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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Carlos Marta

A alcunha que transportou enquanto futebolista profissional deve-a aos fregueses da taberna do pai, a Nova Aurora, estrategicamente situada ao lado da Câmara Municipal, na praça principal de Tondela.

“Vai nascer um novo Águas”, vaticinavam os frequentadores da taberna, brindando a isso com copos cheios de vinho do Dão, desejo que agradava ao promitente pai, um benfiquista fanático que festejava as vitórias do seu clube oferecendo uma pipa de vinho, a que (conta o filho) prudentemente adicionava água com o duplo objectivo de controlar o prejuízo e a euforia da clientela.

Capitaneado por José Águas, o Benfica foi campeão em 1957, o ano em que nasceu Carlos Marta, com jeito para a bola  e que  – isso os fregueses  da Nova Aurora nunca conseguiriam adivinhar – acabaria por ocupar o melhor gabinete do edifício vizinho da taberna: os Paços do Concelho.

O Águas de Tondela debutou como futebolista aos 15 anos, com a camisola verde e amarela do clube local, mas na época 75/76, ainda miúdo de 18 anos, já o vemos na Académica, a  jogar ao lado de veteranos consagrados como Rui Rodrigues, Gervásio e Manuel António.

Académico de Viseu, U. Leiria e Marítimo foram as escalas seguintes de uma carreira que acabou com o regresso à terra, alinhando quatro épocas no Mangualde e começando a dar aulas.

O talento para a bola pode ter-lhe mudado o futuro (no liceu pensou fazer Medicina) mas não o impediu de fazer o curso do ISEF, em Lisboa, onde foi colega de Carlos Queiroz e Rui Caçador . “Eu era o único jogador de futebol, os outros eram empurradores de bola”, ironiza Carlos Marta, 54 anos, que cedo sacrificaria a docência no altar de uma carreira política, que o levou a ser deputado durante dez anos, eleito nas listas do PSD.

Em 2001 retornou a Tondela e foi eleito presidente da Câmara com 73% e a vitória em 24 das 26 freguesias. Na segunda reeleição, em 2009, manteve os 73% e  ganhou todas as 26 freguesias, incluindo a de Tonda, onde fica o Três Pipos, o restaurante que escolheu para almoçarmos.

A mesa já estava posta, com apetitosas entradas variadas, mas o melhor ainda viria a seguir: a vitela à Lafões regada com um tinto Dão, ou seja as duas componentes da marca Dão Lafões da Comunidade Intermunicipal (CIM) presidida por Carlos Marta.

Assada no forno, a vitela de Lafões deve a fama ao facto das rações não constarem da sua dieta (alimenta-se apenas nos pastos) e é cortada às postas, não à fatia. Uma das grandes apostas da CIM Dão Lafões é a gastronomia típica da região, onde constam a chanfana e o cabrito da Serra do Caramulo.

A oferta turística da região vai ser aumentada com a inauguração, em Maio, da maior ecopista do país, que tem 56 km de extensão e atravessa três concelhos (Viseu , Tondela e Santa Comba Dão). Este aproveitamento da antiga linha ferroviária do Dão vai ser gerido pela CIM Dão Lafões e é um dos 96 projectos, no valor de 73 milhões de euros, que candidatou ao QREN.

Carlos Marta está contente por a comunidade a que preside ter a segunda melhor taxa de execução do país e fala com entusiasmo de outros projectos em curso, com o da rede urbana para a competitividade, que fomenta o empreendedorismo em seis concelhos e em áreas pré-definidas: biotecnologia em Tondela (que acolhe empresas como a Labesfal e a Controlvet), automóvel em Mangualde, cultura em Viseu, empreendedorismo social em Santa Comba, e termalismo em S. Pedro do Sul (que tem as maiores termas da Península Ibérica).

Os ganhos de escala que a comunidade intermunicipal permitiu já deixam satisfeito Carlos Marta, que se declara desfavorável à Regionalização:

“ A Regionalização já está feita com as CCDR. Sou contra a criação de mais cargos políticos. Câmaras e juntas de freguesia têm dado muito bem conta do recado. E, quando é necessário, agrupam-se em organismos intermédios de gestão, como as comunidades intermunicipais. Sou um municipalista convicto”, afirma Carlos Marta, o antigo Águas de Tondela, que não teme os cortes que estão a ser cozinhados em Lisboa pela troika: “É preciso reduzir de forma assustadora o aparelho de Estado. Até chegarem aos municípios vão ter muito de cortar e em muito lado”.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Três Pipos

Rua Santo Amaro 876, Tonda, Tondela

Vinho da casa (Tinto do Dão)

Pão

Água

Entradas (pastas diversas, azeitonas, enchidos, provaduras, pataniscas, salada de polvo, moelas)

Mimos de vitela de Lafões

Manga

2 Cafés

 

 

Curiosidades

 

O momento mais alto da carreira de futebolista do Águas de Tondela foi ter marcado em Alvalade o golo da vitória por 1-0 do Académico de Viseu, que assim evitou a descida de divisão. “Foi a única vez em que o Académico fez duas épocas seguidas na I Divisão”, conta Carlos Marta. A vítima foi o guarda redes sportinguista Vaz 

 

Não satisfeito por não nos ter deixado pagar a conta, Carlos ainda por cima fez questão de nos oferecer uma bilha de segredos (o segredo é saber como se bebe por ela sem deixar verter liquido), uma peça de artesanato do concelho. Os barros de Molelos são famosos por serem negros, devido à redução de oxigénio durante o processo de cozedura.   

 

Criada em 2007, para candidatar projectos ao QREN, a Comunidade Intermunicipal Dão Lafões é constituída pelos seguintes 14 municípios: Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, S. Pedro do Sul, Sátão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela. Viseu e Tondela são os concelhos mais populosos desta comunidade, que reúne mais de 300 mil pessoas. No momento da fundação, todos os 14 concelhos eram laranja (ou não estivessemos no Cavaquistão!). Agora há três câmaras rosas, mas entendem-se todos bem  - e as decisões importantes são sempre tomadas por unanimidade.

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