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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Cristina Dias Neves

 

Como não queria levar uma vida aborrecida, sonhou ser trapezista e diplomata. Como queria ser independente, aos 14 anos habituou-se a ganhar dinheiro. Fez anúncios, foi modelo e baby sitter, serviu à mesa e varreu o chão, redigiu relatórios. Correu mundo. Acabado o curso de Ciências Políticas em Bruxelas, regressou a Lisboa para ser jornalista. Aos 30 anos decidiu assentar

 

A globetrotter que não queria

levar uma vida aborrecida

 

 

Idade: 40 anos

O que faz: Directora de Comunicação do Banco Santander Totta

Formação: Licenciada em Ciências Políticas com uma pós graduações em Gestão (Católica) e Ciências da Comunicação (Nova)

Família:  Casada com três filhos, Francisco (seis anos), Manuel (quatro) e Mafalda (um)

Casa: Andar no Bairro Azul, em Lisboa

Carro:  Ford Galaxy

Telemóvel:  iPhone 4

Portátil:  HP

Hóbis:  Leitura (bastante), viajar, cinema (alternativo, não blockbusters), passear de bicicleta com os filhos junto ao rio Tejo, em Belém, jantar fora, dançar e beber uns copos   

Redes Sociais: Facebook e Linkedin

Férias: Todos os anos passam 15 dias numa casa ao pé da praia, no Sotavento algarvio. Também faz parte da rotina uma semana de férias cá dentro (o ano passado foi na Madeira, há dois anos no Douro e há três no Alentejo) e outra na neve – a última vez foi em Ponte di Legno (Itália). Este ano planeia visitar Washington com uns amigos de Nova Iorque

Regras de ouro: “If it looks like a duck, swims like a duck and quacks like a duck, then it probably is a duck”

 

 

Fascinada pela elasticidade dos contorcionistas, ambicionou ser artista de circo (trapezista), sonho que a acompanhou até à adolescência, quando o substituiu pelo de ser diplomata, profissão mais respeitável que a poupava a uma vida aborrecida e lhe permitia viajar pelo mundo - mas de avião e não a bordo de caravanas, acompanhada pelo homem bala, os leões domesticados e a mulher de barbas.

O destino não quis que ela fosse trapezista ou diplomata mas foi bondoso ao levá-la de visita a ainda mais sítios que Fernão Mendes Pinto, talvez o mais famoso dos nossos viajantes, se não contarmos com José Megre, com quem (era inevitável!) ela se cruzou, trabalhando na organização de expedições ao deserto.

Nascida em Novembro de 1970, Cristina é a mais nova dos três filhos do matrimónio entre uma assistente social e um advogado, e cresceu no Lumiar. Nunca foi muito de criar raízes, como o demonstra um percurso escolar onde  Dona Amália, ES Lumiar e Mira Rio foram as escalas que se seguiram à Escola Alemã, escolhida para ela deixar de ser analfabeta devido à sua costela germânica – Ruth Kloss, a avó materna, era uma prussiana casada com um algarvio, que a poupou aos horrores da II Guerra ao decidir, em 1939, deixar os negócios em Hamburgo e embarcar com destino e Portugal, onde se dedicou à cortiça, em S. Brás de Alportel.

Desde cedo se habituou a ganhar o seu dinheiro. Aos 14 anos, estourou num jantar no Bairro Alto, com as amigas, o cachet da participação num anúncio da CP que publicitava uma espécie de Interail nacional (entrava para o comboio, punha-se à janela a dizer adeus e o comboio partia, nada de muito complicado).

Aos 16 anos fez um Interail pela Europa, que financiou trabalhando numa casa de chá em Londres, onde fazia tudo, incluindo varrer o chão, e recebia boas gorjetas. Em Lisboa, também serviu à mesa, foi modelo fotográfico, trabalhou na Parfois e vendeu trapos na loja da Alain Manoukian das Amoreiras – como é bom de ver, acabou o secundário a estudar à noite.

Como toda a gente lhe gabava a lábia, ainda lhe passou pela cabeça ser advogada, ideia de que desistiu logo que a mãe decidiu ir trabalhar para a Comissão Europeia. Fez as malas e partiu com ela para Bruxelas.

Na Bélgica, inscreveu-se em Ciências Politicas e foi baby sitter antes de começar a trabalhar na Fundação Friedrich Ebert, onde em nome do cooperação e do diálogo Norte/Sul, recebeu delegações africanas, organizou eventos, fez relatórios  - e perdeu a vontade de ser diplomata.

“Quando estive em Bruxelas, todo o dinheiro que ganhava era para viajar.  Quando não estava a trabalhar, estava a passear por todo o lado. Fui a toda a Europa, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai.  Fiz 20 anos a descer, sozinha a Península da Tailândia, de Banguecoque a Singapura”, explica Cristina, que escreveu sobre o Rajastão para a Elle, sobre a Nova Zelândia para o Público, e sobre a Roma à noite para o Semanário Económico.

Regressou a Lisboa com o curso na mão e a vontade de ser jornalista do Independente na cabeça, mas no entretanto conheceu um arménio que a convenceu a fazer uma revista de música erudita, inspirada na BBC Music, que durou cinco números. Trabalhou na Rotas & Destinos, na Nova Expansão  e na Fortuna, foi directora da Meios & Publicidade até que, aos 30 anos, teve uma crise existencial. “Gostava de escrever e de editar mas senti que tinha de mudar de vida”, explica. Tinha chegado a hora de assentar. Pediu dinheiro ao banco e fez um Mestrado em Comunicação na Nova.

No final, em 2001, foi trabalhar para a João Líbano Monteiro & Associados. Passou pela EDP e PT, antes de ancorar no Santander, onde é directora de comunicação.

 

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias 

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