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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

José Archer

A praia algarvia de Cacela foi o cenário de um conflito com um desfecho exemplar. O banheiro e o cabo do mar debalde tentaram, por várias vezes e a bem, convencer uma família a deixar de levar o cão para a praia. Apesar das falinhas mansas, a família mantinha-se irredutível, argumentando com a tradição e a defesa dos direitos dos animais.

As posições extremaram-se. O cão ou a bandeira. Um deles estava a mais na praia.  A declaração do capitão da Polícia Marítima de que não tinha outra hipótese senão arrear a Bandeira Azul gerou de imediato um levantamento popular dos banhistas em defesa do pavilhão com ondinhas – e o cão nunca mais voltou à praia.

Este episódio, passado há coisa de dez anos, é ilustrativo da importância que a Bandeira Azul teve, ao longo do quarto de século de existência, na educação ambiental dos cidadãos com os consequentes resultados ao nível da qualidade das nossas praias.

“Temos as melhores praias da Europa”, afirma José Archer, o advogado de 55 anos que há 16 dirige a Associação da Bandeira Azul, uma organização não governamental e não parasitária.  “Não recebemos um tostão do Estado”, acrescenta, orgulhoso do recorde de 271 praias portuguesas que este ano foram distinguidas com a bandeira azul.

Archer garante que as nossas praias estão muito mais cuidadas  que as espanholas e dos outros países da cintura do sol da Europa (França, Itália, Grécia, Turquia…) e fundamenta nas estatísticas esta afirmação. Se excluirmos países sem tradição balnear (como a Bélgica ou a Dinamarca), Portugal é com maior percentagem de praias com bandeira azul.

Para receberem este selo de qualidade, as praias candidatas têm de satisfazer uma exigente lista de 32 critérios, dos quais 28 são imperativos, sendo que os principais são a qualidade das águas, protecção aos banhistas, destino adequado aos lixos, dunas protegidas, bons acessos, instalações sanitárias em condições, apoios de praia e areal asseado.

“Curiosamente é em Agosto, quando são mais utilizadas, que as areias das praias são mais limpas”, chama a atenção José Archer, que desde a primeira hora (em meados dos anos 80) colaborou com o conde de Caria na construção do movimento português da Bandeira Azul.

 Advogado na Correia Afonso e Archer, uma boutique especializada  em fusões e aquisições com sede no Príncipe Real (Lisboa), escolheu almoçarmos no NovaMesa,  que fica na esquina da Praça das Flores com a Marcos Portugal, a meio caminho entre a sua casa e escritório.

Concordamos na entrada, prato e tipo de vinho (branco), ficando a escolha da marca (Fiuza Premium), a cargo do convidado, que tem credenciais na matéria, pois integra o grupo de investidores que acompanhou Pais do Amaral na compra da Companhia das Quintas.

Membro de uma das mais tradicionais famílias do Porto, Zé é o mais velho dos rapazes dos 14 filhos de mais uma fornada dos Archer, clã com centro de gravidade na avenida de França, junto ao Ach Brito.

Depois de ter feito parte do secundário no colégio jesuíta das Caldinhas (Santo Tirso), o jovem Zé aterrou em Lisboa, para fazer Direito na Clássica, no conturbado ano de 1974. Não se demorou pela capital. Retornado ao Porto, foi durante dois anos cobrador de seguros da Gan, com um sucesso ilustrado por ter começado a trabalhar com uma Vespa e ter acabado com uma Kawasaki 900 (depois de ter tido, sucessivamente, Suzukis 250, 500 e 750).

“Foi o melhor emprego que tive na minha vida”, conta. Racionalizou os percursos de modo a desembaraçar-se em15 dias do trabalho de um mês, ficando com duas semanas livres.

Em 1976, acalmados os excessos da Revolução, regressou a Lisboa para cursar Direito na Católica.  Nos primeiros anos, ainda antes de se casar, ainda foi voluntário no Bombeiros Lisbonenses. Concluída a licenciatura, estagiou no escritório de Correia Afonso. Depois de fazer praia em Vila do Conde  e nas Dunas Douradas (no Algarve, entre Vale de Lobo e de Vale de Garrão)  passou a interessar-se pela qualidade da nossa costa. E não se arrepende do tempo que investiu na Bandeira Azul. “Estamos a demonstrar que o desenvolvimento sustentável é possível”, explica.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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NovaMesa

Rua Marcos Portugal  1, Lisboa

3 águas Vitalis … 4,50

2 copos Branco Fiuza … 9,60

2 bifes de atum fresco com ratatouille …  20,00

1 taça de frutas … 4,50

2 cafés … 2,60

Total …  41,20 euros

 

 

Curiosidades

 

Quando veio estudar para Lisboa, Zé Archer instalou-se num quarto alugado na Praça das Flores. Depois mudou-se para um andar no Restelo, propriedade do falecido primeiro ministro Francisco Sá Carneiro, partilhado com o filho do fundador do PSD e com José Manuel Lello (herdeiro da livraria homónima). Um ano depois, o antigo primeiro ministro pagou aos inquilinos um almoço no Gambrinus e, à sobremesa,  explicou-lhes, cordialmente, que tinha de os despejar, devido às reclamações da vizinhança sobre o barulho tardio que faziam

 

A monitorização da observância das regras pelas praias com Bandeira Azul é assegurada por um exército de voluntários, incluindo escuteiros e jovens de OTL’s com idades compreendidas entre os 14 e 16 anos, que inspeccionam as praias, de check list em punho, verificando se  casa de banho estão em ordem, o areal limpo e se o nadador salvador está olhar para o mar ou a namorar com uma estrangeira

 

O professor Paulo Almeida Ferreira (pai do ex-director do Público, José Manuel Fernandes) foi o antecessor de José Archer na presidência do movimento Bandeira Azul no nosso país. Zé aceitou porque lhe disseram que se tratava de uma situação provisória e que no prazo máximo de seis meses, uma pessoa que estava na REPER, em Bruxelas, regressaria a Lisboa e tomaria conta do lugar. Dezasseis anos volvidos, ainda não apareceu

 

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