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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Lídia Tarré

 

Começou por passar parte das férias da Escola Alemã a embalar peixe, a 8º graus centigrados, na sala de laboração da Gelpeixe. Depois de estudar  Gestão, no ISEG, aprendeu a cultura IBM, passou por um gabinete de contabilidade e foi auditora. Aos 26 anos, sentiu que estava pronta para desembarcar na empresa feito pelo avô, pai e tio

 

De como Lídia conseguiu

apagar o selo de filha do patrão

 

Nome:  Lídia Tarré

Idade: 30 anos

O que faz:   Responsável pelo Marketing da Gelpeixe

Formação:  Licenciada em Gestão pelo ISEG (2002), com pós graduações em Fiscalidade e Controlo de Gestão, no ISCTE

Família:  Casada com um engenheiro informático, de quem tem um filho, o Gabriel, de quatro meses

Casa:  Andar na zona da Expo, Lisboa

Carro:  Honda CRV

Telemóvel:  iPhone

Portátil: Sony Vaio

Redes Sociais: “Tenho consciência de que é importante estar lá, mas não tenho tempo” 

Hóbis: Tem um piano em casa, onde de vez em quando toca peças de Debussy, Mozart ou Beethoven. Na adolescência teve aulas na Academia de Música Santa Cecília, no Lumiar, mas cedo percebeu que se queria ser boa pianista isso iria reflectir-se negativamente no rendimento escolar. Faz regularmente yoga, gosta de dar passeios na praia e passar fins de semana fora – e sempre que pode não perde os concertos dos seus artistas preferidos, como, por exemplo, Leonard Cohen  

Férias: No Verão, faz normalmente uma a duas semanas de férias na casa da família, na Praia da Rocha. Viajar é uma paixão. Em 2009, o ano em que se casou, foi à Costa Rica antes de fazer a lua de mel no Sudeste Asiático (Tailândia, Vietname e Cambodja). Praga é o próximo destino   

Regra de ouro: “Se deres um peixe a um homem vai alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar vais alimentá-lo toda a vida” (Lao-Tzu)

 

Desde que na adolescência passava parte das férias grandes a embalar peixe congelado, a 8 graus centígrados, na sala de laboração da fábrica de Loures, que Lídia sabia que a sua vida ia passar pela Gelpeixe. Só não sabia era quando.

Fundada em 1977, pelo avô Francisco (que tinha em Loures uma daquelas lojas onde se vende um pouco de tudo) , o tio Joaquim e o pai Manuel (que tinham acabado estudos e tropa), a Gelpeixe é três anos mais velha do que ela e a sua criação uma base estatística – a seguir a Japão e Islândia, Portugal é o país do Mundo com maior consumo de peixe per capita.

Lídia cresceu no Lumiar e fez o secundário na Escola Alemã, que além da fluência em alemão teve a grande vantagem de lhe ensinar que nem toda a gente no mundo tem os nossos valores e modo de encarar a vida.

Sempre viveu muito a Gelpeixe. “O meu pai sempre achou que devíamos passar pela sala de laboração, para merecermos o respeito das pessoas que lá trabalham e nos ajudar a passar por cima do selo de filhos do patrão”, explica Lídia, que fez de tudo menos serrar peixe. O primeiro dinheiro ganho a manipular a pescada ultracongelada foi direitinho para umas Levis.

Não teve dúvidas em escolher Gestão, curso feito no ISEG e concluído ainda com 21 anos. Sabia que mais tarde ou mais cedo iria desaguar na Gelpeixe, mas também sabia que primeiro tinha de fazer o tirocínio fora do ambiente protector da empresa familiar. “Expliquei ao meu pai que o primeiro emprego tinha se ser eu a consegui-lo”, conta.

Não foi só o primeiro, mas também o segundo e o terceiro. Debutou na DCSI, uma joint venture entre PT e IBM, instalada no Tagus Park, onde se deixou impregnar pela cultura típica de uma multinacional norte-americana. Um conselho do pai (“um bom gestor tem de saber ler um balancete”) levou-a a mudar-se para um gabinete de contabilidade, de onde transitou para uma empresa de auditoria que lhe abriu as portas do mundo das grandes empresas.

A decisão de que tinha chegado a hora de ir para a Gelpeixe foi tomada, entre pai e filha, numa calma noite da Primavera de 2006, num passeio à beira Tejo, na zona da Expo. O marketing estava a precisar de uma mãozinha e no percurso de quase cinco anos feito a solo, Lídia já tinha conseguido reunir competências e apagar o selo de filha do patrão.

Desembarcou em Loures no Verão e cedo fez o diagnóstico. Havia um canal aberto, de logística e distribuição, que podia e devia ser aproveitado para disponibilizar oferta de produtos sintonizados com as novas necessidades dos consumidores mais jovens e citadinos, que têm menos tempo e paciência para estar na cozinha – e não sabem ou não querem cozinhar.

Dois anos volvidos, começavam a desembarcar nas prateleiras dos supermercados, em embalagens apetitosas e com a submarca Gelpeixe Gourmet, os primeiros produtos da diversificação e sofisticação (sushi, filetes de espada preto…) introduzida por Lídia numa gama que se esgotava na pescada, tamboril, polvo e outros peixes congelados. Seguiram-se mais duas vagas. A submarca Delidu é um incursão na carne, com uma oferta de porco preto em várias declinações. E a Chef vai até às sobremesas.

Jovem mãe e consumidora citadina, com pouco tempo para passar na cozinha, Lídia tem aproveitado muito a nova gama de produtos que lançou na Gelpeixe. Lombos de espadarte Gourmet, pitta kebab e crepe de chocolate (ambos Chef) são os seus pratos preferidos.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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