Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

2 conselhos de Homer e 3 aflições minhas

Num episódio dos Simpsons, Homer dá ao seu filho Bart dois conselhos que ajudarão a navegar com sucesso na vida.

O primeiro é repetir a frase “Boa ideia, chefe”. Belíssimo conselho! Nunca ouvi ninguém a queixar-se de que abusar da graxa lhe prejudicou a carreira - e é mais provável conhecer um marciano verde do que um chefe insensível à bajulação.

O segundo consiste em responder, num tom educado mas firme, “Quando cá cheguei já era assim”, sempre que questionado por um superior sobre determinado procedimento. Outro conselho magnífico, que bebe a  sabedoria no dizer popular “a culpa morreu solteira”.

A falta de fruta no hotel de Moscovo onde esteve hospedada a Selecção Nacional, na véspera de um jogo de apuramento para o Euro 84, foi a explicação dada pelo mítico (e falecido) guarda redes Bento para a derrota copiosa de 5-0 que nos foi infligida pela URSS.

Não estamos culturalmente treinados a assumir as responsabilidades pelos nossos erros. Pelo contrário, somos muito bons a inventar desculpas e a sacudir para costas mais largas a culpa dos nossos fracassos.

Da última vez que o PSD ganhou as legislativas, a primeira coisa que Durão Barroso fez foi cunhar o famoso soundbyte “O país está de tanga”, uma tentativa mais ou menos bem sucedida de atirar para cima do guterrismo a responsabilidade pela decisão de elevar a carga fiscal  – depois de ter passado a campanha eleitoral a jurar que não aumentaria os impostos.   

Este péssimo hábito de sacudir a água do capote anda normalmente de mão dada com um outro não menos nojento: a mais completa ausência de frontalidade. Apesar de não ser fã de reuniões, esforço-me sempre por nunca faltar a nenhuma, pois estou careca de saber que estar ausente é um convite a dizerem mal de nós.

(Ora aqui está matéria prima para mais conselhos de Homer a Bart: Nunca faltes a uma reunião e antes de dizeres mal de alguém certifica-te primeiro se ele não está presente).

Servem estes desabafos para explicar que neste período pré-eleitoral o que mais me aflige é ninguém estar a pensar o que é preciso fazer - mas sim em quem culpar pela situação em que estamos atolados.

Aflige-me também saber que, em média, a despesa cresce o dobro em ano de eleições – a fonte é um livro do insuspeito Nogueira Leite, que aponta 1991 (Cavaco) e 2009 (Sócrates), como os anos de maior despautério.

Afligem-me também as conclusões do estudo de Pedro S. Martins (Queen Mary University), que abrange o período 1980-2008 e demonstra que as contratações do Estado aumentam significativamente antes e imediatamente depois das eleições - não se registando neste particular qualquer diferença entre o comportamento do PSD e do PS.

 

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

35 comentários

Comentar post

Pág. 1/3

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D