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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

VIVA 2008

 

 

Meus caros bussolistas. a

Agora que este ano de 2007 está a terminar cá pelos nossos lados, porque em muitas regiões do globo já abriraram o champanhe , soaram as badaladas, comeram as passas, etc , etc , estou aqui e agora para vos desejar um ÓPTIMO 2008.

A todos.

Aos que têm nome, aos que o não têm, aos que falam de coisas sérias, aos outros, aos que destilam ódio, aos têm piada e aos que nada dizem.

Aos do Norte - para onde a Bússola sempre aponta - aos do sul, centro e ilhas.

Aos que concordam e aos que estão sempre contra. 

A todos os que neste curto espaço nos brindaram " com os seus comentários e fizeram deste blog um "caso de sucesso".

Fiquem bem. Não se excedam. Deixem isso para o Bússola.

Sejam felizes.

Continuem a aparecer  e sempre a "assapar " no Bússola.

Viva 2008

 

Que faria o Faria ….

Luis Filipe Menezes, em nome de benefícios mais higienicamente repartidos pelos partidos do bloco central, reclamou para Presidente da Caixa Geral de Depósitos um homem da sua Família politica. Deu ainda, nessa sua exigência de “divisão de benesses”, o exemplo de um seu conterrâneo, Miguel Cadilhe, como homem de perfil adequado ao cargo em questão, sugestão que julgo genuína e inocente.

 

O Governo, pouco tempo depois, veio fazer-lhe meia vontade, ao nomear Faria de Oliveira, militante do PSD e ex-Ministro de Cavaco:

Concordou que estava na altura de “dar algum” à oposição, que a alternância existe e é preciso aconchegar e acautelar o futuro.

 

Não concordou que um homem do Norte pudesse aceder ao apetecível privilégio de presidir ao maior Banco Português.

 

O que sinceramente me aflige é que tenhamos chegado a este ponto de clientelismo e egoísmo partidário – os tachos existem e são só para nós!

 

Na dita sociedade civil pode haver gente muito competente, experiente, qualificada e íntegra, mas nenhum deles passou pela estopada de pertencer e militar anos a fio, com assíduo fervor, no aparelho de um dos grandes partidos, abdicando muitas vezes de uma formação escolar e profissional condigna e compatível com as exigências do mercado e do futuro.

 

O que francamente me preocupa também é que de entre a classe politica os tachos de maior boca ou brilho, “saiam” quase invariavelmente a gente do sul.

 

A República comemora daqui a 2 anos o seu centenário e julgo que nunca como agora, com mais de 30 anos de Democracia, o Estado nos faz recordar tanto esse ambiente cortesão e “clientelar” dos agitados primórdios do regime que haveriam de acabar numa longa, empobrecedora mas correctiva ditadura.

 

Apesar dos indícios, espero sinceramente que saibamos desta vez reinventar e qualificar a nossa Democracia.

 

Para já fica apenas a dúvida - se o Faria faria o que vai fazer se não tivesse feito o que fez!

 

António de Souza-Cardoso

Devemos ou não apoiar a campanha de Paris Hilton a favor dos elefantes indianos viciados em cerveja?

 

 

Mão amiga e indignada fez-me chegar à mão o recorte de um artigo publicado há um mês no Expresso em que Miguel Sousa Tavares gasta uma página nobre do primeiro caderno do prestigiado semanário a destilar ódio contra a Regionalização.

 

Antes de expressar o meu ponto de vista sobre esta matéria, devo clarificar o que penso sobre o Sousa Tavares.

 

Apenas me cruzei com ele uma vez, num Verão, durante uma noite de poker aberto, no Zavial.

 

No geral, aprecio a forma coloquial das suas prosas, que, apesar de excessivamente extensas, são de fácil consumo uma vez que ele escreve tal como estivesse connosco à mesa do café.

 

Quando eclodiu a polémica a propósito do lançamento do «Rio das Flores» entre os mais dois notórios e vaidosos fumadores da imprensa portuguesa (outro é o Vasco Pulido Valente) fui logo a correr ler o «Equador».

 

Gostei. Escrita escorreita, intriga bem urdida e desenvolvida – e um magnífico e inventivo desfecho. Merece a porrada de exemplares que vendeu.

 

Sempre que, por algum acaso, me dispus a ler as crónicas de MST, habituei-me a concordar sempre que ele opinava sobre matérias que eu desconhecia - e a achar ignorantes, pobres e mal amanhados os argumentos que ele alinha sobre assuntos em que eu me sinto bem informado.

 

A prosa anti-regionalização não é uma excepção a esta regra.

 

Ao declarar que não acha indispensável a realização de um referendo para a realização do referendo, Elisa Ferreira foi o gatilho desta crónica anti-regionalista.

 

Tavares vê nesta inocente e justa declaração de Elisa a ponta do iceberg da conspiração dos regionalistas que, na sombra, «congeminam um golpe de Estado anti-democrático».

 

Parece-me óbvio que MST está a ver perdizes nas pereiras, o que apenas seria desculpável se ele fumasse outro coisa que não tabaco produzido pela Philip Morris.

 

A Regionalização está prevista na Constituição da República.

 

Sócrates obteve a maioria absoluta apresentando ao eleitorado um programa onde constava a Regionalização.

 

Menezes venceu as directas do PSD usando a Regionalização como umas das suas mais queridas bandeiras.

 

Dito por outras palavras, a Regionalização pode ser referendada, se calhar deve ser referendada, mas não tem obrigatoriamente de ser referendada.

 

Pessoalmente acho que o referendo é um pretexto de líderes fracos e inseguros para não assumirem decisões polémicas, escondendo-se atrás do voto popular.

 

Ora a essência da democracia representativa consiste em eleger pessoas, com base em programas e promessas, para governarem o país (ou uma região, ou uma autarquia) durante um determinado de período pré-estabelecido, e que serão julgadas no final do mandato pelo voto popular.

 

O recurso ao referendo, que consiste em transferir para as mãos do eleitorado a decisão (e o ónus dessa decisão…), apenas deve ser usado em circunstâncias excepcionais e com matérias que não tenham sido previamente debatidas na campanha eleitoral.

 

Sócrates passou a campanha eleitoral a repetir que as Scuts iriam manter-se sem custos para os utilizadores e que não iria subir os impostos.

 

Chegada a hora da verdade, nem sequer lhe passou pela cabeça fazer referendos antes de voltar atrás com a palavra ao aumentar o IVA e introduzir portagens nas Scuts.

 

Decisões nucleares como a independência das nossas colónias africanas, a adesão à CEE e a substituição do escudo pelo euro foram tomadas por Governos democráticos sem nunca ter passado pela cabeça de ninguém submetê-las a um referendo.

 

Por todas estas razões, acho vergonhoso, desonesto e delirante falar numa «conspiração dos regionalistas» e etiquetar como «golpe de Estado anti-democrático» a hipótese legítima de fazer a Regionalização sem referendo.

 

Mais acrescento que os maluquinhos dos referendos deveriam ocupar o seu tempo a promover consultas populares sobre temas mais divertidos. Aqui ficam três sugestões

 

Qual é a melhor solução para o novo aeroporto de Lisboa? Ota, Alcochete ou Portela+1? (fazer uma cruzinha no quadrado correspondente)

 

Deve ser autorizada a entrada nos restaurantes e casas de pasto a jovens com menos de 16 anos?

 

Deve o Governo português contribuir financeiramente para a campanha internacional liderada por Paris Hilton de defesa dos elefantes indianos viciados em cerveja de arroz?

 

Jorge Fiel

 

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

 

350 mil - Serralves em Grande

 

 

O Museu de Serralves (Porto) atingiu neste ano de 2007 o número recorde de 350 mil visitantes.

 

É um número "anormal" para o nosso país que tem tão poucos hábitos culturais.

 

Com este elevado número de visitantes Serralves é o segundo museu mais visitado do país logo depois do Museu dos Coches (Lisboa).

 

Refira-se que este número corresponde ao número real de visitantes.

 

Passo a explicar:

 

Estas 350 mil pessoas são as que entraram nos portões do museu. Há, no entanto, outras formas de contabilidade.

Por exemplo em Serralves estão neste momento patentes ao público 6 exposições. É normal que um visitante vá até lá para ver uma ou duas exposições em concreto mas acaba sempre por dar uma "voltinha" nas restantes. Em Serralves este visitante conta como uma pessoa. Há museus, e em Portugal faz-se isso, que o número de visitantes conte por exposição.

 

Ou seja: um cidadão vai a um Museu vê duas, ou três exposições no mesmo  Museu e conta duas ou três vezes. E por aí fora...

 

Por isso não se admirem que apareça alguém a falar em números verdadeiramente astronómicos. O importante, neste caso, é saber como é que as contagens se efectuaram.

 

Para que os números de Serralves sejam possíveis há um grande trabalho duma equipa altamente competente e empenhada.

 

Ao Dr. Gomes de Pinho, Presidente da Fundação, à Drª.Odete Patrício, Secretária Geral, e ao Dr. João Fernandes, Director do Museu, os parabéns por em tão poucos anos e duma forma sustentada terem transformado um sonho num Museu de referência nacional e internacional.

 

O Museu não só tem estado na vanguarda como tem alargado as suas áreas de influência artística mas também territorial.

Hoje em dia há Serralves um pouco por todo o país numa política de descentralização e dinamização da arte Contemporânea. Não podia ser doutra maneira. Os Museus que se fecham estão condenados ao fracasso.

Mas Serralves não pára. Em 2008 vêm aí as Industrias Criativas um forma inovadora para descobrir e dar oportunidades a novos talentos e o grande projecto que é o Pólo 2 de Serralves, em Matosinhos (o nome definitivo ainda não está encontrado).

Sobre este projecto, em fase já muito avançada, e que envolve Serralves, a Câmara de Matosinhos e a Fundação Belmiro de Azevedo, vai haver notícias a muito curto prazo.

Nota de rodapé: Perante a obra de Serralves suou muito a injustiça a gafe de José Sócrates na inauguração do Museu Berardo, onde o Estado "empenhou" couro e cabelo, ao dizer que havia sido suprimida uma lacuna em Portugal. Engano? Desconhecimento? Não sei. Injustiça.

Não somos iguais, não somos diferentes...somos melhores!

 

 

 

Já sei que não é politicamente correcto afirmá-lo e que se vão levantar vários artistas da cassete pirata e do bloguismo anónimo contra mim , mas sinceramente estou- me ....nas tintas.

 

Quase desde que me conheço que ouço gente a discutir se o Porto é melhor que Lisboa ou o contrário. Tenho para mim que o que faz realmente a diferença  que conta nas cidades  são as pessoas , muito mais que as pedras , sejam modernas ou famosas.

 

Graças às feiras que  frequentei ao longo dos últimos anos  , conheci o mundo como não sonhava sequer e as minhas estadas em Barcelona e Madrid deram- me uma ideia muito aproximada do que é uma rivalidade com final feliz, A Autonomia Regional !

 

Quando os "nuestros hermanos" têm algum convidado que querem distinguir , se são de Madrid apressam-se a escolher um restaurante que imaginam possa impressionar o cliente ou amigo. Bem ao contrário , se são de Barcelona , convidam-no para casa.

 

Por cá não podia ser mais parecido ,!  Dos meus seis anos de estudo em Lisboa retirei com a confirmação de que esta estória é verdadeira. O lisboeta médio não gasta um tostão supérfluo na casa porque encara o lar,doce lar, como uma mera extensão do  seu escritório , onde mulher não entra não.

 

Já em Barcelona , como acontece  com muitos portuenses, se queremos honrar akguém

fazemos tudo para o receber em casa. Desde logo porque investimos na casa tudo o que podemos e depois porque um amigo   não se recebe ao balcão de um tasco por muito moderno e ostensivo que seja.

 

Parecendo pequena , esta diferença diz muito sobre o estado das relações humanas entre cidades onde muito boa gente julgava...e julga ..que não há nenhuma diferença.Mas há e não é pequena.

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bussola

 

Pelotão Mestre de Aviz

 

Manuel serrão

 

 

 

 

Não “Bulam” Muito!

 

Esta é uma época de Paz, Harmonia e Boa Vontade.

 

Para um Nortenho como eu é também uma época de Tradições. Algumas, mais valorativas, fazem apelo ao sentido de Família, de partilha e de encontro e proximidade com o Outro.

 

As restantes mais “recreativas” estão associadas a um conjunto ancestral de práticas e preceitos que sendo próprios desta época, não deixam de contar para a identidade e afirmação de cada região.

 

A imensa tradição gastronómica portuguesa é disso exemplo paradigmático. À cabeça do rico receituário nacional está a Região Norte do País, com propostas que vingaram no tempo e se perpetuam no hábito e no gosto de muitas gerações.

 

Talvez não seja o momento “vesicular” apropriado para recordar os dilectos representantes da tradição gastronómica do Norte. Mas ainda hoje, na ruminante digestão dos festejos natalícios, me conforto na certeza de que dificilmente estas arreigadas tradições se deixarão diminuir pelo inexorável terramoto da globalização.

 

Por falar em gastronomia e em terramoto, acabo de passar, neste luminoso principio de tarde, na Foz, na Avenida Montevideu, junto ao Restaurante Bule.

 

Uma casa de bem receber, dirigida com mão de mestre e onde se manteve o prazer de estar à mesa, á roda de propostas degustativas de inegável valor.

 

Foi lá que comecei a namorar, por ser um sítio quieto e tranquilo. É lá que volto tranquilamente, para o encontro a mesma quieta tranquilidade e a mesma segurança gastronómica.

 

No olhar que me fugiu para o Bule verifiquei com sobressalto que a casa tinha sido arrasada. Sei que há uma proposta generosa e ampla de reforço deste santuário gastronómico, protagonizado por gente credível e sabedora.

 

Só não queria, como nortenho que conhece bem o valor gastronómico da nossa região, que nos escombros do Bule, se desmorone também o receituário e a prática desta Casa de Bem Comer.

 

O pato assado na tábua com arroz do mesmo fazem, entre outras propostas da Casa, muita falta à cidade do Porto.

 

Que o Novo Bule tenha vida ditosa e a sabedoria de não “bulir” naquilo que lhe deu ampla notoriedade e agradável memória.

 

António de Souza-Cardoso

 

 

Porque raio é que isto não pára de descarrilar?

 

Muito provavelmente falta-me informação – técnica e preciosa. Não arranjo outra explicação para o disparate tremendo que me parecem ser a obras de remoção dos carris do eléctrico das avenidas Brasil e Montevideu.

 

Os carris estavam lá desde tempos imemoriais. Quando eu era miúdo (o que já foi há um data de tempo) passava Agosto na praia do Molhe onde a minha família alugava uma barraca ao mês. Fiz sempre de eléctrico o percurso entre a minha casa, na avenida Rodrigues de Freitas, e a Foz.

 

Progressivamente substituído pelos autocarros, o eléctrico foi morrendo aos poucos, até que lhe passaram a certidão de óbito. A título de prolongamento do Museu do Carro Eléctrico e evocação do passado, foi deixada em actividade parte da actividade da antiga linha 1, na marginal fluvial.

 

O eléctrico arrastava-se moribundo, mas os carris em que outrora se deslocavam mantinham-se orgulhosamente vivos durante décadas a fio ao longo dos cerca de dois quilómetros da marginal marítima do Porto.

 

Agora que a crise do petróleo devolveu o eléctrico à lista das boas soluções a considerar no que concerne aos transportes públicos urbanos, e que Rui Rio investiu, com pompa e circunstância, no regresso do eléctrico à Baixa, alguém (jurem-me, pf, que não foi o presidente da Câmara!) decidiu gastar uma pipa de massa a levantar os carris na Foz.

 

Não me parece ser necessário ter um pós doc. em transportes públicos urbanos para perceber que faz todo o sentido dilatar até ao Castelo do Queijo/Avenida da Boavista (ou até mesmo a Matosinhos, onde poderia amarrar na linha do Metro) o percurso da linha 1, que nasce no Infante (mesmo ali ao pé da fantástica Igreja de S. Francisco) e agora se interrompe na Cantareira.

 

Arrancar os carris do eléctrico nesta altura do campeonato, soa-me a um imenso e dispendioso disparate.

 

Será que há por aí alguém que saiba coisas que eu não sei e me consiga explicar o sentido daquela obra na Foz?

 

Jorge Fiel

 

PS. Estão todos convidados para a grande reinauguração da Lavandaria, que terá lugar amanhã, 2ª feira, véspera de Natal, aqui no Sapo (lavandaria.blogs.sapo.pt).

 

Para sublinhar a ocorrência, trago à luz do dia um «post» mártir dos heróicos tempos da Roupa para Lavar, que apesar de ser copiado dos melhores dicionários da língua portuguesa (Houaiss, Porto Editora e Academia) deparou com um gélido acolhimento por parte das autoridades do Expresso.

 

Espero que todas as preclaras e preclaros me façam o subido favor de me distinguirem com a vossa visita. Obrigado!

 

 

Um justo e merecido elogio à imaginação criativa dos nossos bravos da PJ

 

Van Gogh não passou a noite em branco para pintar a sua célebre Noite Estrelada

 

 

O pessoal da PJ pode não ser dotado de grandes aptidões para a investigação criminal mas alardeia uma brilhante imaginação criativa no baptismo das suas operações.

 

Não posso deixar de apresentar os meus mais sinceros parabéns ao (à) inventor (a) da Operação Furacão.

 

Se tivermos em conta os resultados, não podemos deixar de pensar que teria sido mais prudente e adequado apelidá-la de Operação Brisa -  ou até mesmo Operação Corrente de Ar.

 

Mas nota-se que quando foi cunhada a operação a intenção dos padrinhos era magnífica, a de semear um rasto de destruição e devastação nos bancos e grandes companhias que se divertem a ganhar ao Fisco no jogo das escondidas.

 

Valha-nos a intenção, apesar de todos estarmos carecas de saber que o Inferno está repleto delas (das boas intenções).

 

Não posso esconder a inveja que sinto pelos agentes da PJ que crismaram a Operação Apito Dourado.

 

Trata-se de um nome feliz, que compreende uma conotação erótica (o apito é da cor do chuveiro na expressão inglesa «golden shower» que designa a bizarra prática sexual de urinar em cima de outrém), como convém a um caso onde abundam a fruta e os pingos escuros – bem como outras variedades de café com leite.

 

Se eu, por um daqueles acasos em que a vida é fértil, decidir torrar na inauguração de um bar de alterne a massa que o Expresso me pagou para se ver livre de mim, não hesitarei um micro-segundo em baptizá-lo Apito Dourado. Com a devida vénia aos génios da PJ.

 

Até me parece que já estou a ver o letreiro luminoso, com um enorme apito dourado a piscar em cima de um cesto de fruta copiado de uma natureza morta do Cezanne.

 

Não posso deixar de aplaudir, de pé, a argúcia e bom humor que se dissimulam por detrás do baptismo da operação em curso, Noite Branca, desencadeada com o benemérito intuito de colocar um ponto final à criminalidade violenta que tem sacudido a noite portuense.  

 

Em primeiro lugar, saúdo o saudável sentido de humor do padrinho, que estava perfeitamente consciente de que os agentes envolvidos na operação iriam passar uma data de noites em branco, por causa da Operação Noite Branca.

 

Depois, descortino na escolha do nome uma cifrada sugestão enviada ao cuidado de Rui Rio, para que ele imite a iniciativa do seu homólogo parisiense e promova anualmente no Porto uma noite branca.

 

Assino por baixo a sugestão. Por um daqueles acasos em que a vida é fértil (não sei porquê mas estou convencido que já não é a primeira vez que uso esta expressão J ) eu estava em Paris no dia da primeira noite branca.

 

Foi uma coisa em grande. Todos os monumentos nacionais e edifícios públicos estiveram de porta aberta durante toda a noite.

 

Aproveitei para subir , de borla, até ao topo da Notre Dame, onde estão os aposentos do Corcunda. E assisti a uma irrepetível sessão de leitura de poesia numa repartição de Finanças no Marais.

 

Para conferir uma visibilidade extra a esta meritória iniciativa, o «maire» gay de Paris, Bertrand Delanoe (amigo íntimo e de longa data de António Monteiro, o nosso embaixador em Paris) deixou-se apunhalar, a meio da noite, no Hotel de Ville, no meio de um multidão de testemunhas.

 

Atirando para trás das costas as recordações parisienses, resumindo e baralhando. Os PJ até podem ser desajeitados na investigação criminal. Mas são exímios no que toca a baptizar operações e sempre que as coisas resvalam do estreito terreno da realidade para o fértil território da ficção.

 

Moita Flores, o ex-inspector da PJ reconvertido em prodigioso argumentista de telenovelas, é a prova dos nove do que acabo de escrever.

 

Jorge Fiel

Breve relato de uma excursão à Baixa nas vésperas de Natal

 

Ontem fui à Baixa. O destino final era o Media Markt de Fernandes Tomás, mas o trânsito estava de tal maneira entupido que desisti de lá chegar com o automóvel. Deixei a minha carrinha Fiat Marea estacionada em frente ao Palácio da Justiça.

 

A propósito do Palácio da Justiça, abro um parêntesis para desabafar que não é feita a devida justiça ao mais lídimo exemplar portuense da arquitectura Estado Novo  - prima direita das majestosas arquitecturas soviética e nazi/fascista.

 

Foi sábia a decisão de deixar o carro junto ao Jardim da Cordoaria. Por sugestão do João (o mais novo dos meus três filhos tem sete anos) embarcamos na roda gigante instalada na praça fronteira à Cadeia da Relação.

 

A roda gigante veio mais uma vez provar a justeza da opção dos arquitectos da Porto 2001 de deixar as praças da Baixa despedias de ornamentação supérflua, preferindo-as como uma folha de papel em branco que os cidadãos se vão encarregando de preencher.

 

É nas despojadas praças da cadeia da Relação e D. João I , e na não menos despida avenida dos Aliados que estão provisoriamente instalados equipamentos de diversão natalícia – a árvore, uma pista de patinagem e a roda.

 

Voltando à roda, há a referir três boas surpresas: o preço (a viagem de cinco voltas é de borla) , a formidável vista que proporciona – foi bonito ver ao entardecer a árvore de Natal e a Torre dos Clérigos – e a confirmação da beleza minimal da reconversão do Jardim da Cordoaria dirigida por Camilo Pinto, que devolveu aos habitantes da cidade um gueto nocturno outrora apenas usado por «gays» ao engate e era um santuário da prostituição masculina.

 

A árvore do Natal do Millennium inspira-me sentimentos contraditórios.

 

A favor, tem o facto de ser linda, atrair gente e animação – e ser adorada pela ganapada.

 

Contra, há a contabilizar o duplo desperdício energético – não só da energia que a iluminação que ela consome mas também os gastos que induz ao engordar (e de que maneira) os engarrafamentos natalícios.

 

O Media Markt é um óbvio e valoroso melhoramento para a Baixa. Já o Gran Plaza (o mais recente centro comercial do Porto de que o Media Markt é a âncora) foi para mim uma enorme decepção.

 

A inauguração do Gran Plaza foi no essencial boa para o seu vizinho e concorrente Via Catarina, que está a bater recordes de vendas, surfando em cima da curiosidade motivada pela dupla Media Markt/Gran Plaza.

 

Acabei a minha excursão à Baixa descendo Santa Catarina até à Batalha, onde lamentei uma vez mais a longa frequência (passa de meia em meia hora) e a estreiteza do horário (acaba às 19h00) do eléctrico da linha 22.

 

Eu e o João gostaríamos muito de ter tido a oportunidade de regressar de eléctrico até à zona dos Leões, onde tínhamos deixado a Fiat Marea.

 

Jorge Fiel

Bem prega Saldanha Sanches

José Luís Saldanha Sanches, fiscalista, comentador de rádio, televisão e jornais, marido de Maria José Morgado e também recentemente um responsável da candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa falou aqui há tempos dos problemas que havia com o Ministério Público e autarquias de província.

Cito:  "Nas autarquias da província há casos frequentíssimos da captura do Ministério Público (MP) pela estrutura autárquica". "Há ali uma relação de amizade e cumplicidade, no aspecto bom e mau do termo, que põe em causa a independência do poder judicial", disse Saldanha Sanches.

Na altura critiquei, num artigo no CM, as declarações de SS. O Manuel Serrão também, no JN. Até porque ele se referia à província do Norte
Pois ontem ficámos a saber, pela voz de Ferro Rodrigues, coisas interessantes de cumplicidade, ou amizade, nobom ou mau sentido.

O antigo lider do PS, em tribunal, depondo no âmbito do Caso Casa Pia, disse a propósito do envolvimento do seu nome no caso, que houve várias pessoas que lhe falaram disso antes de tal ser público. "Mas Ferro Rodrigues disse só ter ficado 'preocupado' quando foi contactado pelo fiscalista Saldanha Sanches: 'Ele tinha a certeza de que o meu nome estava a ser plantado'". (In Público de hoje).

SS tinha certezas através de quem? Leu nas estrelas? Foi o travesseiro? Ou trata-se aqui do "aspecto bom do termo" para ficar nas palavras do homem que foi incompreendido no seu exame de agregação e foi chumbado? Ou este será um caso de captura do MP pela estrutura socialista?

O grande educador da classe política, empresarial e não só, fê-lo com certeza pela amizade que tem com FR. Mas é capaz de ter que ser aberta alguma investigação no MP para saber como é que obteve as informações protegidas pelo segredo de justiça.

O moralismo é sempre bonito, mas convém às vezes olhar para nossa casa.  

Manuel Queiroz

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