Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

O Leixões faz 100 anos e nós ainda não !

 

 

 

 

Quantos clubes haverá em Lisboa e arredores com mais de 100 anos ? E que tenham taco ? Nem que seja no emblema ... O Leixões tem.E nós também...Também temos emblema !

 

Clubes em Lisboa com mais de cem anos...tirando os clássicos ... só se for a Casa Pia.


Outro tipo de clubes afamados em Lisboa,  parecem muito antigos, mas não tanto. Também têm muitos anos , mas pagaríamos para ver o dia em que chegassem aos cem.

 

Se Matosinhos fosse em Alcântara  ou no Barreiro, não teriam faltado televisões a transmitir em directo a efeméride. Mesmo em noite em que o SLB foi eliminado da Champions.

 

Mesmo sem televisões assim tivemos festa a dobrar !

 

Bando dos quatro

 

Exército de Salvação Nacional

 

Pelotão 4 no morfeu

 

 Coroneis Manuel, Mário , Júlio e como ajudante de campo , Vaqueiro

 

PS Os restantes foram indemnizados e estão no estrangeiro.

 

 

 

 

 

 

Música: dez anos é mto tempo.......
Publicado por Manuel Serrão às 22:30
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Centros Históricos - quem lhes acode?

Centro Histórico de Guimarães

 

Muito se tem dito e escrito sobre os Centros Históricos.

Porque estão desertos ou os resistentes são uma população envelhecida, logo vulnerável porque está isolada, o património encontra-se degradado, há insegurança  e daí ser urgente a sua reabilitação e humanização.

Tudo isto é verdade e sobre tudo isto todos estamos de acordo.

No jornal Público, de Domingo, havia dois artigos muito interessantes sobre a matéria.

(não sei se o resto do país pôde ler porque um destes artigos, sobre Guimarães, vinho no Local Porto).

Dizia-se, numa notícia, sobre o Porto tudo o que já se sabe há muito tempo. Problemas e mais problemas, tentativas para os resolver, estratégias sobre estratégias, constituição de empresas, etc , etc .

O resultado também é o conhecido. Nada ou quase nada foi feito.

O Centro Histórico do Porto - esse que é Património da Humanidade declarado pela UNESCO - está a cair aos bocados, a "patine" da zona, que é uma marca da cidade  e da região, está a perder-se duma forma que se não for "atacada" urgentemente vai passar a ser apenas uma memória fotográfica.

Por outro lado, na outra notícia, era publicada uma peça sobre a exemplar recuperação e regeneração do Centro Histórico de Guimarães, também ele Património da Humanidade.

Os edifícios estão recuperados, habitados e a zona  já recuperou 5% da população. Há gente, movimento, bares, animação (por vezes barulhenta). Há vida. Há cidade.

Está mesmo na moda morar naquelas ruas e ruelas da Cidade Berço.

Então de que é que estamos à espera?

Será que a formula de Guimarães não pode funcionar de exemplo para o resto do país?

Para quê estar a inventar a roda se ela já está inventada?

A coisa ao que parece foi simples.

Criou-se um GTL - Gabinete Técnico Local - dirigido pela arquitecta Alexandra Gesta e contrataram o grande e saudosos arquitecto Fernando Távora - "pai" da famosa Escola de Arquitectura do Porto, ainda hoje a melhor do país que projectou arquitectos como Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, entre outros.

Depois definiram uma estratégia, estabeleceram-se regras, aproveitaram-se, e bem, os fundos comunitários e os resultados apareceram. Nunca se esqueceram das pessoas. Este aspecto é fundamental. Ainda agora a "fixação dos nativos através de programas de apoio é crucial. Este tipo de intervenções têm de ser feitos com o envolvimento da pessoas e não contra os naturais e residentes.

Pelo meio da intervenção - que continua - houve achados importantes, como muralhas "escondidas" nas paredes do casario, e muito trabalho, dedicação e uma grande consideração pelo património que é de todos nós.

Já agora deixo a sugestão.

Vão dar um passeio até Guimarães. Vale a pena. A cidade está viva. Tem gente. Há uma boa oferta cultural principalmente no Centro Vila Flor e no Museu Alberto Sampaio.

Guimarães teve uma estratégia que passou nomeadamente pelo incremento do Pólo da Universidade do Minho.

Uma estratégia ganhadora. Guimarães é hoje uma cidade média de referência.

Hoje mesmo Gaia anuncia que vai colocar câmaras no seu Centro Histórico - a Ribeira - para controlar a anarquia no estacionamento e controlar o acesso automóvel.

Os Centros Históricos das cidades são a sua alma, as suas origens, a memória colectiva. A referência.

(nota: é de louvar que um grupo de cidadãos esteja a promover um conjunto de festejos para comemorar a Declaração da UNESCO que considerou o Centro Histórico do Porto Património da Humanidade. É um excelente exercício de cidadania. Ainda bem que há gente com memória e que ama a sua cidade)

 

 

 

 

Publicado por Fernando Rocha às 13:01
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Sem Portela e Mais Nenhum

 

O Quartel-General da Bússola reunido de emergência há cerca de 15 minutos, aprovou um Estudo há cerca de 10 minutos que entregou ao Governo há não mais de 5 minutos, relativo às diferentes soluções de infra-estruturas aeroportuárias e às estratégias de desenvolvimento que lhe estão associadas.

 

O estudo que se sucede aos que a Associação Comercial do Porto e a CIP apresentaram recentemente, aponta para a desactivação do aeroporto da Portela e a não admissão de mais nenhum outro investimento a Sul. Admite-se a manutenção de algumas das bases aéreas existentes, com fins eminentemente militares ou de mercadorias e não exclui o prosseguimento das obras em curso referentes ao aeroporto regional de Beja e de algumas obras de ampliação do aeroporto de Faro, dado o previsível aumento de tráfego aéreo directamente para o Alentejo e o Algarve.

 

Para a resolução do problema da evolução do tráfego aéreo o estudo propõe, em contrapartida, o aumento da área de implantação do Aeroporto Sá Carneiro e a reestruturação da base aérea de Palmeira, em Braga, para toda a vertente “low cost”.

 

O início deste investimento seria simultâneo ao do arranque da linha TGV Porto-Lisboa que permitiria resolver os problemas de mobilidade com a capital.

O estudo aponta também para mais duas travessias no Douro, mas mesmo assim conclui por uma poupança em relação à Ota de 3 mil milhões de Euros, de 2 mil milhões de euros em relação a Alcochete e de 2 mil milhões de euros em relação ao Montijo.

 

O “Sem Portela e mais nenhum” aponta também para a imediata substituição do Conselho de Administração da ANA que passará ter sede em Matosinhos. O novo Conselho de Administração que já poderá admitir administradores que não sejam oriundos de Lisboa, voltará a analisar a proposta da Ryanair que recentemente recusou e que, como todos recordam, permitirá aumentar o tráfego anual do Aeroporto Sá Carneiro em cerca de 4 milhões de passageiros.

 

 

A AERLIS-Associação Empresarial da Região de Lisboa, prometeu já desenvolver um novo estudo de análise a esta alternativa, desenvolvido conjuntamente com a Universidade Nova de Lisboa.

 

António de Souza-Cardoso

 

Publicado por António de Souza-Cardoso às 12:51
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

O conto de fadas da Função Pública

 

O mais próximo que estive da Função Pública foi na tropa. Mas essa minha relação com o Estado foi muito atípica.

 

Primeiro, porque fui incorporado à força na lista de pagamentos do Estado. Se pudesse, eu passava, mas à época não estava disponível a opção de recusar o convite.

 

Segundo, porque havia uma grande capacidade para nos impor a mobilidade.  Eu vivia no Porto, mas o Estado resolveu alojar-me no Convento de Mafra, onde, durante quatro meses, me alimentou, vestiu, cuidou da minha forma física e forneceu formação nas artes do tiro curvo (morteiro 80) e do tiro tenso (canhão sem recuo 90).

 

Promovido a aspirante, com a atraente especialidade de Anti-Carro e  Morteiro Médio (trata-se de um dos pontos altos do meu curriculum!), fui despachado para o Funchal, onde me demorei um ano, antes de passar à peluda.

 

Desde a memorável passagem de ano de 1981 para 1982, vivida na baía do Funchal, a minha relação com o Estado nunca mais foi a mesma.

 

É com alguma saudade que recordo esses 16 meses em que estive à carga do Estado.  Há um quarto de século que estou na bem menos confortável situação de contribuinte líquido. Dito por outras palavras, há 25 anos que sou chulado pelo Estado.

 

Como presumo acontece com a generalidade dos portugueses que fazem a vida na iniciativa privada, não tenho em grande conta essa vaga e gorda entidade que dá pelo nome de Função Pública. s números que a descrevem metem medo ao mais pintado, mesmo a um homem como eu, com o Serviço Militar Cumprido!

 

Os funcionários públicos são muitos (750 mil), não param de crescer (em 1990 eram 509 mil), ganham em média mais 50% do que os trabalhadores das empresas privadas, reformam-se cedo (59 anos), representam 15% da população activa mas absorvem 34% das pensões de reforma pagas pelo Estado e 45% dos dinheiro dos impostos.

 

A massa salarial da Função Pública vale cerca de 14% do PIB (em Espanha está nos 10%) e o que nós recebemos em troca é muito pouco. Um estudo promovido pela administração central (que como é óbvio, num país centralista, ocupa 77% do efectivo) revela que 51% da actividade dos funcionários públicos é consumida em burocracia interna e 9% é supérflua. Ou seja, 60% de desperdício!

 

Eu sei que há excelentes funcionários públicos e que é um erro tremendo tratá-los todos da mesma maneira. Mas não é preciso ter um MBA para perceber que esta situação que vivemos é insuportável, que precisamos de tomar medidas extremas (Belmiro sugeriu reduzir em dispensar 250 mil funcionários públicos) para impedir que o peso da Função Pública conduza o país a naufragar.

 

Na sexta feira (é uma data muito bem escolhida, por causa da ponte), os sindicatos vão tentar demonstrar ao país que a Função Pública é irreformável.

 

Os sindicatos estão enganados e condenados ao fracasso, porque teimam em lutar contra os ventos da História.

 

Os sindicatos são os únicos que ainda acreditam na ficção do emprego seguro e para a vida, garantido pelo Estado. Ora isso já passou a ser um conto de fadas.

 

Jorge Fiel

 

 

PS1. Este texto foi publicado hoje no diário económico Oje (www.oje.pt)

 

PS2. Parto amanhã de férias para Budapeste. Ainda não decidi se levo o computador. Se não o levar estarei ausente da Bússola até meados da próxima semana.   

 

 

 

 

Música: Waterloo, Abba
Publicado por Jorge Fiel às 22:51
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A involuntária responsabilidade de dona Cecy e seu Benjamim

Estão a ver este simpático casal da foto? São dona Cecy e seu Benjamim, brasileiros de Passo Fundo, uma pequena localidade que dista 287 quilómetros de Porto Alegre, a capital de Rio Grande do Sul.

 

A vida tem destas coisas. Um casal tão amoroso que, sem querer, acabou por trazer ao Mundo uma personagem tão irritante e abrasivo como Luiz Felipe Scolari.

 

Tivessem dona Cecy e seu Benjamim um televisor em casa e com os serões gaúchos animados pelas divertidas telenovelas da Globo muito provavelmente não teriam filhos e nós seríamos poupados à enorme maçada de aturar Scolari.

 

Mas o que está feito, está feito. Como dizem os nossos irmãos brasileiros, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Temos de olhar em frente.

 

E olhar em frente significa neste particular preocuparmo-nos com o que é que o seleccionador nacional de futebol de onze vai fazer depois do Euro 2008 (dando de barato que se aguenta ao balanço até lá).

 

Numa prova inequívoca de que não guardo rancor ao filho de dona Cecy e seu Benjamim, passo a equacionar as cinco mais prováveis e melhores saídas profissionais que ele terá ao seu dispor, apondo-lhe uma notação pessoal (quantos mais sinais de +, maior o entusiasmo com que encaro cada opção).

 

 

1.     Treinar a Inglaterra  + + +

 

Good. Seria a nossa vingança por um cortejo de humilhações iniciado com o Ultimatum que frustrou o nosso sonho do Mapa Cor de Rosa, continuou com o despedimento de Mourinho e se mantém com as bocas foleiras que os tablóides teimam em dizer da PJ a propósito do desaparecimento da Maddie.

 

Exportar o Big Phil teria a vantagem de alargar à velha e loira Albion o culto da Nossa Senhora do Caravaggio e permitiria à selecção portuguesa prescindir dos serviços de Ricardo.

 

Com Felipão no comando, a Inglaterra falharia com toda a certeza o apuramento para o Mundial 2010 e assim nós poderíamos dispensar um guarda redes que a única coisa que sabe fazer de jeito é defender penaltis dos bifes;

 

 

2.     Treinar o Benfica  + + + + +

 

É a minha saída preferida. De longe. Para o próprio apresenta a não negligenciável vantagem de não precisar de continuar a disfarçar o ódio visceral que nutre pelo FC Porto. Para nós, portistas, teria a enorme vantagem de acelerar e tornar irreversível o processo de belenensização do Benfica.

 

Reconheço que poderia ser mau para o culto, em Portugal, da Nossa Senhora do Caravaggio, e para o orçamento do Ministério da Saúde, pois obrigaria os seis milhões de benfiquistas a despesas suplementares na farmácia, para aviar as receitas de Prozac.

 

 

3.     Treinar a selecção nacional de futsal  + +

 

Esta opção encerra inúmeras vantagens e apenas um ou dois inconvenientes, facilmente ultrapassáveis.

 

O FCP não tem equipa de futsal, o que obrigaria Scolari a eleger outra «bête noir» para estigmatizar – o Freixieiro, por exemplo.

 

Quanto ao salário, estou em crer que a Caixa Geral de Depósitos não se importará de se chegar a frente, para garantir os 250 mil euros/mês que o filho da dona Cecy e seu Benjamim está habituado a receber.

 

Estou certo que o Ricardinho e companhia estão doidões para colocarem no balneário uma imagem da Nossa Senhora do Caravaggio. Como agravante, a fraseologia de Scolari já é familiar aos craques de futsal, uma vez que o lema de Orlando Duarte, o actual seleccionador, é: «Não podemos ser burros».

 

 

4.     Substituir Mário Lino no MOP + + + +

 

Magnifica solução, apesar de obrigar Sócrates a adiar por um par de meses uma remodelação que estava agendada para a Primavera.

 

Scolari no Ministério das Obras Públicas era remédio santo. A confusão seria tal que nem sequer a Nossa Senhora do Caravaggio seria capaz de salvar o projecto do novo aeroporto internacional de Lisboa. Nem Ota, nem Alcochete. Nada. Niente. Nicles. Raspas!

 

 

5.     Dirigir uma fábrica chinesa de Arroiolos falsos + +

 

Como é excelente a motivar pessoas com reduzida escolaridade e baixo nível cultural, Scolari podia estender à República Popular da China o culto à Nossa Senhora do Caravaggio (que, não sei se sabem, tem como epicentro Farroupilha, localidade que fica da 200 km de Passo Fundo) ao mesmo tempo que convencia as tapeceiras a manterem a cara alegre, em troca de duas tijelas diárias de arroz, enquanto tricotam os 40 mil pontos que são necessários para conseguir um metro quadrado de tapete com a textura típica dos de Arraiolos.

 

 

Claro que as enormes capacidades do filho de dona Cecy e seu Benjamim fazem dele um alvo apreciado por qualquer empresa de «head hunting» como, por exemplo a Heidrick & Struggles.

 

O seleccionador nacional seria de certeza um trunfo valioso se aceitasse ajudar a Associação de Vendedores Ambulantes de Gelados e Castanhas na campanha higiénica que tem em curso e que visa impor aos seus sócios o uso de carrinhos feitos em aço inoxidável e cartuchos próprios para as castanhas (uma dúzia, dois euros, quentes e boas!) em vez dos confeccionados com papel de jornal ou de listas telefónicas.

 

Estou também certo que com a sua voz de ovelha, Felipão brilharia a grande altura como pastor da IURD ou se abrisse um blogue aqui no Sapo  – ou, ainda, se resolvesse tornar-se empresário e fizesse, em sociedade com o reputado criminologista Barra da Costa, uma agência de detectives privados que, com a ajuda da Nossa Senhora do Caravaggio, resolveria o mistério do desaparecimento da Maddie em menos tempo que o Diabo demora a esfregar um olho.

 

Jorge Fiel

 

 

 

Música: I don't eat animals, Melanie
Publicado por Jorge Fiel às 14:01
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Descobrimos um espião e corremos com ele. Para que conste que no Bússola não brincamos em serviço

Este post dirige-se a todos os bussolistas de aquém e além mar.

 

Se estivéssemos ainda nos idos de 74 poderia dizer que este post era uma espécie de comunicado do MFA . Movimento das Forças Atentas do Bússola.

 

Manda a verdade que se diga que foi um bussolista comentador ( no caso Pedro Barbosa Pinto ) quem levantou a lebre , alertando para a possibilidade de termos uma raposa infiltrada.

 

Recordo, como se fosse hoje, que nesse post o caro bussolista aventava a hipótese do suspeito poder ser o raptor da Maddie , atentando a semelhança forte entre o retrato robot desse traste e a simulação da sua foto na página de entrada no blog.

 

Depois de aturadas investigações descobrimos que um indivíduo que se faz passar por António Correia Dias , natural e residente em Vila Real , afinal não passa de um palhaço infiltrado na nossa organização , com o intuito de descredibilizar e desacredtar este blog de defesa dos interesses do Norte.

 

Lamento ter até de informar que existem indícios ( tão fortes como os que enxameiam o caso Casa Pia )  que poderá ser esse mesmo energúmeno que tem feito comentários inaceitáveis a coberto de nicks lisboetas , tentando sabotar um blog que atenta contra alguns dos seus volumosos interesses imobiliários na zona Sul de Portugal.

 

Reunido em petit comité , o núcleo coordenador do Bureau do Comité Central  do Bússola decidiu expulsar a caricatura intitulada António Correia Dias e desde já pedir desculpa a algum vilarealense que possa existir com esse nome mas outo carãcter e outra honradez , típicas dos homens do Norte.

 

Para nós ficou uma lição que quero partilhar com todos os bussolistas . O tempo em que existiam pessoas do Norte que estavam sempre com o Norte na boca mas depois nos saíam uns vigaristas da pior espécie , ainda não acabou !

 

Temos de continuar vigilantes . !

 

Connosco eles não passarão !

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Algures em Matosinhos

 

Manuel Serrão

 

 

Música: Não venhas tarde
Publicado por Manuel Serrão às 14:52
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Scolari é uma mortadela rasca que estamos a pagar ao preço de caviar

 

«Eu não sou trouxa. Como é que sairia do Brasil para ganhar o mesmo que recebo aqui fazendo palestras? Se alguém quer comer caviar tem de pagar o preço de caviar, não de mortadela»,

 

Luís Filipe Scolari ao Jornal da Tarde, de S. Paulo em Novembro de 2002

 

 

Não gosto de Scolari por várias razões e mais uma, sendo que a mais uma reside no facto do brasileiro profanar as boas recordações que guardo de um actor estupendo (Gene Hackman) de que o brasileiro é sócio involuntário.

 

Não gosto de Scolari porque sou portista, portuense, português, jornalista e pai de um filho de sete anos que é doido por futebol e acredita que vai ser um craque da bola.

 

Como portista não lhe perdoo-o ter andado a brincar com o meu clube, recusando-se sempre a explicar porque é não convocou o Vítor Baía sufragado pela UEFA como o melhor guarda redes da Europa no ano do Euro 2004, tendo ainda o desplante e a falta de respeito de chamar para os trabalhos da selecção nacional Bruno Vale (actual suplente no Varzim, da Liga de Honra), que era então a terceira opção para a baliza do FC Porto.

 

Como portuense não lhe perdoo-o ter-se recusado a responder a um jornalista numa conferência de imprensa, usando como argumento «Você deve ser do Porto» (por acaso não era…) como ser da nossa cidade fosse sinónimo de ter sarna ou qualquer outra doença contagiosa.

 

Como português não lhe perdoo-o a idiotice de ter perdido o jogo inicial do Euro 2004 com a Grécia por se ter recusado a fazer o que toda a gente lhe dizia para fazer (usar como esqueleto da selecção a equipa do FC Porto que acabava de ter ganho em Gelsenkirchen a Champions, alinhando sempre com pelo menos nove portugueses). Não lhe perdoo-o também ter cometido a proeza de voltar a perder com a Grécia, na final do Euro 2004, apesar de jogar em casa e ter à disposição muito melhores jogadores do que o adversário. Não lhe perdoo-o, ainda, morder a mão que lhe dá de comer, acusando Portugal de ser um país racista.

 

Como jornalista não lhe perdoo-o as ofensas continuadas a diversos colegas meus, que incluíram insultar em público uma jornalista e distribuir acusações gratuitas e infundadas contra um painel de comentadores de um programa de televisão e que cometeu o único crime de o criticar.

 

Como pai de um miúdo que tem a mania que vai ser futebolista não lhe perdoo-o - nunca lhe perdoarei, nunca - a catrefada de maus exemplos que dá ao meu filho.

 

Não quero ouvir o meu filho dizer que amuar não é defeito porque o Scolari, que é o seleccionador nacional, também amua-a como ele e abandona a meio uma conferência de imprensa só porque não gosta das perguntas que lhe estão a fazer.

 

Não quero ouvir o meu filho dizer que fazer birras não é defeito, porque o Scolari, que é o seleccionador nacional, também faz birras e adora vitimizar-se - «Faço por Portugal mais do que fiz pelo Brasil e só recebo situações desagradáveis» - em vez de se comportar como o homem crescido que é.

 

Não quero ouvir o meu filho dizer que ter mau perder não é defeito, porque o Scolari, que é o seleccionador nacional, também tem mau perder e deu um soco num jogador sérvio no final de um jogo que não lhe correu de feição.

 

Entristece-me profundamente a falta de ambição de um treinador que fica exultante quando a selecção de Portugal (vice-campeã europeia, 4ª classificada no Mundial, 8ª melhor no ranking da FIFA, 4ª no da UEFA), recheada de estrelas, sofre até ao último minuto para conseguir a qualificação, empatando em casa a zero, no último jogo, com uma Finlândia que é a 44º no ranking da FIFA e 26ª no da UEFA e o melhor que tinha feito até agora no apuramento para um Europeu foi em 1996, quando ficou em 4º lugar num grupo de seis, conquistando 15 pontos em dez jogos.

 

Além de mal educado, Luís Filipe Scolari é uma fraude – é mortadela rasca que estamos a pagar ao preço de caviar.

 

Jorge Fiel

 

Música: A fool on the hill, Beatles
Publicado por Jorge Fiel às 13:52
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Scolari no Dragão

 

As coisas nunca correm normalmente a Scolari no Estádio do Dragão. Por mim até acho que, estrategicamente, o Sargentão esteve bem durante o jogo. No fim fez um número que já conhecemos, daqui e do Brasil, que não o engrandece nada. Pelo contrário, o homem, como lhe chama o Cristiano Ronaldo, já não tem idade para fazer certas figurinhas e dizer: "E o burro sou eu né?".

Bom, o empate com a Finlãndia não foi brilhante, mas apesar de tudo a coisa foi-se compondo.

O que não se compreende é a RTP. Segundo informação de um dos bloguistas bem relacionados com a RTP; a estação pública de televisão tinha menos meios neste último e decisivo jogo no Dragão, do que no sábado passado em leiria. Os profissionais tiveram que improvisar algumas vezes. Mas lá que é estranho, é.

Manuel Queiroz

Publicado por Manuel Queiroz às 20:51
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Casa da Música

Casa da Música

 

Mais uma vez fui à Casa da Música.

Ouvi um concerto fantástico de Música Barroca pela jovem, muito jovem, Orquestra Barroca daquela instituição.

A Sala Guilhermina Suggia - grande auditório - estava praticamente cheia.

No final o público estava satisfeito. Isso pôde constatar-se pelas palmas, dois "encores", pelas conversas de escadas, elevadores e até no parque de estacionamento.

(Nota negativa: o parque é bastante caro)

Tive, no entanto, um privilégio. Antes participei na Assenbleia de Fundadores.

Os resultados são excelentes.

Acabaram os tempos, maus tempos, onde se discutia apenas os atrasos, derrapagens financeiras, uma "mar" de interrogações sobre o futuro como o modelo de gestão. Enfim,  indefinições.

Felizmente tudo isso acabou. As contas são sólidas, há uma estratégia e projectos fantásticos para o futuro.

O futuro é agora. Já em 2008.

É assim como que uma espécie de afinar o que se fez este ano. O que correu bem vai continuar, o que não esteve tão bem foi revisto. A acrescentar a tudo isto há a introdução de muitas novidades.

Há várias para as quais chamo a particular atenção.

A Casa da Música é, cada vez mais, um equipamento nacional que começa a ser reconhecido internacionalmente e que se vai democratizar pela diversidade e por sair das "quatro paredes", além de "piscar o olho" a novos públicos.

Para que isso aconteça vai haver um "reforço" nos serviços educativos. Estes serviços são, hoje em dia, estratégicos e fundamentais na criação e sensibilização de novos utentes.

A Orquestra Nacional do Porto ONP ), que está a tocar como nunca, vai ter um novo maestro titular e vai fazer muitos programas na "praça" envolvente além de se juntar a outros tipos de músicos, como por exemplo a Orquestra de Jazz de Matosinhos.

Vai haver, tal como já acontece na Fundação Gulbenkian, assinaturas anuais. Com este serviço os melómanos obtém descontos e acesso a vários "produtos" além, como é óbvio, de poderem seleccionar e "programar" a sua vida.

Para que isto aconteça teve que haver um trabalho árduo anteriormente. Ou seja toda a programação já tem de estar consolidada. E está. E é muito boa.

Já repararam que o grafismo da Casa da Música mudou? Espreitem no novo sítio da net . Vale a pena. Está moderno, arrojado e acima de tudo comunica.

(Nota negativa: o site é só em português)

Por fim uma nota de preocupação.

Em 2007 a venda de bilhetes caiu um pouco. Há que pensar numa estratégia para combater o fenómeno. Ao facto não serão alheios o efeito novidade de 2006 e a crise económica.

A Casa da Música começa a cumprir a sua missão. Ainda bem em nome da música e da cultura

 

 

 

Publicado por Fernando Rocha às 12:39

Editado por Manuel Serrão às 18:59
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

ANA tira as patas do Sá Carneiro! Já!

 

Há quatro anos, quando a TAP deitou as mãos ao pescoço do Sá Carneiro, desviando para Lisboa os voos directos do Porto, foi a Ryanair quem forneceu o essencial do oxigénio que evitou o nosso aeroporto de morrer asfixiado.

 

A Lufthansa também deu uma ajuda, ao aumentar a frequência de voos diários para Frankfurt. Os alemães foram rápidos a identificar a oportunidade de negócio aberta pela deserção da TAP – e a agir.

 

A companhia alemã não demorou a obter o retorno deste investimento. «Hub» por «hub», turistas e homens de negócios nortenhos preferem fazer escala em Frankfurt do que em Lisboa.

 

Mas foi a Ryanair quem salvou o nosso aeroporto da condenação à morte proferida pela TAP (nacionalizada nossa …?!), com a cumplicidade da ANA (nacionalizada nossa…?! ) a entidade gestora dos aeroportos.

 

Por muitos anos que viva, nunca esquecerei da conferência de imprensa que Michael O’Leary, presidente da Ryanair, deu no Porto, paramentado com a camisola azul e branca do FC Porto, que tinha acabado de conquistar a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen.

 

A combinação entre o prestígio, no Reino Unido, do vinho do Porto e do FC Porto (que acabara de exportar José Mourinho para o Chelsea) convenceu o irlandês de que a sua aposta numa ligação «low cost» entre as cidades do Porto e Londres ia ser ganhadora - e que os seus aviões andariam cheios nos dois trajectos.

 

Os dois milhões de passageiros transportados, em menos de quatro anos, de e para Portugal, provam que O’Leary tinha razão. A sua Ryanair é a principal contribuinte para as taxas de crescimento da ordem dos 17% ao ano registadas pelo Sá Carneiro, de que já é a sua segunda principal cliente.

 

O ano passado, três milhões de passageiros usaram o aeroporto do Porto. Este ano, prevê-se que sejam quatro milhões. Mais um milhão.

 

Mas a monopolista e estatal ANA está a cortar as pernas à continuação deste espectacular crescimento ao boicotar, há quase um ano, um investimento de 220 milhões de euros no Sá Carneiro da Ryanair, que quer instalar no nosso aeroporto uma base de operações.

 

Entre outras coisas, esta base permitira que, no espaço de um ano, a Ryanair triplicasse o número de passageiros que transporta no Sá Carneiro.

 

É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, a TAP continue estatal e que através dela o Governo tenha nacionalizado uma companhia privada (a Portugália).

 

É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, haja uma entidade estatal a monopolizar a gestão dos nossos principais aeroportos, impedindo a concorrência entre eles e prejudicando o Sá Carneiro.

 

Não há uma entidade única a gerir os portos nacionais e os resultados transparentes deste saudável estado de concorrência estão à vista: o porto de Leixões é o único que dá lucros. Os outros todos, sem excepção, acumulam prejuízos.

 

A AEP e a Associação Comercial do Porto já se disponibilizaram por criar uma entidade que substitua a ANA na gestão do Sá Carneiro, onde reuniriam empresas exportadoras e operadores turísticos.

 

É urgente que a ANA tire as patas do Sá Carneiro para que o nosso aeroporto seja gerido pela sociedade civil e, assim, possa continuar a prosperar - e ser a porta de entrada e saída, por via aérea, do Noroeste Peninsular.

 

Jorge Fiel

 

 

Música: Stairway to heaven, Led Zeppelin
Publicado por Jorge Fiel às 17:23
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Apanhados pelo clima

Quando o tempo está bom pode estar-se na esplanada do Bogani a olhar para o Porto

 

A associação de defesa do Ambiente Campo Aberto anunciou que, dentro de 30 anos, o Porto vai ter um clima semelhante ao de Rabat. Eu começo a acreditar na justeza dessa previsão.

 

Apesar de ter arrefecido um pouco nos últimos dias, não é normal eu ter mosquitos no quarto em meados de Novembro e ver gente de havaianas, calções e tops a passear em ruas enfeitadas com as iluminações de Natal.

 

Também não é normal que já se tenham recenseado mais incêndios no Outono do que em todo o Verão.

 

A indústria têxtil e as lojas de vestuário estão à beira de um ataque de nervos e com toda a razão. Ninguém vai comprar sobretudos, camisolas de lã ou gabardinas quando as esplanadas estão cheias de gente a gozar o sol.

Nós, os consumidores, já decidimos que o melhor é esperar pelos saldos.

 

O que apoquenta industriais têxteis e os lojistas não é um eventual Verão de S. Martinho mais prolongado. Não, O problema é muito mais grave. Estamos a viver o prólogo dos efeitos catastróficos do aquecimento global.

 

A doença está diagnosticada. Os cientistas sabem como a combater. E os governos até já quantificaram os custos desse combate. A redução das emissões de gases para limitar o aquecimento global sacrificaria apenas 0,12% do crescimento do PIB mundial. Não é caro.

 

Sabe-se qual é a doença. Sabe-se como tratá-la. E a medicação é barata. Só que é preciso administrá-la, passar da potência ao acto, antes que seja tarde demais.

 

Por razões óbvias, as seguradoras estão bastante preocupadas com o défice de acção face a um fenómeno gerador de grandes catástrofes naturais.

 

Neste particular, são reveladores os resultados de uma sondagem promovida pela gigante Swiss Re: 80% dos CEO inquiridos estão convencidos que as alterações climáticas encerram em si um enorme risco potencial, mas apenas 40% declaram estar a fazer alguma coisa para as combater.

 

A luta contra o aquecimento global tem de ser um cruzada global, envolvendo toda a gente. Grandes organizações internacionais (ONU e EU),  governos e empresas mas também os cidadãos.

 

Nesta cruzada, compete aos Governos liderar os esforços. Publicitando e premiando as boas práticas. Castigando ou proibindo as más.

 

O nosso Governo já devia, por exemplo, ter imitado o seu congénere inglês que proibiu a comercialização de lâmpadas de alto consumo energético.

 

É urgente a adopção de uma política combinada de cenoura e bastão, concedendo tratamento fiscal favorável às companhias que desenvolvam planos de investimento na redução de emissões de carbono, e penalizando com mais impostos as que teimam em se alhear desta cruzada.

 

Como os transportes são uma das frentes mais sensíveis deste combate, os governos das nossas grandes cidades deviam concertar medidas de guerra ao automóvel, tornando desconfortável e caro o seu uso. Aumentar os preços do estacionamento e adoptar medidas de tolerância zero ao parqueamento ilegal, estimularia o uso de transportes públicos.

 

Ninguém pode ficar indiferente a um combate em que o que está em jogo é o futuro dos nossos filhos, dos nossos netos – e do planeta.

 

Jorge Fiel

 

Este artigo foi publicado hoje no diário económico Oje (www.oje.pt)

Música: Summertime, Mungo Jerry
Publicado por Jorge Fiel às 16:34
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Onde é que está o Norte ?

 

 

 

 

  Decidi hoje lançar aqui no Bússola  uma magna questão para o país que somos , mas também para o blogue que temos e para os quase 20 mil bussolistas que já disseram presente neste cantinho do SAPO.

 

Para  além de se tratar de uma decisão que sempre me preocupou , ganhei alento quando verifiquei que, ainda que inconscientemente, ela tem sido aflorada em alguns comentários bussolísticos mais profundos.

 

Por outro lado  é um assunto que já tem merecido larga discussão em Inglaterra , que até passa por ser um país onde se discutiria mais facilmente a cor das notas do Euro do que tal coisa.

 

Se eu não soubesse que é a mais pura das verdades jamais acreditaria que existem milhares de cidadãos ingleses obcecados pela discussão de saber onde acaba o Norte e começa o Sul de uma ilha , em que seria mais normal querer saber quem vive à direita e quem vegeta à esquerda.

 

O objectivo não é político-administrativo.Todos sabemos qual é a Região Norte no quadro das 5 regiões plano e não é preciso mudar. Neste blog julgo saber que somos todos adeptos das 5 regiões e portanto nem  vou perder tempo a tentar explicar que há regionalistas ressabiados que sempre defenderam 9 regiões em vez das 5 , o que já na altura me pareceu uma desculpa do PS para não assumir a vitória no referendo.

 

 

Devo confessar que tenho muitas dúvidas sobre as localidades por onde deva passar essa linha e é também por isso que trouxe ao Bússola esta discussão.Sobre ela penso que devíamos fazer uma mega sondagem e estou  já a ver com a responsável por esta área

no Sapo a melhor maneira de facilitar a participação de todos os bussolistas interessados.

 

É minha intenção publicar na página deste sítio uma  espécie de infografia com o mapa de Portugal ajudando os bussolistas menos viajados ou de memória mais dura a reconstituir

as terras e os rios deste país , que muitos sabiam de cor na escola primária mas que agora já esqueceram.

 

Como princípio de discussão eu diria que a antiga fronteira do Pombal deixou de fazer sentido. Será que a velha ideia que o Norte e o Sul se dividem em Rio Maior , onde nos tempos da Revolução nos armávamos de mocas para suster o avanço dos comunistas, ainda é repescável.?

 

Tenho a certeza de que ao longo das próximas semanas muitas serão as perguntas , as sugestões e as reclamações, mas se não faz nenhum sentido que alguém venha reclamar que Lisboa é do Norte só porque se situa a norte de Setúbal,  também é verdade que quem neste blog já defendeu que o Porto é do Sul , porque assim parece visto de Braga,merece ver referendada essa sua bizarra conclusão.

 

Como sugestão final e elemento facilitador da discussão aqui vos deixo outra ideia forte que não reunirá certamente o consenso geral : Zonas como Coimbra e Leiria  deviam ser consideradas zonas neutras ,criando uma zona tampão, uma terra de ninguém, em que os seus habitantes poderiam escolher o campo mas sem nunca terem o direito a construir a sede do movimento nortista ou sulista nas suas paragens.

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Quartel de Nevogilde

 

07 /11 /20

 

Manuel Serrão

 

 

 

 

 

 

Publicado por Manuel Serrão às 00:39
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

This is the end, beautiful friend, this is the end, my only friend, the end

 

Para assinalar o ponto final neste algo fastidioso desfiar do inventário de 100 coisas que amo no Porto, copiei um verso de uma das mais fantásticas canções («The End») dos Doors,  servida por um poema assassino, em que o Jim Morrison declara querer matar a mãe e o pai.

 

Como se sabe, o Jim acabou por patinar primeiro que os pais. A propósito, confesso-vos que já fui ao Père-Lachaise, em Paris, visitar a campa dele, que, em si, é uma desilusão.

 

A única vantagem do túmulo do Morrison é funcionar como chamariz para um cemitério que tem belos jazigos, como o do Géricault (o pintor da «Jangada da Medusa»).

 

 

CAFÉS

 

81. Bogani Café

 

Abortado como projecto empresarial (foi pensado pela Unicer como o primeiro de uma cadeia de cafés cheios de «panache», projecto entretanto abortado), o Bogani, no Cais de Gaia, oferece a partir da sua esplanada duas das melhores vistas do Porto – a mais clássica, a montante, e a mais inesperada, a curva do rio, a jusante. O moderno mobiliário Philippe Starck é bastante confortável.

 

 

82. Piolho

 

É o santuário de sucessivas gerações de estudantes. Tive escritório montado durante a quase toda a década de 70 no mítico Piolho, que no ocaso do Estado Novo (não confundir com a discoteca homónima) albergou todo o Contra, desde spontex até aos PC’s (então chamados de «revisas» pela extrema-esquerda), passando por todas as variantes (e eram muitas...) de maoistas, trotskistas, situacionistas e freaks. Alguns exemplos avulso:  Arturinho a la Gauche, Augusto Santos Silva, José Pacheco Pereira, João Botelho, António Pinho Vargas, Manuel Resende, Pedro Baptista e o falecido filósofo Francisco Sardo. Piolho é alcunha. Na verdade, chama-se Âncora de Ouro, mas ninguém o conhece por esse nome. Este café encerra em si o valioso segredo de nunca passar de moda.

 

 

83. Botânica

 

É o café que mais frequento. Por razões de conveniência geográfica, uma vez que fica meio caminho entre a minha casa (Pasteleira) e o escritório do Expresso no Porto (Júlio Dinis, perto da Rotunda da Boavista). Mas também devido à sua esplanada que fica em frente ao Jardim Botânico. É uma esplanada para todas as estações, porque está parcialmente protegida da chuva pelas oportunas arcadas do prédio. Tem a enorme vantagem de abrir muito cedo (não quero jurar, mas penso que às sete já está de porta aberta) e o pequeno inconveniente de fechar aos domingos.

 

 

84. Chalé Suisso

 

Este pequeno café com esplanada, no Jardim do Passeio Alegre, é o meu pouso preferido para as manhãs de sábado A elegante singeleza da sala (minúscula) e da esplanada, outrora frequentadas por Camilo Castelo Branco e Alberto Pimentel, compensa amplamente a ausência de casas de banho privativas. O que para os homens até uma vantagem já que os obriga a frequentar, no meio do jardim, junto ao mini-golfe, o mais bonito e asseado urinol público do país.

 

 

85. Majestic

 

É um clássico. O escritor lisboeta David Mourão Ferreira resumiu o essencial numa frase: «Nunca venho ao Porto sem ao menos dar um salto a este belo café Majestic, que não hesito em considerar como um dos que em toda a Europa melhor conserva a atmosfera do início do século XX». A fama e luxuosa beleza aristocrática deste café, que transporta até aos nossos dias um elegante ambiente Belle Époque, leva a que o contigente de clientes que folheiam guias turísticos suplante em número a freguesia indígena. A festa de inauguração do café, a 17 de Dezembro de 1921, foi rija e contou com a presença de gente importante à época, como Gago Coutinho  (que voltaria ao café acompanhado pela estonteante e emergente actriz Beatriz Costa)  ou que viria a sê-lo, como o cineasta Manoel de Oliveira.  Com os espelhos e dourados, o Majestic fez furor e acolheu nos seus sofás de veludo vermelho muitas tertúlias literárias e artísticas, animadas por gente diversa como Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, José Régio ou António Ferro.

 

86. Ourigo

 

Não tenho a menor das dúvidas em declarar a esplanada marítima do Ourigo como a mais espectacular do Porto. É a número um. A cozinha nunca foi o forte deste café-restaurante, que agora está a atravessar uma fase japonesa. Mas a localização privilegiada da esplanada (situada numa plataforma sobre a primeira praia a norte da foz do Douro) desculpa tudo. Os fins de tarde são demolidores. O barulho das ondas a embater nas rochas (que salpicam de água salgada os mais audazes na escolha de mesa) é música para os ouvidos.

 

 

87. Lais de Guia

 

Este café de madeira com esplanada, implantado no areal, é um dos óasis que serve o largo e despojado Passeio Atlântico, a marginal desenhada por Souto Moura  que faz de separador entre a praia os prédios de apartamentos da moderna zona de Matosinhos Sul, erguidas nos quarteirões outrora ocupados por fábricas e armazéns, predominantemente ligados à indústria conserveira. 

 

 

88. Leitaria da Quinta do Paço

 

Os «eclair» recheados com chantilly, disponíveis em dois formatos, são pura e simplesmente míticos. A leitaria já tem ramificações em centros comerciais mas não nestas coisas não há nada que chegue à sede.

 

 

 

CASAS DE CHÁ

 

89. Casa de Chá de Serralves

 

Fronteira ao antigo campo de ténis da Casa de Serralves,  que nos quentes fins de tarde de Verão acolhe os concertos do programa Jazz no Parque. A Casa de Chá é um pedaço do Paraíso emprestado à Terra, um formidável refúgio de tranquilidade onde se pode comer scones e beber chá num fascinante ambiente de sonho.

 

 

90. Casa de Chá da Boa Nova

 

Sob a designação geral Casa de Chá  (a primeira e uma das mais justamente cantadas obras de Siza Vieira, datada de 57),  respondem uma casa de chá propriamente dita e também um restaurante. O mar, a beleza agreste do local, o barulho e movimento das ondas, as linhas depuradas de uma arquitectura de primeira água, deixam pouco espaço para o peixe grelhado ou para as cataplanas. A segunda obra de Siza foi a Piscina das Marés, também na Marginal de Leça, que exige uma visita.

 

 

RESTAURANTES

 

91. Adega Vila Meã

 

Em Lisboa, é hábito dizer-se que no Porto se come bem e são servidas doses abundantes. A descrição assenta como uma luva a este restaurante, o sítio certo para ir se queremos que nos sirvam à mesa doses pantagruélicas do que melhor se confecciona no país em termos de comida genuinamente portuguesa. Na lista acotovelam-se o Bacalhau Escachado, a Posta e as Febras de Salpicão, que sofrem a concorrência dos pratos do dia: as Pataniscas de Bacalhau com Arroz de Feijão, o Polvo assado, os Filetes de Polvo, o Sarrabulho à Moda de Ponte do Lima, enfim... Quinta é o dia do monumental Cozido à Portuguesa (atenção que um quarto de dose derrota o garfo mais exigente)  e por isso é mais avisado reservar mesa.

Rua dos Caldeireiros, 62

 

 

92. Antunes

 

Dirigido pela irmã de Reinaldo Teles, este restaurante vive um ambiente buliçoso durante os almoços de semana, alimentando trabalhadores de diferentes ofícios, com especial atenção para o habitualmente bem fornecido contingente da Câmara Municipal do Porto. A refeição recomendada integra Pernil de Porco Assado, regado a vinho da casa e sobremesado com as afamadas rabanadas, que são uma das especialidades da casa. Mas durante a semana, os pratos do dia revisitam a tradição da gastronomia tradicional portuguesa, o cozido, as tripas, os rojões – e também o arroz de pato.

Rua do Bonjardim 525/529.

 

 

93. Marisqueira de Matosinhos

 

Tem tudo o que de bom pode esperar de uma marisqueira de Matosinhos. O restaurante onde o sportinguista Miguel trabalha desde os 14 anos e se tornou sua propriedade na sequência dum MBO acordado com Henrique Torres,  o antigo patrão (que frequentemente é lá visto a almoçar), é uma Meca para quem demanda mariscos frescos e saborosos – camarão de Espinho, gordas gambas, ostras, percebes, búzios, camarões tigres e por aí adiante. Mesmo que seja doido por marisco, dê, por favor, uma oportunidade ao rosbife.

Rua Roberto Ivens, 547

 

 

94. Portucale

 

No sítio mais alto da cidade está aquele que é considerado o restaurante mais requintado do Porto. Se o dinheiro não é um problema, abra as hostilidades com crepes de lagosta, míscaros grelhados ou um sofisticado Mil folhas de foie gras com trufas, servido com gelatina de Vinho do Porto. Depois siga com um Linguado Walewska, uma perdiz estufada com castanhas, ou o incontornável bife flamejado confeccionado à nossa frente, para grandes espanto dos outros comensais desconhecedores desta hipótese. A lista de vinhos é irrepreensivelmente completa. Se é de sobremesas, experimente a encharcada de ovos.

Rua da Alegria 598

 

 

95. Bull & Bear

 

Uma bem sucedida fusão entre a «nouvelle cuisine»  e a cozinha tradicional portuguesa foi operada por Miguel Castro Silva, como se pode comprovar por uma simples visita a este restaurante. Os nomes dos pratos históricos são a prova dos nove da bondade e ousadia deste matrimónio: Ameijoas com feijão manteiga, Bacalhau com Porto Vintage, no Franguinho Recheado com Sabores Portugueses, Pescada com Camarão e Alho. Esta cozinha é imperdível. «Esteja onde o Miguel estiver é sempre de ser ir gastronomicamente atrás dele», Quitério dixit. Sigamos o Miguel!

Avenida da Boavista 3431

 

 

96. Cafeína

 

Apesar de estar de porta aberta há uns anos, continua a ser um dos mais «trendys» restaurantes do Porto, provavelmente devido aquele «je ne sais pas quoi» que Vasco Mourão empresta aos seus projectos. O facto das mesas estarem muito juntas é inibidor de pedidos de casamento ou conversas confidenciais. O Magret de Pato é uma boa opção numa lista variada, onde não faltam as massas frescas e uma razoável oferta de carpaccios.

Rua do Padrão 100, 226108059

 

 

LIVRARIAS

 

97. Lello

A Lello é a mais bonita livraria do Mundo. Enrique Villa-Lobos escreveu-o assim mesmo, sem a cautela do «provavelmente», no El Pais e nós não temos a mínima razão para desconfiar dele. A boca dos forasteiros abre-se mal olham para a monumental fachada neogótica, riscada pelo engenheiro Xavier Neves, e vão mantendo a boca escancarada até que saem – desde que deparam com a esplendorosa escadaria que liga os três andares e à medida que mergulham no interior desta livraria onde estão expostos 60 mil livros. Vasco Morais Soares, o arquitecto que dirigiu a renovação interior desdobra em palavras esta sensação de belo: «Transformámos a livraria sem lhe retirar o espírito vetusto, a monumentalidade neogótica e principalmente a luz coada que ali nos envolve como numa catedral ou na imaginação de um livro de Dickens, que, sem impor, sempre obriga a falar em voz baixa». Nesta remodelação, operada em 1995, o piso de cima, antigo balcão da caixa, foi convertido em bar, um espaço acolhedor onde se pode beberricar um Porto enquanto se folheia um livro ou se espreita na parede a carta do pai de Eça em que este recomenda aos editores o trabalho do filho, argumentando que «o rapaz» tinha queda para as letras.

 

 

98. Académica

 

Se perguntar a Mário Soares qual é o sítio certo para ir quando se está à procura de um livro antigo ou de uma raridade bibliográfica ele responderá, com toda a naturalidade que é a  Livraria Académica, no Porto. Nuno Canavez, o proprietário, é provavelmente o melhor alfarrabista do país, gosta de manter na sua livraria uma animada tertúlia (que conta coma valiosa participação do meu amigo Germano Silva o maior especialista vivo em questões portuenses) e está sempre disponível para dar um conselho.

 

 

E AINDA

 

99. Marginais

As marginais marítimas e fluviais do Porto, Gaia e Matosinhos (neste caso só marítima) são fantásticas. Do lado de Gaia, há que creditar a Menezes a recuperação de muitos quilómetros de marginal, que passaram a ser servidos por belos e funcionais passeios. Aquilo está um brinquinho. E não é só fachada. Não é por acaso que Gaia é o concelho do país com mais bandeiras azuis. Do lado do Porto, a marginal marítima pede um passeio a pé entre os castelos da Foz e do Queijo, tropeçando aqui e ali nas magníficas e abundantes esplanadas da Foz, que como nota Richard Zimler (escritor nova-iorquino radicado no Porto), correm o risco de passar despercebidas aos forasteiros apressados: «Cafés, restaurantes e passeios situam-se na zona mais baixa da beira-mar e facilmente passam despercebidos ao olhar dos passantes mais acima, na Avenida do Brasil. Acontece-me pensar que muitos visitantes da cidade, ao passarem velozmente de carro a caminho de algum restaurante de Matosinhos ou de algum clube na Foz, talvez nunca venham a aperceber-se que existe mais abaixo um mundo onde flores silvestres brotam ao longa de veredas emaranhadas, onde jovens fazem os possíveis para serem vistos nos sítios mais «in» e os grafitos gritam das paredes a rudeza das suas mensagens». E, chegado ao castelo do Queijo, se não lhe faltar o fôlego, faça a si próprio o favor de continuar em direcção a Matosinhos, passando pelo Edifício Transparente e Anémona até aceder ao calçadão desenhado por Souto Moura. Se estiver cansado, retempere forças com uma escala no Lais de Guia.

 

 

100. Universidade do Porto

 

Eu sou um ex-aluno da UP e tenho muito orgulho nisso. Licenciei-me em História, na FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), em 1980, no final de um curso acidentado, que começou no Seminário do Vilar e acabou na rua do Campo Alegre, se iniciou com a duração prevista de cinco anos e depois bruscamente, num «avant la lettre» de Bolonha, encurtou para quatro no Verão em que eu passei para o 5º ano. A Universidade do Porto é a maior do país e alberga cursos (Arquitectura, Engenharia, Medicina, só para citar três exemplos) cuja qualidade desperta muito justamente a cobiça alheia. Cosmopolita, com o seu milhar de estudantes estrangeiros, a UP é um dos mais vigorosos órgãos de soberania do Porto – e o mais fundamental numa altura em que o conhecimento é, mais do que nunca, a base do progresso e prosperidade.

 

Jorge Fiel

 

Música: A balada do Tribunal, Moderados de Paranhos
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Publicado por Jorge Fiel às 13:12
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Domingo, 18 de Novembro de 2007

La culture est très importante pour le développment économique et social de l’humanité

Et voilá! As artes e a cultura predominam nesta quarta e penúltima prestação da minha declaração de amor em 100 pontos ao Porto, que é imortalizada com um título na língua de Voltaire, Descartes e Laetitia Casta, com o subido objectivo de conferir à lista um suplemento de elevação e «panache».

Para além da arte pública, da arte privada e dos museus, é a hora para falar da clorofila e das vistas. Os cafés, casas de chá, restaurantes e restantes pernículos serão abordados no último acto deste inventário que já vai longo.

 

ARTE PÚBLICA

 

61 Anémona

 

Instalada no espaço aéreo da praça Conde S. Salvador, a porta de entrada em Matosinhos pela beira mar é talvez a mais vistosa obra de arte pública no Porto – e a minha preferida. A autora, a norte-americana Janet  Echelman, baptizou-a «She Moves» mas o pessoal rebaptizou-a «anémona» - e fez bem. A enorme rede, de um vermelho acobreado, simboliza a rede de pesca e é, portanto, uma homenagem aos pescadores . As três torres em que a rede assenta evocam as chaminés das fábricas conserveiras de Matosinhos, que nos tempos áureos da indústria foram 50, das quais apenas duas (Pinhais e Ramirez) sobreviveram.

 

 

62. Menina Nua

 

Poucos portuenses sabem o verdadeiro nome desta estátua: «Juventude». É uma fonte decorativa em mármore e pedra lioz. A água brota de quatro bocas em forma de carrancas, uma em cada face do pedestal. Sentada neste, uma figura académica de mulher representando uma alegoria de juventude (o que explica a designação popular). O escultor é Henrique Moreira, nascido em Avintes em 1890 e falecido em 1979; este discipulo de Teixeira Lopes que aprendeu com um santeiro, cursou Belas Artes e ficou conhecido como «o escultor do Porto».

 

 

63. Treze a rir uns dos outros

 

Surpreendente conjunto escultórico do espanhol Juan Muñoz (foram a sua última obra pois morreu, prematuramente, logo a seguir), instalado no Jardim da Cordoaria. Compreende quatro bancadas por onde se distribuem 13 figuras de feições chinesas que compõem grupos de conversadores sorridentes, em posições inesperadas – um deles cai para trás, não se sabe se empurrado ou se desequilibrado pelo riso.

 

 

64. Colher de Jardineiro de Oldenburg

 

Toda a cidade que se preze tem uma escultura gigante da autoria da dupla constituída pelo sueco Claes Oldenburg e o holandês Coosje van Bruggen. Filadélfia tem a Mola de Roupa. Chicago tem a Coluna Bastão. Barcelona tem a Carteira de Fósforos. Tóquio tem a Serra. Colónia tem o Cone de Gelado Caído. Eindhoven tem os Pinos Voadores. O Porto tem a Colher de Jardineiro, uma escultura de dimensões generosas (7,3m x 1,3m x 1,4m), feita de aço inoxidável, alumínio, plástico reforçado com fibra, pintada com esmalte acrílico, que está enterrada no Jardim de Serralves e é visível a quem passa pela avenida Marechal Gomes da Costa.

 

 

65. Painel Ribeira Negra

 

Na base da encosta de Guindais, junto ao início do tabuleiro inferior da ponte D. Luiz, o mestre Júlio Resende desenhou uma intensa dramatização da vida na zona da Ribeira. Produzido em 1985 o painel  (40 metros de comprimento por 4,8 m de altura) evoca a densa atmosfera do local.

 

 

66. Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular

 

A primeira pedra deste monumento  - instalado no meio do jardim central da  Rotunda da Boavista - foi lançada pelo rei D. Manuel II, em 1909. A sua construção não foi rápida. Apenas foi concluído e inaugurado 42 anos depois (em 1951), pelo Presidente da Republica Craveiro Lopes. O leão (inglês) a despedaçar a águia (francesa) permite segundas leituras - futebolísticas. Em 1987, era eu chefe de Redacção de «O Comércio do Porto», usei a fotografia dessa escultura para ilustrar a peça referente aos célebres sete a um que o Sporting enfiou ao Benfica.  

 

 

ARTE PRIVADA

 

 

67. Auto-retrato de Aurélia de Souza

 

Nunca me hei-de cansar de ver da intensidade do olhar, da perturbadora frieza das feições, do ar grave e sério com que a pintora se retrata, fazendo o seu próprio caminho e afastando-se da estética naturalista do «mainstream» da pintura portuguesa da segunda metade do século XIX, onde pontificavam Columbano, Silva Porto e Malhoa. Este auto-retrato está exposto no Museu Nacional Soares dos Reis.

 

 

68. O Desterrado

 

A obra maior do escultor portuense, feita na sua juventude (tinha 24 anos), tem uma história quase tão dramática quanto a do seu autor, que se suicidou com dois tiros na cabeça, aos 42 anos, na sequência de uma profunda depressão. O Desterrado começou a ser esculpido em mármore de Carrara, em Roma (onde Soares dos Reis viveu como bolseiro após ter fugido de Paris por causa da Guerra Franco-Prussiana), e acabou de ser concluída no Porto. O sucesso internacional da obra levou os invejosos a questionarem à boca pequena a sua autoria, calúnia que acabaria por ser completamente desmontada. O Desterrado e,  logo a seguir,  a Flor Agreste, são as minhas duas obras preferidas de Soares dos Reis. Ambas estão expostas no museu que transporta o seu nome.

 

 

69. Fons Vitae

 

O melhor quadro em exposição no Porto é muito provavelmente o Fons Vitae, uma pintura a óleo sobre madeira de carvalho de dimensão generosa (2m67m x 2m10), que pode ser visto na sede da Misericórdia do Porto. Pintado por volta de 1520,  por um anónimo flamengo, retrata um tema raro: uma fonte coroada por um calvário e alimentada pelo sangue de Cristo - «fonte de misericórdia, fonte de vida, fonte da piedade», reza a legenda. No plano superior, Cristo crucificado é ladeado pela mãe e por S. João Evangelista. No nível inferior, terreno, dispõem-se à volta da fonte 32 figuras – no primeiro plano estão o rei D. Manuel, a rainha e os seus oito filhos. O vermelho do sangue de Cristo, impressionante no encher da fonte, prolonga-se nas vestes de S. João Evangelista, do Rei, da Rainha e dos seis infantes. 

 

 

MUSEUS

 

 

70. Museu Nacional Soares dos Reis

 

O antigo Palácio Carrancas é desde 1940 um museu que tem em exposição permanente a sua colecção, com três núcleos particularmente ricos: escultura de Soares dos Reis, pintura portuguesa dos séculos XIX e primeira metade do século XX (com especial destaque para Henrique Pousão e Veira Portuense), e faiança proveniente das famosas fábricas do Porto e Gaia. Merece ainda referência as colecções de ourivesaria (peças religiosas e civis), de mobiliário, têxteis e vidro.

 

 

71. Museu de Arte Contemporânea (Serralves)

 

A mais valiosa peça da colecção deste museu está em permanente exposição. Trata-se do edifício riscado por Álvaro Siza, com as suas linhas simples e depurados («less is more») e as fabulosas janelas rasgadas. O Porto tem o mais bonito e mais admirado museu do país, que Mário Cláudio olha como «um iate colossal que demanda o Norte da sua navegação». É também o mais visitado.

 

 

72. Museu Romântico da Quinta da Macieirinha

 

Dê largas ao seu «voyeurismo» espreitando como viviam os ricos e poderosos do século XIX com uma visita a este museu, que usa a casa da Quinta da Macieirinha onde Carlos Alberto, rei do Piemonte e da Sardenha, viveu o exílio portuense que consumiu os últimos tempos da sua vida no exílio portuense.

 

 

PARQUES E JARDINS

 

 

73. Parque da Cidade

 

Nova Iorque tem o Central Park. Londres tem o Hyde Park. O Porto tem o Parque da Cidade. Nova Iorque e Londres só podem invejar-nos o facto de termos um parque com saída para o mar. O remate da frente marítima, concebido pelo arquitecto catalão Manuel Solà-Morales, foi genial. Se não era possível levar o parque até ao mar, levava-se o mar até ao parque. E assim se fez, sob o patrocínio da Porto 2001. Máquinas desaterraram e deixaram o mar ir até ao parque. Engenhoso, não foi? 

 

 

74. Jardim Botânico

 

Ocupa a propriedade da Casa Andersen, onde cresceu Ruben A. e morou Sophia. Quando frequentei a Faculdade de Letras que ficava ali a dois passos, fui muito feliz junto ao precioso e terno laguinho dos nenúfares do Jardim Botânico. O estado de conservação do jardim não é fabuloso, mas vale um passeio.

 

 

75. Jardim da Cordoaria

 

Por obra da Porto 2001, cresceu, transformando-se numa imensa placa verde, reservada a peões e eléctricos, delimitada pelo antigo mercado do Anjo (actualmente ocupado pelo degradado e abandonado ClérigoShopping), Palácio da Justiça, Cadeia da Relação e Faculdade de Ciências. Mas além de crescer mudou de carácter, tornando-se mais poroso (o que não agrada a todos os portuenses) e passou a estar como que riscado por uns inovadores degraus de granito panorâmicos, com 45 cm de altura e 90 cm de profundidade. O coreto mudou de lugar, e o lago sobreviveu à mudança – a árvore da forca não..

 

 

76. Parque de Serralves

 

«Os sonhos de Serralves, e outras virtudes inúmeras lhe assistem, extremam-se naquele bosque de furna com uma lagoa ao fundo, no qual a todo o momento se espera assistir ao comércio do longínquo pintor Gauguin com uma caterva de floridas raparigas, febris de langor polinésio». Este pedaço de prosa de Mário Cláudio é inspirado por um bocado dos 18 hectares de jardins do parque de Serralves, que se desenvolvem em socalcos e cuja organização foi encomendada pelo conde de Vizela ao arquitecto paisagista francês Jacques Gréber. Os jardins desenvolvem-se em socalcos diversificados desde o jardim Art Deco da esplanada da modernista casa cor-de-rosa (projectada por Marques da Silva) até uma quinta onde se cultivam milho, hortaliça e alfazema, passando pelo lago romântico, habitado por patos e cisnes, belos roseirais,  relva, sebes, arbustos, camélias, recantos para ler e namorar, milhares de árvores, de espécies vulgares (pinheiros) – ou nem por isso (castanheiros da Índia e cedros do Líbano).

 

 

VISTAS

 

 

77. Descida da rua de General Torres

 

Apesar da unanimidade nem sempre ser consensual, todos os portuense convergem num ponto: as mais deslumbrantes vistas do Porto obtêm-se a partir da margem esquerda. Tenho para mim que uma das mais deslumbrantes vistas é a que se obtém quando se desce de automóvel a rua de General Torres em direcção ao tabuleiro de baixo da ponte D. Luís. Aí chegados, andamos um pouco para a esquerda e chegamos ao cais de Gaia onde se obtém uma vista mais alargada do casario que trepa a encosta até à Sé e ao Paço Episcopal, o único edifício que rompa uma escala de presépio.

 

 

78. Esplanada do Arrábida Shopping.

 

Uma panorâmica única da cidade. Um sítio magnífico para passar a manhã. A esplanada do café do último piso do Arrábida Shopping é um sítio magnífico para passar a manhã e o posto de observação privilegiado para uma vista pouco comum – encosta de Massarelos (onde está a Faculdade de Arquitectura), Boavista, Jardins do Palácio. Uma panorâmica única.

 

 

79. Jardim do Morro da Serra do Pilar do Porto

 

É do pequeno muro do jardim do morro da Serra do Pilar que se obtém a vista do postal ilustrado por excelência: a clássica panorâmica do casario da  Ribeira, a erguer-se desde o rio até à Sé, no morro da Penaventosa (onde a cidade nasceu).

 

 

80. Outras alternativas

 

Se fizer a marginal de Gaia caminhando no sentido da foz do rio, passando pela vila piscatória da Afurada (onde nasceu Vítor Baía) e indo até ao Cabedelo vai sendo bafejado por fascinantes panorâmicas da zona mais ocidental do Porto – vale a pena leva máquina fotográfica.. Se não tem vertigens, arrisque atravessar a pé a Ponte da Arrábida, abra bem esses olhos e deixe-se deslumbrar. Do lado do Porto experimente edifícios altos, como os últimos andares do Hotel D. Henrique e da Cooperativa dos Pedreiros (onde está o restaurante Portucale) e do parque de estacionamento do Via Catarina. E se procura um ambiente mais intimista, faça o favor de ir até ao miradouro de Santa Catarina (à direita de quem sobe as Condominhas vindo do Largo do Calém).

 

Jorge Fiel

 

 

Música: Os filhos da Nação, Quinta do Bill
Publicado por Jorge Fiel às 07:31
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Sábado, 17 de Novembro de 2007

I love Oporto: três pontes e 17 experiências

Ora aqui está fresquinha, pronta a ser consumida durante o fim-de-semana, a terceira prestação da minha declaração de amor em 100 pontos à cidade que amo.

 

O Zé Martins (nome que, terei de concordar, é bastante comum), foi meu colega de liceu no Alexandre Herculano. Era fanático pelos Blood, Sweat & Tears. Parece-me que ainda o estou a ouvir a trautear o «Lucretia  MacEvil» nas aulas de Latim, sentado na carteira atrás de mim.

 

Eu e o Martins tínhamos um amigo comum, o Leitão, fanático pelos Chicago Transit Authority. A questão dominante do meu 6º ano de liceu foi a discussão entre o Martins e o Leitão acerca de qual seria a melhor banda do Mundo, se a liderada por David Clayton Thomas ou a de Peter Cetera, que, como está bom de ver, acabou num frio corte de relações entre os dois.

 

Eu gosto (sempre gostei) das duas bandas, mas se tiver de decidir qual prefiro, digo os Blood.

 

Perdi ambos de vista (os meus colegas, não as bandas com fortes secções de sopro). Soube que o Leitão tinha (ou tem?) um bar na Ribeira. E que o Martins se tornou psicólogo e poeta – e vem a exumação desta recordação a propósito desta última actividade.

 

O Zé Martins escreveu vários poemas que foram cantados pelos Já Fumega,. Um deles fala do nó cego que uma rapariga lhe deu (creio ser rigorosamente autobiográfico e até estou convencido de que sei quem foi a moça) e da cerveja que está choca quando o café está quase a fechar. Um outro, lembra-nos uma verdade de sangue: a ponte é uma passagem para outra margem.

 

O Porto é uma cidade de pontes. Foi isso mesmo que, em sentido figurado, esteve na origem do lema do Porto Capital Europeia da Cultura em 2001.

 

Falando das pontes do Porto no sentido literal, devo declarar que há quatro magníficas e duas sofríveis (a do Infante e do Freixo) e que a minha preferida é a da Arrábida.

 

Três obras de arte e 17 experiências preenchem o menu do dia.

 

Mais uma corrida! Mais uma viagem! Animem-se que já só faltam duas suaves prestações para eu acabar de sepultar este aparentemente infindável inventário de 100 coisas que amo no Porto.

 

 

PONTES

 

 

41. Ponte da Arrábida

 

Edgar Cardoso deixou-nos duas pontes com histórias e marcantes na paisagem do Porto. A ponte de Arrábida, que acrescentou à cidade a nova centralidade da Boavista, e possuía, à data da sua inauguração por Salazar (dealbar dos anos 60), o maior arco de betão armado do Mundo – havia mesmo que suspeitasse que ira cair, o que, como se sabe, não aconteceu. Mais tarde, a ponte S. João (que reformou a Maria Pia) proporcionou ao engenheiro a possibilidade de bater o recorde mundial para o maior vão em ponte ferroviária construída pelo método dos avanços sucessivos.

A elegância erótica do arco desenhado por Edgar Cardoso e o azul bebé com que foi pintada fazem da Arrábida a minha ponte favorita do Porto.

 

 

42. Ponte D. Maria Pia

 

É uma pena estar desactivada esta ponte ferroviária com 354 metros de comprimento e 61 de altura, uma das jóias da obra de Gustave Eiffel, que muitos consideram a mais bonita. É nesta ponte que se desenrola  a mais emocionante cena do imperdível romance «O Estranho Caso da Boazona que Me Entrou pelo Escritório Dentro» de José Pinto Carneiro.

 

 

43. Ponte D. Luiz I

Os dois tabuleiros (dos quais o de cima ficou reservado para o metro e peões ) conferem uma personalidade única a esta ponte de ferro projectada por Teofilo Seyrig, colaborador de Eiffel.

 

 

EXPERIÊNCIAS

 

 

44. Cruzeiros no Douro

 

A oferta de cruzeiros fluviais no Douro varia entre os passeios de longo curso, rio acima, com duração superior a um dia, e as curtas viagens pelas seis pontes que cruzam o rio entre Porto e Gaia. Todos valem a pena.

 

 

45. Funicular de Guindais

 

A viagem descendente entre a estação de montanha (na rua Augusto Rosa, à Batalha) e a fluvial, junto ao tabuleiro inferior da ponte D. Luiz (junto ao painel Ribeira Negra de mestre Júlio Resende) oferece uma vista de cortar a respiração quando se abandona o percurso subterrâneo e se entra em céu aberto. Ligar a marginal do rio à zona da Batalha é uma ideia antiga. O elevador de Guindais é o sucessor de um funicular que funcionou na mesma encosta durante dois anos, nos finais do século XIX, até ser desactivado na sequência de um acidente, motivado por excesso de velocidade, que fez abortar o programa de construção de mais dois elevadores, nas zonas de D. Pedro V e Arrábida.

 

 

46. Praça da Ribeira

 

O local onde palpita o coração da Ribeira é rico em atracções. Tem duas boas esculturas – o S. João, de João Cutileiro, e o cubo, de José Rodrigues –  as esplanadas onde os estrangeiros que o futebol trás à cidade se encharcam em Superbock, e um hotel único, o Porto Carlton, feito a partir da recuperação de várias casas e que nos seus dois primeiros anos de vida se viu na contingência de se travestir em submarino, por via das cheias, logrando sobreviver com a compreensão dos hóspedes,  que acharam graça à situação e não se importaram de utilizarem usarem a entrada para o restaurante do hotel (o Vintage), no Muro dos Bacalhoeiros, em alternativa à entrada principal, que estava submersa e, presumivelmente, a ser usada pelas taínhas.

 

 

47. Passeio de eléctrico

 

Imperdível fazer o circuito do 22 na Baixa, entre o Carmo e a Batalha. Na Batalha, descer até ao rio no Funicular de Guindais. Atravessar a Ribeira a pé e apanhar o 1 no Infante (paragem junto à entrada para a fabulosa igreja de S. Francisco) e seguir nele até ao fim da linha, na Cantareira. Voltar para trás, desembarcar em Massarelos, dar uma espreitadela ao Museu do Carro Eléctrico e regressar ao Carmo subindo a Restauração, novamente de eléctrico.

 

 

48. Salão Árabe do Palácio da Bolsa

Só visto e vivido. Contado ninguém acredita. Os empresários do Porto do século XIX no seu melhor.

 

 

49. Pérola do Bolhão

 

Bela, pérola e formosa. É de carregar pela boca compor uma frase com estas palavras: A Pérola do Bolhão é a mais bela loja da rua Formosa (que de formosa apenas tem o nome e a magnífica fachada desta mercearia). Lá dentro está o inevitável gato preto  - não para dar galo, mas antes presença dissuasora da perniciosa actividade dos roedores – e produtos de mercearia, charcutaria (chouriças, alheiras, orelheiras), de garrafeira (Portos, vinhos de mesa, aguardentes) bacalhaus e queijos da Serra. Cá fora estão uns notáveis painéis em azulejo, com a assinatura da famosa e extinta fábrica do Carvalhinho.

 

 

50. Bolo rei da Petúlia

 

O bolo rei mais procurado na cidade é o da Petúlia a confeitaria da família de Ilídio Pinto, que deve a outra parte da sua fama ao facto de ter acolhido as célebres tertúlias futebolísticas animadas pelo saudoso José Maria Pedroto e Jorge Nuno Pinto da Costa. Hernâni Gonçalves, o popular Bitaites, é um dos fregueses sobreviventes desses heróicos tempos.

 

 

51. Marechal Gomes da Costa

 

A avenida mais elegante e sofisticada do Porto é esta. Um boulevard! Ponto final. Artur Santos Silva, o do BPI, Armanda Passos, a pintora, e António Oliveira, o da bola, são alguns dos sortudos que lá vivem. A casa de Valentm Loureiro fica pelas imediações. Se eu fosse rico, de certeza era lá que morava.

 

 

52. Praça de Liège

 

Albergar um cemitério não é suficiente para a desqualificar da minha «short list» das mais bonitas praças da cidade.

 

 

53. Rua de Santa Catarina

 

É o verdadeiro centro comercial ao ar livre do Porto. Belmiro de Azevedo, que transformou  em shopping (Via Catarina) a antiga sede do Primeiro de Janeiro, chegou a sonhar cobrir a rua, reconvertendo-a em galeria. Em Santa Catarina, alinham-se as lojas das mais importantes marcas nacionais e internacionais. Foi nesta rua, com um amplo troço pedonal,  que a Zara abriu a sua primeira loja fora de Espanha, ganhando à Maconde,  com o auxílio do galego Banco Pastor, a corrida ao espaço que ainda ocupa.

 

 

54. Miguel Bombarda

 

O SoHo do Porto começou a desenhar-se quando, em 1997, Fernando Santos mudou a sua galeria para a rua Miguel Bombarda e desafiou os colegas a fazerem o mesmo, em ordem à criação a criar nesta zona de um «cluster» do oficio de negociar em arte, copiando o que se fazia na Idade Médio, onde os ofícios se concentravam em ruas, o que ficou tatuado na toponímia da cidade (como, por exemplo a rua dos Caldeireiros).  Resultou. Na Miguel Bombarda e ruas adjacentes (Aníbal Cunha, D. Manuel II, Rosário. etc) há dezenas de galerias regularmente inauguram as exposições no mesmo dia.

 

 

55. Caminhos do Romântico

 

Cinco percursos  pedonais, apoiados em painéis informativos, constituem o menu  dos Caminhos do Romântico, desenhados no vale de Massarelos, que logrou escapar à voracidade da especulação imobiliária e transportar até ao século XXI o perfume oitocentista presente no carácter rural das suas hortas, quintas, fontes e lavadouros. Traçados pela arquitecta Graça Nieto, são um convite atractivo a um mergulho no passado, a passear pelo Porto das vielas estreitas e escuras, das camélias e do cheiro a rosas (mas também a aromas menos agradaveis ...) para desfrutar de vistas fabulosas sobre o Douro. O ponto de partida é na rua de Entrequintas, perto do portão de acesso ao Museu Romântico. 

 

 

56. Solar do Vinho do Porto

 

Acessível a partir dos jardins do Palácio e situado no coração do Porto Romântico, é o cenário ideal para um pedido de namoro ou casamento. Ocupa as antigas cozinhas da Quinta da Macieirinha, onde viveu o rei italiano Carlos Alberto durante o seu curto exílio portuense. O Museu Romântico ficou com o resto da casa. Os visitantes do Solar beneficiam de uma vista deslumbrante a partir de um belo jardim debruçado sobre o rio Douro e Gaia. Nos dias quentes de Verão, a opção correcta é encomendar  um refrescante um Porto Tónico (Porto branco seco a que se adiciona agua tónica).

 

 

57. Biblioteca Almeida Garrett

 

Revestida a mármore grego, carvalho americano e tola, equipada com moveis Alvaar Alto, esta biblioteca é uma das três peças (as outras são uma galeria de arte e um auditório) do edificio cultural desenhado por José Manuel Soares, implantado nos jardins do Palácio de Cristal, entre a avenida das Tílias e a rua de Entrequintas.

 

 

58. Caves de Vinho do Porto

 

O Vinho do Porto foi inventado por acaso, algures no século XVIII. Para evitarem que o vinho azedasse na longa viagem marítima para Inglaterra, os exportadores começaram a adicionar-lhe uns 20 litros de aguardente por pipa, antes do embarque. A receita agradou ao paladar dos ingleses. Tinha acabado de nascer o Porto, um vinho único no Mundo. Na verdade, para além da designação, o vinho apenas lateralmente tem a ver com a cidade de que ostenta o nome, já que é produzido na região do Douro - mandada demarcar em 1756 para proteger a pureza de um vinho com os créditos firmados na loira Albion. Até meados do século passado, os mostos vinificados eram transportados rio abaixo em barcos rabelos até às frias caves do entreposto de Gaia onde ficavam a envelhecer. Hoje em dia, os rabelos alinhados na margem esquerda têm um efeito meramente decorativo, já que apenas uma vez por ano são usados numa renhida regata que se realiza no primeiro fim de semana a seguir ao S. João. A maioria das caves está aberta a receber visitas, que por norma são gratuitas (nos casos em que é cobrada uma entrada esse montante pode ser descontado na compra de Porto) e compreendem uma prova de um branco, um ruby (Porto novo que deve o seu nome à cor e é comercializado após três anos de estágio em grandes recipientes, protegido do ar, o que lhe permite manter a cor, pujança e frescura)  ou um tawny (vinho que envelhece em casco e beneficia de arejamento, pelo que a sua cor evoluiu para tons acastanhados.

 

 

59. Uso e abuso do vernáculo

 

Ouvir um impetuoso «Vai para a grande puta que te pariu!!!», cheio de pontos de interrogação no fim, e não se sentir ofendido é um privilégio nortenho. No Porto temos o saudável hábito de usar no dia a dia palavras que constam do dicionário mas que nas paragens mais meridionais do país foram metidas na gaveta.

 

 

60. As 20 salas de cinema das UCI

 

Quando abriram eram da AMC. Posteriormente foram rebaptizadas UCI. O nome não interessa. Aquelas 20 salas são as melhores do país. Um dos meus programas favoritas é aproveitar a hora do almoço para ir ver uma sessão ao Arrábida.  O ano passado, quando perguntei à Luciana Abreu (a Floribella) de que é que tinha saudades do Porto ela respondeu logo: «De ir ao cinema no Arrábida». Boa rapariga!

 

Jorge Fiel

 

Música: Porto sentido, Rui Veloso
Publicado por Jorge Fiel às 08:26
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

O que é a Reflexologia ?

 

 

A Reflexologia é uma terapia que se baseia no principio da existência de reflexos nos pés e mãos relativos a orgãos do corpo; um estímulo sobre estes reflexos poderá provocar alterações na fisiologia dos mesmos orgãos por forma a que os mesmos regressem a um estado de equilíbrio.

 

 

A Reflexologia é aplicação cuidada de pressões sobre áreas específicas dos pés.

Uma forma de relaxamento ao longo de uma hora de tratamento.

Um estímulo mecánico através das mãos do terapeuta sobre os pés do cliente.

Um alívio para o cansaço, o stress e as preocupações do dia-a-dia.

 

 

Então amigo bloguista, se tiver problemas circulatórios,se sofre de depressão,se tem problemas com as articulações, se tem uma uma vida com ritmos estressantes e se sente sem vitalidade e abaixo das suas capacidades,não hesite, informe-se e experimente.

 

 

Sente-se uma hora de sossego,tranquilidade e muita paz de espírito,uma redução de sintomas provocados por stress excessivo,um relaxamento geral,alívio de dores musculares provocadas por excesso de tensão,melhor oxigenação dos nossos orgãos,eliminação das toxinas acumuladas e estímulos da circulação periférica.

 

 

Atenção que a Reflexologia não é uma terapia alternativa.O terapeuta não substitui os cuidados que apenas o seu médico lhe pode prestar.

Esta terapia é indicada como um complemento.Se os seus sintomas persistem é aconselhável ir ao seu médico antes de iniciar tratamentos de reflexologia.

 

Um alimentação equilibrada, de preferência biológica, é aconselhável em qualquer situação que afecte a sua saúde.

 

A Reflexologia é uma terapia milenar,uma massagem nos pés, uma ciência,uma arte.

 

 

Um pouco história :

 

O primeiro documento que descreve um tratamento de Reflexologia como terapia válida data 2300  a.C.Encontra-se no túmulo de um médico egípcio, Ankhmahor, em Saqqara, Egipto.

 

Sima Qian, médico chinês que viveu em 200 a.C.era um entusiasta adepto desta terapia, utilizando-a como método preventivo.

 

O Dr.William Fitzgerald, otorrinolaringologista  americano do século passado,utilizava a reflexologia nos seus pacientes.

 

Eata terapia é utilizada no Reino Unido em hospitais e centros de saúde como coadjuvante no tratamento de inúmeras patologias.

 

O Bristol Cancer Center, centro oncológico no Reino Unido, tem cursos de pós-graduação para terapeutas onde a reflexologia tem um papel importante nos cuidados paliativos.

 

 

Caros amigos,lembrei-me deste tema pois fui seu utilizador , teve uma influência fantástica na minha vida,por isso não queria deixar de partilhar convosco esta minha experiência para poder ajudar quem precise.

 

É isto também o Norte,solidariedade e altruísmo.

 

Um forte abraço

 

Mário Rui 

 

  

Sinto-me:
Música: Be happy don't worry
Publicado por Mário Rui Cruz às 18:22

Editado por jorgefiel em 17/11/2007 às 08:40
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Afinal vai haver outro!

 

 

Obrigado.

 

Obrigado João Botelho.

 

Pelo que li o filme Corrupção, o verdadeiro filme, vai ser editado e sair finalmente para o mercado.

 

É bonito.

 

É a verdade. A honestidade intelectual.

 

Na versão que anda para aí a correr, que me recuso a ver, a verdadeira arte foi retirada pelo produtor.

 

O realizador saiu zangado, a sua mulher/argumentista também e alguns actores não compareceram à "holiodesca " apresentação.

 

O filme foi adulterado.

 

Agora tudo vai ser diferente.

 

É uma vitória da arte contra o pragmatismo comercial.

 

Num dos primeiros post's que escrevi para o Bússola falei do assunto e achei rigorosamente o que está a acontecer.

 

Se há duas versões do livro, porque não haver duas do filme?

Ao que se sabe, e ainda ninguém disse o contrário, o livro teve duas versões e

a argumentista do filme deu uma "ajuda" importante na coisa.

 Entretanto continuo ansioso pela edição do verdadeiro livro.

 

Aquele que não teve retoques e acrescentos.

 

Pelo sim e pelo não nem li o livro, nem vi o filme.

 

Ao que parece nem um nem outro são os verdadeiros.

 

Enquanto isso vou lendo livros escritos por escritores e vendo filme realizados por realizadores.

 

 

Publicado por Fernando Rocha às 15:57
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Mário Lino, o intoxicador de água doce

 

Tenho seguido com alguma atenção, redobrada curiosidade e indisfarçável divertimento a carreira do ministro das Obras Públicas, um reputado «aparatchik» que acompanha Sócrates desde os gloriosos tempos em que o  actual primeiro ministro conspirou com sucesso para ser ministro do Ambiente no lugar da ministra do Ambiente (Elisa Ferreira).

 

Sorte idêntica não tem o mau grão-vizir Iznogoud (uma magnífica invenção de Goscinny, o pai do Astérix) que há uma data de anos conspira debalde para ser Califa no lugar no bom do Califa.

 

Não era preciso ser um Einstein para perceber a importância nuclear que o Ministério das Obras Públicas teria num Governo que acreditava (ainda acreditará?) piamente que a Ota e o TGV iam ser a locomotiva da recuperação económica e do suave milagre do regresso à convergência com a Europa – e que a chuva de dinheiro do QREN vai ser o Abre-te Sésamo de uma nova maioria absoluta.

 

Mário Lino partiu discreto. Mas tal como aqueles maratonistas que fazem a corrida de trás para a frente, sem esticões, o ministro das Obras Públicas, com uma passada certa e segura, soube ultrapassar o seu colega da Economia, destronando Manuel Pinho do lugar de primeiro palhaço do Governo Sócrates.

 

Data de Maio último o ponto de viragem, em que Pinho ficou irremediavelmente para trás no bem disputado campeonato interno do disparate. Lino passou por ele a correr, até parecia um foguetão, no dia em que proferiu a mais memorável das suas declarações, que nunca será demais recordar:

 

«Fazer um aeroporto na Margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que será preciso levar para lá milhões de pessoas»

 

Foi por estas, e por outras como esta, que Sócrates teve de pôr a questão da Ota a hibernar durante seis meses.

 

Só que agora que chegou a hora de descongelar a Ota e há para resolver uma série de contrariedades surgidas no entretanto.

 

No interim em que o Governo mantinha a Ota agasalhada na gaveta, a CIP patrocinou um estudo, dirigido por um reputado especialista (José Manuel Viegas), que aponta Alcochete como a melhor e mais barata localização para o novo aeroporto de Lisboa.

 

Acresce que, no entretanto, engrossou o pelotão dos que defendem a solução Portela+1 e que se meteu na cabeça do PR Cavaco a ideia que tem uma palavra a dizer sobre a matéria.

 

Uma data de chatices! Os espíritos (nada a ver com o BES) andavam agitados, pelo que Mário Lino meteu mãos à obra de cortar o mal pela raiz.

 

Vai daí tratou de gizar um cuidado e pormenorizado plano de assassinato do estudo da CIP junto da opinião pública, com a ajuda voluntária da Rave (empresa sob a sua tutela e convenientemente guarnecida de boys rosa) e de especialistas em «spin» - e involuntária de uns crédulos equipados com carteira profissional de jornalistas mas que têm boa boca e estão habituados a comer e calar a ração que lhe põem à frente (os idiotas úteis, na fraseologia de Lenine).

 

«Comme il faut», a campanha foi inaugurada com estrondo no sábado, no jornal de referência por excelência (Expresso), onde fonte anónima da Rave jura que o estudo da CIP faz disparar em 1700 milhões de euros o custo do novo aeroporto.

 

No dia do Senhor, a plantação de notícias abriu num movimento em tenaz.

 

No diário de referência por excelência (Público) denunciam-se os «erros crassos» do estudo da CIP e as suas consequências catastróficas para o TGV Porto-Lisboa: menos 1,5 milhões de passageiros/ano, menos 450 milhões de euros de receitas/ano, mais 15 minutos de duração do trajecto.

 

No diário com maior circulação (Correio da Manhã) um administrador da Rave denuncia o crime lesa-património que o estudo da CIP pretendia perpretar. A construção de uma ponte Beato-Montijo obrigaria o Convento do Beato a vir abaixo, o que, concordo, seria uma enorme maçada, tanto mais que o pessoal do Compromisso Portugal teria de espremer as meninges para arranjar um novo ponto de encontro para a sua reunião anual.

 

Vento corria de feição à campanha. O drama foi que logo no dia a seguir, na 2ª feira, o director do Público revelou, em editorial, os detalhes do plano de intoxicação traçado por Mário Lino, que passou a ser o macaco escondido que deixou o rabo de fora.

 

Lino teve de improvisar. E para cobrir a retirada pôs um porta voz da Rave a jurar que tem estudos favoráveis à solução Alcochete - e que o mal está apenas na soluções técnicas apresentadas pela CIP.

 

Mário Lino falhou no essencial. Foi apanhado com a mão na massa – com a boca na botija. O segredo do sucesso deste tipo de campanhas é serem silenciosas e ninguém dar por elas. 

 

A regra número um é o maestro ficar na sombra, de luvas calçadas.  Mas o ministro não conseguiu evitar deixar as impressões digitais espalhadas por todo o lado.

 

Lino, o ministro que não tem tempo para ler (e por isso o mais que pode fazer pelo estudo da CIP é, disse ele, «dar-lhe uma vista de olhos») é um amador. Um intoxicador de água doce.

 

Jorge Fiel

 

Música: The death of a clown, Kinks
Publicado por Jorge Fiel às 14:26
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Segunda prestação da declaração de amor

 Pátio das Nações do Palácio da Bolsa

 

Esta segunda prestação do inventário de 100 coisas que amo no Porto é totalmente preenchida por calhaus, ou, dito de outra maneira, por uma lista de 20 maravilhosos exemplares de património edificado da nossa cidade.

 

Mas quero sossegar os bussolistas. Nos três fascículos que faltam, serão listadas coisas bem mais leves, como cafés, restaurantes, jardins, experiências e ofícios correlativos.

 

21. Palácio da Bolsa

 

Não é por acaso que é o monumento mais visitado do Porto. O majestoso Pátio das Nações, coberto por estruturas metálicas envidraçadas, deslumbra-nos logo à entrada. O Palácio da Bolsa foi construído em meados do século XIX por iniciativa (e a expensas) da Associação Comercial do Porto. A fachada neo-clássica, correcta mas severa, esconde no interior jóias como o faustoso Salão Árabe, a antiga sala de audiências do Tribunal do Comércio e uma magnífica escadaria de mármore e granito.

 

22. Mercado Ferreira Borges

 

Belo exemplar da arquitectura do ferro, em boa hora recuperado por Paulo Valada. Recebe exposições e acontecimentos culturais.

 

23. Muralha Fernandina

 

O acesso não é fácil (faz-se através do interior do Instituto Dr. Ricardo Jorge, pelo que as visitas estão limitadas ao horário deste organismo público) mas o resultado recompensa o esforço. Nas ameias deste pano de muralha quatrocentista, sinto-me como o Di Caprio na proa do Titanic: «I’m the king of the world»

 

24. Torre dos Clérigos

Pisa tem um torre inclinada. Londres uma torre prisão. Paris tem uma elegante torre em ferro. O Porto tem uma honesta torre barroca – que, Alexandre O’Neill «dixit», é uma espécie de ponto de espantação.

 

Concluída em 1763, foi riscada pelo arquitecto italiano Nicolau Nasoni, que está sepultado ali ao lado, na igreja dos Clérigos, e deixou espalhada pela cidade abundante e boa obra, como Palácio do Freixo. Da torre, que é o ex-libris da cidade, disse Teixeira de Pascoaes: «É o Porto espremido para cima». O cimo da torre, a 75 metros de altura, é acessível a quem pagar bilhete de entrada e se dispuser a subir 240 íngremes degraus de uma escadaria em caracol.

 

25. Estação de S. Bento

 

O sólido edifício neoclássico estação ferroviária de S. Bento alberga no seu hall belíssimos conjuntos de azulejos de Jorge Colaço, alusivos aos transportes e a episódios marcantes da nossa história. Particularmente interessantes os que retratam a entrada de D. João I na cidade, quando do casamento com Dona Filipa de Lencastre, e a submissão de Egas Moniz e família ao rei de Leão.

 

26. Casa da Música

 

Parece um volumoso meteorito que aterrou ali junto à Rotunda da Boavista. Não demorará muito até que esta bela e estranha obra de Rem Koolhas substitua a barroca Torre dos Clérigos como primeiro ícone da cidade.  

 

27. Faculdade de Arquitectura

 

Riscada por Álvaro Siza, acomoda-se harmoniosamente nos socalcos da encosta que desce até ao rio. Como é habitual na obra de Siza, a sobriedade e austeridade exteriores são complementados por surpreendentes espaços interiores, amplos e luminosos. A maquete desta faculdade é a única obra portuguesa que está em exposição na sala dedicada à arquitectura do Centro Pompidou.

 

28. Alfândega

Se tivesse que escolher o edifício que melhor simboliza o Porto, elegeria a robusta Alfândega, magistralmente recuperada por Eduardo Souto de Moura a tempo de receber a Cimeira Ibero-Americana que trouxe Fidel Castro ao Porto.

 

29. Cadeia da Relação

 

A prisão onde Camilo Castelo Branco escreveu de jacto (em 15 dias!) «O Amor de Perdição» foi reconvertida no Centro Português da Fotografia, uma metamorfose que escandalizou o Fernando Rosas (um verdadeiro palhaço!) que protestou por escrito contra a maçada que era ter de se deslocar ao Porto sempre que precisasse de consultar os seus arquivos fotográficos… Há dois séculos, a construção desta cadeia (onde também malharam os ossos o famoso ladrão Zé do Telhado e o político João Chagas), importou em 200 contos. A sua renovação, realizada no âmbito da Porto 2001, custou 600 mil contos.

 

30. Igreja Românica de Cedofeita

 

Se eu fosse do estilo de casar pela igreja seria aqui. Sem dúvida.

 

31. Palácio de Cristal

 

Os jardins são magníficos. Sempre que por lá passeio lembro-me do Chico do Palácio (para quem não sabe era um macaco) e do Sofala, o leão das unhas encravadas. A avenida das Tílias disponibiliza, de borla (grátis!) quentes recordações dos tempos em que estava guarnecida de ambos os lados com stands onde se faziam furos e se ganhavam chocolates. Os mais velhos ainda choram a destruição do primitivo Palácio de Cristal, demolido em 1951 para dar lugar a uma moderna nave de cimento armado: o Palácio dos Desportos (no entretanto, rebaptizado Pavilhão Rosa Mota), feito de raiz para receber um Mundial de hóquei em patins e que agora serve de palco para acontecimentos desportivos, concertos e comércios, sendo ainda usado como casa pela Feira do Livro. Mas a modernidade intrínseca da calota do pavilhão Rosa Mota (que, vista ao longe, dá a ideia de uma mama) mandam-nos olhar em frente e a dar-nos por satisfeitos pelo que temos.

 

32. A Casa do Roseiral

 

Situada num dos extremos dos jardins do Palácio, a Casa do Roseiral é propriedade da autarquia e seria a única razão que me poderia levar a candidatar-me à presidência da Câmara do Porto. Se ganhasse, mudava-me logo para lá.

 

33. Teatro Nacional S. João

 

Ora aí aqui está uma bela fachada amarelo ocre, como há poucas na nossa cidade. O que mais me apaixona neste edifício riscado por Marques da Silva são as figuras alegóricas da Dor, Bondade, Ódio e Amor que o ornamentam, bem o seu portentoso interior, que ouso qualificar como tão acolhedor como uma vagina.

 

34. Coliseu

 

Da autoria de Cassiano Branco, o Coliseu do Porto é provavelmente a talvez a mais bela sala de espectáculos do país. Inaugurado em 1941, com um concerto da Sinfónica Nacional dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco, sobreviveu a um incêndio e à tentativa de compra pela IURD, ocorrida em Agosto de 1995.  

 

35. Palácio do Freixo

 

Esta esplendorosa moradia barroca, de frente virada para o rio, foi encomendada ao arquitecto italiano Nicolau Nasoni pelo rico cónego Jerónimo Távora. Já serviu de armazém a uma fábrica de moagens. Os trabalhos da sua recuperação foram dirigidos por Fernando Távora, o pai da famosa escola de arquitectura do Porto e descendente do primeiro dono do palácio. O grupo Pestana prepara-se para o transformar num hotel de charme integrado na rede Pousadas de Portugal.

 

36.  Paços do Concelho de Matosinhos

 

As salas das sessões públicas da Câmara e o Salão Nobre, ambas sem portas, abertas para o interior e transparentes ao exterior, expressam a filosofia do novo poder democrático exercido à vista do povo e são dois dos locais mais marcantes de um edifício (assinado por Alcino Soutinho) em que todas as suas áreas recebem luz directa do sol - e que foi enriquecido com esculturas e pinturas de João Cutileiro e Júlio Resende. 

 

37. Igreja de S. Francisco

 

É chamada «a igreja de ouro» devido à sumptuosa talha barroca que a reveste e submergiu por completo a estrutura gótica do templo. Por muitas vezes que a visite, não deixará de ficar impressionado com os 200 quilos de ouro que estão distribuídos pelo altar, colunas e pilares. As sepulturas românticas que complementam a vista à igreja eram o local favorito para o adolescente Pedro Abrunhosa se declarar às raparigas.

 

38. Infante Sagres

 

O primeiro cinco estrelas o Porto foi mandado fazer pelo industrial Delfim Ferreira. Mário Soares sempre preferiu o conforto e luxo clássicos deste hotel da Baixa à moderna funcionalidade dos cinco estrelas da avenida da Boavista. Esta preferência diz tudo sobre a alma do Infante Sagres.

 

39. Mercado do Bolhão

 

O local preferido pelos políticos de todos os quadrantes para receberem banhos televisivos de multidão. Está a concurso a sua transformação numa espécie de Covent Garden.

 

40. Estádio do Dragão

 

Um palco de emoções. Manuel Salgado impregnou o novo estádio do FC Porto do ambiente moderno e sofisticado que foi a marca de água da arquitectura da Expo 98. Sem lugares reservados para cegos ou anões, o Dragão é a âncora da renovação em curso na degradada zona oriental da cidade. «Allez, Porto, alllez. Nós somos a tua voz. Nós somos a tua voz. Queremos esta vitória. Conquista-a por nós!».

 

Jorge Fiel

 

Música: Se eu fosse um dia o teu olhar, Pedro Abrunhosa
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Publicado por Jorge Fiel às 12:41
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Milhões de lucro

 

 

A SAD do FC Porto apresentou lucros dde 2.3 milhões de euros, em linha com o que tinham feito já as do Sporting e do Benfica. Foi um ano bom de vendas e daí que os resultados não surpreendam - o lucro portista é bem mais modesto mas ainda não contabiliza Pepe e Ricardo Costa, que já ficam como almofada para esta época.

Pinto da Costa nunca achou que apresentar contas "azuis" fosse o mais importante da sua obra como presidente do clube. Para ele é sempre mais importante o resultado desportivo do que o resultado financeiro e essa é uma das suas forças. E a vitória na Liga dos Campeões em 2004 foi herdeira de uma estratégia que passou por manter no clube, após a vitória na Taça UEFA em 2003, os jogadores mais importantes. Foi um risco, mais um, porque qualquer outro teria aceite as propostas que chegaram após a final de Sevilha. A decisão financeira teria sido essa; a decisão desportiva foi correr os riscos - e ganhar, depois, a Champions e a Taça Intercontinental.

 

Ainda assim, nunca gostou de ver notícias nsobre as más contas do clube. Recordo-me de na década de 90 ter feito uma manchete no Público que rezava "FCPorto: contas a vermelho". Os prejuízos do ano, se bem me lembro, eram de uns meros 4 milhões de euros. Mas quando o confrontaram com a notícia, respondeu algo como isto: "Vejam as contas do Público que são muito piores".

 

Justo é, também, que se diga, que o grande responsável pelos bons resultados das SAD dos clubes portugueses foi o empresário Jorge Mendes, hoje seguramente entre os três empresários mais importantes em todo o mundo. É um homem do Norte também ele!

Manuel Queiroz

Publicado por Manuel Queiroz às 12:09
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Inventário de 100 coisas que amo no Porto

 

O inventário que se segue está longe de ser exaustivo e não é um top 100. Acredito que haja coisas de que eu goste mais do que as 100 elencadas mas que por esquecimento no momento tenham ficado no tinteiro.

 

Vai daí, esta lista é tão só uma declaração de amor à cidade onde nasci, cresci e vivo. Dada a elevada tonelagem em caracteres da lista, optei por a publicar em fascículos, organizados por secções, sendo que este, o de estreia, agrupa dois capítulos: Intangiveis e Órgãos de Soberania e Comes e Bebes.

 

Ai vai a primeira de cinco suaves prestações, que serão aqui editadas à razão de uma por dia – sem prejuízo de outros pronunciamentos. Esta declaração de amor foi originalmente publicada no meu blogue pessoal, Roupa para Lavar

 

 

INTANGIVEIS E ÓRGÃOS DE SOBERANIA

 

1. O coração de D. Pedro

 

Está guardado na Igreja da Lapa, que pela sua situação privilegiada, a quota alta, foi um dos locais escolhidos pelo exército liberal para instalar a artilharia durante o Cerco do Porto.

 

O rei anti-colonialista que soltou o grito do Ipiranga e abdicou de imperador do Brasil para regressar a Portugal e defender a liberdade com uma arma na mão, escreveu a mais bonita e heróica página da histórica da cidade, a quem prestou tributo legando-nos, em herança, o seu coração, e conferindo-nos o título de Invicta, Mui Nobre e Sempre Leal.

 

Abaixo os miguelistas (e quem os apoiar)!

 

 

2. O granito molhado

 

Adoro a melancolia do entardecer do Porto, no Outono, depois das primeiras chuvas, com a pedra molhada.

 

 

3. Rio Douro

 

Álvaro Siza não o viu como de ouro mas antes como de prata e assim o retratou num swatch. Eu vejo-o azul como o mar e o céu. Esta diferença cromática de opinião não acarreta mal nenhum ao Mundo. O 25 de Abril fez-se para isso mesmo. Para as pessoas terem opiniões diferentes e continuarem amigas – e a amarem o mesmo rio, de uma forma plural.

 

 

4. A pronúncia do Norte

 

Sobe-me a mostarda ao nariz sempre que um conhecido ou colega de Lisboa me cumprimentam recorrendo a uma canhota tentativa de imitar o nosso sotaque. «Atão, cumu bai o Puaaaartu?». 

 

Imbuído de um espírito cristão, contenho-me e perdoo-o logo a idiotice desses infelizes que na sua santa e doce ignorância estão convencidos que não têm sotaque e que a amaricada maneira de falar deles é o cânone.

 

Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles será o Reino dos Céus.

 

 

5. FC Porto

 

As cada vez mais frequentes vitórias representam para a cidade exactamente o mesmo que as do Barca, que engraxam o orgulho de ser catalão.

 

A equipa entra no Dragão a ouvir os versos do hino que lhe pede «dá-nos neste dia mais uma alegria, mais uma vitória» e corresponde. Assim é que é.

 

 

6. Jornal de Notícias

 

Nas suas páginas sente-se o palpitar da região. Só lhe falta mesmo merecer que as elites nortenhas o assumam como o primeiro jornal que lêem pela manhã, nos seus gabinetes, e com que andam debaixo do braço e folheiam na esplanada, ao fim-de-semana. Nessa altura, o JN será o megafone de que o Norte precisa para fazer ouvir a sua voz, aos berros, nos ouvidos de quem manda no Terreiro do Paço.

 

7. O Jogo

 

A Folha da Verdade. O Jogo é grande e o Manuel Tavares é o seu profeta.

 

8. Porto Canal

 

Acaba de fazer um ano, deixou de gatinhar e começa a andar sem ajuda. Bom! Mas para ser o centro de poder de que o Porto precisa, ainda tem de comer muita boroa. 

 

É obrigatório que Bruno Carvalho, o director geral, apague os resíduos de benfiquismo que lhe continuam agarrados à pele. E que os amigos catalães da Mediapro consigam reduzir a sua posição excessiva no capital do canal, transferindo parte dela para as forças vivas do Norte.

 

Não percebo de que é que os Américos Amorins, os Belmiros de Azevedo, os Macedo Silvas, os Ludgeros Marques, os Àlvaros da Costa Leite, os Violas, etc, etc, estão à espera para tomarem em mãos o papel de locomotiva deste projecto em que o mais difícil (ir para o ar) já foi feito!

 

Ter um canal do Porto com um director geral benfiquista e uma maioria espanhola no capital faz tanto sentido como um canal de Barcelona ter um director geral fanático pelo Real Madrid e uma maioria francesa no capital social.

 

 

9. AEP

 

Foi-se o BPA. Foi-se o BPI. A CCRN foi politicamente domesticada em vez de levantar voo e evoluir para base do Governo regional do Norte. A Associação Empresarial de Portugal, de Ludgero Marques, resiste como centro de contra-poder, a aldeia de irredutíveis nortenhos que resiste a Lisboa.

 

Espero que nunca lhe falta a poção mágica. E, já agora, que arranje uma estátua decente para imortalizar a figura ímpar do seu fundador Vitorino Damásio, empresário e um dos heróis do Cerco do Porto, substituindo a pindérica estátua que foi colocada no sítio (a Mata da Pasteleira) onde ele se cobriu de glória no comendo de tropas liberais.

 

 

10. Associação Comercial do Porto

 

Por contraste com a acção guerrilheira e abrasiva da AEP, a Associação Comercial encontrou o seu espaço assumindo-se como uma espécie de senado nortenho, centro de estudo e reflexão de grandes temas, produzindo estudos sobre os grandes temas que dilaceram o pais (a Ota foi um deles) e projectando novas figuras, como Rui Moreira, o seu actual presidente. Também está bem!

 

 

11. Sonae

 

Concentra o melhor (e às vezes o pior, mas a vida é assim) do código genético empresarial nortenho. Apesar de saber que perde pela boca, Belmiro teima em não se calar, não pára de refilar e mantem uma rigorosa  independência face ao poder político lisboeta.

 

É bom saber que Belmiro de Azevedo continua a viver num andar, a levantar a mesa no final das refeições e a evitar ao máximo pernoitar em Lisboa. 

 

 

12. Metro

 

O Metro do Porto é ainda muito mais do que um sistema de transportes e uma empresa estruturante do espaço urbano. É também uma obra de arte, um enorme motivo para termos orgulho em sermos portuenses, e, ainda, uma prova viva e documental do centralismo que asfixia o nosso país.

 

Concebido por Eduardo Souto Moura, o metro é uma obra de arte premiada internacionalmente, onde estão espalhadas as impressões digitais os nomes mais luminosos da Escola de Arquitectura do Porto, como Siza Vieira, Alcino Soutinho e Adalberto Dias, entre outros.

 

 

13. Toponímia

 

Agrada-me muito a toponímia do Porto. Todos os dias atravesso a rua do Campo Alegre. Raro é o fim de semana em que não brinco com o meu filho João no jardim do Passeio Alegre. Lamentavelmente já não vou à muito tempo às ruas do Campo Lindo e do Paraíso A última morada do meu pai é o cemitério do Prado do Repouso. Há um autocarro, da linha 700, que tem como destino o Campo dos Sonhos.

 

O Porto tem uma toponímia alegre e desde há alguns anos as suas ruas e praças estão bem identificados por placas verdes, bonitas e informativas, que talvez sejam o melhor legado que Rui Rio vai deixar à cidade. 

 

 

COMES E BEBES

 

14. Tripas à moda do Porto

 

Estou em crer que as melhores são as do Poleiro, junto à Circunvalação. Mas também gosto muito das do Ribeiro (Praça dos Poveiros) e do Capa Negra (Campo Alegre).

 

 

15.  Francesinha

 

Ora cá está a pergunta que vale um milhão de euros. Qual é melhor francesinha do Porto? A indicar um sítio, não hesito em responder Capa Negra (onde estão disponíveis os melhores rissóis do Mundo). Mas recordo com saudades as do já falecido Mucaba (logo no início da Avenida da República em Gaia) e as da Regaleira, na Baixa.

 

16. Pastéis de Chaves da Casa das Tortas

 

Reconheço que já conheceu melhores dias a qualidade dos pastéis de Chaves da Casa das Tortas, em Passos Manuel, mas são um clássico que vale a pena revisitar. É fazer o favor de os comer quentinhos e regá-los com uma taça de vinho verde Campelo, porque não sei se ainda há o Três Marias.

 

17. Vinho do Porto

 

Eu prefiro os Porto jovens, pujantes e rebeldes, em detrimento dos tawnies velhos e licorosos. O meu gosto contraria a máxima de que o Porto melhora com a idade.

 

Estou feliz pela moda inaugurada pelos americanos de beber os Vintage cada vez mais cedo. Não havendo Vintage, marcha um LBV ou um ruby. Novos! Não me importa que me chamem pedófilo J

 

 

18.  Padaria Ribeiro

 

Abasteço-me de inúmeras variedades de pão (azeite, chapatas, vikorn, centeio, corações, amêndoas, passas, etc, etc) na Ribeiro da Pasteleira, junto ao Público.

 

Apesar de eu ser mais presunto do que doces, recomendo vivamente a tarte de maracujá.

 

 

19. Vinho & Coisas

 

A melhor garrafeira do país está em Matosinhos. Paris vale uma missa e a Vinho & Coisas vale uma visita de estudo.

 

 

20. Cafeína Foods

 

Apesar de pequena, é um das melhores mercearias finas de uma cidade com tradições neste domínio (Minhotinha e Augusto), reforçadas nos últimos anos com o desembarque da Loja da Praça (na praça D. Afonso V, junto à igreja do Cristo Rei) e o Gouret do El Corte Ingles de Gaia.

 

Se for ao Cafeína Foods não deixe de comprar, por nove euros apenas, uma garrafa de Porto branco da Quinta da Casa Amarela. Se o fizer, vai-me ficar eternamente grato pelo conselho.

Jorge Fiel

 

 

Música: E o Porto aqui tão perto, Sérgio Godinho
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Publicado por Jorge Fiel às 17:33
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Eu, portuense, olho-me ao espelho com a ajuda de Garrett, Sophia, Saramago, entre outros

 

Achei por bem socializar com os passageiros frequentes da Bússola esta pequena antologia de frases sobre a minha cidade, da autoria de dez dos nossos melhores escritores, que publiquei no meu blogue Roupa para Lavar, a título de sobremesa de uma declaração de amor ao Porto em cinco prestações - que faço tenção de também aqui republicar.

 

A leitura destas frases ajuda-nos a nós, portuenses, a conhecermo-nos melhor. Eu leio-as, releio-as e sinto-me como se estivesse a olhar-me ao espelho.

 

Espero que esta leitura ajude os forasteiros a melhor decifraram esta cidade secreta que Eugénio de Andrade, um seu filho adoptivo, não hesitou em considerar «a mais fechada das nossas cidades».

 

 

O b pelo v

 

«Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão.»

 

Almeida Garrett

 

 

Maravilhas e angústias

 

«O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias.»

 

Sophia de Mello Breyner

 

 

Como se vinga

 

«O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da Polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria.»

 

Ramalho Ortigão

 

 

Rir desbragadamente

 

«E quanto ao riso, o Porto gosta de rir e de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa.»

 

Vasco Graça Moura

 

 

Regaço aberto para o rio

 

«Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é a Ribeira.»

 

José Saramago

 

 

Uma alma de muralha

 

«Toda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.»

 

Agustina Bessa Luís

 

 

Invejas

 

«Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se!»

 

Eça de Queiroz

 

 

Lição de portuguesismo

 

«Uma ida ao Porto é sempre um lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro! - um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de práticas.»

 

Vitorino Nemésio

 

Uma família

 

«O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.»

 

João Chagas

 

 

Aspecto severo e altivo

 

«O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.»

 

Alexandre Herculano

 

 

Jorge Fiel

 

 

 

Música: Um pouco mais de azul, Moderados de Paranhos
Publicado por Jorge Fiel às 11:37
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

BÚSSOLA EM DESTAK

 

Versão integral da entrevista publicada pelo jornal gratuito Destak na sua edição de ontem, mas que só hoje me chegou às mãos.

1- O que podemos esperar do blog Bússola - Sempre virada a Norte?

Polémica. Defesa dos interesses do Porto e do Norte. Polémica. Defesa intransigente da Regionalização. Polémica .Opiniões de gente muito diferente mas convergente no amor pela região. Mais polémica.

 

2 - A bússola deveria mesmo estar sempre virada a Norte.

 

A bússola não tem outro remédio por culpa de forças magnéticas que não controla. O nosso blog Bússola aponta um caminho que voluntariamente escolhemos para nos fazer a todos mais felizes.

 

 

3- E o Sul, que lugar vai ocupar no blog?

 

O Norte é uma região ,mas mais do que isso é a nossa região .Queremos que ela melhore , mas nada temos contra o Sul , que não é uma região , mas várias .Se estivermos a falar do Alentejo ou do Algarve é uma coisa , se estivermos a falar de Lisboa a conversa muda de figura e não somos nós que o dizemos. São as estatísticas da União Europeia que esclarecem tudo sobre a diferença de nível de vida entre a região da capital e o resto do país.

 

 

4- Espera dar voz aos portuenses, mesmo que sejam “do contra”?

 

O blog tem essa enorme virtualidade de dar voz a todos que a tenham ou queiram ter .Ainda que em posição desigual,  porque os bussolistas que postam dão a cara e os que comentam regra geral escondem-se no anonimato. Mas já estamos habituados. A mão que nos boicota na capital também não tem rosto.

 

 

5- Existe lugar para opiniões centralistas?

 

A blogosfera é um espaço de liberdade e quem quiser pode criar um blog sulista , elitista e centralista. O que acontece é que quem defende essas teses normalmente não tem coragem para se mostrar. Prefere atacar pela calada , como têm feito nos comentários aos posts do Bússola.

 

 

6- O Porto está sem alma?

 

Claro que não ! Tudo vale a pena exactamente porque essa alma existe e não é pequena !

 

 

7- O Porto está a perder população. Como se pode inverter esta tendência?

 

A cidade está a perder residentes mas o Grande Porto já não tanto. Vivemos numa economia de mercado e é evidente que quando forem criadas condições favoráveis à aquisição de casa na cidade essa tendência será invertida.

 

 

8- A Invicta tem carência de espaços verdes?

 

É normal que quem vive numa cidade queira sempre mais espaços verdes , mas é justo que se diga que o Porto nem está mal servido nesse aspecto.

 

 

9- Qual o local mais bonito da cidade?

 

Gosto da Foz do Douro mas reconheço que a vista mais bonita do Porto é de Gaia.

  

 

10- Trocar os v’s pelos b’s é uma tendência ou uma necessidade?

 

O sotaque portuense nunca foi para mim questão de embaraço , mas sim de afirmação . Ainda que na capital confundam a maneira de falar de Braga ou de Viana com o sotaque do Porto porque para muitos deles,  quem não fala com o sotaque de Lisboa,  fala à Porto.

 

 

11- O que falta à cidade?

 

Neste momento o que faz mais falta é que a respeitem,  pelo que ela sempre deu ao país e há-de continuar a dar. Mas percebo que às vezes também há gente de cá que não se dá ao respeito….

 

 

12- A evolução da Invicta ao longo dos anos tem sido positiva?

 

É impossível fazer um balanço nesses termos porque no Porto como em todas as cidades existem situações que melhoraram , como os transportes públicos e as zonas verdes, e outras que pioraram , como a desertificação da Baixa e a afirmação extramuros.

 

 

13- Qual é a maior qualidade dos portuenses?

 

Entre a capacidade de trabalho e a frontalidade , das duas, uma.

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Missão no Destak

Manuel Serrão

 

 

 

Música: Porto Sentido , Pronúncia do Norte
Publicado por Manuel Serrão às 18:54
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A propósito da bela princesa Zinaida Iussupova

 

Aproveitei o fim-de-semana para ir ver a exposição do Hermitage sobre a arte e cultura nos dois séculos dos Romanov. Dei o tempo por muito bem empregue.

 

Sai do Palácio da Ajuda hipnotizado pelo intensidade do olhar e pela desarmante e calma beleza da princesa Zinaida Iussupova, retratada por François Flameng, e convencido de que é boa a ideia da ministra da Cultura de instalar no nosso pais um pólo permanente do mais famoso dos museus russos, o Hermitage de S. Petersburgo.

 

Os museus representam nos tempos modernos o mesmo que as catedrais na Idade Média. São templos de culto, lugares de peregrinação, ícones de afirmação do orgulho das cidades.

 

E, nesta era da globalização, as marcas mundialmente reconhecidas e admiradas possuem uma enorme capacidade de atracção, como ficou demonstrado pelo estrondoso sucesso que o Guggenheim de Bilbau alcançou ao repetir a fórmula de sucesso que celebrizou o seu pai nova-iorquino. A saber, arte contemporânea enroupada por uma marca prestigiada e embalada por uma espectacular peça de arquitectura.

 

Há uma dúzia de anos não passava pela cabeça de ninguém ir passar um fim-de-semana a Bilbau. O Guggenheim foi a poderosa alavanca que colocou a cidade basca no mapa dos destinos turísticos europeus.

 

Apesar de essa não ser a opinião do «mainstream» português, que inveja os fundos que vão alocados a esse projecto, acho boa a ideia de Isabel Pires de Lima.

 

Já não acho boa a ideia do Governo de âncorar em Lisboa o pólo permanente do Hermitage em Portugal.

 

A Gulbenkian e a Colecção Berardo já são suficientemente atraentes para satisfazer os turistas, no segmento arte contemporânea, complementando a boa e variada oferta museológica de Lisboa, onde avultam pesos pesados, como o Museu Nacional de Arte Antiga ou o dos Coches, e pequenos museus de charme e nicho, como o Museu do Azulejo ou a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

 

O exemplo do bom senso do Governo de Madrid, que escolheu Barcelona para receber os Jogos Olímpicos, Sevilha para a Expo e  Bilbau para o Guggenheim deve iluminar o Governo de Lisboa na hora de escolher onde instalar o Hermitage.

 

Não estou a pedinchar para o Porto o pólo do museu russo. Com Serralves, o Soares Reis e pequenas jóias como o Museu Romântico, a minha cidade está razoavelmente servida neste domínio.

 

Na incursão a Lisboa para ver a exposição da Ajuda, fiz uma escala nas Caldas da Rainha. E fiquei a pensar que a instalação na cidade de Bordalo do pólo português do museu russo seria um óptimo pretexto para recuperar os magníficos (e degradados) Pavilhões do Parque D. Carlos I. E que melhor companhia se poderia arranjar para o Hermitage do que o Museu José Malhoa?

 

As Caldas são uma ideia. Mas também pode ser Coimbra, Santarém, Guimarães, Beja, Bragança, Aveiro, Lagos, Évora, Viseu, Tomar ...

 

O que estou a pedir ao Governo é que deixe de teimar em meter os ovos todos no mesmo cesto (que ainda para mais está roto) e que no momento de decidir onde vai ficar o Hermitage não olhe para o mapa de Lisboa -  mas sim para o do Portugal.

 

Jorge Fiel

 

PS. Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje www.oje.pt

 

Música: Quadros de uma Exposição, Mussorgsky
Publicado por Jorge Fiel às 12:39
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Uma coisa positiva

 

Apesar de tudo, há coisas que também vão melhorando por cá. Uma delas é o curso de jornalismo da Universidade do Porto, que ontem à tarde inaugurou um novo estúdio de televisão, pago pela TV Cabo, como repetiu, durante a cerimónia, o director do curso, prof. Rui Centeno.

A foto (fui buscá-la, com a devida vénia, ao site do JPN, o jornal online feito pelos alunos do curso) mostra precisamente o novo estúdio, que custou cerca de 100 mil euros, suportados pela empresa agora presidida por Rodrigo Costa, que também esteve na sessão. Num momento em que se fala de Media Park junto à RTP Porto e em que outros andam preocupados com o desinvestimento na mesma RTP Porto, é bom saber que qualquer coisa melhora, nesta terra e, possivelmente, no nosso jornalismo. E devo atestar, por ser verdade, que nos últimos anos, os alunos que têm saido do curso portuense com os quais tenho contactado têm já uma boa preparação. Como alguns dos bussolistas acham que por cá anda tudo mal, aqui fica uma novidade positiva.

Manuel Queiroz

Publicado por Manuel Queiroz às 00:35
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Talvez o Governo e a TAP não nos queiram tão mal assim…

As histórias de nortenhos que se indignam com a TAP, não sendo novas tem aumentado vertiginosamente nos últimos tempos.

 

Naqueles, mais recentes que sucedem ao tempo em que o Governo resolveu construir na Portela o famoso Terminal 2.

 

O Terminal 2, para quem tem a sorte de não conhecer, é uma espécie de armazém, tipo bunker, muito terceiro-mundista, sem comunicações de espécie nenhuma, a não ser as que são propagadas por um destes altifalantes de feira que emite ecos em vez de sons.

 

Julgo que o próprio termo Terminal 2, que faz lembrar um filme soviético, se justifica por serem lá despejados os viajantes terminais, socialmente falando, e de entre estes, apenas aqueles que são verdadeira e comprovadamente de segunda.

 

Quem, portanto? O Governo e a TAP forma lestos a decidir - os portugueses oriundos da província, ou todos os que independentemente de serem portugueses tomam a surpreendente opção de à Província se deslocarem, através de Lisboa.

 

Recordo para os menos atentos que o termo província, é utilizado pelos lisboetas (e por isso pelo Governo e também pela TAP) para definir um conjunto vago de aldeias e lugares que alguns antropólogos e aficionados do futebol, afirmam existirem em Portugal, para além de Lisboa.

 

O Terminal 2 é também o esquecido espaço onde se esquecem milhares de malas desses, viajantes terminais e de segunda que, ousando passar por Lisboa, acham normal chegarem ao destino (1) e fazê-lo confortavelmente acompanhados das suas competentes malas (2). Não admira que o Governo e a TAP concordem em considerar que estes viajantes terminais e de segunda, são a espécie mais proximamente responsável por transformar a TAP na companhia aérea onde se perdem, extraviam ou esquecem mais malas em todo o Mundo.

 

Concluindo – O Governo e a TAP com o Terminal 2 quiseram apenas dar a todos os que não são de Lisboa ou lá não querem ficar, este claríssimo sinal:

 – Não voem, por favor connosco! Escolham outra companhia, batatas!

 

Nós avisamos, por isso se voarem connosco através de Lisboa (em vez de com outras companhias, através de Madrid, de Londres ou de Frankfurt) não se admirem que nós não levemos a bem, anulando, por exemplo, o V. voo e obrigando-vos a reclamar no terminal 1, onde V. não estão. Ou mesmo, depositando-vos horas a fio e sem conta, dentro de um avião que nunca saberão se está avariado ou não. Ou também, de vos obrigarmos a ameaçar com advogado e preencher 15 reclamações no livro respectivo que às vezes vos não será presente, para vos autorizarmos a dormir numa pensão de não mais de duas estrelas. Ou ainda, com os mesmos outros requisitos, mas agora 18 reclamações escritas, se vos dermos 40 euros para um transporte alternativo, mesmo que o bilhete do voo que vos anulamos tenha custado 3 ou 4 vezes mais. Ou, finalmente, se perdermos as V. malas, se não formos simpáticos ou compreensivos convosco, enfim se vos não arranjarmos outra alternativa ou solução que não a de vos depositarmos terminantemente no Terminal 2.

 

Afinal foi para isso que ele foi feito. Para vos dispensar de ir a Lisboa, seus mal-agradecidos. 

 

António de Souza-Cardoso

Publicado por António de Souza-Cardoso às 11:34
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Penaltis

O FC Porto deu um brinde em Lisboa. Empatou 2-2 na Reboleira com o Estrela depois de estar a ganhar 2-0 e oferecendo dois golos nos últimos minutos, o segundo num penalti provocado por Stepanov (foto). Um puxãozinho na camisola deu o golo do empate e nada a dizer. A não ser que, no Benfica-Boavista, ainda na primeira parte, o Luís Filipe agarrou com os dois braços um avançado do Boavista e... não deu nada. É a vida.

Certo é que o Stepanov, nos últimos três jogos, esteve sempre mal - não é mau jogador, mas ainda mão percebeu que há certas distracções que não se podem ter. Já na semana passada discuti isto com um dirigente portista e a resposta que recebi - surpreendente - foi de que o Bruno Alves prefere jogar com o sérvio. Será mesmo? Creio que o Pedro Emanuel deve estar mesmo a voltar à equipa não tarda nada. Deve tardar quinze dias, que é o tempo de paragem do campeonato.

Manuel Queiroz

Publicado por Manuel Queiroz às 01:30
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Domingo, 11 de Novembro de 2007

A Ota está quase a chegar a Sacavém

 

O território de Portugal continental é, grosso modo, um rectângulo com cerca de 600 km de comprimento e 200 de largura, situado no lado mais ocidental da Europa. Penso haver um consenso geral no país sobre este resumo da nossa localização geográfica.

 

Mas este consenso volatiza-se quando se passa da teoria geral para a prática. No dia a dia, e vista de Lisboa, a geografia do nosso país modifica-se por completo, evoluindo do simples rectângulo para uma organização bem mais complexa com óbvias semelhanças ao Sistema Solar.

 

No centro, no lugar do Sol, está Lisboa (a região mais rica da Península Ibérica em termos de paridade de poder de compra) girando à sua volta três planetas: dois planetas anões, que lhe estão próximos, e um outro, enorme e distante como Neptuno.

 

Os dois planetas anões são o Alentejo (onde os lisboetas com contas bancárias mais desafogadas ou níveis de endividamento mais elevados têm o seu «monti») e o Algarve (destino de veraneio alternativo para as pontes e as férias da Páscoa e Verão). Trata-se de planetas poucos povoados, que dispõem de um clima agradável e têm uma serventia essencial de diversão.

 

A anos luz de distância está o terceiro planeta do Sistema Portugal, vulgarmente designado pelas expressões «lá em cima»  ou «província».  «Norte» é o nome politicamente correcto.

 

O planeta Norte é densamente habitado por gente que fala com uma pronúncia parola, tem um clima horrível (é frio e húmido e está sempre a chover) e muitas fábricas onde abusam do trabalho infantil – em vez de andarem na escola as criancinhas passam o dia a coser sapatos e roupas para a Zara.  O pessoal «lá de cima» diz muitos palavrões e tem a mania do futebol, onde só ganham devido às trampolinices do Pinto da Costa (mas isso vai acabar).

 

Não é simples estabelecer os contornos exactos do planeta Norte. Eles são realmente bastante difusos e alargados.

 

Durante os cinco anos em que chefiei a Redacção no Porto do Expresso recebi dezenas de telefonemas de colegas meus de Lisboa perguntando-me se era possível mandar um jornalista «dar uma saltada» a locais tão diversos como Vieira de Leiria, Monção, Tomar, Guarda, Mirandela, Termas de Monfortinho, Régua, Arganil, Fundão, Cantanhede, Viseu ou Alcafache.

 

Ou seja, tudo quanto está fora de Lisboa e não é Alentejo ou Algarve, integra o planeta Norte, cuja órbita está cada vez mais larga, afastando-se lenta mas inexoravelmente do Sol. E a força de gravidade exercida por atrai pequenos asteróides que se soltaram do grande planeta.

 

É o caso da Ota, que há muitos anos não passava de um satélite do planeta Norte, do qual se soltou entrando em rota de colisão com Lisboa. Quando a questão da localização do novo aeroporto foi recolocada, a Ota distava 66 km de Lisboa. Nos últimos estudos já estava só a 50 km. Não tarda nada, fica ali mesmo à saída de Sacavém…

 

Jorge Fiel

 

PS. Se quer poupar-se às maçadas sofridas por Galileu, deve abster-se de insistir com os lisboetas dizendo-lhes que o rectângulo Portugal faz parte do sistema Europa, com centro de gravidade em Bruxelas.

 

 

Música: Listen, Listen, Sandy Denny
Publicado por Jorge Fiel às 19:29
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Como se destrói em 15 linhas o mito da Lisboa grande produtora de riqueza

 

  

Muita e boa gente está convencida, por deficiente interpretação das estatísticas do INE, que Lisboa é a região do país que contribui com a fatia de leão para a riqueza nacional.

 

É mentira!, digo eu, citando a expressão que está sempre na boca do meu colega e amigo Manuel Queiroz, desde que se levanta até que se deita.

 

Às vezes, os números são como as pessoas – e mentem.

 

Lisboa não produz um único kWh de electricidade.

 

Lisboa não fabrica um quilo de cimento.

 

Lisboa não transforma pasta em papel.

 

Lisboa não refina um litro de gasolina.

 

Mas Lisboa contabiliza como sua a riqueza produzida em todo  o país (e nalgumas partes do Mundo) pela EDP, Cimpor, Portucel e Galp, porque é na capital que essas grandes companhias têm a sede e pagam os impostos.

 

Jorge Fiel

 

 

Música: Não venhas tarde, Carlos Ramos
Publicado por Jorge Fiel às 07:26
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Lisboa é uma lição de sonho e ficção

1977 - 2007. Em 30 anos o mundo mudou muito, a Europa mudou muitíssimo, Portugal mudou radicalmente... mas existem coisas que não mudaram nada.

Em 1977 tinha a faculdade de ir estudar para onde quisesse . mas não existia faculdade de Direito no Porto e seduzido por este curso  promissor fui obrigado a mudar-me para Lisboa,  onde passei seis dos mais belos anos da minha vida. A estudar como o podia ter feito a ´Norte. A divertir-me como só em Lisboa seria capaz.

Em 2007 vem a Portugal o Cirque Du Soleil. Seduzido pela altíssima qualidade de um show com essa chancela , lá terei que me deslocar ao Pavilhão  Atlântico ( em Lisboa..) para ter oportunidade de rever a excelência de um fenómeno artístico que,  por sorte , já tive a ocasião de ver em Las Vegas , nas suas versões originais.

Hoje , como antes, 30 anos depois continuam a existir realidades que interessam a todos os portugueses... mas que só existem na capital.

Este caso , como muitos outros , é explicado pelos lisboetas com recurso à famosa teoria da pescadinha de rabo na boca.

Só em Lisboa é que há condições de hotelaria e outras que permitam assegurar um normal funcionamento dos grandes eventos. E só em Lisboa é que vale a pena investir nas infraestruturas e noutras áreas de  promoção ,porque só em Lisboa é que se realizam os grandes eventos.

Não deverá ser preciso recordar que o poderoso Pavilhão Atlântico se deve a uma coisa chamada Expo 98 , que também na altura ficou em Lisboa...porque era a única zona do país com infraestruturas e capacidade hoteleira adequadas a um evento desta envergadura.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... mas não se mudam as faculdades.

Parafraseando o Sérgio Godinho , só há liberdade a sério quando houver ... liberdade de mudar e decidir. Será que este cantor , nascido no Porto , sabia que compôs um hino à Regionalização ?

 

Exército de Salvação  Nacional

Batalhão Bússola

Quartel de Nevogilde

Manuel Serrão

07/11/ 09

.

Música: `A Queima Roupa de Sérgio godinho
Publicado por Manuel Serrão às 00:00
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Um homem do Norte

 

Carlos Lage , Presidente da CCDRN

 

Conheço Carlos Lage, sou seu amigo, reconheço-lhe competência, discrição, uma inteligência superior e vejo nele um homem muito culto. Carlos Lage é para mim um dos grandes intelectuais do Porto e do Norte.

 

Confesso que ultimamente não temos falado muito. A Comissão de Coordenação ocupa-lhe muito tempo - fazem-nos falta aquelas longas conversa na tertúlia matinal dos Domingos no Bela Cruz!

 

Mas agora meu caro Carlos Lage fico à espera, eu e todas as pessoas que se têm preocupado com a "dieta anoréxica" a que o Norte tem sido submetido. 

 

Cabe-lhe a responsabilidade de operar, segundo as suas próprias palavras o "milagre económico". A responsabilidade é imensa mas é sua.

 

São oito mil milhões de euros! É muito dinheiro!

 

Se atentarmos que no país e no Norte foram injectados, desde a adesão à UE, muitos mil milhões de euros que nem sempre foram investidos da melhor maneira, nos locais certos e nas estruturas e infra-estruturas mais adequadas, devem ser os projectos e investimentos muito bem pensados.

 

Não deixe que o façam "embarcar" em obras sumptuosas, elefantes brancos e afins que todos conhecemos .

 

Das suas palavras, na apresentação da Comissão Directiva do PO Norte do QREN - há dois aspectos que devo realçar e serem dignos de nota e matérias para mais tarde recordar para o bem e para o mal.

 

Diz estar convicto que os dinheiros destinados à Região Norte não vão ser "desviados" para Lisboa a troco da "marosca" introduzida na legislação e que se chama de "interesse nacional".

 

Cabe-lhe essa responsabilidade. Tem de convencer o Governo que os projectos do Norte são bons, necessários, fundamentais para o desenvolvimento da Região e que todo o dinheiro é necessário.

 

Se isto não acontecer a culpa é sua.

 

Por último a Regionalização.

 

Sei que é pelas Regiões, preside a um órgão que não é eleito e num quadro de regionalização até será extinto mas, mesmo assim, estabelece metas.

 

Mais um motivo para estarmos atentos.

 

2010 é uma meta interessante. O referendo também.

 

Estes são os trabalhos de Lage .

O Norte agradece . Haja coragem e força política.

 

Publicado por Fernando Rocha às 11:48
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

O PPM ressuscitou

Há já dois anos escrevi um artigo que o Expresso achou dever publicar com o título – “O PPM morreu!”.
Sem querer sequer recordar argumentos, o meu ligeiro epitáfio sublinhava aquilo que os portugueses já tinham descoberto ou sobre o qual não tinham sequer duvidado.
A originalidade dos fundadores do PPM (o país não estava provavelmente preparado para uma espécie de “Bloco” mais à direita), soçobrou nos escombros da AD, com a saída amuada dos mesmos fundadores.
O Partido não conseguiu escapar ao seu principal pecado original – o de ter encontrado um instrumento de “ataque” ao Governo (um partido) para fazer “vencer” um novo modelo de Chefia de Estado.
Mais recentemente, no estertor que muitos partidos com história acabaram por ter, o PPM terminou naquelas praças onde pontificam vagabundas personagens à espera de um qualquer protagonismo.
No caso do PPM, um janota, lisboeta e fadista, pendurado em cima de uma pequena freguesia açoriana, arrematou o partido e conseguiu convencer o “social” Santana de que o PPM merecia ter lugares no parlamento.
Santana confundindo a floresta monárquica com a árvore do Partido acedeu. Com a queda de Santana o PPM, apesar da sobrevivência física (e outras diatribes) do fadista, morreu de morte confirmada.
Ontem lendo o sempre actualizado Diário Económico percebi que o PPM tinha ressuscitado. De facto pela poderosa influência americana o PPM apareceu travestido em instrumento de medição de audiências, com o sugestivo designativo de “Personal People Meter”.
O propósito deste renovado PPM (que, já agora, é portátil) é detectar automaticamente o áudio que rodeia a pessoa, seja televisão, rádio ou mesmo Internet.
E pronto temos um PPM ressuscitado. Eu próprio confesso que não pensei ter que desejar longa vida e excelente desempenho ao PPM …desta Bússola do Norte.
Por falar em Norte e em movimento monárquico. Quem substituiu o PPM na representação do movimento monárquico, há já 14 anos, foi a Causa Real, talvez a única Organização politica com estruturas em todos os distritos portugueses que é dirigida a partir do Norte.
Confessem meus amigos que esta temerata resistência ao centralismo é indiciadora de que lidamos com gente “mesmo Boa” – do Norte (Ermesinde incluído) ou que gostam do Norte. Vale a pena conhecer os rapazes.
 
António de Souza-Cardoso
Publicado por António de Souza-Cardoso às 11:12

Editado por jorgefiel às 19:50
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Avisem a Interpol!

 

Ao derrotar o Marselha, no Dragão, por 2-1, o FC Porto assumiu a liderança isolada do grupo A da Champions e tem praticamente garantida a passagem à fase seguinte da prova.

 

Ao perder com o Celtic, em Glasgow, por 1-0, o Benfica isolou-se no último lugar do grupo B e depende de um milagre para poder continuar nas competições europeias.

 

Ao empatar com o Roma, no Alvalade XXI, por 2-2 o Sporting consolidou o terceiro lugar do grupo F e não deve deixar escapar a qualificção para a Taça UEFA.

 

Este conjunto de resultados vem provar o que espíritos mais perspicazes já alertavam desde o Prater de Viena, em 1987, o Olímpico de Sevilha, em 2003, e a Arena de Gelsenkirchen, em 2004.

 

Está à vista de todos. O monstruoso processo Apito Dourado tem ramificações internacionais.

 

A procuradora geral ajunta Maria José Morgado não pode esperar nem mais um segundo. Tem de avisar a Interpol e denunciar esta medonha conspiração internacional que tem epicentro na mafiosa cidade do Porto!

 

Metam já (ou pelo menos quanto antes) as palavras chave «fruta» e «café com leite», declinadas em todas as línguas dos países filiados na UEFA, no sistema pan-europeu de escutas telefónicas a árbitros.

 

Avisem a Interpol!

 

Jorge Fiel 

 

Música: Chamem a Polícia!, Trabalhadores do Comércio
Publicado por Jorge Fiel às 08:23
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

O esparregado da capital

 

Uma das preocupações que tenho devidamente registado na maioria dos comentários que alguns lisboetas têm feito na Bússola, é a de saber se não há nada que eu goste em Lisboa.

 

Tirei a noite de hoje para sossegar esses espíritos..  Há de facto pelo menos uma coisa que eu acho que em Lisboa é muito bem feita : o esparregado.

 

Penso que o meu primeiro contacto com o esparregado lisboeta data de finais dos anos 70 , No palco do restaurante António , pertinho do velhinho Sheraton, a dois passos do Imaviz , a coisa mais parecida com um shopping  que eu me lembro de conhecer e onde existia uma discoteca à moda antiga em que tive o privilégio de participar em 2 ou 3 festas da Gente do Expresso.

 

O esparregado , como se sabe ,. não é carne, nem é peixe. nem é bem vegetal. É uma espécie que vegeta entre os verdes,  de que herda a cor e os farináceos com quem comunga a consistência. O melhor esparregado tem mais couve que farinha e todos sabemos que é com farinha que se fazem os bolos com que se enganam os tolos.

 

Curiosamente o esparregado da capital não engana e é isso que o torna único !

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Porto

Manuel Serrão

Publicado por Manuel Serrão às 23:27

Editado por jorgefiel em 08/11/2007 às 19:44
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Não mexas, que é pior!

Basílio Horta, presidente do AICEP, quando tinha 11 anos e era aluno do Colégio Militar., onde por pouco não fez explodir a aula de Química. Na altura era conhecido como Bazuca e andava sempre com as fraldas de fora

O episódio passa-se com um grupo de teatro amador de uma pequena cidade do interior.  Como os actores à sua disposição eram todos jovens, o encenador teve de improvisar, pois a peça exigia um avô.

 

Peruca e barba, falsas e brancas, foram a solução expedita para transformar um rapaz de vinte e poucos anos no ancião avô da actriz principal, uma moçoila bem apessoada e da idade dele.

 

O problema é que durante quase todo o segundo acto, o avô tinha a netinha sentada no seu colo – e um homem não é de ferro.

 

Quando neta saiu do seu colo, o avô teve de se levantar e estava consciente de que a medida do entusiasmo que a colega actriz lhe tinha causado estava à vista do público.

 

Atrapalhado, refugiou-se num canto do palco e tentou em vão, com o auxílio da mão, disfarçar a protuberância, acomodando de outra maneira no interior das calças o seu aparelho reprodutor.

 

Pensava o actor estar a coberto do olhar curioso do público. Não estava. Vendo-o naquele preparo, um conterrâneo interpretou erradamente o gesto e achou por bem berrar-lhe um conselho: «Não mexas, que é pior!».

 

Esta anedota foi-me contada por um empresário, para sintetizar as dúvidas que sentia a propósito de um projecto que tinha em cima da mesa e que contemplava uma profunda reestruturação de um dos seus produtos.

 

Vem esta a história a propósito da malograda fusão a frio entre a API e o ICEP que está em cartaz há ano e meio, ou seja dura há mais tempo que os intermináveis folhetins das OPA da Sonae sobre a PT e do BCP sobre o BPI – apesar de não ter de recolher o parecer favorável da Autoridade da Concorrência e de não ter de cumprir as obrigações que abrangem sociedades cotadas.

 

O Estado é o accionista único e comum das duas entidades, mas nem assim conseguiu ser rápido e eficaz numa fusão que paralisou o ICEP e causou danos na promoção externa do nosso país.

 

Não é preciso ser um Einstein para se perceber que o pecado original residiu na escolha das instituições envolvidas. A fusão entre o IAPMEI e o ICEP era o matrimónio certo para obter ganhos de eficácia e poupar despesas à administração pública, já que ambos os institutos trabalham para o mesmo cliente: as PME.

 

O problema é que a fusão IAPMEI/ICEP era o projecto de Carlos Tavares e do Governo anterior e raramente o ministro novo consegue resistir à tentação de atirar para o caixote do lixo os planos e ideias do seu antecessor, fazendo ouvidos moucos ao conselho «Não mexas, que é pior».

 

As criticas à falta de senso da fusão API/ICEP e à trapalhada que ela originou não são um exclusivo de irredutíveis nortenhos, como Miguel Cadilhe, Ludgero Marques ou os patrões da têxtil e calçado. 

 

Numa entrevista ao diário económico Oje, o presidente da Câmara do Comércio Luso Francesa afina por este diapasão crítico. Bernard Chantrelle declara-se um fã da antiga API e defende que «a junção do ICEP e da API não vai trazer nada de novo».

 

Quando é que os nossos governantes deixarão de ser míopes e terão a grandeza de perceber que para melhor está bem, mas para pior já basta assim?

 

Jorge Fiel

 

Música: Stupid Anyway, Les Rita Mitsouko
Publicado por Jorge Fiel às 17:46
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

As estranhas formas do centralismo se manifestar

 

Domingo, no final do fim-de-semana prolongado, os efeitos perniciosos da macrocefalia manifestaram-se sob a forma de engarrafamentos com extensão superior a seis quilómetros nas entradas de Lisboa.

 

No mesmo dia e à mesma hora, entrei de carro no Porto pela A1, vindo de sul, sem nunca parar ou abrandar - e atravessei a ponte da Arrábida à confortável velocidade de 90 km/hora.

 

Na semana passada, a Direcção Geral de Impostos divulgou pela primeira vez as estatísticas referentes ao pagamento de IRS por concelho.

 

Ficamos a saber, sem surpresa, que quem paga mais são os residentes em Lisboa. Em média, cada família residente na capital paga  4.540 euros de IRS/ano.

 

Os outros dois lugares neste pódio são ocupados por concelhos da área Metropolitana de Lisboa: Oeiras (4.196 euros) e Cascais (3.995 euros). As famílias do Porto surgem estão em quarto lugar neste ranking de contribuintes, com 3482 euros/ano de IRS, ligeiramente à frente das coimbrãs (3.250 euros).

 

E, como não podia deixar de ser, os cinco concelhos onde se paga menos IRS situam-se todos a Norte do Douro: Mesão Frio (420 euros), Castelo de Paiva (424 euros), Santa Marta de Penaguião (430 euros), Sabrosa (441 euros) e Lousada (481 euros).

 

O centralismo tem estranhas formas de se manifestar. Ironicamente, manifesta-se sob a forma de engarrafamentos e de descontos mais elevados para IRS.

 

Não deixa de ser curiosa esta ironia. Mas a verdade é que não me parece muito provável que um pobre esfomeado sofra de colesterol elevado…

 

Jorge Fiel

  

 

Música: Calhambeque, Roberto Carlos
Publicado por Jorge Fiel às 13:20
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Norte: deprimido

Vista de Amarante: uma bela cidade do Vale do Tâmega

 

 

Andamos há anos a ouvir falar de zonas deprimidas. Sabemos de planos para combater, e bem, estas assimetrias territoriais. Os resultados é que são pouco visíveis . Apesar de tudo as situações na Península de Setúbal foram reajustadas que é um pouco diferente de se terem resolvido. Há o problema do Alentejo que é preocupante. O mesmo acontece com as zonas de Trás-os-Montes e do Vale do Ave e até do Douro.

 

Todos têm planos estratégicos. Há zonas do país que parecem, no entanto, esquecidas. São os casos  do Norte e da sua sub-região do Vale do Tâmega.

 

O Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto tem dado nos últimos anos um forte, competente de dedicado contributo para se conhecerem melhor estas realidades.

 

Num estudo recente sobre "A Região Norte de Portugal: dinâmicas de mudança social e recentes processos de desenvolvimento" conclui-se que esta regista neste  momento os "piores indicadores ao nível europeu". Dentro desta o Vale do Tâmega é ainda o mais deprimido.

 

Tudo isto é muito preocupante.

 

Como disse nas conclusões da apresentação do estudo Teresa Sá Marques, investigadora do departamento de Geografia da FLUP ,  num mundo globalizado "quem ficar para trás fica ainda mais atrasado".

 

A região está deprimida porque envelheceu, porque está despovoada, a economia entrou em letargia, não há dinâmicas culturais e desportivas e o desemprega afecta milhares e milhares de famílias.

 

A tudo isto acresce o facto dum estudo recente mostrar que se ganha muito menos no Porto - digo Região Norte - do que na região de Lisboa. Estamos a falar de cerca de 2500 euros/ano. O que é muito dinheiro para bolsos quase vazios.

 

A culpa é de todos, também dos que cá estão, mas o Estado Central não tem olhado para o país como um todo, como uma unidade que é importante desenvolver e dotar de meios e infra-estruturas equilibradas.

 

Esta reflexão não é mais um "choradinho", muito menos um desabafo dos "tipos do Norte" mas o apelo à reflexão para uma realidade que no futuro nos pode atirar para a cauda da Europa desenvolvida e dum Mundo cada vez mais competitivo e globalizado.

 

Publicado por Fernando Rocha às 12:02
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Domingo, 4 de Novembro de 2007

Os Dragões e os pombinhas

Tudo começou na Trofa. Essa terra mítica, que com Vizela, reparte os louros das primeiras grandes vitórias dos pequenos deste pais contra o opressor ´que vive de expedientes na capital.

 

O Diamantino Silva foi o meu grande anfitrião e guess who?

Se respondeu Casa do FCP da Trofa , acertou em cheio.

 

Numa das muitas sessões para que me convidaram dei comigo a defender uma tese , naturalmente concebida na altura , com ajuda da magnífica tertúlia proporcionada pelo meu amigo e presidente vitaíicio e fundador do Clube, que dividia os adeptos de qq clube em dragões e pombinhas , embora eu estivesse essencialmente a pensar no F. C. Porto

 

Dragões e pombinhas parecem -me hoje termos aplicáveis a toda a gente que intervém na vida pública ,onde se multiplicam as pombinhas e os dragões.O  fim de semana em que pela primeira vez o FCP perde a possibilidade de aumentar o seu recorde de invencibilidade

ajuda-nos a pensar como é importante esta distinção.

 

A Regionalização é um bom assunto para aplicar esta nomenclatura. Dragões são todos aqueles que nunca vacilam,  estando disponíveis até para aceitar soluções que representem o mal menor,  em nome do bem maior. Os pombinhas são todos aqueles que se fingem nossos amigos e amigos da causa mas que nunca se comprometem com as suas exigências nem estão prontos a dar a cara por ela.

 

Depois de uma semana na terra do dragão por excelência , entre a efervescência de Shanghai e Macau e a perenidade tranquila de Hong-Kong, aterrar no Porto com o empate do Belenenses trouxe-me à terra com violência radical. Afinal a diferença entre ume boa equipa  e uma boa orientação é muito maior que a distância em jetfoil que une , mais do que separa os mundos de Macau e Hong-Kong..

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Marisqueira de Matosinhos

 

07/11/03

 

Manuel Serrão

 

 

Publicado por Manuel Serrão às 01:33

Editado por jorgefiel em 08/11/2007 às 20:00
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Sábado, 3 de Novembro de 2007

claus

 

Amigos bloguistas:

 

Passo por aqui para vos dar conta de uma reportagem que passou hoje no jornal da Uma da TVI.

A Ach. Brito é uma empresa sediada em Vila do Conde. Factura 2,5 milhões por ano, fabrica os sabonetes mais famosos do mundo. Os sabonetes Claus usados em todo o mundo e por personalidades como Kate Moss, Nicholas Cage ou Ophrah Winfrey.

Há 117 anos que estra empresa está am laborar e atravessou fronteiras sem ter de sair de Vila do Conde.

O anúncio dos sabonetes tornou-se famoso e ficou no imaginário de todos.  Fez-me  lembrar grandes relíquias publicitárias que nos habituámos a ver quando e televisão ainda não era a cores.

Como o "Dry lock" para cabelos louros ou pretos ou os anúncios da pasta medicinal Couto.

Era curioso reproduzirmos neste blogue alguns desses anúnicos que fizeram furor e que hoje provocam um enorme sorriso. Fica o desafio.

Há coisas fantásticas, não há????

 

Saudações.

 

Publicado por Juca Magalhães às 20:16
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Os 2198 dias de consulado Rui Rio observados à luz do «Ensaio sobre a Cegueira»

 

 

A abrir uma declaração de interesses. Sou amigo de Rui Rio, a quem admiro a integridade, rigor, coragem e persistência.

 

Mas esta amizade, nascida a partir de um amigo comum (João Queirós, de cujo talento fomos prematuramente privados pela Grande Ceifeira), não turva o meu discernimento.

 

Da mesma maneira que a visão critica que tenho dos seis anos que o Rui leva como presidente da Câmara não abala uma amizade adulta, tecida nos tempos agitados que se seguiram ao 25 de Abril, quando todos os que o conhecíamos nos espantamos por vê-lo a ele, senhor de um generoso ideário de esquerda, alistar-se no PSD.

 

Usando a memória como único filtro e auxiliar, elaborei a seguinte lista dos presidentes da Câmara do Porto que se seguiram à Revolução e das suas mais importantes realizações.

 

Esta lista vale o que vale . Se me esqueci de algum presidente ou de alguma grande obra, aceito uma parte das culpas. Sendo que a outra parte da responsabilidade a endosso, direitinha, para cima dos ombros de quem não soube ou conseguiu impressionar-me.

 

Aureliano Veloso    

 

O primeiro depois de Abril. O seu filho Rui, cantor do Porto Sentido, foi provavelmente a obra maior que nos deixou.

 

Coelho de Magalhães

 

Muito curriculum oposicionista, pouca uva democrática.

 

Paulo Valada

 

Um homem bom do Porto. Refrescou o discurso da cidade. Recuperou o Mercado Ferreira Borges. Reinstalou na Praça do Império o Monumento ao Esforço Colonizador que estava armazenado no Palácio de Cristal.

 

Fernando Cabral

 

Estava destinado a ser presidente da Câmara de Paredes (ou seria Penafiel?), mas sem ninguém ter percebido como (nem ele próprio, creio…) acabou instalado no gabinete maior dos Paços do Concelho do Porto. Ele há mistérios.

 

O arranjo do piso da rua Pedro Escobar, à Pasteleira, onde ele vivia e eu ainda resido, foi, no meu entender (que não é modesto, como acho que já repararam…), o seu mais importante legado à cidade.

 

Notabilizou-se ainda ao deixar os cofres camarários cheios de dinheiro, permitindo ao seu sucessor Fernando Gomes começar o mandato logo a fazer flores.

 

Fernando Gomes

 

Devolveu-nos o orgulho de sermos portuenses. Ficamos a dever-lhe uma data de coisas, obras maiores e marcantes como o Metro, o Parque da Cidade, o Porto 2001 e a proclamação pela Unesco do Centro Histórico como património da Humanidade.

 

Borrou a escrita ao trocar o Porto por Lisboa, atraído por um lugar de ministro num Governo de onde saiu pela esquerda baixa, coberto de cicatrizes e nódoas negras.

 

Ensaiou um regresso ao Porto, à Napoleão, que fracassou com estrondo – tal como o de Napoleão.

 

Nuno Cardoso

 

Culpou um interruptor anónimo pela falhanço do fogo de artificio na passagem de século. Mas não pode culpar ninguém, além dele próprio, pela maneira canhota como lidou, na hora da saída, com «dossiers» tão escaldantes como o plano de pormenor das Antas e um empreendimento imobiliário numa das esquinas do Parque da Cidade. A um presidente da Câmara não basta ser sério – é também preciso parecê-lo.

 

 

No «Ensaio sobre a Cegueira», José Saramago deixa-nos um precioso ensinamento: «Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara».

 

Ora eu olho para trás, para os 2198 dias do consulado de Rui Rio, esforço-me por ver, vejo, mas reparo em muito pouco.

 

Vejo o seguinte:

 

+ O Grande Prémio da Boavista;

 

+ Uma trapalhada tendo o epicentro como o Rivoli;

 

+ Uma tentativa abortada de acabar com os arrumadores, enroupada num nome infeliz (o falecido programa Porto Feliz que ele tenta desesperadamente ressuscitar) ;

 

+ A polémica requalificação da avenida dos Aliados (de que eu gosto!);

 

+ A Red Bull Air Race (promovida a meias com o seu arqui-inimigo Menezes);

 

+ A identificação das ruas, praças e avenidas com novas, bonitas e informativas placas.

 

Não guardo rancor a Rui Rio por ter escolhido abrir o seu primeiro mandato com uma guerra contra o FC Porto. É um procedimento clássico, desde os tempos do faroeste. O novo xerife quando chega a uma cidade arranja um incidente para tentar demonstrar «urbi et orbi» que a partir de agora quem manda é ele.

 

Mas não estou disposto a perdoar-lhe se as eficazes placas toponímicas forem a sua melhor e maior realização ao fim de dois mandatos como presidente da Câmara.

 

O esforço de reabilitação urbana da Baixa (que sobrevive num estado comatoso), cometido à SRU, é uma bela cruzada, que faz todo o sentido e todos devemos apoiar com entusiasmo. O problema é está a andar a passo de caracol.

 

Ou o projecto de recuperação de um Baixa mete o turbo e ganha asas nos dois anos que faltam para terminar o segundo mandato, ou Rio terá muito pouca obra feita para apresentar a quem o elegeu na hora das próximas autárquicas.

 

Eu olho para Rui Rio na presidência da Câmara do Porto e vejo o homem certo no lugar errado – ou, se preferirem, o homem errado no lugar certo.

 

Eu vejo Rui Rio na presidência da Câmara do Porto e reparo no erro tremendo que é meter mais um defesa (mesmo que seja o melhor defesa do Mundo) numa equipa que está perder e precisa desesperadamente de fazer golos.

 

No futebol, o Porto domina esmagadoramente. Mas no campeonato da prosperidade, o Porto está ser goleado. Precisa, por isso, de um ponta de lança. Como de pão para a boca. Para podermos voltar a ser felizes.

Jorge Fiel

Música: Say Goodbye, Leonard Cohen
Publicado por Jorge Fiel às 08:46
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

O horror da Corrupção

 

Ainda a mexer um pouco mais na dita...  "Corrupção". O que eu espero de um filme é que as personagens tenham conteúdo. Neste "filme" só a Sofia e o Luís (o inspector da PJ) é que têm nome pr´prio. Os outros não - é uma opção possível do realizador.O problema é que a Sofia não tem passado nem futuro, o Presidente idem, o secretário também, a procuradora aspas, aspas e o mesmo do inspector. Existem mas não têm vida, não têm nenhuma modulação, não têm conteúdo, não se desenvolvem - são uma linha plana e única. A Sofia/Carolina sai relativamente bem, se é que alguém sai bem daquilo, porque até parece que tem corpo (e não tem). Basicamente não há trama, o enredo é paupérrimo - ao nível do que já se sabia. O futebol não existe, não aparece um jogador - o que se tomaria por uma opção para que a "coisa" fosse sobre o país. Mas acaba por não ser nada. A única coisa que pode ligar o espectador ao filme é ligar a personagem ao seu referente real, mas isso implica que o filme seja apenas de militância e não tenha nada a ver com arte. Não é possível dizer-se que se passou uma hora e meia bem passada a ver aquilo. É capaz de vir a ser um êxito de bilheteira, como o livro foi de vendas, porque o sistema mediático o permite. E porque, como no caso do livro, o conhecido Barbas é capaz de fazer uma promoção - quem for ao restaurante leva um bilhete de borla. Mas quem lá for vai chorar o dinheiro, digo-vos eu, que já chorei o meu. 

Publicado por Manuel Queiroz às 22:16
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Ainda mais perto da dita...

Pois esta tarde - confesso aqui o meu pecado - fui ver o chamado 'filme'  ao Arrábida. Sala meio cheia (ou meio vazia) e só posso dizer que o filme é... uma bosta. Como diria um cinéfilo conhecido, "é pior que um filme português". Para quem quer dizer que o filme é só baseado no livro, é evidente que esse é mais um caso de corrupção - só lendo o livro se percebem várias cenas do filme, ou mesmo todo o filme. Ou seja, só mesmo o livro é que não é corrompido nesta história toda. Tirando as maminhas da Margarida, que lá aparecem no meio, creio que sem silicone, outros pontos de interesse  cinéfilo são... zero. Francamente, o João Botelho é capaz de fazer muito melhor. Mas o próprio produtor/autor e o JB dizem que foi uma encomenda, que teve que ser feito à pressa - mas mesmo à pressa, podia sair algo de razoável. As personagens não têm conteúdo nem dimensão, a ligação entre as cenas é nenhuma, o ritmo é zero. Senti-me verdadeiramente corrompido nos 5 euros e tal que gastei para o ver. Não me digam que ali há arte, que não há - eu pelo menos, humildemente, não a descortinei. É mesmo pior do que eu imaginava.  Aparecem até o João Malheiro (a sua maviosa voz) e também o Príncipe dos Queijos (vulgo Nelson Veiga, ex-jornalista e também ele bom adepto de um conhecido clube do Sul que não tem nada a ver com o filme nem com a estratégia que levou a que o livro e o filme existissem). Ah!, e aparece várias vezes também o Correio da Manhã, que também não tem nada a ver com nada. Muito perto de corrupção pura.... 
Publicado por Manuel Queiroz às 20:04
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Perto da Corrupção

Ontem à noite estive um debate na RTP N com o João Botelho, ex-futuro (parece...) realizador do "Corrupção", e o Eduardo Paz Barroso sobre o famoso filme. Foi uma hora interessante, em que até deu para o JB fumar um cigarro em pleno estúdio. Defendia este que a sua "estética" não se podia rever no filme que está nos cinemas, que a montagem é tudo num filme (citando não sei quem...) e que tinha filmado uma mulher. O EPB falou da Carolina como Madame Bovary e do interessante que é o seu cinema ser sempre ficção. Eu retorqui que JB tinha feito um filme sobre um homem e que, sem ver o filme, o que se pode dizer dele é que nasceu de uma estratégia benfiquista que tinha a ver com futebol, não tinha nenhuma relação com arte, pelo menos nos motivos. Até porque quem conhece o JB e a sua amantíssima esposa Leonor, sabe que se levantam a pensar no Pinto da Costa e se deitam a pensar no mesmo e o filme é uma forma de sublimar estes seus desvios. E que ninguém iria ver nenhuma Madame Bovary na Margarida Vila-Nova a fazer de Carolina. Senti-me muito perto da corrupçao, sobretudo por causa da cara de 'artista' afivelada pelo JB.

 

Manuel Queiroz

Publicado por Manuel Queiroz às 19:55
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A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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