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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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Champanhe e pentelhos

- You are drunk, Mr Churchill, constatou, escandalizada, a catatua que partilhava a mesa do antigo primeiro ministro britânico.

-  Sim,  estou bêbado, mas pela manhã estarei sóbrio e você continuará feia, ripostou Winston, que comandou com mão de ferro a resistência europeia ao expansionismo nazi e soube fazer do champanhe um precioso aliado para derrotar Hitler.

“Tirei mais do álcool do que o álcool tirou de mim”, escreveu o velho leão, consumidor frequente de Pol Roger e que no Dia D teve presença de espírito para gracejar que não estava só em causa a libertação de França - mas também do champanhe.

Imortalizado pelos célebres discursos do blood sweat and tears e da cortina de ferro,  Winston (que aguardou a morte pintando marinhas em Câmara de Lobos) cunhou outras frases célebres, como aquela sobre a imprescindibilidade do champanhe (In victory I deserve it, in defeat I need it), uma variante da frase de Bonaparte (“Bebo sempre champanhe; na vitória para celebrar e na derrota para me consolar”).

Não escassearam as oportunidades para Churchill, pelas boas e más razões, se enfrascar em champanhe durante uma carreira política que foi longa porque ao seu tempo a opinião publicada não tinha sido ainda  sequestrada por um bando de falsos moralistas, que se tivessem nascido no Afeganistão dos talibãs teriam feito carreira no Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício.

Lembrei-me da paixão de Churchill pelo champanhe a propósito do coro condenatório de virgens ofendidas que se fez ouvir quando o acelerado Catroga se deixou arrastar pelo coloquialidade e criticou na televisão os jornalistas por andarem “a discutir pentelhos”.

Eu não gosto de Catroga porque ele, quando ministro das Finanças, ordenou a ridícula penhora da retrete do Estádio das Antas e fez tábua rasa das leis do mercado, prejudicando os interesses dos pequenos  accionistas para engrossar a fortuna da Champalimaud ao reduzir-lhe a factura da compra do grupo Totta.

Eu não gosto de Catroga, pensionista com uma reforma de 9.693 euros e 54 cêntimos, porque teve a desfaçatez de contar em público a confidência que Manuel Pinho lhe fez ao almoço: “Dizem que vou para a Caixa, mas aquilo só dá 350 mil euros e o carro também não é grande coisa”.

É por estas e por outras que Catroga não deve ser ministros das Finanças – e não por ter falado em pentelhos. É por ter menosprezado um salário de 350 mil euros que Pinho não deve voltar ao Governo – e não por ter feito corninhos na Assembleia. O moral da vida exemplar de Churchill é esse: o que conta nos políticos  é o seu carácter e competência. Tudo o resto, é uma questão de pentelhos.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias 

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