Zurique afirma que “quanto mais televisão uma pessoa vez, menos feliz se sente”, até porque é muito difícil ser feliz quando se está doente ou sem emprego  - e desempregados e doentes são dos principais contingentes de consumidores de televisão.   

Tenho seguido o conselho de Jefferson, e além de tentar ser criterioso sobre os locais onde tento encontrar a felicidade (não é indiferente se é na cama, na pastelaria ou no fundo de uma garrafa) também tenho reflectido sobre o assunto e conclui que é uma rematada idiotice tentar chegar a uma fórmula de cálculo do índice de felicidade interna bruta. 

Podemos medir, e até acomodar num cabaz base, indicadores objectivos de desenvolvimento humano (educação, saúde, etc) mas é impossível aprisionar numa estatística coisas tão voláteis a excitação sexual despertada por um cheiro ou quantificar o prazer desfrutado na ponte da Arrábida com a visão de um pôr do sol.

Neste momento, a felicidade para mim seria não ter saber o dia da semana em que estamos - nem que a taxa a que Portugal está a colocar as OT a dez anos se aproxima perigosamente do recorde histórico de 7, 357% ,atingido a 11 de Novembro. Há coisas que preferia não saber. E isso não cabe num indicador estatístico alternativo ao PIB.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

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