1 - Faz hoje 20 anos que nasceu a TSF.
A rádio em Portugal mudou.
Mudou pela "agressividade" da estação e da informação, pelos seus quadros jovens, pela disponibilidade, pela forma, pela "lufada de ar fresco ".
Os tempos da rádio tipo Emissora Nacional estavam condenados ao fracasso.
Sou jornalista. Trabalhei na Rádio Comercial - uma TSF dos anos 60 com uma imensa condicionante que era a censura - entre outros meios de comunicação mas também na Rádio Nova, mais ou menos simultânea da TSF. Era muito parecidas e na altura de grande sucesso.
A Nova liderava no grande Porto para onde estava voltada. Foi a Nova que amplificou a TSF no Porto e a TSF fez o mesmo com a Nova em Lisboa.
Pode dizer-se, em linguagem moderna, que se utilizaram as sinergias de ambas para atingir o sucesso.
Foi uma grande experiência. Foram tempos heróicos .
A TSF manteve-se fiel ao seu estatuto, ficou como rádio-notícias , mesmo com a renovação de alguns dos seus quadros, a NOVA "perdeu-se" com a saída de jornalistas "ancora" e com a alteração de filosofia editorial. Passou duma rádio de informação contínua para ser um "grande gira-discos". Saiu de cena.
Parabéns TSF
Os políticos tiveram que alterar os seus ritmos. Havia a necessidade de estar sempre atento e disponível . O temo das perguntas "simpáticas" tinha acabado. As noticias deixaram de ter hora certa.
Era notícia era para dar...
2 - O mítico treinador do FCPorto , José Maria Pedroto, tinha uma frase onde expressava todos os problemas e dificuldades que o seu clube tinha quando ia jogar a Lisboa.
Dizia mais ou menos isto e cito de memória: "...quando passamos a Ponte D. Luiz já estamos a perder um a zero".
Eram tempos longínquos, as comunicações era muito difíceis , as acessibilidades muito complicadas. As distâncias era muito grandes.
O que é grave é que tantos e tantos anos depois o discurso seja muito parecido.
Há dias no JN, Mário Dorminsky, o director do FANTASPORTO, que está a decorrer, lamentava-se e dizia que "Lisboa tenta sempre dinamitar o que sai do Norte".
Ele lá sabe, Mas que o país está mais centralizado do que nunca é uma verdade. Que o centro de decisão e onde tudo acontece e se faz com que aconteça é em Lisboa.
Do tipo Portugal é Lisboa, o resto é paisagem!...
Não deixa de ser interessante que dias antes, numa conferência, o Ministro Augusto Santos Silva tenha dito que há "racismo" em Lisboa para quem chega do Porto.
É uma verdade.
Não foram os "lobbies" da capital que "mandaram embora" a ministra da cultura ainda recentemente e no passado Fernando Gomes não foi "corrido" pelas intrigas palacianas de Lisboa?
Deixo só este testemunho.
No ano passado, durante a Trienal de Arquitectura, em Lisboa, estava a ser apresentado um grande projecto dum Museu Nacional a ser construído no Norte. Tudo a gente estava entusiasmada. Havia Ministro, arquitectos, administradores de grandes grupos e muita gente da cultura. Perante o grande entusiasmo geral aconteceu a exclamação duma circunstante para o Ministro da Economia.
-Senhor Ministro temos de trazer isto para Lisboa.!
Está tudo dito.
A minha mãe mora no 6ºC e tem uma boa impressão da vizinha do lado. Diz-me que a Dona Luisinha do 6º D está sempre pronta a ajudar – só tem o defeito de não conseguir evitar dar uma enorme publicidade às suas boas acções.
Sempre que empresta dinheiro à mulher do senhor Zé Manel ou vai à farmácia aviar a receita para a viúva do 10º A que está acamada, a Dona Luisinha faz questão que o prédio todo tome conhecimento destes seus actos generosos.
A minha mãe não aprecia que este vício da vizinha do 6º D e por isso evita pedir-lhe alguma coisa pois já sabe que esse favor vai ter o preço de cair no domínio público do prédio.
Vem a história da Dona Luisinha a propósito da excelente campanha publicitária em que o BES chama a atenção para o facto de que ser muito mais do que um banco que obtém lucros gordos a vender caro aos clientes o dinheiro que lhes compra barato.
A campanha é feliz não só do ponto de vista estético, mas também do ponto de vista de «timing» já que 2007 foi o primeiro ano em que as notícias do BES não transbordaram da página financeira para a dos escândalos, ao contrário do que sucedeu com os seus principais concorrentes.
È também feliz para as cofres dos meios de Comunicação Social que foram bafejados com ela. Três páginas duplas de publicidade (na versão tablóide) são um maná dos céus nestes tempos de incerteza e vacas magras.
Vejo a campanha do BES como um «teaser» para a divulgação do Relatório de Responsabilidade Social em que o banco detalhará o que fez para dar de volta à comunidade parte do dinheiro que ganhou no seu negócio.
A responsabilidade social e a sustentabilidade estão definitivamente na moda e todas as grandes companhias cotadas sentem a obrigação de acompanhar o Relatório e Contas, onde explicam como ganharam dinheiro, de um outro relatório onde pormenorizam como devolveram à sociedade parte da massa que lhe extraíram.
Só posso elogiar as empresas que se preocupam em reparar o que estragaram na Natureza com a sua actividade - e que devolvem parte dos seus lucros sob a forma de subsídios à investigação científica e patrocínios culturais ou a actividades nobres de organizações não lucrativas. Só posso admirar companhias conscientes do seu papel social e que actuam em conformidade.
A única coisa que não me parece tão bem é que as empresas não resistam à tentação de obter ganhos de imagem à custa do bem que fazem, armando-se em santinhas e transformando-se numa espécie de correspondentes empresariais à Dona Luisinha do 6º D.
O Antigo Testamento ensinou-nos que dar aos pobres é emprestar a Deus - e que é um acto de justiça ajudar os necessitados. Mas o Novo Testamento precisa que esta ajuda não deve ser prestada com ostentação ao dizer-nos: «Que a tua mão direita não saiba o que fez a esquerda».
Março está aí, ao dobrar da esquina, e com ele o cortejo dos Relatórios – de Contas e de Responsabilidade Social. Nesta altura, acho que vale a pena pensar neste precioso ensinamento bíblico e evitar o pecado mortal da soberba.
Jorge Fiel
Esta crónica foi ontem publicada do diário económico Oje (www.oje.pt)
Leio nos jornais de hoje a preocupação crescente com o futuro do mercado do Bolhão. Uma petição já está em andamento e algumas figuras desdobram-se em depoimentos contra o futuro daquela referência da cidade. Uma delas é Siza Vieira que, cito "teme que seja um desastre o futuro do mercado do Bolhão".
Não sou ninguém para criticar Siza Vieira, não percebo nada de arquitectura e as obras que s ão feitas aprecio-as da mesma maneira que o faço com o vinho: se me sabe bem, gosto, mesmo que custe cinco euros a garrafa, se me sabe mal, não gosto mesmo que o custo da garrafa ande pelos 40 euros.
Com as obras arquitectónicas passa-se o mesmo: se visualmente gostar acho óptimas, caso contrário, por muitas justificações que me ofereçam , não vale a pena porque não gosto.
Sinceramente não sou um apreciador das obras de Siza Vieira. Respeito o prestigio que tem mas não temos todos que gostar da mesma coisa.
Na arquitectura parece haver uma corrente concentrado em três ou quatro arquitectos a quem são atribuídas quase todas as grandes obras, deixando pouco espaço para muitos arquitectos , na maioria jovens carregados de criatividade e bom senso. Então da parte de Câmaras Municipais nem se fala na tentação que existe para dizerem que os arquitectos de determinadas obras são dois ou três mais referenciados.
Sinceramente sou a favor da requalificação que está prevista para o mercado do Bolhão. Em, primeiro lugar porque oferece um futuro a um edifício que está a cair aos bocados, velho e degradante . Depois porque prevê o regresso das tradicionais vendedoras agora em condições que nunca tiveram. Depois porque vai ter espaços comerciais e, a par disso parque de estacionamento e habitações, mantendo a fachada original.
Quem percorrer as grandes cidades percebe que os "shoppings" e os espaços comerciais fazem parte da vida dos centros históricos.
Com o devido respeito pelo arquitecto Siza Viera, desastre foi mesmo a transformação da Avenida dos Aliados num imenso deserto, mais parecido com um aeroporto do que com um jardim com carácter como era o que existia. Um projecto pensado e assinado pelo próprio e Souto Moura.
Eu não assino a petição contra a qualificação pensada para o mercado do Bolhão
Um abraço a todos
Saudações
Este sábado fui a um almoço na casa de Serralves ,onde se reuniram todos os economistas que se licenciaram na faculdade de Economia do Porto no ano de 1977, trinta um anos!
Estamos a falar de cerca de oitenta economistas que cobrem um universo do nosso tecido empresarial muito importante.
Como podem imaginar encontrei de tudo, gordinhos, gordinhas, carecas, cabelos brancos, mas todos a trabalhar em pleno ,o que demonstra que apesar de todas as vicissitudes do pós 25 de Abril com reestruturações a seguir a reestruturações constantes durante o respectivo curso, demonstra a qualidade que todos tínhamos para superar todas essas dificuldades e ir para a luta.
Neste universo de pessoas estavam quadros de topo das principais empresas do nosso país, que apesar de serem do Porto tiveram que ir para Lisboa, Madrid e Barcelona pois as oportunidades nesta cidade não existiam nessa época e muito menos agora.
Este post pode não ter interesse nenhum para a grande maioria, mas o que pretendo mais uma vez é ser porta voz destes meus colegas, que nesta cidade, nesta região continua a nada se passar, o marasmo continua, o fatalismo aumenta , não há liderança que tenha uma visão aberta para o Norte que seja independente do poder político, que não sejam obrigados a engolir sapos vivos!
Um momento, vou-me despedir da minha sobrinha de 31 anos, que vai para a Corunha exercer a sua actividade de designer .....começámos cada vez mais a ver os nossos jovens a fugir......deste marasmo!
Mário Rui Cruz
Por razões familiares não pude presenciar a mais um debate inserido no Ciclo “Olhares Cruzados sobre o Porto” que a Universidade Católica e o Jornal Público têm organizado com elevado brilhantismo e expressiva participação.
Soube, no entanto, por amigos e pelas notícias dos jornais, os ecos e os principais sublinhados desse debate que teve como oradores, para além do anfitrião, Prof. Dr. Alberto de Castro, o jovem Presidente da Unicer, António Pires de Lima e o resistente Pároco de Aldoar, Padre Lino Maia, um verdadeiro guerrilheiro da pobreza e da exclusão social.
O tema em apreço era o desemprego e o empobrecimento do Norte. Para além do diagnóstico conhecido que mostra que o desemprego é mais desfavorável no Norte do que no resto País – mais intenso, mais focado nas mulheres, nos jovens e nos menos escolarizados, foram sugeridos pelo Presidente da Unicer dois motivos de relevo que fundamentam este reconhecido “empobrecimento”:
O primeiro motivo é o modelo económico do Norte muito assente em indústrias tradicionais que não souberam antecipar a necessidade de encontrarem um novo paradigma de desenvolvimento económico, em que o “eixo de competitividade” das empresas migra de factores comparativos, como a mão-de-obra barata, para factores dinâmicos como a marca e o design.
O segundo motivo, afirmou o Presidente da Unicer, é que os empresários do Norte esqueceram-se de investir nas “competência relacionais” porque em vez de irem todos ao mesmo restaurante como os empresários de Lisboa, os empresários do Norte “comem em casa ou na cantina da fábrica”.
O Dr. António Pires de Lima sabe bem que os nossos sectores tradicionais anteciparam muito melhor do que os habituais arautos da desgraça vaticinavam, a referida mudança de paradigma. O desempenho recente do Têxtil e do Calçado portugueses, são exemplo paradigmático do referido. São dos sectores que melhor resistiram a uma acelerada e agressiva globalização e que, hoje, mais contribuem para o incremento das exportações portuguesas.
A verdade é que o fizeram á custa de deslocalizarem, ou mesmo abandonarem aquelas dimensões produtivas que mais se associam à mão de obra intensiva, com consequências perversas, mas previsíveis sobre o emprego da Região.
Tão previsíveis que eu julgo que a culpa deve ser procurada não neste instinto de “sobrevivência empresarial” que os empresários do norte afinal tiveram, mas na falta de políticas públicas activas de formação e de emprego, que compensassem a mudança de paradigma económico imposto pela globalização e pela modernidade.
O Dr. António Pires de Lima sabe bem que os empresários portuenses não têm como desenvolver “competências relacionais” num País com esta tamanha macro-cefalia. A não ser perdendo muitos dias e muito dinheiro em trânsito para Lisboa, para manterem uma relevante assiduidade nesses “restaurantes relacionais” onde o País se decide.
Por saber destas coisas é que Dr. António Pires de Lima que começou já a aprender o Norte, acabou por concordar que o principal fundamento deste empobrecimento reside, afinal, no reconhecimento, finamente sugerido por Alberto de Castro, de que em Portugal “o Poder descai”.
António de Souza-Cardoso
Enquanto ainda não é possível saber se o Benfica e o Sporting vão contribuir para alargar ainda mais o fosso que os separa do lugar cimeiro da tabela ( que o FCP ocupa ininterruptamente há mais de 2 anos...) o fim de semana futebolístico ficou marcado pelo bis de Lisandro e pelo hat - trick de Pinto da Costa.
O bis do argentino que este ano explodiu no FCP e tem feito o gosto ao pé sempre que o treinador não se pôe a inventar arranjando-lhe outras zonas de terreno para ele pisar, tem pouco que se lhe diga. É só fazer as contas como dizia o Guterres. Foi primeiro um e depois dois , ambos a passes de colegas e compatriotas do país que também veste de azul e branco na selecção.
Concentremo-nos então no hat-trick do presidente portista conseguido uma vez mais no terreno do adversário , a SIC , onde ele já foi proscrito e agora é recebido com´as mesmas honras do Presidente da República. Que se tenha visto , só faltou o dr Balsemão em cima da passadeira vermelha , que também na verdade era só virtual , talvez por causa da cor não ser a mais indicada.
Perante o olhar embevecido do Rodrigo e da Clara , Pinto da Costa consumou o hat - trick ,despachando-os em três penadas , que era preciso voltar depressa para o Porto , que jogava no dia a seguir e ele não é como aqueles Vieiras que passam a vida a faltar aos jogos dos clubes a que presidem por dá cá aquela palha. É caso para dizer aos benfiquistas que todos os burros comem palha..é preciso é saber dá-la. E o actual presidente tem sido exímio....
Pinto da Costa , nesta fase avançada da sua vida , só costuma dar entrevistas quando precisa de dizer alguma coisa e na última sexta não fugiu à regra. Foram três os coelhos que ele tirou da cartola , dando corpo ao famoso truque do chapéu , mais conhecido em futebolês por hat-trick.
Primeiro . O Apito Dourado é uma palhaçada motivada por uma guerra Lisboa - Porto dentro do Ministério Público e da PJ como o Procurador Geral da República teve ocasião de informar e confirmar.
Segundo. O célebre livro que esteve na origem da reabertura dos processos que tinham sido arquivados tem o dedo do Benfica e foi escrito a várias mãos , sendo uma fraude congeminada pelo senhor Vieira e por uma jornalista que é visita de sua casa , até porque o original está guardado em boas mãos.
Terceiro. A credibilidade da testemunha principal da coisa está ferida de morte pela própria dra Morgado ( que com o marido perseguem o presidente do Porto há muito por razões insondáveis.. ) quando manda arquivar de novo o processo das agressões a Bexiga , não acreditando em Carolina que se confessa mandante do crime em investigação.
Foram três golos de belo efeito numa entrevista que nunca foi para falar de futebol porque o futebol , este ano e mais uma vez já não tem nada que discutir.
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Destacamento de Matosinhos
Manuel Serrão
É assumido que em Portugal todos gostamos mais de clubes que de futebol. Não vale a pena esconder. E parece-me que nos outros países o cenário é igual, excepção, provavelmente, a Inglaterra. Vem isto a propósito das competições europeias e da rivalidade entre clubes. A seguir ao jogo de terça – feira com o Schalke vi o meu telemóvel inundado de mensagens de amigos meus do Benfica e do Sporting.
“Já foste…”, eh,eh,eh …”, “Ganhámos…”, “Sou do Schalke desde pequenino…”, ou “Vocês não jogam um c…”, foram só alguns dos “mimos” que recebi depois da decepcionante derrota na Alemanha.
Não é de agora, é de sempre. E não escondo que faço rigorosamente o mesmo aos meus amigos quando a situação é inversa. Felizmente que é mais de cá para lá do que o contrário.
Quero com isto dizer que esta vontade que temos de ver os clubes rivais perder não é exclusivo de ade
Um amigo meu, na quinta – feira à noite nem conseguiu ter fome depois de ver o Benfica empatar nos descontos e sentir diluir-se a alegria que lhe ia na alma quando aos 88 minutos o Nuremberga vencia por 2-0.
Ele que logo aos três minutos já não quis ver mais o jogo do Sporting porque desde cedo Pereirinha tinha tirado esse gosto, mais a mais, dizia ele, com João Mourinho a imitar Quaresma com um cruzamento de trivela ”.
Quando lhe liguei por volta das 23 horas, a primeira coisa que me disse foi: “Estragaram-me a noite. Nem vou dormir bem”.
Às vezes bem tentamos disfarçar por se tratar de uma equipa portuguesa e devemos por isso mostrar um sentimento patriota . Só que esse argumento já começou a deixar de fazer sentido porque em quase todas as equipas de topo há jogadores portugueses e por isso a resposta é sempre a mesma: quando o adversário é um Manches ter , Inter , Chelsea e por aí adiante invariavelmente leio as seguintes sms : hoje sou patriota. Quero que ganha o Cristiano Ronaldo, o Figo ou o Mourinho”.
Ou seja, não vale a pena disfarçar.
Outro amigo meu, também do FC Porto já me disse: “Se o Benfica ou o Sporitng forem à final da taça UEFA até se vão esquecer que ganhamos a Liga dos Campeões. E o título então nem interessa para nada.
É assim cá. É assim lá por fora. E se não fizermos disso umas guerra mas umas apenas uma saudável rivalidade, também sinceramente, não vejo mal nenhum.
Crónica publicada no Jornal de Noticias- 23.2.2008
(Alípio Ribeiro, director-nacional da PJ)
Muito interessante a notícia que acabo de ouvir na TSF: Almeida Pereira é o novo director da PJ do Porto. Almeida Pereira é genro do famoso capitão Corvacho, mas é também magistrado do Ministério Público e era até agora o nº2 de Hortênsia Calçada no DIAP Porto. Foi um dos acusados de portismo (ele que parece que professas outra fé clubística) e, numa carta anónima que alguns pensam ter sido enviada por uma jornalista do Porto, foi acusado de andar a mando do FC Porto, de ir sempreparao camarote VIP do Dragão e de acompanhar o clube nas viagens ao estrangeiro. E houve jornais que tentaram provar isso enviando repórteres para estádios e aeroportos para tirar fotos. Que nunca apareceram.
AP é também amigo de Fernando Negrão, antigo director da PJ e deputado do PSD, e de Helena Calçada, a procuradora que procura a "Noite Branca" no Porto. Foi convidado por Alípio Ribeiro que, assim, pode conseguir um abaixamento das tensões entre o MP do Porto e de Lisboa. Vai para o lugar até agora desempenhado por outro magistrado do MP, Vítor Guimarães, que se demitiu há dias.
É interessante ainda, neste caso, verificar como andou a bater válvulas o Eduardo Dâmaso - que só não enganou o José Manuel Fernandes,director do Público -, quando ontem foi à SIC N comentar a entrevista de Pinto da Costa que acabara de ser emitida. Até se lembrou de Tommaso Buscetta, um dos arrependidos da Mafia, para dizer que as testemunhas que viveram as coisas por dentro são sempre credíveis. Claro, só que Tommaso Buscetta nunca se enganou clamorosamene nos pormenores que deu dos casos à Justiça italiana. Bem ao contrário de Carolina, como bem se sabe.
Já David Borges, que também esteve a comentar a entrevista, disse o que é óbvio: como é que a senhora pode ser considerada credível depois de ter dito tantas mentiras factuais?
Manuel Queiroz
Manuel Queiroz
Há coisa de uma semana, participei num debate sobre a Comunicação Social, inserido na 5ª edição do ciclo Olhares Cruzados sobre o Porto promovido pelo Público.
Foi com enorme prazer que aceitei o convite do meu amigo Manuel Carvalho para comentar, a meias com o Rui Moreira, a apresentação sobre a matéria feita pelo ministro Augusto Santos Silva.
O tema era interessante e importante. E a companhia era de primeira.
Eu penso sempre no presidente da Associação Comercial do Porto sempre que ouço falar que o Norte está órfão de um líder forte desde o suicídio político de Fernando Gomes.
A velha amizade que me liga a Santos Silva e a distância que me separa deste Governo não chegam para toldar o juízo que faço dele como um político e portuense de sólida a formação e muito carácter.
É com menos prazer que faço este relato, em que estou tentado a concluir que é nossa (sendo que a primeira pessoa do plural refere-se ao nós, portuenses) a principal fatia da responsabilidade pelo declínio da importância e peso da Comunicação Social com sede no Porto.
A apresentação do ministro foi segura e vaga qb, a roçar o inócuo.
Conheço bem Santos Silva, pois fomos colegas de curso e camaradas de lutas passadas. Posteriormente partilhamos o primeiro turno das piscinas do «healths» do Ipanema Park (primeiro) e dos Pinhais da Foz (depois), o que nos permitia diariamente actualizar a conversa e trocar opiniões.
Há três pequenas histórias que, no meu entender, chegam para retratar o Augusto.
Quando ainda fumava, houve uma altura em que decidiu que passaria a fumar apenas um cigarro por dia. Assim, todos os dias, com um rigor religioso, às cinco horas em ponto da tarde, sentava-se no átrio da Faculdade de Economia (onde é professor) a consumir o seu cigarro diário.
Em determinado fase da sua vida, o Augusto tinha de passar diariamente uma hora num café perto das Condominhas, enquanto esperava que uma das filhas recebesse a lição de ballet. Pois levava sempre na pasta três coisas: um livro, um «paper» e o Público. Só no local, e dependendo do grau de barulho que se fazia sentir no café, ele escolheria o que iria ler.
Sempre que recebia os amigos em casa, mal chegava a meia noite, ele recolhia à cama, tipo Cinderela, deixando a mulher, Isabel Margarida, a fazer as honras da casa.
Acho que estas três pequenos episódios chegam para traçar o perfil do ministro e a perceber que a sua apresentação no debate sobre a Comunicação Social tinha a qualidade derivada do intelectual sério que ele é mas estava em absoluto desprovida de material susceptível de provocar polémica.
Agora que está reformado, Greenspan, o antigo e mítico presidente da Reserva Federal norte-americana, explicou o truque que usava quando era chamado ao Congresso para prestar contas e lhe faziam perguntas incómodas.
O truque de Greenspan consistia em responder usando uma salada de palavras, que baptizou com «discurso da sintaxe caduca», onde os principais ingredientes eram conceitos densos e vocábulos técnicos.
Os congressistas não percebiam nada do que ele dizia, mas tinham vergonha de o evidenciar em público, com medo de fazer má figura em frente aos seus pares, e assim Greenspan atravessava incólume mais um escrutínio incómodo escondido atrás dum nevoeiro de palavras.
Confesso que me lembrei do truque do «discurso da sintaxe caduca» enquanto ouvia a apresentação do ministro dos Assuntos Parlamentares, na noite de 5ª feira da semana passada, no auditório da Católica.
No debate, apenas uma vez Santos Silva saiu dos carris que tinha definido para esta sua intervenção.
A determinada altura, Rui Moreira deu um exemplo feliz dos tiques do centralismo ao falar da maneira como foi recebido, pelos panditas da capital, o estudo sobre a localização do novo aeroporto internacional de Lisboa, promovido pela Associação Comercial do Porto.
A reacção generalizada na capital ao estudo veio sob a forma da pergunta enfadada: «E o que é que esses tipos do Porto têm a ver com isso?», como se por alguma lei secreta estivéssemos inibidos de nos pronunciar sobre tudo quanto se passa no resto do país e circunscritos a opinar sobre as coisas da nossa região.
Embalado por esta denúncia, o ministro falou da existência em Lisboa de um «racismo» (foi esta a palavra usada por ele) contra as pessoas do Porto, detalhando que ele próprio e a ex-ministra da Cultura tinham sido vítimas desse «racismo».
No final do debate, Augusto Santos Silva foi cercado por uma dúzia de jornalistas, equipados com blocos de notas, microfones e câmaras de filmar. Fizeram-lhe muitas perguntas.
Presumo que traziam as perguntas feitas de casa e que elas versavam sobre os temas da actualidade, tão palpitantes como o concurso para a TDT, o quinto canal, a nova administração da RTP, o centro de gravidade geográfico da RTPN, a ERC, etc.
Na sexta e no sábado, não li, não vi, nem ouvi ninguém referir-se ao facto do ministro dos Assuntos Parlamentares ter dito ser vítima de racismo por ser do Porto.
E fiquei, por isso, a pensar que se calhar é muito por culpa nossa (e neste caso a primeira pessoa do plural refere-se ao nós, jornalistas do Porto) que a voz da Comunicação Social do Porto não é ouvida em Lisboa.
Jorge Fiel
www.lavandaria.blogs.sapo.pt
Depois do sucesso do Museu de Serralves, agora com a perspectiva do novo pólo em Matosinhos, com a Casa da Música que cada vez mais se impõe no panorama da música nacional e internacional, vai nascer a Casa da Arquitectura.
Este equipamento - o primeiro Museu Nacional de Arquitectura - vai nascer em Matosinhos sob o traço genial do arquitecto Álvaro Siza Vieira.
A Casa da Arquitectura está a dar os seus primeiros passos, que se pretendem firmes e seguros, e tem já na sua Associação - que evoluirá para uma Fundação - parceiros como a Câmara de Matosinhos, a Fundação de Serralves, a Fundação da Casa da Música, a Ordem dos Arquitectos, a Universidade do Porto/Faculdade de Arquitectura, a APDL - Administração dos Portos do Douro e Leixões, a Galp Energia, a UNICER e a AEP - Associação Empresarial de Portugal entre outros.
Trata-se dum edifício a ser implantado junto ao Porto de Leixões e de acessibilidades excelentes. Está perto do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, a dois passos da A28 e terá uma estação de Metro no seu parque de estacionamento.
Com este equipamento pretende-se preservar um conjunto de importantes espólios de arquitectos portugueses, estuda-los e permitir o seu acesso público.
Além deste aspecto essencial acresce ainda o facto de poder haver um centro de documentação, uma biblioteca especializada, 3 salas de exposições temporárias, conferências e publicação de edições, revistas da especialidade, materiais audiovisuais e a criação de objectos de design da autoria de arquitectos.
A área de construção está estima em 9 mil metros quadrados e um parque automóvel com 100 lugares para viaturas ligeiras e três autocarros
A Espanha está a cair aos bocados mas por cá nós não damos por nada.
Do outro lado da fronteira, a semana entre o Natal e Ano Novo foi fértil em acontecimentos desportivos, mas o radar dos nossos oito diários generalistas (quatro pagos e quatro gratuitos), três diários económicos, três diários desportivos, quatro canais televisivos generalistas e dois de notícias não detectou a movimentação.
De 27 a 29 de Dezembro, os governos autónomos desafiaram Madrid ao promover jogos de futebol com as suas selecções nacionais.
A 27, foi o Andaluzia- Zâmbia e o Galiza-Camarões. No dia seguinte, jogaram-se os Canárias-Angola e Extremadura-Guiné Equatorial. A cereja em cima do bolo foi em San Mamés, o mítico estádio do Athletic de Bilbao, que serviu de cenário ao Euzkadi-Catalunya.
Nada disto foi inocente. Representantes dos governo da Galiza, País Basco e Catalunha aproveitaram a ocasião para assinarem a declaração de San Mamés em que reclamam o reconhecimento internacional das suas «selecções nacionais».
Não façam confusão. O futebol é apenas um pretexto. Estamos na presença de manobras de alta política.
O desporto é um terreno magnífico para exacerbar sentimentos nacionalistas e a Catalunha já tinha feito um belo balão de ensaio quando inscreveu uma selecção que conquistou o Mundial B de hóquei em patins, embaraçando a federação internacional da modalidade, já que se qualificou para disputar com a Espanha o Mundial de primeira categoria.
A Espanha está a desintegrar-se mas nós não damos muito por isso porque os nossos Media têm os olhos virados para outro lado.
Lendo os nossos jornais e vendo as nossas televisões, ficamos muito bem informados sobre o ambiente explosivo que se vive em Pristina (a seguir ao Kosovo declarar a sua independência), completamente documentados sobre a dramática situação no Chade (que obrigou Ibriss Deby a declarar o Estado de emergência e a remodelar o ministro da Defesa), e aptos a debater as nuances da política interna paquistanesa, lamentando que os partidos islamistas tenham sido encurralados pelas formações seculares e pelos talibans.
Sabemos todas essas inutilidades. Só não sabemos o que se passa aqui ao lado, na casa do nosso principal parceiro económico, que recebe 1/3 das exportações portuguesas, está a desintegrar-se politicamente e a entrar no túnel de um crise muito escura – em Janeiro, 4300 novos desempregados engrossaram diariamente o contingente de 2,3 milhões de pessoas sem trabalho, um valor recorde desde o advento da democracia..
Eu tenho conta no Santander, faço compras no El Corte Inglès, estive quase a comprar um andar construído pela San José, vivo num país em que a TVI (grupo Prisa) é líder nas audiências, mas sei mais do que se passa em Bagdad do que em Madrid. Não tenho a certeza absoluta, mas acho que é a isto que se chama autismo. Já agora e a propósito; a campanha eleitoral em Espanha, em que Zapatero (o tal que Sócrates elegeu como seu melhor amigo) se recandidata, começa 6ª feira..
Jorge Fiel
Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje (www.oje.pt)

O mercado do Bom Sucesso foi projectado em 1949 pelos mesmos autores da Igreja das Antas, Fortunato Leal, Cunha Leão e Morais Soares , que deixaria inúmeras obras interessantes à cidade. Viria a ser inaugurado em 1952.
É um espaço fascinante,numa zona nobre da cidade apesar de "vizinho" de Torres de muito,muito mau gosto, questiono como deixaram construir aqueles mamarrachos que por lá se encontram.
Como se sabe o Mercado do Bom Sucesso, irá ser entregue a privados. Depois do Bolhão e do Ferreira Borges, os comerciantes não têm dúvidas de que o objectivo da Autarquia é também concessionar a gestão do Bom Sucesso, para resolver o problema do mercado, que se encontra degradado e muito esquecido, sabe-se que não deve andar longe da solução de três pisos ,constituidos por 16 lojas exteriores e 107 no interior.
Espero que o bom gosto impere nesta recuperação e que sejam salvaguardados todos os interesses das pessoas que por lá passaram uma vida a trabalhar e que essas mesmas pessoas possam acompanhar a evolução dos tempos.
O mercado tem uma óptima localização e já há muito que deveria ter sido transformado numa grande área de lazer, desde como disse ,salvaguarde os interesses dos comerciantes.
Mário Rui Cruz
Para aqueles , apesar de tudo poucos , que se queixam que só defendo o Porto e que não penso no resto do país , porque gostaria que o Porto pudesse ser uma outra Lisboa , tenho hoje uma notícia que não é animadora.
Na companhia de mais onze portugueses de proveniências várias , tive ontem o grato prazer ( e na verdade a honra ) de assinar um compromisso pela Cidade da Guarda em que todos fomos investidos pelo seu Presidente de Câmara como embaixadores da Guarda , prometendo colaborar activamente na promoção da região em parceria com os agentes e instituições locais.
Descontando o meu potencial contributo pessoal que será o melhor que eu puder , mas sempre menor do que o das altas individualidades que me acompanham nesta nobre missão , este é o tipo de iniciativas porque me pelo.
Uma cidade e uma região que distam da capital praticamente o mesmo que o Porto , mas já são parte integrante da Região Centro e têm as mesmas , ou ainda mais razões de queixa de um poder excessivamente concentrado na capital , são tudo o que me apetece defender e ajudar , nem que para isso seja preciso fazer , como fiz , uma directa , para não faltar ao compromisso assumido.
Como disse e muito bem um dos directores do Clube Escape Livre , da Rádio Altitude , cujos 35 anos de emissões propiciaram esta ida à Guarda, ser anjo da Guarda é muito diferente de ser anjinho. Trata-se de aproveitar as oportunidades para maximizar a promoção de uma Região que apesar de ser a mais alta do país continua a ser olhada de alto pelos senhores da capital.
No fundo pede-se a estes novos embaixadores da região da Guarda que nos seus terrenos pessoais e profissionais sigam o exemplo do Luis Celínio , do Jorge Antunes e da sua equipa do Escape Livre que , estejam onde estiverem , defendem o bom nome da Guarda , dos seus produtos e das sua gentes , das suas empresas e das suas potencialidades turísticas , porque se não forem eles a fazê-lo , ninguém o fará por eles.
Como de resto acontece com toda a paisagem que é o resto do país que não é Lisboa....
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Posto avançado da Guarda
Manuel Serrão
Sou um admirador confesso do Presidente Rui Rio. Talvez pelo que de anti-politico se lhe descobre, na forma como encara a política e a coisa pública. Não sei se é uma máscara, mas a ser é bem-feita e cala fundo na opinião do Povo.
Trabalhei proximamente com o Dr. Rui Rio numa grande manifestação em Madrid a propósito da libertação Timor – foi talvez a maior manifestação feita por portugueses fora do seu País.
Ficou-me, dessa altura, a memória de uma grande integridade e simplicidade de carácter que casava bem com a determinação e o empenho que punha e pôs naquele altruístico objectivo comum.
Como todos os portuenses vi com expectativa a sua eleição para presidente da Câmara (para a qual digo já que não contribui, até porque ainda me encontrava recenseado em Matosinhos).
A partir daí em muitas conversas de muitos e variados círculos e tertúlias, se discutiu o Porto – o seu definhamento progressivo, a falta de desígnio, de palco, de voz, de lideranças…
As conversas resvalavam ligeiras para o seu Presidente de Câmara e para a forma como não soube nem conciliar a cidade e os seus principais agentes, nem desenhar e promover um projecto mobilizador que voltasse a colocar o Porto no topo da competitividade a nível nacional e europeu.
Ouvi também a defesa do Presidente Rio em muitas circunstâncias – tinha sido eleito para presidir à Câmara do Porto e não para liderar o Norte e os seus mais generosos desígnios. Propôs a luta pela habitação condigna, pela segurança e pelas acessibilidades e era nesse exacto contexto que se sentia legitimado e motivado a actuar.
Entretanto assistimos, independentemente do lado em que está a culpa, a muitos desencontros entre Rio e os agentes e instituições da cidade, mas vimos principalmente o Porto a definhar progressivamente em valor, influência e auto-estima.
Julgo portanto que prevalece este pecado original que constitui o equívoco de sempre entre Rui Rio e a sua cidade. Os portuenses elegeram-no e reelegeram-no, porque sentem falta de uma liderança forte e de um desígnio prometedor para o Porto. E porque valorizam as características pessoais de Rio para servir essa liderança.
Mas Rui Rio julga que foi eleito para acabar com os arrumadores e no geral, cumprir um programa que os portuenses mal conhecem. Um programa que apesar de repleto de coisas úteis, não concita nem entusiasma os agentes e instituições da cidade e poderia ser entregue a qualquer empresa municipal.
O desencontro é claro – o Porto precisa do Rio que quer, mas este Rio que já não parece precisar do Porto, não quer claramente ser aquele que o Porto precisa.
António de Souza-Cardoso
A Comissão Europeia tem os seus requintes e um deles é o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG), criado pelo nosso Durão Barroso e apetrechado com um orçamento de 500 milhões de euros.
Nós já começamos a petiscar na mesa do FEG. O Governo de Lisboa pediu e Bruxelas deferiu um envelope de 2,4 milhões de euros para ajudar os 1549 trabalhadores portugueses despedidos da indústria automóvel a arranjar emprego.
O grosso dos beneficiados pelos 2,4 milhões do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização são os ex-trabalhadores suicídas da General Motors da Azambuja, que fizeram greve contra a proposta de acordo de empresa, depois da multinacional norte-americana ter anunciado publicamente que ia fechar fábricas na Europa.
O pelotão dos 1549 é completado com ex-trabalhadores da Alcoa (Seixal) e da Johnson Control (Nelas e Portalegre).
Fico satisfeito pela ajuda conseguida em Buxelas, especialmente se esses dinheiros foram transformados em subsidios de deslocação que ajudem os 1549 a mudarem-se para Valença, onde o presidente da Cãmara está desesperado porque várias multinacionais fornecedoras de componentes à PSA de Vigo querem instalar fábricas no parque industrial do concelho e só ainda não o fizeram apenas porque não encontram mão de obra especializada.
Só não compreendo porque é que o o Governo de Lisboa ainda não pediu Bruxelas a intervenção do FEG para ajudar a dolorosa reestruturação das nossas indústrias têxtil e de calçado, vítimas da globalização.
Há apenas duas explicações para este esquecimento.
Ou Sócrates e o seu impagável ministro da Economia andam a comer muito queijo.
Ou Orwell tinha razão quando escreveu que somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.
A confirmar-se esta última hipótese, sou obrigado a concluir que os porcos triunfaram em Portugal.
Jorge Fiel
www.lavandaria.blogs.sapo.pt
Como hoje é o Dia dos Namorados não resisti à tentação. Namoremos pois!
Faço-o através duma Antologia Organizada por Manuela Espírito Santo.
As Mais Belas Histórias de Amor é um livro da Editora Ausência e data de 2004.
Aqui podem ler-se belas histórias de amor de Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Florbela Espanca, Mário de Sá Carneiro, Ramalho Ortigão e muitos outros.
Dentro de pouco tempo vão estar disponíveis , porque vão ser editadas, um conjunto de belas Cartas de Amor de Florbela Espanca.
Trata-se dum espólio inédito que foi recentemente adquirido pela Câmara de Matosinhos.
Até lá fica este Perdidamente
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Lembram-se daquelas imagens de Berardo, de braços no ar e dedos abertos em V, a ser vitoriado como um salvador por velhos trabalhadores com bandeiras da CGTP , à saída da asembleia da PT que assinalou a derrota da OPA da Sonae?
Essas imagens são a certidão de óbito passada ao sindicalismo português. A Marcha Fúnebre seria a banda sonora mais adequada.
Quem mesmo após este episódio caricato e ficasse com dúvidas sobre o estado do sindicalismo português, ficaria com elas completamente desfeitas ao saber que a CGTP campeã da luta por melhores salários, contratos definitivos e o direito à greve, emprega funcionários a recibo verde, que ganham mal e são desaconselhados a fazer greve.
Esclerosados, desorientados, incapazes de compreender e se adaptar a um Mundo que muda a 200 km/hora, os nossos sindicatos já estão mortos há uma data de tempo. O único problema é que alguém se esqueceu de os avisar de que já morreram - ou então disseram-lhes mas eles fizeram de conta que não ouviram..
O 11º Congresso da CGTP , que reúne esta semana, é um misto de encontro de «zombies» e ajuste de contas entre comunistas da linha dura e «compagnon de route» que a direcção do PCP passou a catalogar como idiotas que já não são uteis.
As colunas dos jornais dedicadas ao congresso são preenchidas com especulações sobre a relação de forças que sairá da reunião. Já se sabe que o PCP controla a central com mão de ferro. Dos 19 membros da Executiva há nove que são do Comité Central do PCP. E o secretário geral, Manuel Carvalho da Silva, é militante desde 1975.
O problema é que o «Manel» amoleceu. Pôs-se a estudar Sociologia à noite, casou-se com um mulher 25 mais mais nova e doutorou-se com uma tese em que tenta encontrar uma resposta para o fracasso dos sindicatos.
Pedro, um jovem licenciado em Belas Artes que trabalha na área de marketing da PT, não estave a aplaudir Berardo no Forum Picoas. Não é sindicalizado, tal como três em quatro trabalhadores portugueses. Quando lhe perguntam porquê, explica por outras palavras que o sindicato não lhe serve para nada. A resposta é cuidadosa porque ele é o filho mais velho de Carvalho da Silva.
O «Manel» já percebeu que os sindicatos não têm futuro. Falta-lhe a coragem de assumir que gastou em vão 25 anos da sua vida.
Compreende que a globalização, o individualismo, os fluxos migratórios, o aumento da esperança de vida, a revolução tecnológica, o aumento brutal da precaridade no trabalho (20% da força de trabaho em Portugal vive à mergam de qualuqre tipo de contrato!) e a reorganização do capitalistalismo passarem ao lado dos sindicatos que pararam no tempo das máquinas de escrever e da televisão a preto e branco.
Mas em vez de confessar a impotência do sindicalismo em sobreviver, adaptando-se às novas realidade, prefere culpar as desvairadas mudnaças pela morte da CGTP.
O 11º Congresso da CGTP seria útil se em vez de servir de palco a lutas intestinas do PCP procedesse a uma autópsia honesta ao sindicalismo português. E se em vez da Executiva, elegesse uma Comissão Liquidatária.
Jorge Fiel
Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje (www.oje.pt)
(Imgaem de Youngreporters)
Nos últimos dias lá tive que fazermais umasviagens e descobrir novos problemas por esses caminhos de Portugal.
Nasexta-feira tive queir a Santarém ao Forum do Futebol, ara moderar um dos debates, e pela A1, do Porto até Santarém, contei cinco locais de obrasna nossa principal auto-estrada. Nada mais nada menos que cinco...
Lembrar-se-ão alguns dos meus eventuais leitores que já aqui há tempos falei disso. mas desta vez em 220 quilómetrospara aí 20 por cento foi andar em via estreita, em que cabiam dois carros a par se... andase com atenção. O preço, claro, é igual ao que a Brisa cobra sem obras.
Ontem lá fui à Sertã, para fazer o jogo do FC Porto. Um problema enorme sair da A1 e entrar no IC 3 em direcção a Tomar. Essa parte do IC3 não tem nada de IC, porque se trata, basicamente, de uma rua cheia de semáforos durante uns 20 ou 30 quilómetros, que obrigam a andar a 50. Senão, o semáforo acende a luz vermelha... Arranjei a fotografia que encima estas linhas e acho que documenta bem o que é essa parte do IC3.
De resto,comi muito bem em Pedrógão Grande, junto à Barragem de Cabril, num belo restaurante que dá precisamente para a barragem,Recomendo esse restaurante na localidade de Vale de Gois.
PS - Sobre o post do Manuel Serrão aquiem baixo: a D. Carolina Salgado sabia que não corria riscos nenhuns ao dizer que foi Pinto da Costa quem mandou agredir Ricardo Bexiga e que ela própria se encarregava disso. Quem foi que a aconselhou a fazê-lo? Terá sido o advogado? Tenho as minhas dúvidas, porque os advogados devem ser prudentes e não expor os clientes a problemas desnecessários... Terão as garantias de que nada se passaria vindo de outroslados? É uma dúvida que vos deixo, porque também é minha.
Estou muito ligado ao Mercado do Bolhão não por ter tido lá uma banca mas sim porque a minha família tinha várias sapatarias no Edificio do Bolhão mantendo-se uma relação muito amiga com as pessoas que lá trabalhavam, tinhamos naquele Edificio imensos amigos clientes,estamos a falar anos 60 na chamada Casa das Botas que juntamente com Casa Forte eram as principais referências comerciais na zona do Bolhão.
Face a tudo isto estou bastante apreensivo em relação ao futuro deste Edificio onde os políticos com as maiores das latas vão choramingar votos mas quando chega a hora da verdade esquecem-se dos abraços e dos beijos,admira-me que aquela boa gente ainda tenha pachorra para os aturar.
Quero muito bom gosto na solução final do Mercado do Bolhão,quero que o Mercado do Bolhão seja uma âncora moderna da baixa portuense,quero que os pequenos logistas da baixa portuense tenham engenho e arte para competirem com o comércio dentro do mercado,quero que os "Bolhãonenses" acompanhem os seus negocios com inovação e criatividade.
Bolhão, significa, " bolha grande ". O nome é originário do próprio local onde foi edificado o mercado, que foi construído, sobre uma nascente de água," bolhão ".
O Mercado do Bolhão , é por vezes referido como " Mercado Colorido", dado o seu ambiente ser envolvido por imensas cores que derivam da imensa quantidade e qualidades de frutos, flores, aves e verduras. Às cores, adicionam-se os odores provenientes dos já referidos, mas também, do peixe e do marisco fresco.
A tudo isto, juntam - se - lhe os sons dos pregões dos vendedores e da azáfama dos compradores, o que não deixa indiferente qualquer visitante ao local.
O Mercado do Bolhão é um excelente exemplar da arquitectura civil comercial, apresentando fortes características do estilo neoclássico tardio, sobressaindo a sua monumentalidade pelos torreões nas suas esquinas que contrastam com as suas linhas horizontais marcadas nas superfícies das fachadas.
O Mercado do Bolhão, encontra-se infelizmente muito degradado, e já desde 1992 que se pensa na sua reabilitação.
O Mercado do Bolhão é um dos mercados mais emblemáticos da cidade do Porto, ganhando ainda mais notoriedade por ser lá, na companhia daquela boa gente, que o nosso Blogue começou a andar.
A CMP, recorreu na decada de 90, a um concurso público internacional. O projecto vencedor, do arquitecto Joaquim Massena, mantinha vivo o tecido físico do mercado, com novos conceitos de usos do mercado, com novas funções e novos horários de funcionamento.
Apesar de o projecto vencedor ter sido distinguido pelo seu mérito,nunca chegou a avançar por falta de interesse político.
Em 2007, a Câmara do Porto, decidiu abrir um novo concurso público de concepção/construção, deixando de parte a hipótese de Reabilitação do Bolhão.
O concurso, admite a entrega do Mercado do Bolhão para exploração a privados, durante meio século (50 anos), e a empresa imobiliária vencedora, TramCom (holandesa) refere em praça pública que o seu projecto prevê a demolição de todo o interior do Mercado do Bolhão, deixando só as fachadas, o que está a provocar muita contestação.
Prevê também habitações de luxo, hipermecado e centro comercial, deixando para uma pequena percentagem, cerca de 3%, o comércio tradicional.
A seguir vamos ao Mercado do Bom Sucesso, outro espaço fascinante,numa zona nobre da cidade apesar de "vizinho" de Torres de muito, muito mau gosto...
Até já
Mário Rui Cruz
Sou por natureza contra este clima impositivo que assolou o País invadindo, em nome de valores genéricos de duvidosa bondade, a nossa esfera pessoal e comportamental.
Não gosto da ASAE (faz-me, de facto, lembrar a PIDE dos costumes modernos standardizados) nem de nada que condicione a nossa liberdade de ser e estar.
Acho que a democracia à custa de se tornar moderna e asséptica, tem ficado chata e paternalista mas, pior do que isso, tem posto em causa um dos ses princípios fundamentais – o da liberdade.
Julgo, no entanto, que num Estado de Direito, as leis legitimadas pelo voto popular existem para serem cumpridas. Se assim não fosse o Estado não era de Direito…
Em 2003, sem qualquer voto contra, o parlamento aprovou a nova Lei dos Partidos. Entre outros arrazoados jurídicos a Lei impunha que os partidos fizessem prova ao Tribunal Constitucional de um nº mínimo de 5.000 filiados.
Suponho que este “Asaeano” paternalismo da Lei, com o qual digo já que não concordo pela forma com condiciona a liberdade de associação, se funda na ideia de que para merecer benefícios do Estado (financiamento, tempo de antena, etc) cada partido politico tem que mostrar evidências de um mínimo de “existência crítica” que melhor legitime o custo referido, suportado em última análise pelos contribuintes.
Alguns anos depois, quando chamados a cumprirem a Lei, os pequenos partidos vieram a terreiro brandir com as liberdades ofendidas que só decidiram contestar.
E depois de uma muito asseada reunião com o Senhor Presidente da República que, pelos vistos, continua a exercer no País uma influência muito acima da que lhe está constitucionalmente cometida, mexeu-se a opinião pública e, com ela os partidos políticos que, querendo dar o dito por não dito, preparam propostas de alteração legislativa a serem apresentadas para discussão na Assembleia.
Até agora tudo direitinho e previsível. Mas para surpresa de todos (ou talvez não?) o Tribunal Constitucional vem suspender o processo de verificação que iniciou por imperativo legal, com o insólito argumento de que o Bloco e o PSD apresentaram na Assembleia propostas de alteração da Lei que sugerem a revogação do referido preceito.
Os pequenos partidos rejubilaram, mas… e a Lei existente?
Esteve bem o Líder do PND, Miguel Monteiro, quando se insurgiu contra o acórdão do Tribunal Constitucional pela forma como descredibiliza o sistema de Justiça lembrando que, a partir de agora, uma mera proposta de alteração ao Código Penal, pode suspender todos os processos até à demorada discussão e aprovação da nova Lei.
Com acórdãos desta natureza, quem se descredibiliza mesmo é o Tribunal Constitucional que aqui talvez tenha errado, precisamente por vício de natureza.
António de Souza-Cardoso

Apesar de a notícia ter aparecido meio escondida em alguns meios de Comunicação Social lá se ficou a saber , muito a custo , que o famoso processo das agressões ao ex- vereador socialista de Gondomar , Ricardo Bexiga , voltou a ser arquivado . Por falta de provas.
Para quem tem memória curta eu recordo que este foi o primeiro processo reaberto pela superequipa de Procuradores capitaneada pela dra Maria José Morgado , na sequência de umas tonitruantes declarações de Carolina Salgado , que coincidiram com a campanha de lançamento do livro que o presidente do SLB , ao que consta ,comprou aos milhares e agora anda a ver se despacha metendo -os às grosas nas malas dos carros dos clientes que lhe aparecem na empresa.
O que é preciso perguntar a quem de direito é porque é que foi tomada a decisão de reabrir um processo que estava encerrado por causa de uma entrevista e não sei quanto tempo depois se volta a arquivar com a justificação que as declarações da senhora ( que até confessavam a sua putativa participação ..) não trazem nada de novo aos autos.
Vistos os factos aquilo que era o mínimo exigível era vermos a senhora dra Morgado vir a terreiro reconhecer a sua precipitação ( que está muito na moda ) pedindo desculpa a quem incomodou e lamentandop as expectativas criadas que não conseguiu cumprir.
Bem ao contrário , o que a senhora dra Morgado fez , a crer nas notícias dos jornais que não vi desmentidas , foi atirar -se aos seus colegas do Porto imputando -lhes a culpa do fracasso por uma investigação incompetente realizada na altura dos factos.
Para além de a senhora dra , manifestar uma opinião altamente duvidosa sobre os seus colegas de trabalho teve toda a facilidade em tomar conhecimento dessa terrível e castradora incompetência sem precisar de reabrir o processo. Ou era preciso reabrir o processo para dar enquadramento e contexto à campanha que então desencadeou. ?
É que convém lembrar que o processo agora rearquivado era o único que aparentava ter uma gravidade especial , bem diferente das palhaçadas das frutas e dos cafés com leite com que se continua a gastar o dinheiro dos portugueses por causa de o Benfica ter perdido a hegemonia do futebol português há mais de 30 anos.
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Enclave temporário no Aeroporto da Portela
Manuel Serrão
Sim. Confesso que sou um parolo que fui ao Rivoli ver o «Música no Coração» e fiquei muito satisfeito porque passei um bom bocado e dei o tempo por bem empregue.
Desde 4ª feira, integro a legião de portuenses bimbos que há uns meses esgotam a lotação do Rivoli para ver e ouvir os musicais de Filipe La Féria.
E o mais grave é o facto de, não contente com o facto de ter apreciado, ainda por cima me dou ao luxo de publicitar este meu gosto que as élites culturais da cidade não hesitarão um segundo em classificar como duvidoso – no mínimo.
A lata sempre foi um dos meus fortes.
Mais. Como me tenho em elevada consideração, afirmo que eu e as largas dezenas de milhares de pessoas que viram o «Jesus Cristo Superstar», «Principezinho» e «Música no Coração» somos a prova dos nove da justeza da decisão de Rui Rio de retirar o Rivoli do circuito da programação cultural alternativa e marginal, reservada a minorias microscópicas.
Ao concessionar o Rivoli a La Féria (personagem que não conheço e que não me suscita a mínima empatia), o presidente da Câmara fez um magnífico dois em um. Poupa dinheiro (nos termos do contrato de concessão a autarquia recebe 5% da receita liquida da bilheteira) e ajuda a preencher uma imensa lacuna que existia na oferta cultural e de entretenimento da cidade.
O mercado está a provar que Rio estava tão carregadinho de razão que até se arrisca a ficar com uma hérnia.
Nestes meses de Rivoli privatizado e travestido em pequena Broadway tripeira, fui lá mais vezes do que durante os 35 anos que medeiam entre o dia de hoje e o do célebre concerto dos Vinegar Joe que haveria de imortalizar a sala na canção de Tê e Veloso («Anel de Rubi»).
A revitalização da Baixa e o renascer da cidade exige que os equipamentos culturais estejam cheios de gente, que as pessoas saiam de casa, à noite e ao fim de semana, para irem ao teatro, ao cinema, ao concerto, à exposição – e que antes ou depois jantem fora e leiam o jornal numa esplanada.
Para que isso aconteça, tem de se exterminar o autismo. Não pode haver um divórcio total entre a oferta e a procura.
A programação cultural tem de se adequar aos gostos dos públicos, da mesma maneira que o agente funerário quando recebeu m cadáver trata de arranjar um caixão adequado ao seu tamanho e cubicagem, não lhe passando sequer pela cabeça cortá-lo para caber dentro de uma urna pré-existente.
A ópera de Emanuel Nunes no São Carlos não invalida (antes pelo contrário) os fantásticos concertos «promenade» do Coliseu do Porto. A revista Atlântico não é contraditória com os diários gratuitos. A exposição de António Cruz, no Soares dos Reis, complementa a de Rauschenberg em Serralves. O «Equador» de Sousa Tavares convive com «Jerusalém» de Gonçalo Tavares.
Acresce que a indústria cultural não pode viver à sombra da bananeira dos subsidios. O seu financiamento tem de ser plural.
Não vejo mal nos subsidios, mas o financiamento da indústria tem de assentar no tripé subsidios/mecenato/público – sem que o pé mais forte tem de ser este último, por uma questão de independência artística e sustentabilidade.
Rio brilhou a grande altura quando privatizou a gestão do Rivoli. E tem razão em aprofundar este caminho privatizando outros equipamentos como a Praça de Lisboa e o Mercado Ferreira Borges. Penso que já toda a gente percebeu que os privados gerem melhor do que o Estado.
1 - O Metro do Porto é um caso de sucesso a todos os níveis.
É rápido, tem já uma boa rede de cobertura, é confortável, muito regular e ainda por cima é amigo do ambiente.
Do pensamento de Fernando Gomes até à concretização da obra não passaram anos e anos como é normal em Portugal acontecer. Veja-se o triste exemplo do novo Aeroporto de Lisboa.
O projecto, vindo do seio dos autarcas do Grande Porto, não colheu de imediato a confiança e aprovação - como não podia deixar de ser - do poder da capital.
Até lhe chamaram o metro de papel!
O Metro está aí e novamente a crescer para Gaia e Gondomar.
Para trás ficaram 5 linhas e 60 quilómetros de rede onde pontifica a renovação urbana pensada por grandes arquitectos como Souto Moura, Siza Vieira, Alcino Soutinho, Bernardo Távora, entre outros.
Da primeira fase, além meio de transporte propriamente dito, ficaram em zonas verdes o equivalente a 25 estádios de futebol, mais de 5 mil novas árvores plantadas e evitaram-se a emissão de milhares e milhares de toneladas de gases nocivos para atmosfera.
Este sucesso é tanto maior quanto é a adesão dos utentes que em 2007 cresceram relativamente a 2006 quase 25%. Ou seja foram 48 milhões as pessoas que em 2007 circularam no Metro do Porto. Mais 10 milhões que em 2006.
Há coisas fantásticas, não há?
2 - Terminou há dias, em Madrid, a FITUR a segunda maior feira de turismo do mundo.
Portugal esteve lá, com uma presença significativa, onde pontificavam alguns dos casos de maior sucesso cultural no nosso país como Serralves, Casa da Música, Museu Berardo e Gulbenkian além duma peça gigante da artista plástica da moda Joana Vasconcelos.
Esta acção tem o mérito de "vender" o destino Portugal para além do sol, das praias e das paisagens que são muito importantes mas que para a "agressividade" do sector já não são suficientes.
Vem isto a propósito dum estudo que um especialista apresentou para o Douro.
O Douro é bonito, está praticamente virgem e tem potencialidades únicas que "aguentam" um ano inteiro.
Então o que é que falta?
Um cluster . Ou seja um trabalho conjunto que una esforços e apresente as várias vertentes, sendo o lado cultural essencial, aos operadores que "vendem" a região.
É bom que os poderes pensem no assunto porque se se cometer o mesmo erro do Algarve pode matar-se a "galinha dos ovos d'ouro ".
É muito difícil ser árbitro. Sábado, no Dragão, Paulo Baptista errou ao validar o primeiro golo do Porto no jogo contra o Leiria, já que a bola chutada por Bosingwa foi desviada pelo corpo de Farias, que estava em fora de jogo.
À vista desarmada, no campo e na televisão, o desvio foi imperceptível. Apenas foi detectado depois, por uma repetição televisiva do lance obtida a partir de um ângulo muito diferente do olhar do árbitro e da esmagadora maiorias dos espectadores.
A revista Science et Vie dedicou um interessante artigo científico à extrema dificuldade de avaliação das situações de fora de jogo , concluindo que a velocidade da jogada, as limitadas capacidades do olho humano e sua posição no terreno impedem muitas vezes o juíz de linha de tomar a decisão acertada.
È muito difícil o trabalho de os árbitros que têm a tarefa de supervisionar 22 homens manhosos, que passam hora e meia a correr espalhados por um hectare, e de se certificarem que as regras do jogo são cumpridas.
A diculdade é acrescida por as suas decisões do árbitro serem tomadas na hora, em fracções de segundo, e sofrerem a concorrência desleal das imagens colhidas por mais de uma dezena de câmaras de televisão e que são repetidas vezes sem conta ao longo do resto da semana.
Há árbitros honestos e outros que nem tanto. Há árbitros competentes e outros que nem por isso. As competências e honestidade dos árbitros estão sob permanente escrutínio. Os menos capazes ou corruptos são despromovidos ou irradiados. Os melhores são chamados para apitar jogos e competições internacionais.
Vitor Constâncio também é um árbitro. Um árbitro muito bem pago, pois ganha cinco vezes mais que o responsável pela Reserva Federal norte-americana. E um árbitro que não se pode queixar da falta de gente que o ajude, pois o Banco de Portugal emprega 1700 pessoas que custam 160 milhões de euros/ ano e levam vida santa já que é regra de ouro lá na casa que às 18h00 horas as portas têm de estar fechadas e as luzes apagadas.
O Governador do Banco de Portugal é bem pago e muito auxiliado mas é um árbitro muito fraquinho que não dá conta das patifarias praticadas debaixo do nariz dele pelos jogadores que era suposto supervisionar.
Esteve distraido, a dormir na forma ou a olhar para o outro lado que não o BCP, nos lamentáveis episódios das 17 off shores anónimas, das 20 off shores dos accionistas, dos empréstimos mais que duvidosoa a familiares e accionistas.
As seis horas de audição parlamentar não chegaram para nos convencer que ele não sabia das irregularidades. E é claro e cristalino que as trapalhadas que atiraram o BCP para o tapete são o resultado de falhas da supervisão do Banco de Portugal.
Não estou a dizer que Constâncio seja desonesto e tenha feito vista grossa por mal. Mas é, no míinimo, condescendente, na opinião avalizada do seu ex-colega Ulrich. Provou que não serve para o cargo. Não sei porque teima em manter-se quando toda a gente já reparou que está completamente fora de jogo.
Jorge Fiel
Esta crónica foi hoje publicada no diário económico Oje (www.oje.pt)
|
|
Para os estimados bussolistas que ainda não tiveram ocasião de ver o post do Rogério Gomes que reproduz uma crónica publicada no jornal Público da semana finda , permito-me pedir que não deixem de o ler , porque a sua leitura e a meditação que induz é absolutamente obrigatória.
Obrigatória para quem ainda tenha dúvidas sobre a camisa de forças em que o Terreiro do Paço nos enfiou depois do Não ao tristemente célebre referendo da Regionalização e também imperdível para quem se está a dar ao incómodo de ler este meu post, já que ele é um prolongamento do que disse o Rogério. Com uma respeitosa vénia.
Esta sexta -feira , numa atitude de recato preparatória dos carnavais que se seguiam, fiquei em casa e decici ver o novo talk show do José Carlos Malato , que é a nova sala de visitas da RTP , orfã destas coisas desde a transferência do Herman para a SIC.
Depois de já ter participado numa das novas versões do Portugal no Coração após o seu desvio dos estúdios do Monte da Virgem para as novas instalações da RTP na zona da EXPO , tinha curiosidade em perceber porque é que este programa do Malato , que nasceu para a televisão em V N Gaia , tinha que ser tambám feito nos estúdios da capital.
Concluí o que já previa. Nenhuma surpresa. Quer o programa agora conduzido por João Baião e Tânia Ribas de Oliveira , quer esta Sexta Feira à Noite de Malato , só são feitos em Lisboa porque a RTP assim o deseja. Qualquer um deles poderia ser realizado no Monte da Virgem sem prejuízp algum.
Bem. Estou a exagerar. Como quer a um quer a outro a maior parte das pessoas que lá se querem levar são de Lisboa e arredores , com particular incidência no famoso eixo Lisboa Cascais , é mais barato ter os estúdios em Lisboa do que correr o risco de ter que pagar as deslocações ou outras mordomias a toda esta gente.
O poder da Comunicação não se resume à informação , hoje tão bem controlada como o Rogério já explicou em duas penadas. Também no entretenimento se disputa esse enorme poder que tudo decide e tudo condiciona e por isso também aí os nossos amigos da capital não facilitam : Assim como assim é melhor jogar em casa.
Julgo que as diferentes manifestações evocativas do centenário do Regicídio ajudaram a esclarecer os portugueses sobre um conjunto de factos que a república quis, voluntariamente, obscurecer.
Em primeiro lugar, os portugueses ficaram a saber que vivíamos, desde 1820, numa democracia constitucional evoluída, com um parlamento constituído por representantes eleitos por sufrágio, de partidos políticos legalmente constituídos;
Os portugueses ficaram a saber que entre os partidos legalizados existia também o partido republicano que, curiosamente, tinha votações que nunca chegavam aos 2 dígitos (sempre inferiores aos 10%);
Os portugueses ficaram a saber que a República se fundou numa revolução não democrática que começou por esse acto violento da morte do Chefe de Estado;
Os portugueses ficaram a saber que esse acto nunca foi julgado pela própria república, desaparecendo misteriosamente o processo que envolvia gente muito mais importante que os mandados Costa e Buiça;
Os portugueses ficaram a saber que a república consagrada 2 anos depois, impôs um regime de repressão, autoritarismo, perseguição e instabilidade, com limitações ao sufrágio universal e ao funcionamento dos partidos políticos e demais instituições democráticas;
Os portugueses ficaram a saber que o clima de anarquia social e de desordem que se sucedeu era de tal ordem que, alguns anos depois, foi declarada uma segunda república que impôs a Portugal uma ditadura de 48 anos. Como bem disse o Prof Dr Rui Ramos, insuspeito técnica e politicamente, se não tivesse havido o regicídio, existiria certamente Salazar, mas não teria existido seguramente o Salazarismo e a Ditadura;
Os portugueses ficaram a saber que desde o tempo da Monarquia constitucional, Portugal caiu em todos os indicadores de bem-estar e de desenvolvimento, quando relativamente comparado com os seus parceiros europeus;
Os portugueses ficaram a saber que esta república, fundada numa revolução violenta e não democrática, se continua a impor a todos nós que nunca a escolhemos e estamos até constitucionalmente impedidos de o fazer;
Os portugueses ficaram a saber, enfim, que por terem nascido em república não têm que ser ou sentir-se republicanos;
Os portugueses ficaram ainda a conhecer melhor o Rei Dom Carlos. Curiosamente um Chefe de Estado que pela Sua versatilidade e múltiplas dimensões, serviria bem à Chefia de Estado de um Portugal globalizado como o de hoje.
Os portugueses ficaram também a saber que, apesar de tudo isto, o Senhor Dom Duarte, bisneto do Rei Dom Carlos, não falou nestas Comemorações em vingança, nem sequer em reparo ou desagravo. Assumindo a sua responsabilidade histórica, falou antes em reconciliação nacional e em reencontro dos portugueses com a sua história. O mesmo fez o Cardeal Patriarca de Lisboa que enfatizou que nenhuma democracia pode legitimar a violência ou, como no caso da nossa República, se pode legitimar através dela. Mal estiveram alguns deputados que evidenciando um preconceito que (como as nódoas do avental?) tanto custa a lavar, votaram desfavoravelmente, cem anos depois, um voto de pesar simbólico pela morte de um Chefe de Estado Democrático;
No balanço final, julgo que tudo isto teve a enorme virtude de permitir que os portugueses reflictam, com tranquilidade sobre a sua história e as opções que, em Democracia, melhor servem o nosso futuro com Nação e como Estado.
Um último comentário que os portugueses provavelmente ainda não sabem e que vale pelo seu simbolismo: Apenas 9 anos depois de instaurada a República, o Norte sob a batuta de Paiva Couceiro, veio a restaurar novamente a Monarquia, naquela que ficou historicamente conhecida pela Monarquia do Norte.
Naquela altura, e uma vez mais na nossa história, foi o egoísmo centralista da capital que não permitiu que Portugal se cumprisse.
António de Souza-Cardoso
Dionísio Santos Silva
Neste dia em que se comemora o centenário do regícidio, quero homenagear Dionísio Santos Silva, portuense ilustre e um dos lideres da levantamento armado republicano do 31 de Janeiro de 1891, no Porto.
Dionísio, o inaugurador de quatro inclíticas gerações de Santos Silva, começou a vida como operário chapeleiro e desde moço se envolveu nos movimentos cívicos que assinalaram o início do estertor da Monarquia no último quartel do século XIX.
Em 1877, com 25 anos, foi um dos principais agitadores da greve dos chapeleiros. Porteriormente fundou e foi um dos administradores do jornal Republica Portuguesa, onde colaboraram Basílio Teles, Teófilo Braga, Latino Coelho e António José Almeida, entre outros.
Já era um homem maduro (tinha 47 anos) e estava estabelecido com uma chapelaria no número 65 da rua de Santo António (que mais tarde viria a ser rebaptizada rua 31 de Janeiro) quando foi um dos conspiradores e cabecilhas da revolta de 31 de Janeiro.
Envergonhados com a cedência monárquica ao Ultimatum Britânico (a Coroa aceitou desistir do Mapa Cor-de-Rosa que consistia em criar a África Meridional Portuguesa, de costa a costa, entre Angola e Moçambique), os republicanos portuenses preparam um levantamento militar para derrubar o regime monárquico, que saiu para a rua na manhã de 31 de Janeiro e foi esmagado, por volta da hora do almoço, com o reduto final dos amotinados render-se depois de ter sido encurralado na Praça da Batalha, ao cimo da rua de Santo António, pelas tropas fieis ao rei.
Dionísio foi encarcerado no paquete Moçambique, ancorado em Leixões, e submetido a Conselho de Guerra. Com ele preso, a chapelaria abriu falência. Quando foi libertado recompôs a vida como sócio gerente do Teatro Circo Águia de Ouro.
Dionísio inaugurou uma dinastia de quatro gerações de Santos Silva que marcaram pela positiva, nos últimos 120 anos, a vida da nossa nobre, invicta e sempre leal cidade.
O seu filho Eduardo era médico e foi por duas vezes presidente da Câmara do Porto, tendo sido ele quem criou o Conservatório de Música e a Maternidade e lançou a obra de abertura da avenida dos Aliados e dos Paços do Concelho. Deputado, votou a favor da entrada de Portugal na I Guerra Mundial e de seguida, coerente com o voto, demitiu-se do parlamento e alistou-se no Corpo Expedicionário Português, onde serviu em França, como capitão médico. Era o ministro da Instrução Publica no útmo governo da I Repubica, derrubado pelo movimento do 28 de Maio.
O seu neto Artur era advogado e um dos mais destacados oposicionistas à ditadura salazarista. Foi um dos dois Artures (o outro foi Artur Andrade, o arquitecto que riscou o belo cinema Batalha) que se meteram no comboio e foram a Lisboa convencer, em nome dos republicanos, Humberto Delgado a candidatar-se à Presidência da República. A sua casa, no 321 da rua do Bonfim, era, ao mesmo tempo, a um antro de conspiração contra o regime e um lugar de cultura, frequentado por Mário Soares, Sophia, José Régio, Torga e Salgado Zenha, entre outros.
O seu bisneto Artur é advogado de formação mas distinguiu-se como banqueiro ao ser o fundador do BPI, o primeiro banco privado português a nascer depois das nacionalizações do 11 de Março de 1975
É na generosa vida de Dionísio Santos Silva em que eu penso e reflicto neste dia - o primeiro de Fevereiro e o dia a seguir ao 31 de Janeiro.
Jorge Fiel
www.lavandaria.blogs.sapo.pt
Segui com natural interesse e razoável expectativa o 3º Encontro Porto Cidade Região, uma muito louvável iniciativa da Universidade do Porto que assim assume o seu insubstituível papel de catalizador de reflexão e de procura de novos caminhos para o desenvolvimento regional. Teremos naturalmente que esperar pela redacção das suas conclusões para uma percepção clara do peso que algumas extracções entretanto feitas pelos órgãos de comunicação social terão no relatório final, desde logo o relatado consenso à volta da necessidade da Regionalização que, com a completa conversão de sectores anteriormente renitentes, como é o exemplo de Rui Rio, daqui só pode sair reforçada.
O que motiva este meu impulso para intervir no espaço público é a ausência deste encontro de um tema que penso incontornável, quer pensando no desenvolvimento económico e social strictu sensus da região quer na Regionalização: o da informação/comunicação social.
Tenho a certeza de que é um sector absolutamente estratégico, custa-me perceber que ele não tenha estado no centro das reflexões deste considerável conjunto de “massa crítica” reunido para debater o futuro regional, o nosso futuro.
Dois vectores, entre outros, possíveis de avocar para perceber a importância da informação/comunicação para o desenvolvimento regional.
A identidade. A comunhão de interesses, a proximidade social e uma definição cultural mínima são pontos centrais para se ganhar a opinião pública para um projecto tão estrutural e ao mesmo tempo polémico como é a Regionalização. Explicar as vantagens económicas e sociais da constituição em Região, relevar o conjunto de características e de costumes que unem as populações e aprofundar a cultura que faz a diferença com outras regiões não podem deixar de ser objectivos dos defensores do processo político que levará até à Regionalização (com ou sem referendo).
A propriedade e os conteúdos: Em que terreno se fará esta autêntica batalha ideológica em prol da Região Norte? Claramente na comunicação social. E quem domina a comunicação social, na sua propriedade na opinião publicada? Não são claramente adeptos da Regionalização ou sequer de uma descentralização políticio-administrativa minimamente séria.
Este tem sido um terreno (a par do sector bancário) em que o centralismo nunca facilitou.
Desde a atribuição das rádios regionais, com a derrota da Rádio Nova em favor de uma Rádio Press que não passou de um instrumento para chegar ao que é hoje a cadeia TSF, que nunca cumpriu o espírito de uma Lei que na sua origem apontava para a existência de uma emissora regional (onde está ela?); passando pela privatização do “Jornal de Notícias”, primeiro negado ao comendador Gonçalves Gomes que quis comprá-lo e de pois literalmente “roubado” à cooperativa dos seus jornalistas que tinha o apoio do Grupo Amorim; pela atribuição das licenças de TV privadas, com a Sonae a ser preterida em favor da Igreja, que depois, como era previsível, não aguentou o projecto e passou-o a terceiros; o fecho da NTV, em que a opção política se sobrepôs claramente ao interesse regional; com a recente venda do conjunto de publicações do grupo Lusomundo em que uma vez mais a Sonae ficou para trás…
E se formos aos conteúdos, onde está a expressão regionalista nas colunas ou nos espaços opinativos das rádios e das televisões? Contam-se pelos dedos os colunistas claramente comprometidos com opções regionalistas e a muitas vezes acantonados em edições locais… Passemos mentalmente em revista jornais, rádios e televisões nacionais (é claro que o conceito “nacional” se confunde com sede em Lisboa) e é fácil concluir que o Porto e Norte estão esmagadoramente arredados desses espaços e as poucas excepções a este 3º Encontro Porto Cidade Região,ostracismo estão confinadas ao futebol ou a programas de entretenimento fora dos horários nobres.
E lembremos o que foi acontecendo com as em tempos poderosas delegações do “Expresso” ou do “DN”, ou das hoje inexistentes representações institucionais do “Semanário” ou do “Sol”; da não surpreendente falta de peso nos noticiários nacionais das delegações da SIC ou da TVI e mesmo da incerteza do que será a produção informativa da RTP (seja para a “N” ou para os jornais nacionais)… O “Público” é um jornal com natural vocação nacional com espaço reduzido para a informação local ou regional e o “JN”, com o respeito devido ao seu êxito comercial, perde-se entre o seu mercado natural (regional) e uma ambição nacional que o próprio mercado se vai encarregando de negar todos os dias (já agora, será natural que o actual paradigma do jornal do Norte esteja em simultâneo desavindo com o presidente da Câmara e da Área Metropolitana do Porto e tenha tão “má consciência” em relação ao FC Porto?).
E a questão que fica para os intervenientes no 3º Encontro Porto Cidade Região é simples: em que meios vão ter espaço para explanar e expor consistentemente as suas ideias? Não foi o Norte pujante quando tinha o “Jornal de Notícias”, “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro” interventivos, sem complexos e claramente ao serviço da população do Porto e da Região? No preâmbulo da República, durante o Estado Novo ou no “Verão Quente” foi nas suas páginas que as principais figuras portuenses encontraram espaço para a sua opinião e para as sementes da mudança ou da resistência.
Em que jornal, rádio ou televisão não é preciso mendigar espaço para defender a Regionalização ou ser “politicamente incorrecto” para com o centralismo? E as autarquias? As suas iniciativas, o seu dia a dia, que é o do cidadão comum, não merecem espaço digno, mais do que as parcas colunas das “Regiões” ou da “Província” onde sai arrumadas para não parecer mal?
O exemplo da comunicação social regional por toda a Espanha devia ser um exemplo e uma prova da vitalidade de projectos absolutamente viáveis e, repito, indispensáveis à afirmação regionalista.
Rogério Gomes
(texto publicado no Local/Porto do "PÚBLICO" de 01.02.2008