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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Sobre a utilidade dos jornais

Como tenho a mania (um bocado chata, reconheço) de me pôr a contar histórias por tudo e por nada, quando os meus amigos de outras profissões me questionam, em tom curioso ou provocatório, sobre a utilidade dos jornais em papel neste mundo a abarrotar de informação, respondo-lhes recordando dois episódios por mim vividos.

O mais recente passou-se há exactamente cinco anos, em Nova Iorque. Ao fim-de-semana não há nada melhor do que começar o dia com uma grande caminhada. Por isso, numa manhã de sábado, atravessei o Central Park lateralmente, de este (onde fica o Days Inn, o hotel onde eu estava hospedado) para oeste (onde fica a Museum Mile).

Estava lindo, com um manto branco a cobrir o verde do mais famoso dos parques, mas como presumo todos sabem a neve é bonita para se ver à distância, não para se caminhar em cima. Como agravante, nos passeios uma fina camada de gelo dissimulava ardilosas poças de água.

Por duas vezes, ao atravessar a rua, meti a pata na poça, ou seja, mergulhei ambos os pés em poças de água camufladas por traiçoeiras camadas de gelo. Como tenho por hábito viajar sem calçado de «back up», creio que compreendem porque fiquei aflito quando senti que a água tinha ultrapassado sem cerimónia a pele das sapatilhas Nike e o algodão das meias pretas Calvin Klein (compradas no outlet 21 Century, em frente ao Ground Zero, a 9,99 dólares a embalagem de três pares).

O que me valeu naquele momento difícil foi o "USA Today". Sentei-me num banco. Descalcei-me. Guardei as meias encharcadas num saco de plástico (são inimigos do ambiente mas utilíssimos numa viagem), embrulhei os pés húmidos em folhas do caderno Sports (dedicado ao arranque da época da Nascar) e voltei a calçar-me. Um conforto. O jornal evitou-me o mais que certo resfriado.

Não foi a primeira vez que fui salvo pelos jornais. Num belo dia de Abril, em 2004, saí do Porto, de manhãzinha, em mangas de camisa, em direcção à Corunha. O Porto estava primaveril. Na Corunha, 300 quilómetros a norte, chovia e fazia frio. Encharcado e enregelado nas bancadas do Riazor (onde o FC Porto venceu o Depor e apurou-se para a final da Champions) usei um velho truque dos sem-abrigo e forrei o corpo com os jornais que tinha levado para pôr a leitura em dia e matar o tempo até à hora do jogo. Foi remédio santo.

Servem estas duas historietas de pretexto para lembrar que já só faltam sete dias para o bom e velho JN se reinventar e aparecer nas nossas mãos ainda mais elegante, com roupa nova e todo a cores, tão fiável e próximo como sempre, mas ainda mais vibrante, entusiasmado, apaixonado, orgulhoso da sua pronúncia do Norte - e com as mesmas qualidades de sempre no particular do isolamento térmico :-). Já falta menos de uma semana!

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Jornal de Noticias

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