Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

VIVA 2008

 

 

Meus caros bussolistas. a

Agora que este ano de 2007 está a terminar cá pelos nossos lados, porque em muitas regiões do globo já abriraram o champanhe , soaram as badaladas, comeram as passas, etc , etc , estou aqui e agora para vos desejar um ÓPTIMO 2008.

A todos.

Aos que têm nome, aos que o não têm, aos que falam de coisas sérias, aos outros, aos que destilam ódio, aos têm piada e aos que nada dizem.

Aos do Norte - para onde a Bússola sempre aponta - aos do sul, centro e ilhas.

Aos que concordam e aos que estão sempre contra. 

A todos os que neste curto espaço nos brindaram " com os seus comentários e fizeram deste blog um "caso de sucesso".

Fiquem bem. Não se excedam. Deixem isso para o Bússola.

Sejam felizes.

Continuem a aparecer  e sempre a "assapar " no Bússola.

Viva 2008

 

Publicado por Fernando Rocha às 18:01
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Que faria o Faria ….

Luis Filipe Menezes, em nome de benefícios mais higienicamente repartidos pelos partidos do bloco central, reclamou para Presidente da Caixa Geral de Depósitos um homem da sua Família politica. Deu ainda, nessa sua exigência de “divisão de benesses”, o exemplo de um seu conterrâneo, Miguel Cadilhe, como homem de perfil adequado ao cargo em questão, sugestão que julgo genuína e inocente.

 

O Governo, pouco tempo depois, veio fazer-lhe meia vontade, ao nomear Faria de Oliveira, militante do PSD e ex-Ministro de Cavaco:

Concordou que estava na altura de “dar algum” à oposição, que a alternância existe e é preciso aconchegar e acautelar o futuro.

 

Não concordou que um homem do Norte pudesse aceder ao apetecível privilégio de presidir ao maior Banco Português.

 

O que sinceramente me aflige é que tenhamos chegado a este ponto de clientelismo e egoísmo partidário – os tachos existem e são só para nós!

 

Na dita sociedade civil pode haver gente muito competente, experiente, qualificada e íntegra, mas nenhum deles passou pela estopada de pertencer e militar anos a fio, com assíduo fervor, no aparelho de um dos grandes partidos, abdicando muitas vezes de uma formação escolar e profissional condigna e compatível com as exigências do mercado e do futuro.

 

O que francamente me preocupa também é que de entre a classe politica os tachos de maior boca ou brilho, “saiam” quase invariavelmente a gente do sul.

 

A República comemora daqui a 2 anos o seu centenário e julgo que nunca como agora, com mais de 30 anos de Democracia, o Estado nos faz recordar tanto esse ambiente cortesão e “clientelar” dos agitados primórdios do regime que haveriam de acabar numa longa, empobrecedora mas correctiva ditadura.

 

Apesar dos indícios, espero sinceramente que saibamos desta vez reinventar e qualificar a nossa Democracia.

 

Para já fica apenas a dúvida - se o Faria faria o que vai fazer se não tivesse feito o que fez!

 

António de Souza-Cardoso

Publicado por António de Souza-Cardoso às 20:16
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Devemos ou não apoiar a campanha de Paris Hilton a favor dos elefantes indianos viciados em cerveja?

 

 

Mão amiga e indignada fez-me chegar à mão o recorte de um artigo publicado há um mês no Expresso em que Miguel Sousa Tavares gasta uma página nobre do primeiro caderno do prestigiado semanário a destilar ódio contra a Regionalização.

 

Antes de expressar o meu ponto de vista sobre esta matéria, devo clarificar o que penso sobre o Sousa Tavares.

 

Apenas me cruzei com ele uma vez, num Verão, durante uma noite de poker aberto, no Zavial.

 

No geral, aprecio a forma coloquial das suas prosas, que, apesar de excessivamente extensas, são de fácil consumo uma vez que ele escreve tal como estivesse connosco à mesa do café.

 

Quando eclodiu a polémica a propósito do lançamento do «Rio das Flores» entre os mais dois notórios e vaidosos fumadores da imprensa portuguesa (outro é o Vasco Pulido Valente) fui logo a correr ler o «Equador».

 

Gostei. Escrita escorreita, intriga bem urdida e desenvolvida – e um magnífico e inventivo desfecho. Merece a porrada de exemplares que vendeu.

 

Sempre que, por algum acaso, me dispus a ler as crónicas de MST, habituei-me a concordar sempre que ele opinava sobre matérias que eu desconhecia - e a achar ignorantes, pobres e mal amanhados os argumentos que ele alinha sobre assuntos em que eu me sinto bem informado.

 

A prosa anti-regionalização não é uma excepção a esta regra.

 

Ao declarar que não acha indispensável a realização de um referendo para a realização do referendo, Elisa Ferreira foi o gatilho desta crónica anti-regionalista.

 

Tavares vê nesta inocente e justa declaração de Elisa a ponta do iceberg da conspiração dos regionalistas que, na sombra, «congeminam um golpe de Estado anti-democrático».

 

Parece-me óbvio que MST está a ver perdizes nas pereiras, o que apenas seria desculpável se ele fumasse outro coisa que não tabaco produzido pela Philip Morris.

 

A Regionalização está prevista na Constituição da República.

 

Sócrates obteve a maioria absoluta apresentando ao eleitorado um programa onde constava a Regionalização.

 

Menezes venceu as directas do PSD usando a Regionalização como umas das suas mais queridas bandeiras.

 

Dito por outras palavras, a Regionalização pode ser referendada, se calhar deve ser referendada, mas não tem obrigatoriamente de ser referendada.

 

Pessoalmente acho que o referendo é um pretexto de líderes fracos e inseguros para não assumirem decisões polémicas, escondendo-se atrás do voto popular.

 

Ora a essência da democracia representativa consiste em eleger pessoas, com base em programas e promessas, para governarem o país (ou uma região, ou uma autarquia) durante um determinado de período pré-estabelecido, e que serão julgadas no final do mandato pelo voto popular.

 

O recurso ao referendo, que consiste em transferir para as mãos do eleitorado a decisão (e o ónus dessa decisão…), apenas deve ser usado em circunstâncias excepcionais e com matérias que não tenham sido previamente debatidas na campanha eleitoral.

 

Sócrates passou a campanha eleitoral a repetir que as Scuts iriam manter-se sem custos para os utilizadores e que não iria subir os impostos.

 

Chegada a hora da verdade, nem sequer lhe passou pela cabeça fazer referendos antes de voltar atrás com a palavra ao aumentar o IVA e introduzir portagens nas Scuts.

 

Decisões nucleares como a independência das nossas colónias africanas, a adesão à CEE e a substituição do escudo pelo euro foram tomadas por Governos democráticos sem nunca ter passado pela cabeça de ninguém submetê-las a um referendo.

 

Por todas estas razões, acho vergonhoso, desonesto e delirante falar numa «conspiração dos regionalistas» e etiquetar como «golpe de Estado anti-democrático» a hipótese legítima de fazer a Regionalização sem referendo.

 

Mais acrescento que os maluquinhos dos referendos deveriam ocupar o seu tempo a promover consultas populares sobre temas mais divertidos. Aqui ficam três sugestões

 

Qual é a melhor solução para o novo aeroporto de Lisboa? Ota, Alcochete ou Portela+1? (fazer uma cruzinha no quadrado correspondente)

 

Deve ser autorizada a entrada nos restaurantes e casas de pasto a jovens com menos de 16 anos?

 

Deve o Governo português contribuir financeiramente para a campanha internacional liderada por Paris Hilton de defesa dos elefantes indianos viciados em cerveja de arroz?

 

Jorge Fiel

 

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

 

Música: Con toda palabra, Lhasa
Publicado por Jorge Fiel às 09:28
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

350 mil - Serralves em Grande

 

 

O Museu de Serralves (Porto) atingiu neste ano de 2007 o número recorde de 350 mil visitantes.

 

É um número "anormal" para o nosso país que tem tão poucos hábitos culturais.

 

Com este elevado número de visitantes Serralves é o segundo museu mais visitado do país logo depois do Museu dos Coches (Lisboa).

 

Refira-se que este número corresponde ao número real de visitantes.

 

Passo a explicar:

 

Estas 350 mil pessoas são as que entraram nos portões do museu. Há, no entanto, outras formas de contabilidade.

Por exemplo em Serralves estão neste momento patentes ao público 6 exposições. É normal que um visitante vá até lá para ver uma ou duas exposições em concreto mas acaba sempre por dar uma "voltinha" nas restantes. Em Serralves este visitante conta como uma pessoa. Há museus, e em Portugal faz-se isso, que o número de visitantes conte por exposição.

 

Ou seja: um cidadão vai a um Museu vê duas, ou três exposições no mesmo  Museu e conta duas ou três vezes. E por aí fora...

 

Por isso não se admirem que apareça alguém a falar em números verdadeiramente astronómicos. O importante, neste caso, é saber como é que as contagens se efectuaram.

 

Para que os números de Serralves sejam possíveis há um grande trabalho duma equipa altamente competente e empenhada.

 

Ao Dr. Gomes de Pinho, Presidente da Fundação, à Drª.Odete Patrício, Secretária Geral, e ao Dr. João Fernandes, Director do Museu, os parabéns por em tão poucos anos e duma forma sustentada terem transformado um sonho num Museu de referência nacional e internacional.

 

O Museu não só tem estado na vanguarda como tem alargado as suas áreas de influência artística mas também territorial.

Hoje em dia há Serralves um pouco por todo o país numa política de descentralização e dinamização da arte Contemporânea. Não podia ser doutra maneira. Os Museus que se fecham estão condenados ao fracasso.

Mas Serralves não pára. Em 2008 vêm aí as Industrias Criativas um forma inovadora para descobrir e dar oportunidades a novos talentos e o grande projecto que é o Pólo 2 de Serralves, em Matosinhos (o nome definitivo ainda não está encontrado).

Sobre este projecto, em fase já muito avançada, e que envolve Serralves, a Câmara de Matosinhos e a Fundação Belmiro de Azevedo, vai haver notícias a muito curto prazo.

Nota de rodapé: Perante a obra de Serralves suou muito a injustiça a gafe de José Sócrates na inauguração do Museu Berardo, onde o Estado "empenhou" couro e cabelo, ao dizer que havia sido suprimida uma lacuna em Portugal. Engano? Desconhecimento? Não sei. Injustiça.

Publicado por Fernando Rocha às 13:08
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Não somos iguais, não somos diferentes...somos melhores!

 

 

 

Já sei que não é politicamente correcto afirmá-lo e que se vão levantar vários artistas da cassete pirata e do bloguismo anónimo contra mim , mas sinceramente estou- me ....nas tintas.

 

Quase desde que me conheço que ouço gente a discutir se o Porto é melhor que Lisboa ou o contrário. Tenho para mim que o que faz realmente a diferença  que conta nas cidades  são as pessoas , muito mais que as pedras , sejam modernas ou famosas.

 

Graças às feiras que  frequentei ao longo dos últimos anos  , conheci o mundo como não sonhava sequer e as minhas estadas em Barcelona e Madrid deram- me uma ideia muito aproximada do que é uma rivalidade com final feliz, A Autonomia Regional !

 

Quando os "nuestros hermanos" têm algum convidado que querem distinguir , se são de Madrid apressam-se a escolher um restaurante que imaginam possa impressionar o cliente ou amigo. Bem ao contrário , se são de Barcelona , convidam-no para casa.

 

Por cá não podia ser mais parecido ,!  Dos meus seis anos de estudo em Lisboa retirei com a confirmação de que esta estória é verdadeira. O lisboeta médio não gasta um tostão supérfluo na casa porque encara o lar,doce lar, como uma mera extensão do  seu escritório , onde mulher não entra não.

 

Já em Barcelona , como acontece  com muitos portuenses, se queremos honrar akguém

fazemos tudo para o receber em casa. Desde logo porque investimos na casa tudo o que podemos e depois porque um amigo   não se recebe ao balcão de um tasco por muito moderno e ostensivo que seja.

 

Parecendo pequena , esta diferença diz muito sobre o estado das relações humanas entre cidades onde muito boa gente julgava...e julga ..que não há nenhuma diferença.Mas há e não é pequena.

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bussola

 

Pelotão Mestre de Aviz

 

Manuel serrão

 

 

 

 

Música: We Are the champions
Publicado por Manuel Serrão às 00:54
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Não “Bulam” Muito!

 

Esta é uma época de Paz, Harmonia e Boa Vontade.

 

Para um Nortenho como eu é também uma época de Tradições. Algumas, mais valorativas, fazem apelo ao sentido de Família, de partilha e de encontro e proximidade com o Outro.

 

As restantes mais “recreativas” estão associadas a um conjunto ancestral de práticas e preceitos que sendo próprios desta época, não deixam de contar para a identidade e afirmação de cada região.

 

A imensa tradição gastronómica portuguesa é disso exemplo paradigmático. À cabeça do rico receituário nacional está a Região Norte do País, com propostas que vingaram no tempo e se perpetuam no hábito e no gosto de muitas gerações.

 

Talvez não seja o momento “vesicular” apropriado para recordar os dilectos representantes da tradição gastronómica do Norte. Mas ainda hoje, na ruminante digestão dos festejos natalícios, me conforto na certeza de que dificilmente estas arreigadas tradições se deixarão diminuir pelo inexorável terramoto da globalização.

 

Por falar em gastronomia e em terramoto, acabo de passar, neste luminoso principio de tarde, na Foz, na Avenida Montevideu, junto ao Restaurante Bule.

 

Uma casa de bem receber, dirigida com mão de mestre e onde se manteve o prazer de estar à mesa, á roda de propostas degustativas de inegável valor.

 

Foi lá que comecei a namorar, por ser um sítio quieto e tranquilo. É lá que volto tranquilamente, para o encontro a mesma quieta tranquilidade e a mesma segurança gastronómica.

 

No olhar que me fugiu para o Bule verifiquei com sobressalto que a casa tinha sido arrasada. Sei que há uma proposta generosa e ampla de reforço deste santuário gastronómico, protagonizado por gente credível e sabedora.

 

Só não queria, como nortenho que conhece bem o valor gastronómico da nossa região, que nos escombros do Bule, se desmorone também o receituário e a prática desta Casa de Bem Comer.

 

O pato assado na tábua com arroz do mesmo fazem, entre outras propostas da Casa, muita falta à cidade do Porto.

 

Que o Novo Bule tenha vida ditosa e a sabedoria de não “bulir” naquilo que lhe deu ampla notoriedade e agradável memória.

 

António de Souza-Cardoso

 

 

Publicado por António de Souza-Cardoso às 17:27
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Domingo, 23 de Dezembro de 2007

Porque raio é que isto não pára de descarrilar?

 

Muito provavelmente falta-me informação – técnica e preciosa. Não arranjo outra explicação para o disparate tremendo que me parecem ser a obras de remoção dos carris do eléctrico das avenidas Brasil e Montevideu.

 

Os carris estavam lá desde tempos imemoriais. Quando eu era miúdo (o que já foi há um data de tempo) passava Agosto na praia do Molhe onde a minha família alugava uma barraca ao mês. Fiz sempre de eléctrico o percurso entre a minha casa, na avenida Rodrigues de Freitas, e a Foz.

 

Progressivamente substituído pelos autocarros, o eléctrico foi morrendo aos poucos, até que lhe passaram a certidão de óbito. A título de prolongamento do Museu do Carro Eléctrico e evocação do passado, foi deixada em actividade parte da actividade da antiga linha 1, na marginal fluvial.

 

O eléctrico arrastava-se moribundo, mas os carris em que outrora se deslocavam mantinham-se orgulhosamente vivos durante décadas a fio ao longo dos cerca de dois quilómetros da marginal marítima do Porto.

 

Agora que a crise do petróleo devolveu o eléctrico à lista das boas soluções a considerar no que concerne aos transportes públicos urbanos, e que Rui Rio investiu, com pompa e circunstância, no regresso do eléctrico à Baixa, alguém (jurem-me, pf, que não foi o presidente da Câmara!) decidiu gastar uma pipa de massa a levantar os carris na Foz.

 

Não me parece ser necessário ter um pós doc. em transportes públicos urbanos para perceber que faz todo o sentido dilatar até ao Castelo do Queijo/Avenida da Boavista (ou até mesmo a Matosinhos, onde poderia amarrar na linha do Metro) o percurso da linha 1, que nasce no Infante (mesmo ali ao pé da fantástica Igreja de S. Francisco) e agora se interrompe na Cantareira.

 

Arrancar os carris do eléctrico nesta altura do campeonato, soa-me a um imenso e dispendioso disparate.

 

Será que há por aí alguém que saiba coisas que eu não sei e me consiga explicar o sentido daquela obra na Foz?

 

Jorge Fiel

 

PS. Estão todos convidados para a grande reinauguração da Lavandaria, que terá lugar amanhã, 2ª feira, véspera de Natal, aqui no Sapo (lavandaria.blogs.sapo.pt).

 

Para sublinhar a ocorrência, trago à luz do dia um «post» mártir dos heróicos tempos da Roupa para Lavar, que apesar de ser copiado dos melhores dicionários da língua portuguesa (Houaiss, Porto Editora e Academia) deparou com um gélido acolhimento por parte das autoridades do Expresso.

 

Espero que todas as preclaras e preclaros me façam o subido favor de me distinguirem com a vossa visita. Obrigado!

 

 

Música: Oui, non, encore?, dos Louise Attaque
Publicado por Jorge Fiel às 19:09
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Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Um justo e merecido elogio à imaginação criativa dos nossos bravos da PJ

 

Van Gogh não passou a noite em branco para pintar a sua célebre Noite Estrelada

 

 

O pessoal da PJ pode não ser dotado de grandes aptidões para a investigação criminal mas alardeia uma brilhante imaginação criativa no baptismo das suas operações.

 

Não posso deixar de apresentar os meus mais sinceros parabéns ao (à) inventor (a) da Operação Furacão.

 

Se tivermos em conta os resultados, não podemos deixar de pensar que teria sido mais prudente e adequado apelidá-la de Operação Brisa -  ou até mesmo Operação Corrente de Ar.

 

Mas nota-se que quando foi cunhada a operação a intenção dos padrinhos era magnífica, a de semear um rasto de destruição e devastação nos bancos e grandes companhias que se divertem a ganhar ao Fisco no jogo das escondidas.

 

Valha-nos a intenção, apesar de todos estarmos carecas de saber que o Inferno está repleto delas (das boas intenções).

 

Não posso esconder a inveja que sinto pelos agentes da PJ que crismaram a Operação Apito Dourado.

 

Trata-se de um nome feliz, que compreende uma conotação erótica (o apito é da cor do chuveiro na expressão inglesa «golden shower» que designa a bizarra prática sexual de urinar em cima de outrém), como convém a um caso onde abundam a fruta e os pingos escuros – bem como outras variedades de café com leite.

 

Se eu, por um daqueles acasos em que a vida é fértil, decidir torrar na inauguração de um bar de alterne a massa que o Expresso me pagou para se ver livre de mim, não hesitarei um micro-segundo em baptizá-lo Apito Dourado. Com a devida vénia aos génios da PJ.

 

Até me parece que já estou a ver o letreiro luminoso, com um enorme apito dourado a piscar em cima de um cesto de fruta copiado de uma natureza morta do Cezanne.

 

Não posso deixar de aplaudir, de pé, a argúcia e bom humor que se dissimulam por detrás do baptismo da operação em curso, Noite Branca, desencadeada com o benemérito intuito de colocar um ponto final à criminalidade violenta que tem sacudido a noite portuense.  

 

Em primeiro lugar, saúdo o saudável sentido de humor do padrinho, que estava perfeitamente consciente de que os agentes envolvidos na operação iriam passar uma data de noites em branco, por causa da Operação Noite Branca.

 

Depois, descortino na escolha do nome uma cifrada sugestão enviada ao cuidado de Rui Rio, para que ele imite a iniciativa do seu homólogo parisiense e promova anualmente no Porto uma noite branca.

 

Assino por baixo a sugestão. Por um daqueles acasos em que a vida é fértil (não sei porquê mas estou convencido que já não é a primeira vez que uso esta expressão J ) eu estava em Paris no dia da primeira noite branca.

 

Foi uma coisa em grande. Todos os monumentos nacionais e edifícios públicos estiveram de porta aberta durante toda a noite.

 

Aproveitei para subir , de borla, até ao topo da Notre Dame, onde estão os aposentos do Corcunda. E assisti a uma irrepetível sessão de leitura de poesia numa repartição de Finanças no Marais.

 

Para conferir uma visibilidade extra a esta meritória iniciativa, o «maire» gay de Paris, Bertrand Delanoe (amigo íntimo e de longa data de António Monteiro, o nosso embaixador em Paris) deixou-se apunhalar, a meio da noite, no Hotel de Ville, no meio de um multidão de testemunhas.

 

Atirando para trás das costas as recordações parisienses, resumindo e baralhando. Os PJ até podem ser desajeitados na investigação criminal. Mas são exímios no que toca a baptizar operações e sempre que as coisas resvalam do estreito terreno da realidade para o fértil território da ficção.

 

Moita Flores, o ex-inspector da PJ reconvertido em prodigioso argumentista de telenovelas, é a prova dos nove do que acabo de escrever.

 

Jorge Fiel

Música: Who are You, The Who
Publicado por Jorge Fiel às 16:50
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

Breve relato de uma excursão à Baixa nas vésperas de Natal

 

Ontem fui à Baixa. O destino final era o Media Markt de Fernandes Tomás, mas o trânsito estava de tal maneira entupido que desisti de lá chegar com o automóvel. Deixei a minha carrinha Fiat Marea estacionada em frente ao Palácio da Justiça.

 

A propósito do Palácio da Justiça, abro um parêntesis para desabafar que não é feita a devida justiça ao mais lídimo exemplar portuense da arquitectura Estado Novo  - prima direita das majestosas arquitecturas soviética e nazi/fascista.

 

Foi sábia a decisão de deixar o carro junto ao Jardim da Cordoaria. Por sugestão do João (o mais novo dos meus três filhos tem sete anos) embarcamos na roda gigante instalada na praça fronteira à Cadeia da Relação.

 

A roda gigante veio mais uma vez provar a justeza da opção dos arquitectos da Porto 2001 de deixar as praças da Baixa despedias de ornamentação supérflua, preferindo-as como uma folha de papel em branco que os cidadãos se vão encarregando de preencher.

 

É nas despojadas praças da cadeia da Relação e D. João I , e na não menos despida avenida dos Aliados que estão provisoriamente instalados equipamentos de diversão natalícia – a árvore, uma pista de patinagem e a roda.

 

Voltando à roda, há a referir três boas surpresas: o preço (a viagem de cinco voltas é de borla) , a formidável vista que proporciona – foi bonito ver ao entardecer a árvore de Natal e a Torre dos Clérigos – e a confirmação da beleza minimal da reconversão do Jardim da Cordoaria dirigida por Camilo Pinto, que devolveu aos habitantes da cidade um gueto nocturno outrora apenas usado por «gays» ao engate e era um santuário da prostituição masculina.

 

A árvore do Natal do Millennium inspira-me sentimentos contraditórios.

 

A favor, tem o facto de ser linda, atrair gente e animação – e ser adorada pela ganapada.

 

Contra, há a contabilizar o duplo desperdício energético – não só da energia que a iluminação que ela consome mas também os gastos que induz ao engordar (e de que maneira) os engarrafamentos natalícios.

 

O Media Markt é um óbvio e valoroso melhoramento para a Baixa. Já o Gran Plaza (o mais recente centro comercial do Porto de que o Media Markt é a âncora) foi para mim uma enorme decepção.

 

A inauguração do Gran Plaza foi no essencial boa para o seu vizinho e concorrente Via Catarina, que está a bater recordes de vendas, surfando em cima da curiosidade motivada pela dupla Media Markt/Gran Plaza.

 

Acabei a minha excursão à Baixa descendo Santa Catarina até à Batalha, onde lamentei uma vez mais a longa frequência (passa de meia em meia hora) e a estreiteza do horário (acaba às 19h00) do eléctrico da linha 22.

 

Eu e o João gostaríamos muito de ter tido a oportunidade de regressar de eléctrico até à zona dos Leões, onde tínhamos deixado a Fiat Marea.

 

Jorge Fiel

Música: Downtown, Petula Clark
Publicado por Jorge Fiel às 17:50
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Bem prega Saldanha Sanches

José Luís Saldanha Sanches, fiscalista, comentador de rádio, televisão e jornais, marido de Maria José Morgado e também recentemente um responsável da candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa falou aqui há tempos dos problemas que havia com o Ministério Público e autarquias de província.

Cito:  "Nas autarquias da província há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público (MP) pela estrutura autárquica". "Há ali uma relação de amizade e cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial", disse Saldanha Sanches.

Na altura critiquei, num artigo no CM, as declarações de SS. O Manuel Serrão também, no JN. Até porque ele se referia à província do Norte
Pois ontem ficámos a saber, pela voz de Ferro Rodrigues, coisas interessantes de cumplicidade, ou amizade, nobom ou mau sentido.

O antigo lider do PS, em tribunal, depondo no âmbito do Caso Casa Pia, disse a propósito do envolvimento do seu nome no caso, que houve várias pessoas que lhe falaram disso antes de tal ser público. "Mas Ferro Rodrigues disse só ter ficado 'preocupado' quando foi contactado pelo fiscalista Saldanha Sanches: 'Ele tinha a certeza de que o meu nome estava a ser plantado'". (In Público de hoje).

SS tinha certezas através de quem? Leu nas estrelas? Foi o travesseiro? Ou trata-se aqui do "aspecto bom do termo" para ficar nas palavras do homem que foi incompreendido no seu exame de agregação e foi chumbado? Ou este será um caso de captura do MP pela estrutura socialista?

O grande educador da classe política, empresarial e não só, fê-lo com certeza pela amizade que tem com FR. Mas é capaz de ter que ser aberta alguma investigação no MP para saber como é que obteve as informações protegidas pelo segredo de justiça.

O moralismo é sempre bonito, mas convém às vezes olhar para nossa casa.  

Manuel Queiroz

Publicado por Manuel Queiroz às 14:39
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

Dez anos é muito tempo

Foi inaugurada mais uma linha do Metropolitano de Lisboa. Uma linha que liga o centro de decisão do país, o Terreiro do Paço a Santa Apolónia.

 

A obra demorou e muito. Foram 10 anos. Não tem um túnel mas dois. Um dentro do outro.

 

Custou o dobro do previsto. Mas houve festa. Todos os presentes, pelo que vi e ouvi, estavam muito felizes. O que lá vai, lá vai.

 

Vem isto a propósito do livro que Custódio Oliveira, um amigo meu, editou sobre o metro da Porto. No seu livro, e peço desculpa por ainda não o ter lido, contam-se algumas estórias " que envolveram este investimento desde a ideia, passando pelo projecto até à concretização da obra.

Foram muitas as "tricas", contos e ditos, mais as constantes desconfianças e até uma certa "chacota". Acompanhei este processo desde a ideia de Fernando Gomes, à altura a dar "os primeiros passos" como Presidente da Câmara do Porto, até ao dia que entrou em funcionamento..

 

Devo acrescentar que para mim Fernando Gomes foi desde o 25 d'Abril o melhor Presidente que a cidade do Porto teve. Foi uma pena ter-se deixado "queimar em lume brando" em Lisboa.

 

Nas notícias de ontem Ferreira do Amaral aparecia muito feliz. A ideia da linha até tinha sido dele e foi pensada para a Expo 98. Lá estão os tais 10 anos! Apresentava-se assim como uma espécie de "pai da coisa"!

 

Foi este mesmo Ferreira do Amaral, na mesma Ministro de Cavaco, que poucos anos antes e em resposta à ideia dos autarcas do Grande Porto, dizia que o Metro do Porto não passaria dum"metro de papel".

Chegou mesmo a dizer, em jeito de brincadeira, mas depreciativamente de que se a "coisa" se concretizasse até "mandava" erguer um busto a Fernando Gomes no final da linha.

 

O assunto fez correr muita tinta. Será que Ferreira do Amaral não acreditava na capacidade de concretização dos autarcas? Ou seria porque a ideia não era sua?

Nem sei se este episódio vem no livro do Custódio.

 Não sei.

 

O que sei é que o Metro funciona. Tem muita gente. Revolucionou a circulação no Grande Porto. Foi feito em tempo recorde. Teve as suas "derrapagens" financeiras, mais pela renovação urbana, por ser de superfície , do que por outra coisa.

 

A coisas difíceis de conquistar sabem muito melhor na hora de saborear o êxito.

 

O Metro do Porto é um êxito, mas foi "arrancado" a ferros.

Nota 1: Não estou sensível para coisas do tipo. Aquilo não é um metro é um centímetro . Aquilo não é um metro é um eléctrico..., etc, etc.

Nota 2: Feliz Natal a todos

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por Fernando Rocha às 15:43
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Notícia de um divórcio

 

Chegou ao fim o meu casamento de 17 anos com o Expresso.

 

Teve, como todos os casamentos, os seus momentos de glória e as suas fases mais rotineiras, aqui e ali interrompidas por pequenos conflitos domésticos, rapidamente sarados. No geral, foi bom enquanto durou.

 

Em 1990, quando nos casámos, eu tinha 34 anos, dois filhos, bigode, 80 quilos e onze anos de jornalismo, durante os quais vivera três relações mais ou menos estáveis (Norte Desportivo, Comércio do Porto e Semanário) e um número bastante razoável de escapadelas (Jornal do Comércio, Gazeta dos Desportos, Tripeiro, Diabo, Crime, entre outras).

 

Em 1990, quando nos casámos, o Expresso estava lamber as feridas da dolorosa e traumatizante separação do grupo de jornalistas liderado por Vicente Jorge Silva, que o tinha traído, primeiro às escondidas, depois à luz do dia, indo para a cama com Belmiro de Azevedo, relação de que resultaria um filho: o Público.

 

Tenho muito orgulho de ter integrado a legião de jornalistas (na sua maioria oriundos do Jornal e do Diário de Notícias) contratados pela dupla José António Saraiva/Joaquim Vieira para ajudar a cicatrizar as feridas abertas pela partida do grupo de Vicente.

 

Durante os 17 anos que durou o nosso casamento, tive o prazer, a liberdade e a oportunidade de fazer um pouco de tudo. Redigi notícias e escrevi reportagens sobre quase todas as faces da vida – economia, sociedade, desporto e política. Por três vezes fui editor – do Porto (cinco anos), da saudosa Revista (dois anos) e, finalmente, da Economia (três anos).

 

Tenho muito orgulho de ter dito que sim sempre que a direcção precisou de mim em Lisboa e me seduziu com desafios novos, apesar de isso me obrigar a viver emigrado.

 

Como me gabo de me conhecer razoavelmente bem e me esforço por compreender e antecipar o futuro, fiz sempre questão de sair pelo meu próprio pé das funções que fui chamado a desempenhar.

 

Sempre preferi agir a reagir, Sei que sou viciado em adrenalina, arrebatamentos e entusiasmos. Gosto de agarrar grandes empreitadas e de não descansar enquanto não atinjo os meus objectivos.

 

Mas também sei que deixo de ser a melhor opção para capitanear um navio assim que a rotina se apodera do meu dia-a-dia e que o projecto que comando entrou em velocidade cruzeiro.

 

Não sou daquelas marinheiros que aprecia navegar em mar chão. Prefiro as águas revoltas. Nunca enjoei com a turbulência.

 

Tenho muito orgulho nos quatro pontos cardeais que foram a marca de água da minha atitude durante os 17 anos que durou o casamento com o Expresso:

 

 

1.     Sempre soube o que estava a fazer

 

Admito (um pouco de modéstia fica sempre bem…) que por vezes a minha estratégia até podia não ser a mais acertada. Mas tive sempre uma estratégia. Antes de começar a navegar tirei sempre um azimute, tracei com cuidado a rota a seguir e apetrechei-me com rotas alternativas;

 

2.     Nunca tive medo de decidir

 

Ser director, editor ou jornalista significa estar permanentemente a escolher, a avaliar, a decidir. Escolher os temas que tratamos e os que deixamos cair. Avaliar as matérias que merecem destaque. Decidir os assuntos em que empenhamos as nossas forças. Nunca fui contaminado pelo vírus da indecisão. Nunca tive medo de falhar.

 

3.     Sempre gostei de arriscar

 

Após um Porto-Sporting comparei as estatísticas de Raul Meireles e João Moutinho. O médio portista tinha falhado quase metade dos passes. O sportinguista praticamente não tinha falhado nenhum. À vista desarmada, Moutinho tinha jogado muito melhor do que Meireles. Não foi verdade. Moutinho não falhou passes porque sempre que tinha a bola repassava-a, para trás ou para o lado, para o colega que estava mais perto. Meireles falhou mais porque fez muitos passes a 30 metros de distância, de ruptura, procurando entregar a bola a um colega  desmarcado e assim criar uma situação de golo.

Num momento em que o factor escasso é a défice de atenção humana, o empate não chega. Acho criminoso passar para o lado, com medo de arriscar e de ser assobiado pelos adeptos. Para ganhar é preciso não ter medo de fazer passes de 30 metros. E não marcamos golos se não arriscarmos atirar à baliza.

 

4.     Nunca perdi o leitor de vista

 

Nunca na minha vida perdi de vista que neste negócio vivemos em função do nosso cliente: o leitor. E tenho muita pena alguns colegas com menos memória esqueçam por vezes esta verdade de sangue.

Sempre que escolho um tema, penso no título, selecciono o ângulo de ataque, preparo a maneira como matéria vai ser apresentada em página, e, finalmente, me sento a escrever, tenho sempre presente que não estou a trabalhar para brilhar juntos dos meus colegas jornalistas ou das minhas fontes. Estou a dar o meu melhor para seduzir e satisfazer o meu cliente leitor.

 

Não acho que haja motivo de espanto por o nosso casamento de 17 anos ter chegado ao fim. A relação estava emocionalmente desidratada. Eu e o Expresso já estávamos um bocadinho fartos um do outro. E o Tom Jobim estava carregadinho de razão quando disse que «a única coisa que importa é ser feliz».

 

Neste mundo efervescente, abundante em novas novidades de vidas e de costumes, manter um casamento profissional de 17 anos é pouco comum.

 

Uma das grandes lições de vida, que o Expresso me proporcionou, aprendi-a com Guterres. Numa campanha para as legislativas que acompanhei como jornalista, o antigo primeiro ministro analisou com esta simplicidade a evolução das relações laborais.

 

No tempo dos nossos pais, era normal uma pessoa ter um único emprego durante toda a sua vida. 

 

(O meu pai conheceu apenas um patrão: o STCP. Entrou para a empresa de transportes colectivos do Porto no final da sua adolescência, como escriturário, e por lá se demorou até ser atirado para a reforma antecipada pela revolução tecnológica da máquina de escrever que tornou dispensável e obsoleta a sua bonita caligrafia)

 

Na nossa geração, é normal uma pessoa trabalhar em diferentes empresas mas manter a sua profissão.

 

No tempo dos nossos filhos já não será possível atravessar a vida usando como ferramenta uma única profissão.

 

Nesta hora em que estou a concluir o divórcio, ainda não sei como vou continuar a minha carreira profissional. Para já, vou agravar a estatística dos desempregados qualificados, que é uma das maiores dores de cabeça para Sócrates.

 

Não sei se vou continuar a tentar manter-me no paradigma da minha geração, seguindo como jornalista. Ou se, em alternativa. Vou dar o salto para o da geração dos meus filhos e mudo de profissão.

 

No ocaso de 2007, nesta hora em que me estou a divorciar do Expresso, tenho 51 anos, três filhos, 94 quilos e 28 anos de jornalismo – e já não uso bigode.

 

Estou com um bocadinho de medo do vazio. Às vezes sinto-me como quando na recruta na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, fazia o salto para o escuro – em que saltamos sem ver se o chão está a 20 centímetros ou a dois metros de distância.

 

Mas a outra face deste salto do escuro é a injecção de adrenalina que ele desperta. Sinto-me excitado por estar de novo livre. Sinto-me orgulhoso por não ter deixado o meu casamento com o Expresso arrastar-se para o pântano (achei que uma imagem guterrista ficava bem, qual é a vossa opinião?).

 

Não sei ainda bem como vou continuar a ganhar a vida. Mas estou certo que no final deste sobressalto serei melhor jornalista e ainda melhor pessoa. 

 

No trabalho, como na vida, prefiro viver apaixonado – e exijo que a paixão seja correspondida.

 

FIM

 

 

PS. A interrupção deste blogue é um dos efeitos secundários deste divórcio.

Agradeço, curvado e emocionado, a todas as preclaras e preclaros que através da sua presença activa fizeram do Roupa para Lavar o blogue mais visitado e comentado do Expresso durante o seu curto mas trepidante ano de vida. Sinto muito, mas mesmo muito, orgulho em ter sido o vector deste espaço de contracultura, de ter sido capaz de não estar na linha e de ter tido a coragem para escrever coisas que destoam do cânone e do «mainstream».

Este filme acaba aqui, mas garanto-vos uma sequela. Como ainda anda por aí muita roupa suja a precisar de ser lavada, vou continuar a centrifugar e inauguro na véspera de Natal uma nova lavandaria, num novo endereço:  lavandaria.blogs.sapo.pt.

 

PS2. Este texto esteve durante o dia ontem no ar na página de blogues do Expresso. Republico-o agora aqui para que possa ser lido por todas as pessoas que não tiveram oportunidade de visitar ontem, pela última vez, o Roupa para Lavar

Música: Start me up, Rolling Stones
Publicado por Jorge Fiel às 11:22
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O Dr Pacheco Pereira é intelectual e abruptamente desonesto

O Dr Pacheco Pereira  , no seu "Abrupto" ,  foi intelectualmente desonesto quando perorou sobre as ligações perigosas entre a claque dos Superdragões e os mais recentes acontecimentos na noite do Porto.

Segundo este distinto político que não vai a nenhum sufrágio de jeito há longos anos, a melhor forma de acabar com a violência no Porto é extinguir a claque portista .

Este subido raciocínio deste intelectual que se diz do Porto porque cá terá nascido ,  mas que de portuense e nortenho nada tem há muitos anos,estriba-se no facto superveniente que se resume em poucas palavras. Todos os males que vêm ao Porto ( e daí talvez ao resto do país...) têm origem no F. C Porto e nas seus adeptos organizados em claques.

Mesmo dando de barato que possa existir algum membro de uma claque dos SuperDragões que venha a ser julgado culpado por qualquer crime  , esta generalização é tão abusiva como intelectualmente desonesta.

Aceitando este raciocínio como válido seríamos obrigados a pensar que uma pessoa intelectualmente tão dotada como o dr Pacheco

Pereira ,  também acha que é imprescíndivel acabar com a raça dos benfiquistas para devolver a segurança ao país ,  depois de se ter descoberto que o cabo Costa ,o famoso serial killer de Santa Comba Dão  , era não só adepto ferrenho do SLB... como até presidente da Casa do Benfica de Santa Comba Dão. !

Caro ex-conterrâneo Pacheco Pereira : por amor de Deus , não finja que é estúpido , ou no mínimo  , não faça de nós estúpidos. Deixe -se ficar na Marmeleira a gozar a reforma que a política lhe arranjou e não fale do que não sabe !

Exército de Salvação Nacional

Batalhão Bússola

Destacamento Roberto Ivens

 

Manuel Serrão

Publicado por Manuel Serrão às 09:33
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

O escarrador do presidente Mao

 

Sherlock Holmes era viciado em ópio, que era legal na Inglaterra vitoriana.

D. João IV restaurou a independência de Portugal mas nunca na vida tomou banho.

 

Mao Tse Tung  posava para a fotografia, no Palácio do Povo em Pequim, com os dignatários estrangeiros que recebia, confortavelmente instalado num sofá ladeado por um escarrador – que não tinha funções decorativas... 

 

Na Roma Antiga, os patrícios sodomizavam alegremente os seus jovens discípulos, prática a que apenas punham termo (por passar a ser publicamente mal vista) quando lhes começavam a crescer pelos.

 

Na Europa Central, durante a Idade Média, os senhores feudais tinham o direito de pernada sobre as mulheres dos seus vassalos – ou seja, estavam legal e moralmente habilitados a usufruir sexualmente delas sempre que tal lhes aprouvesse.

 

A expressão «água vai» tem a sua origem no grito de advertência aos transeuntes lançado pelas donas de casa antes de despejaram pela janela os penicos para a via pública.

 

O relativamente recente movimento de importação das casas de banho para o interior das residências enfrentou uma feroz resistência de fundamentalistas que clamavam ser pouco higiénico colocar debaixo de um mesmo tecto as divisões onde se come, dorme e defeca.

 

Esta mão cheia de exemplos está aí a demonstrar a enorme amplitude das mudanças de cânone em questões de higiene e comportamento social e é citada a propósito da legislação anti-tabaco que finalmente vai ser posta em prática.

 

Em primeiro lugar, devo declarar que já não era sem tempo. Os franceses, que nestas coisas de costumes são bem mais tolerantes do que nós, já a têm em vigor desde 1 de Fevereiro uma legislação anti-tabaco bem mais dura que a nossa.

 

Neste dossiê, revelou-se a costela guterrista de Sócrates, que durante três anos manteve em «banho Maria« a legislação que herdou de Durão, só lhe mexendo para a amaciar. Ou será que o primeiro-ministro demorou este tempo todo porque esteve a arranjar coragem para deixar de fumar?

 

Em segundo lugar, saúdo a repressão do consumo de tabaco. Hoje é claro para todos que o tabaco é pernicioso para a saúde, não só dos fumadores activos mas também dos passivos.

 

Não percebe o banzé e constestação que alguns tentam atear a este propósito. Não demorará muito até que um fumador de tabaco seja olhado da mesma maneira que opiónamo detective de Conan Doyle - e que os cinzeiros malcheirosos e cheios de beatas merecem o mesmo olhar reprovador que o escarrador do presidente Mao.

 

Espero que o Governo tenha a coragem de usar a repressão para fazer cumprir a lei, seguindo o exemplo de Paris que enviou para o terreno 175 mil para fazer respeitar a interdição de fumar em lugares públicos.

 

Espero, também, que nos aviões fretados pelo Governo para visitas oficiais as leis da República passem a ser integralmente observadas.

 

Espero, por último, que as acções das tabaqueiras deixem de ser um valor refúgio nos tempos de crise e passem a ter um desempenho inferior ao mercado.

 

Jorge Fiel

 

Esta crónica foi hoje publicada no diário económico Oje (www.Oje.pt)

 

 

Música: Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, Sérgio Godinho
Publicado por Jorge Fiel às 11:52
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Começar a Ibéria pelo futebol

 

 

Não é para me gabar, mas esta minha crónica foi publicada há três meses, a 25 de Setembro, ainda a Bússola era apenas um projecto, no diário económico Oje

 

Como portista fiquei satisfeitíssimo com a vitória do meu clube, no domingo, em Paços de Ferreira. Estamos há dois anos consecutivos na liderança da Liga. E após uma série de cinco vitórias em cinco jornadas, temos cinco pontos de vantagem sobre o Sporting e seis sobre o Benfica – que, como agravante, vão defrontar-se no sábado e, por isso, destruir pontos.

 

Estou satisfeito como adepto mas alarmado como observador da evolução desta divisão da indústria portuguesa do entretenimento.

 

A hegemonia do Porto é perniciosa para o negócio.

 

A ausência de «suspense» não é boa para as audiências da Sportv e vendas do Record e da Bola (que se despenham sempre que o Benfica não ganha, como o seu director já confessou).

 

E as receitas da venda de camisolas e lugares na Luz e em Alvalade caem a pique a partir do momento em que sportinguistas e benfiquistas se convencem que o clube da sua paixão não será campeão.

 

Ganhar sempre o mesmo (e ainda para mais um clube antipático, periférico e minoritário) não só é mau para o negócio como, ainda por cima, aumenta a crispação na sociedade portuguesa, faz subir a tensão Norte/Sul e agrava os ódios regionais.

 

Tem ainda efeito secundário de conferir uma dimensão despropositada a epifenómenos como o Apito Dourado ou a atribulada vida sentimental do presidente portista – que não mereceriam 5% do espaço que os Media lhes concedem se o Benfica fosse bicampeão e liderasse a Liga com uns confortáveis seis pontos de avanço sobre o FC Porto.

 

Ainda recentemente, no consulado Schumacher, a Fórmula 1 sofreu na pele as mortíferas consequências para o negócio da ausência de surpresa quanto ao desfecho desportivo das provas. Reagiu, mudando as regras do jogo para garantir um maior equilíbrio competitivo. 

 

Para combater o veneno do tédio, a NBA fundou-se sobre um conjunto keynesiano de regras, que compreendem um tecto salarial e um sistema de recrutamento de novos valores que concede a primazia na escolha aos piores classificados da época anterior.

 

As soluções inventadas pela NBA e Fórmula 1 não podem ser  mecanicamente transpostas para o negócio do nosso futebol, condicionado à  observância da gramática da UEFA.

 

Não é fácil a tarefa de impedir o longo bocejo dos adeptos e estimular a competição, tanto mais que a hegemonia portista é apenas um das faces do problema neste negócio centralista e que rola a duas velocidades.

 

Em 73 campeonatos, só por duas vezes a vitória escapou ao trio do costume: em 1946 (Belenenses) e o Boavista (2001). Em Portugal, só cinco clubes foram campeões. Em Espanha foram nove, em Inglaterra 23, em Itália 16, na França 19, na Holanda 26 e na Alemanha 28.

 

As consequências deste afunilamento estão à vista. O Porto teve mais adeptos no seu último jogo no Dragão (39.200 espectadores no jogo contra o Marítimo)  do que o Paços de Ferreira em todos os 15 jogos da última época (32.392 espectadores).  

 

A solução para este negócio desconchavado e sem suspense, ferido pelo centralismo, é começar a construir a Ibéria pelo futebol - e adicionar Porto, Benfica e Sporting à liga espanhola.

 

Jorge Fiel

 

Música: Baile no meu coração, Trovante
Publicado por Jorge Fiel às 11:28
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Afinal, a PJ não estava distraída

Estou de volta com o assunto "Violência na Noite do Porto". Como se verificou neste fim de semana, afinal nem a PJ/Porto nem  o Ministério Público estavam parados ou distraídos. A operação "Noite Branca" levada a cabo na madrugada de domingo foi minuciosamente preparada e planeada durante semanas e, pelo menos neste primeiro momento, permitiu a detenção de vários suspeitos de envolvimento nos assasinatos dos últimos meses e o desmantelamento do chamado "gangue da Ribeira".

Como diz o editorial do "JN" de hoje, foi uma "bofetada de luva branca" a Pinto Monteiro, "que parece ter na criação de equipas especiais para isto e para aquilo, encabeçadasdempre por magistrados de Lisboa, a poção mágica para a resolução de problemas".

Já agora, atentem os bloguistas neste naco do comentário do prestigiado "PÚBLICO", publicado hoje sob o curioso título "O Procurador também dará os parabéns à PJ?" e assinado por José Augusto Moreira:

"À bravata em que se envolveu no interior do MP, o procurador-geral somou esta semana a antipatia da PJ, o que não deixa de ser um mau presságio para quem tem entre as principais funções a direcção e coordenação da investigação criminal.
O mais estranho, no entanto, é que tudo isto era desnecessário. Não só porque se torna agora claro que avançou para a nomeação duma equipa especial antes de saber o que se estava a ser feito, como a anunciou mesmo antes de qualquer contacto com os visados. E não foi por falta tempo ou oportunidade.
Face aos factos, torna-se agora difícil acreditar que a decisão de Pinto Monteiro tenha resultado de um genuíno acto de direcção e não de mera reacção perante a pressão dos noticiários. Por precipitação ou induzido? Essa é a chave da questão."

Não me vou sem manifestar a minha satisfação por ter levantado aqui, no post anterior, uma questão que afinal pareceu pertinente  a tanta gente e também não resisto à questão "Rui Rio também dará os parabéns à PJ?"

Publicado por Rogério Gomes às 11:46
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

A polícia do Porto não presta?

Saúdo todos os participantes nesta Bússola e faço-o na consciência de uma ausência relativamene longa e pela qual começo por me penitenciar... Assim sendo, também teria que ter um motivo forte para recomeçar a minha "postulação" - prometo que serei assíduo - e ele foi-me dado hoje pelo presidente da Câmara do Porto.

Pois o edil atira-se de "faca nos dentes" à Polícia Judiciária portuense - "não é a primeira vez que a PJ/Porto falha", afirma. De facto, não é a primeira vez que Rui Rio mostra desagrado pela actuação das autoridades policiais do Porto, seja porque não tratou os arrumadores tão severamente como pretendia quer porque noutros casos as suas investigações não foram tão longe como desejaria...

O que me faz impressão não é propriamente a crítica à autoridade policial que, desde que seja legítima e dentro do enquadramento cívico necessário, é obviamente aceitável e até ´alutar. O que me incomoda é que seja o presidente da Câmara do Porto, o presidente da Junta Metropolitana do Porto, a trazer para a praça pública uma crítica tão mordaz e claramente excessiva a quem tentará o melhor que pode cumprir a sua missão. Parece-me até que caberia a quem representa o poder político autárquico do distrito o papel de "estranhar" que para resolver casos tão difíceis e mediáticos como este da "Violência ligado aos negócios da noite" ou até do Apito Dourado seja preciso entregá-los a alguém da capital... O problema é relativamente simples: ou no Porto não há polícias capazes ou eles são de algum modo coniventes com a situação. E, então, há que pedir responsabilidades a quem ao longo dos anos foi montando a máquina policial no distrito, lhe foi nomeando responsáveis e formando agentes... Não foi no Porto que isto aconteceu nem é sua a última responsabilidade. De certeza.

O que há que exigir é mais e melhores agentes e inspectores, mais meios e condições, e melhor direcção. Atacá-los, humilhá-los na praça pública não me parece razoável e muito menos proveitoso... A não ser politicamente, especialmente junto da opinião pública mais a Sul sempre pronta a juntar a sua voz a quem critique o Porto e o Norte.

Publicado por Rogério Gomes às 16:26
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Parabéns jovem Manoel de Oliveira

 

Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 12 de Dezembro de 1908, no seio de uma família da burguesia industrial.

Interessou-se desde muito novo pelo cinema, graças a seu pai, que o levava a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder, despertando-lhe o interesse para a sétima arte. Fez os primeiros estudos no Colégio Universal, no Porto, e posteriormente, no Colégio Jesuíta de La Guardia, Galiza.

Ganhou notoriedade também como desportista  de ginástica, natação, atletismo e automobilismo.

 

Quer se goste ou não, Manoel  de Oliveira que completou 99 anos, é o mais premiado cineasta português de todos os tempos, estando ainda determinado a realizar todos os filmes que ainda tem em projecto. Estamos a falar de um jovem com 76 anos de cineasta, o mais "jovem" realizador de cinema do Mundo em actividade.

 

"Douro, Faina Fluvial"1931 ;" Aniki Bóbó" 1942 ; "Benilde ou a Virgem Mãe" 1974;" Amor de Perdição" 1979;" Francisca" 1981;" Le Soulier de Satin" 1985; " Os Canibais" 1988; "Vale Abraão" 1993; " O Quinto Império" 2004; são alguns dos mais de 40 filmes que realizou.

 

As obras mais recentes  são  " Belle Toujours" e " Cristóvão Colombo - O Enigma." (este último com estreia marcada para 10 de Janeiro).

 

Como projecto " O estranho caso de Angélica" e adaptação para cinema do conto de Eça de Queiroz " Singularidade de uma rapariga loira".É OBRA!!

 

Por tudo isto e pelo que virá deste grande Senhor no Norte os nossos parabéns!

 

 cena de Aniki Bobó, de 1942

Sinto-me:
Música: Et maintenant - Charles Aznavour
Publicado por Mário Rui Cruz às 00:27

Editado por Jorge Fiel às 09:42
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

No País dos Auto Rádios

Auto Rádio Multimídia Gotec 5993 MP3 200W RMS com USB

Manuel Pinho anunciou recentemente aos portugueses, os muitos milhões que o Governo decidiu gastar em Marketing Interno e Internacional, na promoção da imagem do País como o local de excelência e qualidade da Costa Oeste da Europa.

 

Depois da bronca do L dobrado na igualmente milionária campanha de promoção do ALLgarve o Governo português volta a pôr o pé na poça com erros, já reconhecidos pela empresa contratada, nos dizeres do cartaz que leva a imagem de Portugal (e de Mariza) ao Mundo.

 

Num País que tantos sacrifícios têm pedido aos portugueses, em nome do rigor e do mérito, não fica bem tanta ligeireza e desperdício no uso de dinheiros públicos de tão grande expressão.

 

Assisti há pouco tempo a uma excelente iniciativa da AMIGAIA – empresa constituída para fazer o marketing externo e a atracção de investimentos a Vila Nova de Gaia, numa apresentação de muito boa qualidade que Luis Filipe Menezes e Martins da Cruz têm levado com sucesso às principais capitais mundiais. Suponho que este tão meritório trabalho de promoção não exigiu os avultados meios públicos, quer da enganada campanha de “Mariza”, quer da outra que achinesava o Algarve por geração espontânea da letra L.

 

No Porto tem que ser a sociedade civil a juntar-se para comemorar e promover o aniversário da elevação da cidade a Património Mundial. O Douro, como destino especifico de excelência, continua esquecido na burocracia de uma pequena unidade de missão.

 

Enfim, os critérios do costume….

No meio de tudo isto o único sorriso vai para o discurso (talvez feito pela mesma empresa) de Manuel Pinho na apresentação da milionária campanha.

 

Para que todos soubéssemos mesmo que Portugal é muito, muito bom, Manuel Pinho foi categórico: “Somos os líderes mundiais, dos esquentadores, dos semi-condutores e dos auto-rádios. Apetece dizer – então e das cassetes pirata?

 

António de Souza-Cardoso

Publicado por António de Souza-Cardoso às 11:12
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Universidade do Porto entre as melhores do Mundo

Universidade do Porto-Praça dos Leões

 

Tinha para mim que se justificava a edição dum post sobre a Universidade do Porto pela sua brilhante 459ª posição a nível Mundial e 195ª na Europa.

É um motivo de orgulho e um "certificado" de qualidade que honra todos os que ao longo dos anos ajudaram a construir esta escola de grande prestigio nacional e internacional.

Pensei mas tardei. Num comentário a um, mais um, excelente post do "preclaro" Jorge Fiel o bussolista Chacal já disse quase tudo. (ler comentário no post sobre o BCP ).

A Universidade do Porto foi criada a 22 de Março de 1911, ou seja logo a seguir à Implantação da República. No entanto as suas origens remontam a 1762 com a criação da Aula de Náutica por D. José I à qual se seguiram uma sucessão de "aulas" com o intuito de dar respostas às "necessidades de pessoal qualificado nas áreas naval, comércio, industria e artes".

Este ranking tem por base aspectos que fazem toda a diferença e que têm a ver com a "excelência de investigação", com o "impacto da investigação produzida" e ainda com a "produtividade".

A "nossa" Universidade - a maior do país - tem crescido muito e bem e tem "produzido" para o país e mundo "inteligência" que nos dignificam a todos.

Refira-se que, neste ranking "divulgado pela autoridade independente de avaliação e acreditação de Taiwan", não aparece mais nenhuma universidade portuguesa.

É bom que num país deprimido, no Porto onde só se fala de criminalidade associada à vida nocturna, onde a educação anda em bolandas com reformas e mais reformas, surjam notícias de coisas que estamos a fazer bem e duma forma competente

Parabéns à Universidade do Porto.

 

 

Publicado por Fernando Rocha às 16:27
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Um banco à procura de dono

 

O BCP anda passear por aí, pelas colunas dos jornais e noticiários da televisão, com um letreiro na testa a dizer: «Procuro novo dono».

 

Confesso-vos que, apesar de ateu, estou quase a chegar ao ponto de rezar antes de me deitar para que apareça rapidamente um comprador que nos poupe ao lamentável espectáculo de lavagem em público da roupa muito suja deste banco, que nos habituamos a admirar e olhar como a mais bela história de sucesso do nosso sistema financeiro, eleita «case study» nas mais prestigiadas escolas de negócios.

 

A luta fraticida entre Jardim e o delfim que ele escolheu abriu uma caixa de Pandora que ainda ninguém conseguiu fechar.

 

Abri a boca de espanto quando ouvi Jardim Gonçalves  - que se gabava de saber tudo quanto se passava no banco e se orgulhava de tratar os funcionários pelo nome - vir declarar desconhecer o perdão de 12,5 milhões de euros de dividas à Corte Fino, de que o seu filho Filipe é relevante accionista.

 

Pasmei quando soube que o BCP desistiu de cobrar um vultuoso crédito, assumindo perdas superiores a 28 milhões de euros, à Somerset, uma holding onde pontifica Goes Ferreira, que tem em seu nome 2,3% do banco e é amigo de longa data de Jardim Gonçalves.

 

Não quis acreditar quando Berardo afirmou que o BCP usou 17 sociedades «offshore» para aguentar a cotação do banco durante os aumentos de capital de 2000 e 2001, torrando neste operação 500 milhões de euros.

 

(Como não tenho cultura para números desta grandeza, fui fazer contas e conclui que 500 milhões de euros chegavam para a Metro do Porto construir os dez quilómetros da linha circular subterrânea, a linha da Boavista, a linha de Gondomar, e ainda sobravam uns 100 milhões!)

 

Fiquei aterrorizado quando ouvi o bem informado Berardo dizer que no armário do BCP ainda estão guardados esqueletos ainda mais horrorosos.

 

Como não fiquei satisfeito por saber dos perdões à Corte Fino e à Somerset, nem das actividades manipuladoras das 17 off shore, malfeitorias em que Jardim, Pinhal & Cia deixaram espalhadas as suas impressões digitais, acho que o melhor que poderia para já acontecer ao banco era que todos os actuais administradores, sem excepção, renunciassem a ser reconduzidos na assembleia geral agendada para 15 de Janeiro.

 

Por muito menos que eles fizeram ou calaram, desrespeitando e  malbaratando dinheiro que não era deles, milhares de japoneses fizeram hara kiri.

 

O BCP é um banco à procura de dono. Rezo para que surja rapidamente uma OPA, antes que o que resta do seu prestigio e credibilidade impluda nos jornais e televisões.

 

E não deixaria de ser poético se o novo dono fosse o Banco Popular, onde Américo Amorim, o fundador do BCP, é o segundo maior accionista.

 

Jorge Fiel

 

 

PS. Uma sugestão a quem de direito. Se não aparecer rapidamente um comprador, o melhor que o BCP tem a fazer é ir bater à porta de Fernando Ulrich e pedir-lhe que o BPI tome conta dele.

 

 

Esta crónica foi hoje publicada no diário económico Oje  www.oje.pt

Música: Mercedes Benz, Janis Joplin
Publicado por Jorge Fiel às 14:44
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Importa-se de repetir?

 

Há uma semana, a magistrada Maria José Morgado teve uma frase que, que eu desse conta, passou em claro aos analistas: "Os tribunais julgam os casos, mas os casos também julgam os tribunais".

Mizé Morgado falou assim numa longa entrevista ao Diário de Notícias em que até disse que era do Norte e o seu pai era um adepto fanático do FC Porto. As opções clubísticas são de cada um e ninguém tem nada com isso.

Mas aquela frase surge num contexto do Apito Dourado e das suas investigações. E como me parece que os tribunais plenários acabaram há mais de trinta anos, uma magistrada, mesmo do Ministério Público, dizer o que disse Maria José Morgado é altamente discutível, para dizer o mínimo.

O que a dra. Morgado está a deixar entender é que se não houver condenações no caso, os seus colegas juizes que vierem a fazer parte do colectivo não terão feito bem o seu trabalho. Eu, simples jornalista, posso dizê-lo; ela, magistrada, mesmo que do MP. e ainda mais parte interessada no caso porque trabalhou nele, não pode. Ou pelo menos não deveria dizê-lo porque deveria observar um dever de reserva. Porque o que eu entendo do que ela diz é que não se pode ter inteira confiança na Justiça.

A dra. Maria José Morgado é, hoje por hoje, a magistrada mais mediática do país e a que melhor utiliza os jornais. Mas não tenho dúvidas que se outro magistrado qualquer, de província por exemplo, se permitisse dizer algo assim, iria ser chamado à pedra.

 

Manuel Queiroz

Sinto-me:
Publicado por Manuel Queiroz às 18:49
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Se Cravinho quer uma gaja boa como o milho tem de a namorar

 

João Cravinho achou por bem interromper o seu exílio dourado em Londres para fazer uma prova de vida.

 

Percebo o «timing». A remodelação governamental está em cima da mesa, agora que a presidência portuguesa da UE chega ao fim, e tudo leva a crer que Mário Lino está já com guia de marcha para o Ministério do Ambiente.

 

O Ministério das Obras Públicas vai estar disponível em breve e, pelo visto, o fervilhante e remoçado East End londrino não foi suficiente para matar as saudades que Cravinho tem do Palácio Penafiel.

 

O tema foi muito bem escolhido. Para desgraça de Sócrates, a Ota não pára de perder vapor junto da opinião pública. Cravinho pensou como um príncipe ao seleccionar a localização do novo aeroporto de Lisboa como o pretexto para dar uma mão ao primeiro ministro.

 

Quando toda a gente pensava estarmos nas vésperas da divulgação do parecer do LNEC (afinal adiado, deixando a questão em banho maria por mais um mês), Cravinho veio a público com um «soundbyte» aparatoso, confeccionado para fazer títulos de jornais e ter destaque nos noticiários de televisão:

 

«Optar por Alcochete seria um acto de sonambulismo prolongado e suicida».

 

O «soundbyte» é bom. E cuidadoso como é, Cravinho fez ainda questão de por à disposição dos jornalistas um «sounbyte» alternativo, ao acusar a solução Alcochete de ser uma reedição do modelo de reconversão industrial de Marcelo Caetano, baseado em Sines.

 

Cravinho fez bem o trabalho de casa, mas, na minha opinião, teve galo, pois os seus «soundbytes» foram abafados pela divulgação nesse mesmo dia do adiamento da divulgação do estudo do LNEC.

 

O esforço foi bom, mas o efeito foi reduzido.

 

Assim como assim, na eleição para melhor «soundbyte» português do Outono de 2007 ainda voto no fantástico «E o burro sou eu?» de Scolari – o único capaz de ombrear na luta pelo título de melhor «soundbyte» ibérico com o feliz e incontornável «Por que não te callas?» de Juan Carlos, que só na primeira semana depois de ter sido pronunciada foi alvo de 500 mil «downloads» de toques, garantindo vendas de 1,3 milhões de euros às operadoras que o disponibilizavam.

 

Cravinho corre mesmo o risco de perder o segundo lugar nacional para Ribau Esteves, o novo secretário geral do PSD, que brilhou a grande altura na sua terra natal (Ílhavo) ao declarar: «Se queremos uma gaja boa como o milho, temos de a namorar».

 

Cravinho deve reflectir neste conselho, mas não pode desistir. Tem ainda um mês para confeccionar um bom «soundbyte» contra a solução Portela+1.

 

Jorge Fiel

 

 

 

Música: You can´t always get what you want, Rolling Stones
Publicado por Jorge Fiel às 12:25
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Lisboa e a Caixa Geral dos Impostos

 

 

 

 

500 milhões ou 400 milhões pouco importa. Não são estes 100 milhões ( coisa pouca...) que fazem a diferença.

 

Também o suposto aumento do endividamento da Câmara de Lisboa ( a Câmara mais endividada do país...) não é o que faz a diferença.

 

Quem tentou situar a polémica nestas duas vertentes sabia bem o que fazia , sabendo melhor que não é nada disto que está em questão e que é fortemente criticável.

 

400 ou 500 milhões que se pedem de empréstimo para pagar dívida vencida ( e não pagam toda , que Lisboa tem muitos mais credores...) claro que não contribuem para o aumento do endividamento da Câmara. Como até servem para fingir que o diminuem se se apresentarem engenharias fantasiosas sobre as taxas de juro do antes e do depois.

 

O que faz realmente a diferença  (e foi camuflado com a discussão estribada nas duas vertentes referidas...) é a forma como a Caixa Geral de Depósitos se prestou a esta habilidade do ex- ministro socialista e actual presidente da CML..

 

È nesta passadeira que a CGD ( que é de todos nós e não só dos lisboetas...) estendeu à Câmara de Lisboa ,  quando para o resto do país o que faz é tirar o tapete , que reside a grande diferença que nos choca a todos e que torna o negócio que deu à costa em Lisboa uma vergonha nacional.

 

Com as restantes Câmaras portuguesas enfiadas numa camisa de sete varas, há sempre um Vara em Lisboa disponível para abrir os cordões à bolsa aos amigos do partido capital.

 

Que falta nos faz um génio como António Silva capaz de reeditar hoje o Costa da Caixa como o remake do Costa do Castelo. Mas em termos do cinema português o que está a dar são obras primas como aquela em que dá a cara ( entre outras coisas ,  ao que me dizem...) a pequena actriz que foi mandatária  da juventude do António Costa na campanha de Lisboa.

 

Não é que isto anda tudo ligado ?

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Marisqueira do Miguel - Matosinhos City

 

Manuel Serrao

Música: Eles levam tudo e não deixam nada
Publicado por Manuel Serrão às 22:47
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

MATOSINHOS - 20 anos do Edifício dos Paços do Concelho (1997-2007)

 

 

 

 

Este é um edifício de referência na arquitectura portuguesa do século 20.

 

Foi projectado pelo arquitecto Alcino Soutinho e tem na sua fachada (ver foto) um peça escultórica de João Cutileiro e no interior um grande painel de azulejos da autoria do Mestre Júlio Resende.

 

Esta Câmara Municipal, que está agora a Comemorar 20 anos, foi o primeiro edifício público a ser construído no pós 25 d'Abril .

 

Para assinalar esta data, entre muitas outras iniciativas, está marcada uma exposição de esquiços inéditos dos arquitecto, nos seus espaços públicos.

 

Também, nesta data, vai ser lançado um livro sobre a efeméride com fotos de Luís Ferreira Alves - que a acompanhou a construção desde o primeiro momento - e textos de Bernardo Pinto de Almeida. O arranjo gráfico é de Armando Alves

 

                          

 

No Domingo, às 11 horas, haverá uma visita guiada ao Edifício pelo Arquitecto Alcino Soutinho.

 

Além de música, com Jorge Palma e Orquestra de Jazz de Matosinhos, está a decorrer a Festa da Poesia, na Biblioteca Florbela Espanca. (Recorde-se que 8 de Dezembro é dia de nascimento e da morte da poetisa)

 

Na Galeria Municipal estará patente ao público uma Exposição de JÚLIO POMAR - PRIMEIRA ESCOLHA.

No catálogo Lúcia Marques, curadora da exposição, escreve que este é "o regresso a solo do artista ao Distrito do Porto com uma importante mostra antológica, 60 anos depois de ter realizado a sua primeira exposição individual na antiga Galeria Portugália em 1947 (Pomar - 25 Desenhos).

 

No seu texto Lúcia Marques destaca ainda " a rara oportunidade de ver Estrada Nova (1946), uma obra marcante do inicio do período neo-realista do pintor, que então se encontrava a estudos no Porto, e que só recentemente foi localizada, depois de ter sido exposto apenas no ano em que foi realizada. E ainda entre outros trabalhos, Tereza jaune , bleu , blanc ), com data de 1975, um retrato apresentado na XIII Bienal de São Paulo desse ano e vista pela última vez em 1978.

 

Aqui fica a sugestão

Bom fim de semana...em Matosinhos

 

 

 

Publicado por Fernando Rocha às 15:28
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Os metros reflectem o carácter das cidades que servem e dos passageiros que os usam

 

 

 

O Metro do Porto é muito mais do que um sistema de transportes e uma empresa estruturante do espaço urbano. É também uma obra de arte, um enorme motivo para termos orgulho em sermos portuenses, e, ainda, uma prova viva e documental do centralismo que asfixia o nosso país.

 

Concebido por Eduardo Souto Moura, o metro é uma obra de arte premiada internacionalmente, onde estão espalhadas as impressões digitais os nomes mais luminosos da Escola de Arquitectura do Porto, como Siza Vieira, Alcino Soutinho e Adalberto Dias, entre outros.

 

Tenho para mim que, mais coisa menos coisa, os metros reflectem o carácter das cidades que servem e dos passageiros que os usam.

 

O metro de Lisboa, onde a sobriedade elegante da pastilha de Maria Keil foi substituída nas estações por decorações concessionadas a artistas de diversas escolas e obediências plásticas, reflecte, na sua incoerência plural, o «patchwork» de uma capital rica num pais pobre e que atraiu como um imã poderoso gentes de todo o país, bem como os enteados, enjeitados e ambiciosos de um Império falido.

 

O grandioso e luxuoso esplendor das estações do metro de Moscovo glorifica o regime estalinista que as mandou fazer. A ostentação patente em estações como Ploshchad Revolitiusii, Komsomolskaya-Kolttsevaya ou a Mayakovskaya só é possível na capital de um país que foi sempre governado autocraticamente por czares de várias cores.

 

O metro de Los Angeles, quase exclusivamente usado por hispânicos, documenta a impotência do governo de uma cidade feita em nome do automóvel e assente em falhas geológicas para oferecer uma alternativa de transporte aos ilegais e excluídos que não podem conduzir um carro.

 

Com as suas estações vestidas quase por igual, com linhas rigorosas e depuradas servidas pelo cinzento do granito, o Metro do Porto é a cara da rudeza da cidade e da simplicidade franca dos seus habitantes. Não engana ninguém.      

 

«Então viestes a Lisboa para poderes andar de metro?!» Perdi a conta às vezes que ouvi esta alegada brincadeira, dita assim ou por outras palavras, da boca de colegas meus quando me encontravam nas minhas deslocações diárias de metro entre Telheiras (onde vivia) e o Marquês (onde era a sede do jornal), no período em que estive em Lisboa a editar a Revista do Expresso.

 

Os lisboetas usam desbloqueadores de conversa pouco imaginativos quando encontram alguém do Porto. Por regra, desatam a tentar imitar de uma forma boçal a nossa pronúncia («Atão, como vai o Puaartu?»), convencidos que estão a ser tão engraçados como o Ricardo Araújo Pereira.

 

Felizmente que há cinco anos deixaram de poder fazer humor com o facto do Porto não ter metro.

 

O Metro do Porto é também um motivo de orgulho de uma metrópole que durante anos a fio sofreu o estigma de não possuir o mais eficaz e moderno dos meios de transporte urbano.

 

Cinco anos depois, num momento em que a sua rede une as duas principais estações de caminho de ferro (Campanhã e S. Bento), o aeroporto, o Dragão e o El Corte Inglês, não tenho dúvidas de que metro é mais um motivo para termos orgulho em sermos portuenses, a par de Serralves, o Parque da Cidade, do FC Porto, das Caves de Vinho do Porto, do Majestic, do Jornal de Notícias, da Anémona de Matosinhos, da livraria Lello, das tripas, do rio Douro e da Casa da Música e o Metro – só para citar uma dúzia de exemplos de uma lista interminável.

 

Jorge Fiel

 

PS. No dia exacto em que se comemora o quinto aniversário sobre o início da operação do metro no Porto, deixo aqui um pequeno extracto de um texto que tive o prazer de escrever para o livro que sublinha esta efeméride – cuja capa ilustra e encima este «post».

 

Neste dia não posso deixar de exprimir o meu regozijo por a empresa do Metro do Porto ter apresentado um novo desafio pelo qual todos nós estamos obrigados a lutar – a construção da nova linha circular subterrânea que sirva os bairros populosos.

 

Música: Happy Birthday
Publicado por Jorge Fiel às 12:30
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

A verdade leninista do Jardim Gonçalves fundador do BCP

 

O jovem Jorge Jardim Gonçalves quando estudava para ser engenheiro. Foi sempre um menino bem comportado, católico de modos suaves e delicados, que acompanhava as meninas a casa e não era dado a namoricos

 

Lenine ensinou-nos que uma mentira se dita insistentemente acaba por passar por verdade.

 

É precisamente isso que está a acontecer com a biografia de Jorge Jardim Gonçalves que, durante a interminável novela ainda em cartaz, foi sempre apelidado de «fundador do BCP» por jornalistas ignorantes e ansiosos por encontrarem sinónimos que lhes poupem repetições excessivas do nome do engenheiro.

 

(ora aí está um sinónimo rigoroso, pois o futuro ex-presidente do Conselho Geral e de Supervisão do BCP licenciou-se em 1958 em Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e é frequentemente referido como «o engenheiro» nas conversas entre os quadros do banco)

 

Manda a verdade (não a leninista…) que se diga que Jorge Manuel Jardim Gonçalves não só não é «o fundador do BCP» como ainda por cima resistiu e colocou sérias exigências para aderir ao projecto que despontou na fervilhante cabeça de Américo Amorim e só se tornou uma realidade devido à indómita força de vontade deste empresário.

 

O BCP foi fundado no Verão de 1984 numa reunião de empresários na casa de apoio à piscina da vivenda da Granja (arredores do Porto) de Américo Amorim.

 

Amorim, que frequentara as reuniões promovidas por Artur Santos Silva que dariam origem ao BPI, zangou-se com este banqueiro e decidiu ele próprio fundar um banco comercial privado, inicialmente baptizado Banco Comercial Portuense ‑ a sigla BCP manteve-se, mas o qualificativo geográfico foi alargado com a substituição de Portuense por Português.

 

Jardim Gonçalves nem sequer foi a primeira escolha do grupo fundador liderado por Américo Amorim. Fernandes Tato, à época no Banco Borges & Irmão, foi o primeiro convidado mas declinou, por ter medo de embarcar na aventura.

 

Amorim e Jardim (à época presidente do BPA) não se conheciam. O primeiro encontro foi à mesa do grill do Altis.

 

O empresário não ficou com uma grande impressão deste seu primeiro encontro com o banqueiro, que se revelou ultra-cauteloso e praticamente se limitou a escutar razões e argumentos.

 

Jardim pediu tempo para pensar. Pensou e repensou. Após um mês de reflexão aceitou, mas só depois de Amorim lhe ter apresentado uma garantia bancária de 80 mil contos (ver para crer como S. Tomé).

 

Jorge Fiel

 

 

Música: Lola, The Kinks
Publicado por Jorge Fiel às 16:47
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Eu exijo uma Câmara do Porto endividada e que dê prejuízo

 

Acabo de saber, horrorizado, que Rui Rio prevê que o Orçamento da Câmara do Porto para 2008 se conclua com um «superavit» de 5,2 milhões de euros!

 

Esta notícia confirma as minhas piores expectativas. A Câmara do Porto está pessimamente governada. Aquilo que um munícipe exige da sua Câmara não é que é que ela dê dinheiro .

 

Uma Câmara não é uma empresa cotada e os munícipes não são accionistas sequiosos de pingues dividendos.

 

O que eu espero e reivindico é que a Câmara se endivide e dê prejuízo de modo a poder fazer fortes investimentos na melhoria da qualidade de vida dos habitantes da nossa cidade.

 

O espírito salazarista de «pobretes mas alegretes» contaminou o bom do nosso presidente da Câmara.

 

Rui Rio é aquele estilo de pessoa que não se importa de usar sapatos com as solas esburacadas, colarinhos puídos, calças remendadas, gravata com nódoas e casaco no fio, contanto que possa andar na rua de cabeça erguida porque não deve nada a ninguém. Ora isso já não se usa.

 

Este estilo salazarista, que se deve elogiar num contabilista e se admite num director financeiro, é absolutamente rançoso e inapropriado num presidente de Câmara.

 

Eu e todos os munícipes do Porto com dois dedos de testa olhamos com indisfarçável inveja para o enorme endividamento da Câmara de Gaia que possibilitou que o concelho vizinho desse um enorme salto em frente.

 

Eu e todos os munícipes do Porto com dois dedos de testa olhamos gulosos para o mega endividamento da Madeira, que lhe permitiu passar a ser a segunda região mais rica de Portugal, com o Funchal a ostentar um rendimento «per capita» bastante superior à média comunitária.

 

Eu e todos os munícipes do Porto com dois dedos de testa só olhamos de lado para o gigantesco endividamento da Câmara de Lisboa porque ele não foi acumulado de uma forma virtuosa no desenvolvimento da cidade mas sim a garantir bons empregos para os «boys» dos partidos.

 

A História recente está aí a provar esta verdade de sangue. Fernando Cabral foi o pior presidente da Câmara do Porto depois do 25 de Abril e deixou os cofres da autarquia cheios de dinheiro. Fernando Gomes foi o melhor autarca do Porto democrático e gastou o dinheiro todo que recebeu em herança de Cabral.

 

Eu e todos os habitantes do Porto com dois dedos de testa exigimos a Rui Rio uma Câmara endividada e que dê prejuízo.

 

Jorge Fiel

Música: Money, Pink Floyd
Publicado por Jorge Fiel às 15:49
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O Norte a mexer...

 Narciso Miranda vai ser comentador de televisão

 

Então vamos ter uma Televisão Regional do Norte!

 

Podem ter a certeza!

 

Ligados a este projecto estarão Fernando Eurico e Fátima Torres.

 

Haverá um painel de comentadores em que Narciso Miranda e Rui Sá farão parte.

 

Será transmitido pelo cabo para todo o País.

 

Se quiser mais pormenores dia 12 de Dezembro, 4º feira, no Hotel Bessa na cidade do Porto.

 

 

Sinto-me:
Música: I Want a TV
Publicado por Mário Rui Cruz às 00:56

Editado por Jorge Fiel às 09:23
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

O Meu Porto

 

 
Que vícios e hábitos urbanos são exclusivos do Porto?  
Mais do que ter vícios, o Porto vicia muito. É difícil explicar o que torna o Porto uma cidade única e exclusiva, pelo que isso tem de abstracto e sensorial. A Alma do Porto que se encontra no cimbalino, na conversa do barbeiro, no jornal apertado num pau, nos mercados das flores, das especiarias e do peixe, nas tascas que  rescendem a sopa e a vinho novo, nos cafés  de esplanada e bilhar montado, no barco rebelo que passeia por esse Douro melancólico, arreado de barris do vinho que leva o nome da Cidade ao mundo.  Depois também temos o resto,  mas a exclusividade do Porto e dos hábitos dos Portuenses estão nesta Alma nobre e Antiga...
 
O que tem mudado na Invicta?  
Felizmente pouco. A tradição aqui ainda é o que era.
É verdade que hoje há menos sedes de Bancos (capital), mas há mais arrumadores (trabalho), há menos voos no Sá Carneiro mas temos o Metro, há menos empregos mas há mais estudantes  
Mas também é verdade que as boas tripas continuam a ser no Ribeiro, o pato, com arroz de pato no Bule, o cozido e o  cabrito no Morfeu , o peixe e o marisco no Miguel ... O Bolhão apesar das obras e dos   excessos das pombas, está no mesmo sitio, o Majestic e a Arcádia recomendam-se,  o Coliseu ainda é dos Amigos, Serralves continua  belo e empreendedor, a Foz continua menina e luminosa, a Baixa continua granítica e romântica...., nós continuamos portuenses.   Enfim, as coisas seguras e verdadeiramente importantes, continuam por cá .  
 
Quais as características que diferenciam o Porto das restantes cidades?  
A Alma e o Corpo da cidade, feita de tantas coisas como as que já referi e o granito, a história e o rio.
O labor, a iniciativa e a generosidade das suas gentes...
 
Os portuenses têm uma forma própria de ser?
Sim, claramente. A face mais divulgada  (apesar de mal conhecida e confundida com outras regiões do Norte)  é a da pronúncia. Mas esta dimensão ajuda a perceber que o portuense tem um código genético  muito vincado.  A nossa pronúncia é principalmente a força do nosso carácter, traduzido em primeiro lugar no amor pela terra em que vivemos. Não foi por acaso que o território começou aqui e a expansão também. Só dá valor à sua terra quem lutou por ela. E nenhum outro como o portuense o fez, basta lembrar o Cerco do Porto, ou as Tripas que sobrevieram à carne oferecida pelos portuenses na expansão marítima. Depois temos com o burgo uma relação de serviço e de valor. E por isso a generosidade e o trabalho. E por isso a iniciativa e a vontade de vencer. Esta ideia de que com trabalho digno, com iniciativa e esforço é possível vencer -  ser Invicto, caracteriza muito a maneira de ser e de estar dos portuenses.   
 
O Porto ocupa o lugar que merece no panorama nacional?  
Nunca, jamais!  No caso do Porto,  o lugar que merece é seguramente o primeiro. Mas a verdade é que nenhuma região em Portugal tem o lugar que merece. Nem Lisboa que não  tem qualquer merecimento em  ser  declarada herdeira universal deste centralismo bacoco que não ajuda Portugal a ter um desempenho harmonioso e globalmente positivo.
 
Qual o local que mais aprecia na cidade?  
O Porto tem felizmente muitos portos de abrigo, apelativos ,   viciantes,  pelos quais continuo apaixonado.  A Foz, o Rio (Douro, claro)  e o Mar - o tal sabor a sal dos portugueses, são provavelmente no imaginário espacial do Porto, os lugares que mais me atraiem.
 
Quais os maiores problemas do Porto e de que forma os alteraria?  
O excesso de Estado na economia e o centralismo administrativo não ajudam o Porto. A sua iniciativa empresarial é obrigada,  pela prevalência do sistema financeiro e pelo investimento público, a deslocar-se para Lisboa. O seu capital humano tem que procurar oportunidades fora do Porto. O Porto desperdiça permanentemente talentos neste modelo político, económico e administrativo.  O que falta é mudar isto. Mudar o sistema político e fazer a verdadeira regionalização do País. Julgo até que se a globalização  económica e política não acabar com as nações e com as suas pronúncias, vai acabar por fazer justiça às regiões mais dinâmicas e com melhor iniciativa como o Porto.
 
Que figura  monárquica da Invicta mais marcou o rumo da história da cidade?
Não existem figuras monárquicas ou republicanas. Existem portugueses que nasceram involuntariamente em Monarquia ou em República. Porque acredito que a Monarquia trouxe melhores coisas a Portugal e mais bem estar aos portugueses, é normal que se tenham destacado também no Porto mais homens e mulheres que nasceram em Monarquia. Tenho dificuldade de pensar apenas numa figura. O Infante Dom Henrique é, por exemplo, um símbolo muito próximo  do empreendedorismo, da iniciativa e do arrojo dos portuenses.
 
António de Souza-Cardoso
 
Ps. Entrevista publicada no Destak de 3/12/2007
Publicado por António de Souza-Cardoso às 12:59
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Eu também me imPORTO

 

O Norte é uma região infeliz. O diagnóstico não é nosso. É de Carlos Lage, o socialista que preside à CCDRN. Mas achamos que ele tem razão.

 

O Norte está infeliz porque é a segunda região que mais contribui para a riqueza do país e é a última quando toca a distribuir essa riqueza.

 

O Norte está infeliz, porque é a região mais fustigada pelo desemprego mas o Governo não lhe vai lhe pôr no sapatinho, de prenda de Natal, uma Autoeuropa que crie emprego e aja como uma injecção de adrenalina num tecido económico deprimido.

 

O Norte está infeliz porque a queda livre das verbas do PIDACC destinadas para a região impede-nos de sonhar com amanhãs que cantam.

 

O Norte está infeliz porque o Porto, que é o seu coração, está doente.

 

Neste dia em que Lisboa debate se levanta 500 ou 140 milhões de euros ao banco do Estado, o Porto vota um orçamento com as unhas cortadas rentes apresentado por Rui Rio, em vez do Plano Marshall de que a cidade precisa para voltar a pôr a cabeça fora da água.

 

Neste dia em que faz onze anos que a Unesco declarou o Centro Histórico do Porto Património Cultural da Humanidade há uma luz que se acende no fundo do túnel.

 

A sociedade civil, dos Passarinhos da Ribeira ao Clube Literário, passando pelos Mareantes do Douro, acordou e, num movimento espontâneo, de base, decidiu festejar a proclamação da Unesco - , a marca de água do mais dourado período do Porto, que se iniciou com a construção do Museu de Arte Contemporânea, em Serralves, e encerrou com a inauguração da Casa da Música - compreendendo o Parque da Cidade, o Metro e o Porto 2001, capital europeia da cultura.

 

A sociedade civil levanta-se e diz que se importa com o estado comatoso em que o Porto e o Norte caíram, à míngua de liderança e face á habitual usura do Poder Central.

 

Neste dia, juntamos a nossa à vossa voz e também gritamos: Eu imPORTO-me!

 

António Souza Cardoso

Fernando Rocha

Jorge Fiel

Juca Magalhães

Mário Rui 

Manuel Queiroz

Manuel Serrão

Rogério Gomes

 

 

 

 

Música: Nona Sinfonia, Ludwig von Beethoven
Publicado por Jorge Fiel às 20:37
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Rapidamente e em força

 

Presenciei um momento mágico na única vez que fui a Luanda, no final do anos 80. Viajava com o Nicolau Santos, que, 15 anos depois, retornava pela primeira vez ao país onde nasceu e se fez homem.

 

Deixamos as malas por abrir no Hotel Presidente e fomos logo passear. A primeira escala foi a casa onde o Nicolau cresceu. À janela estava um negro idoso, que após um momento inicial de hesitação, soltou uma frase curta, dita com a voz a tremer: «Menino Nicolau!!!».

 

Caíram emocionados nos braços um do outro. A antiga casa do Nicolau tinha ficado para o empregado da família - e o meu amigo estava feliz por assim ter acontecido.

 

Mais de 15 anos volvidos sobre este momento, a Angola sem esperança e destroçada pela guerra que visitei já não existe mais. Agora é o país do Mundo que mais cresce – 23,4% este ano, 26,6% no próximo.

 

O petróleo é a locomotiva deste fantástico crescimento que permite a Luanda ter em curso um plano de investimento de 21,5 mil milhões de USD em infra-estruturas.

 

São já muitas as empresas portuguesas que têm sabido surfar em cima desta onda. De Janeiro a Setembro, as nossas exportações para Angola aumentaram 41% face ao mesmo período de 2006.

 

Portugal é o principal fornecedor de Angola, que é o nosso 2º maior mercado fora da UE  O GES, PT, Américo Amorim, BPI e as principais construtoras já lá estabeleceram sólidas bases. E está na linha de partida uma vaga de investimentos industriais de produtoras de bens de consumo, como a Unicer, Compal, Tintas Barbot, Fogões Meireles e Aerosoles. 

 

Os dois países estão a cair nos braços um do outro, tal como aconteceu com o Nicolau e o antigo serviçal da família Santos.

 

Angola é uma janela aberta que deixa entrar ar fresco na nossa economia estagnada e sociedade sufocada por uma taxa de desemprego recorde.

 

Atendendo à importância estratégica de Angola e ao facto de, pela primeira vez em 30 anos, as economias dos países subsaharianos estarem a crescer ao mesmo ritmo que o resto do Mundo, o Governo Sócrates brilhou a grande altura ao colocar África na agenda internacional.

 

Mas para garantir o sucesso da cimeira UE-África, Sócrates tem de tornar evidente perante a opinião pública internacional a enorme hipocrisia do seu amigo Gordon Brown ao invocar o pretexto da presença do ditador Mugabe para tentar boicotar a reunião.

 

Devemos fazer nossa a lição de pragmatismo dada pelo antigo primeiro ministro inglês Disraeli: «Não temos nem aliados eternos, nem inimigos perpétuos. O que temos é interesses eternos e perpétuos».

 

E os interesses de Portugal implicam que 45 anos depois, volte a estar actual o «soundbyte» de Salazar: «Para Angola, rapidamente e em força».

 

Só que desta vez não vamos de barco fardados e de Mauser ou G3 na mão. Também não vamos como pais que usam a força para tentar meter na ordem um filho rebelde.

 

Desta vez, vamos de avião, com mercadorias e contratos de investimento na mão. E já não nos relacionamos como pai e filho, mas antes como primos, que sabem que são diferentes mas se respeitam e sabem que aquilo que nos une é muito maior do que o nos divide.

 

 

Jorge Fiel

 

PS. Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje (www.oje.pt)

 

Música: O vento mudou, de Eduardo Nascimento
Publicado por Jorge Fiel às 16:41
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Lisandro da Luz

Escrevo este post do Estádio da Luz, este símbolo do centralismo pós-25 Abril, que nem é bonito nem é feio e a que falta, sobretudo, uma marca própria, orque há dois ou três iguais no mundo.

Escrevo no fim do Benfica-FCPorto (0-1, golo de Quaresma 43m)impressionado com Lisandro. É que o homem correu uma barbaridade e jogou com uma inteligência impressionante. Faltou-lhe um golo, esteve perto, mas Licha é, sobretudo, o verdadeiro jogador`"à Porto". Como jogador de equipa, nunca pagarão por ele o que ele realmente vale e, por isso, o melhor era ficar cá até ao fim da vida. É difícil arranjar um jogador assim por 2.5 milhões de euros (metade do passe) e faz um jeito que nem vos digo.

Manuel Queiroz

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Publicado por Manuel Queiroz às 21:53
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A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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Fotografia no cabeçalho da autoria de almofrela.
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