


Estou a ver um programa na SIC chamado Tempo Extra em que o comentador anão Rui Santos de seu nome, está a falar faz quase meia hora do traumatizado e inconsequente Benfica, do seu jogo contra o Paços de Ferreia, dos penalties se foram justos ou não,( lembremos que o Benfica está a dezasseis pontos do primeiro lugar), o que disse Luís Filipe Vieira algures que o Benfica não deveria ter sido campeão para que os Benfiquistas tivessem os pés bem assentes no chão,agora é o futuro do Rui Costa, agora é se fica Chalana ou vão buscar Carlos Queirós, e o dinheiro onde está , se o Luís Filipe Vieira deve ser ser menos arrogante e menos prepotente,se o Simão Sabrosa é possível o seu regresso....
Sei que o Benfica tem seis milhões de simpatizantes mas chega de tanto comentário, já não interessam aos próprios Benfiquistas ouvir sempre a mesma coisa, deixaram de acreditar.
Aquilo com o Luís Filipe Vieira está bem assim, podem lutar pela UEFA e já não é mau,sabemos quem lá chega perde-se, lá nada resulta, a noite de Lisboa é muito apetecível para aqueles jogadores, até o parolito do Petit anda de gatas por causa das gatas.
Nem dez minutos falou do grande Vitória de Guimarãres que acompanhará o Campeão à liga dos Campeões, é o que faltava agora ter duas equipas do Norte na liga dos Campeões.
Só me faltava esta , começaram a falar de Pinto da Costa.......um grande abraço para todos e parabéns pelo Tri.
Mário Rui
Fiz uma viagem ao Algarve nos últimos dias com dois amigos, um português que cuidava da condução e um espanhol que nos acompanhou em parte do percurso. A menos da A1, há muitos anos em obras permanentes que prejudicam os utentes sem qualquer alívio no custo da portagem, fizemos uma viagem tranquila em boas auto-estradas e a uma velocidade constante e moderada de 150 Km hora.
Explicava o meu Amigo que alguns excessos de velocidade em que incorrera o obrigavam agora a ir naquele moderada transgressão que o próprio garantia estar ao abrigo da “margem de tolerância” suportada pelas autoridades. Mais tarde assisti ao nosso amigo espanhol estarrecido e genuinamente assustado com outras transgressões ligeiras que eu próprio julguei abrigadas nos usos e costumes nacionais e, por isso, na sobredita margem de tolerância e impunidade.
Cruzo este episódio de há dois dias, com o anúncio também recente dos nºs do deficit e do envergonhado folar de Páscoa dado aos portugueses na devolução de apenas metade da taxa do IVA agravada, por este mesmo governo, no seu dizer apenas provisoriamente.
Claro que o Governo andou bem neste particular, beneficiando do excelente desempenho das exportações de alguns sectores tradicionais, com coração a Norte, como o Têxtil e o Calçado, como o próprio Primeiro-ministro, justamente reconheceu.
Este aplauso ao Governo pelos sinais de melhoria nas contas públicas não é para mim ensombrado pelo significado que nestes nºs parece assumir o incremento significativo das exportações da Auto Europa. Mesmo a não diminuição desejada da despesa corrente não sendo positiva, tem sempre a desculpa de nenhum Governo, há muitos anos, a ter conseguido debelar.
Já o aumento de receita fiscal que surge igualmente como uma das principais causas do bom resultado do deficit merece ser vista com olhos mais rigorosos.
Como no limite de velocidade, a fiscalidade em Portugal tem sido escandalosamente calculada com base na receita que é necessário alcançar para controlar o deficit. Por isso as taxas e o conjunto de ónus que impendem sobre as empresas e os seus administradores são das piores da Europa. Mas depois lá se tem dado uma margem de tolerância: um Dec-Lei 225, ou um Plano Mateus que restabeleça normalidades quando a situação das empresas e do emprego começa a dar sinais de alarme.
Há pouco tempo, tudo mudou. Não as taxas do imposto, como foi prometido, nem um ampla e rigorosa regulação, acompanhamento e controle do Estado ao cumprimento das obrigações fiscais.
Não falo do que é feito aos “Furacões e Offshores” que sobreviveram sempre com o “piscar de olhos” do Estado. Esses, justa ou injustamente, têm provavelmente dinheiro para pagar. Falo do terrorismo aplicado sobre a classe média e os micro e pequenos empresários.
Para além dos pagamentos por conta de receita que as mais das vezes não se recebeu, dos métodos presuntivos, dos ónus de cobrança de impostos que caberiam ao Estado, etc, etc, etc, agora decidiram estimular funcionários que ganham em função da receita angariada a usar desvairadamente o poder do Estado para impor acções verdadeiramente persecutórias contra os contribuintes e as empresas.
Com ou sem razão, pouco importa, porque nunca serão julgados ou sancionados pela perversidade e consequências de algum mau juízo que tenham feito.
E como podem reagir os contribuintes e as empresas que não se conformem com uma decisão que sabem que é injusta? Reclamando para o tribunal. Mas, sublinho o mas, pagando primeiro a dívida que têm a convicção de não existir.
Quando o tribunal, muitos anos depois decidir, pode ser que o Estado que recebe mais dos contribuintes faltosos de multas e juros do que do próprio imposto, tenha que devolver o dinheiro indevidamente cobrado, sem qualquer multa, sem qualquer juro e sem qualquer processo disciplinar a quem cometeu semelhante despautério.
No último ano estima-se que a soma destes despautérios tenham fechado 16.000 micro e pequenas empresas e causado prejuízo e sofrimento a muitas famílias, muitas delas sem ter sequer condições de litigar contar o Estado e objecto, esse sim imediato, de penhoras e processos executivos promovidos por meros solicitadores.
Como é isto possível? Como é que um Estado Democrático e de Direito em nome do combate à fraude fiscal que todos desejámos, se permite a este “abuso de posição dominante”e a este putativo “enriquecimento sem causa”?
O desvairado frenesim dos funcionários que neste trabalho por objectivos levam para casa parte da receita “indevida” chega já ao caricato da caça ao recibo do casamento e do baptizado.
Não me admira que as estatísticas venham, daqui a uns anos, a confirmar que existem em Portugal menos casamentos ou nascimentos (como já existem mais divórcios) por razões meramente fiscais...
É caso para dizer que há Santos casamenteiros e outros…. Não!
António de Souza-Cardoso
O Teatro Nacional de S. João (Porto) ,sob a direcção de Ricardo Pais, é um bom exemplo do bom teatro que se faz em Portugal
Ontem - quinta-feira - foi o Dia Mundial do Teatro.
O dia foi assinalado em todo o mundo no sentido de promover a Sétima Arte, pelo menos, com a leitura dum manifesto onde se apela à divulgação e incentiva o público a aderir ao Teatro nas suas mais diversas formas de expressão.
A RTP - serviço público - resolveu e bem assinalar o dia.
A intenção foi boa o resultado foi péssimo.
A peça era "miserável", o cenário horrível e o debate que se seguiu nada acrescentou.
A RTP fez o mesmo de sempre com os "amigos" do costume!
Nivelou por baixo!...
Detesto. Repito. Detesto ver "tipos" a falar à moda do Porto.
Ou com a mania de que sabem falar com o sotaque do Norte.
Esse é único, genuíno e inimitável pelos que não são de cá.
Eles lá sabem.
Só porque a peça foi inspirada em textos de Almeida Garrett?!...
Devem-se achar com muita graça e ainda por cima têm-se "em grande conta".
Lá para eles, que por vezes vêm até à "província" fazer umas representações, devem pensar que estão a fazer "chacota" dos tipos do norte.
São uns "parolos". Digo eu...
Outro "pecado" da RTP é o facto de, mais uma vez, "olhar" para o umbigo. Ou seja Lisboa.
Será que não havia programas mais aliciantes?
Claro que sim. Mas não eram em Lisboa. Será que não se podia aproveitar para se mostrar o que se faz em Faro, em Viseu, Bragança, Braga, Porto, Vila Real? Etc , etc ,...
A peça - O Dia das Mentiras, inspirada em duas comédias de Almeida Garrett, com texto de Rui Mendes - apresentada, no Teatro da Trindade, pretendia ser uma comédia que roçava a formula revisteira e, não tenho dúvidas, faria corar de vergonha o grande escritor do Porto e portuense.
Estive esta noite a moderar um debate sobre a regionalização, organizado pela Juvetude Popular, em que os palestrantes eram o deputado do CDS/PP Nuno Melo (contra a dita) e Rui Moreira (regionalista convencido depois de ter votado contra no referendo de há uns dez anos anos).
O dr. Rui Moreira surpreendeu-me, a mim e à audiência - maioritariamemte jovem - ao garantir que, segundo os dados na posse da Associação Comercial do Porto, em 2007 não tinha havido um único PIN (Projecto de Interesse Nacional) de cariz industrial aprovado a Norte de Viseu. Nem um PIN industrial a norte de Viseu - garantiu. Quando lhe perguntei pela Ikea, que tem uma fábrica em onstrução em Paços de Ferreira, admitiu que será ainda de 2006 a sua aprovação.
A ser verdade, e o dr. Rui Moreira não costuma falar de cor, aqui está algo que não pode deixar de ser denunciado e que os jornais deviam tratar. Até porque já há os PIN especiais, tal como anunciou Sócrates a propósito do grande investimento da GALP. Por aqui nedm PIN especiais, nem PIN normais.
Claro que este também não é só um problema do Estado e do Governo, é também do dinamismo (ou falta dele) do nosso dinamismo empresarial. E também se sabe que a fábrica da Ikea é quase um investimento do Estado português, comparado com o que vai gastar a casa sueca. Mas com os problemas de emprego que se conhecem no Norte, são necessárias medidas de discriminação positiva para esta região, como já houve para outras zonas do país. Basílio Horta, actual presidente dessa coisa chamada AICEP, que deve tratar destas questões (e que já teve sede no Porto) anda a fazer o quê?
Manuel Queiroz
Caros Bussolistas
Nesta segunda feira de Pascoela aqui fica o sexto e último trecho do magnífico texto do meu amigo Manuel Cerqueira Gomes.
Bom regresso ao trabalho para todos.
O QUE A MACROCEFALIA ESTÁ A PROVOCAR
O centralismo exacerbado está a provocar um cada vez maior distanciamento das pessoas do Norte relativamente a Lisboa.
Muitos de nós alhearam-se da selecção nacional.
Movemos montanhas para ir ver um jogo do Porto, mas não alteramos a hora de jantar para ver um jogo da selecção.
Temos famílias divididas por causa do centralismo.
Nunca senti vontade de ir a Lisboa mostrar aos meus filhos aquilo que os meus Pais me mostraram.
Quando me interpelam no estrangeiro de onde sou, respondo – SOU DO PORTO. Podendo completar que é uma cidade situada no Noroeste da Península Ibérica.
Não digo que não sou português, mas o que espontaneamente respondo é que sou do Porto.
Já ouvi conversas de café onde nortenhos indignados dizem que preferiam ter a capital em Madrid, pois assim seriam muito menos dependentes de Madrid do que são hoje de Lisboa.
Ironia da história: toda a região do berço da Nação Portuguesa, refiro-me à zona Norte, é hoje mais dependente de Lisboa do que todas as outras regiões que ficaram sob a alçada de Leão e Castela!
Lisboa, que é uma cidade muito bonita, é cada vez menos destino preferencial das pessoas do Norte.
Quando nos sobra algum tempo e dinheiro, preferimos, cada vez mais, ir de carro até à Galiza. Onde nos sentimos em casa. A fronteira natural do Rio Minho não é suficiente para nos afastar, se calhar une-nos. Seguramente que a fronteira politica também não conseguiu afastar-nos…
Ou então, se houver mais disponibilidade de tempo e de dinheiro, e apesar de todos os boicotes ao aeroporto Sá Carneiro, metemo-nos num avião e vamos a uma cidade europeia por muito menos dinheiro do que o que custa ir a Lisboa de avião.
Nós estamos a acordar, será que eles vão acordar a tempo?
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co - Produção
Manuel Serrão
A caminho de Baquera, um desviozinho para dar a ver às minhas filhas o Museu Guggenheim de Bilbao. Não passei do hall de entrada, porque as minhas filhas não estavam muito interessadas em ver a exposição do surrealismo que está em cartaz.
Junto ao Rio Nervión, numa zona toda ela a ser renovada com parques e novos edifícios com assinatura - um deles, creio que o da universidade, é de Siza Vieira - o Guggenheim impressiona-nos porque atrai o olhar. Toda a gente sabe que desde que foi inaugurado, em 1997, o edifício de Frank Gehry ajudou Bilbao a sair da depressão, continuando a atrair turistas (como era o meu caso). Marcou um ponto de viragem. Há quem ache que aquele edifício podia estar em Las Vegas, como escreveu o escritor inglês JG Ballard. Eu fiquei impressionado, antes de mais. As minhas filhas idem, até com a Puppy de Jeff Koons, o enorme cão de fores à entrada. É um facto que tudo aquilo funcionou e funciona para Bilbao.
Mário Rui
Hoje é Domingo de Aleluia!
Para os que, como eu, são católicos a Páscoa, para além de significar “a loucura do amor de Deus pelo Mundo que criou” como afirmou ontem D. José Policarpo, sugere também o final de um período de reflexão e de balanço que prepara os católicos para um tempo novo, uma vida nova proposta pela Ressurreição.
É com este espírito de balanço que me cruzo também com “pontuações” diversas sobre os 3 anos de governação socialista.
Desde aquele primeiro discurso em que se elevavam os farmacêuticos - pequenos retalhistas que prestam um insubstituível serviço social de proximidade às populações, a lobby poderoso e tentacular que urgia desmantelar, que fiquei desconfiado sobre a genuína motivação deste ímpeto reformista.
E desde então, tem pairado na opinião pública e publicada esta interrogação sobre o desempenho do Governo: Determinação ou arrogância? Serviço público ou mero serviço de propaganda?
Os exemplos recentes ensinaram-nos alguma coisa a este respeito.
Leio o artigo de ontem do Público do “agudo” Vasco Pulido Valente. A temática é novamente a da Educação depois de, há pouco mais de duas semanas, dois terços dos professores do ensino básico e secundário terem saído à rua, num protesto único na história da democracia portuguesa. Só por teimosia e arrogância se pode falar de manobras partidárias e sindicalistas com uma mobilização deste tamanho, apenas possível porque os professores se sentiram violentados na sua dignidade pessoal e profissional.
O artigo de ontem é sobre o episódio de violência no Carolina Michaelis. Pulido Valente fala nos nºs do Observatório de Segurança Escolar: 185 agressões a professores em 180 dias do ano lectivo!!! Será algum dia possível restituir a dignidade e autoridade aos professores? O que esperar de um País que tem que apostar tudo na qualificação dos seus recursos humanos se começa por não acreditar nos principais protagonistas desse desafio quase geracional?
Penso na politica fiscal e no monstro em que se pode transformar o poder desproporcionado do Estado em frente a pequenos comerciantes ou contribuintes, esgrimindo com a Lei, o método presuntivo, a mora, a multa ou a penhora, a quem com tanto sacrifício, vai conseguindo manter empregos e pagar impostos que lhes prometeram que iam descer.
Penso na política de saúde desde esse primeiro simbólico discurso e pergunto se depois da guerra com a ANF, com os médicos, as administrações hospitalares e a indústria farmacêutica, ficamos realmente melhores? A política do medicamento resultou em custos mais baixos e melhor acessibilidade? A menos de um Ministro, gastamos menos em saúde, temos melhor e mais efectiva qualidade de serviço?
Penso no Aeroporto e percebo que a arrogância do “deserto” e do “jamais” só se vergaram desta única vez porque a CIP e a ACP levantaram a voz de forma independente, mobilizando a opinião pública para uma consenso que não dava margem a outras veleidades.
Penso na guerra comportamental simbolicamente representada pela perseguição ao tabaco e à patanisca.
Julgo que 3 anos depois de aplaudirmos o ímpeto reformista deste Governo, temos razões para estar menos confiantes ou optimistas.
Qualquer mudança importa sofrimento. E é por isso mesmo que a legitimidade ou a oportunidade da mudança só justificam que esta se enuncie e se proponha. A dor que a mudança sempre suscita exige que esta seja concretizada conscienciosamente. Isto é, com conhecimento perfeito, amplo e absolutamente seguro do saldo positivo entre o que se perde e o que se ganha.
Mudar por mudar é um acto de selvajaria cívica, de autoritarismo gratuito próprio de políticos pequenos e inseguros que a história normalmente recordará como ditadores.
É curioso que a esquerda portuguesa que nos governa esteja a perder aquilo que lhe é essencial e que poderia ser verdadeiramente distintivo no exercício de poderes públicos – o estímulo da humildade, o apelo à tolerância e o amor à liberdade.
Suponho que o desafio maior de José Sócrates até ao final desta legislatura é o de mostrar que pode efectivamente fazer uma mudança de valor na sociedade portuguesa que não ponha em causa estes valores maiores da sua família politica.
António de Souza-Cardoso
O FUTEBOL
Não faz sentido falar do Norte sem referir o futebol e, muito particularmente, o Futebol Clube do Porto.
O Futebol Clube do Porto é o exemplo de que quando queremos, conseguimos.
E lá temos o líder que falta em tudo o resto.
Quantos de nós já dissemos, ou ouvimos alguém dizer, que o que falta ao Norte é uma voz política como a do Pinto da Costa no futebol?
Mas ser-se adepto do FC Porto não é só achar piada à cor da camisola.
A propósito,
Dizem-me que, quando criança, levado por alguns familiares por maus caminhos, simpatizei com os lampiões.
Era o período áureo. Inícios da década de 60.
Um Tio meu, naturalmente que cheio de boa vontade, levou-me, teria eu meia dúzia de anos, ao estádio de Oeiras, julgo que à data Estádio Nacional pois ainda lá jogava a selecção nacional, ao Estádio de Alvalade e ao Estádio da Luz, onde me terá pendurado em cima duma ave para tirar uma fotografia. O meu Querido Tio, por quem, de resto, tenho um especial carinho, também ele natural do Porto mas emigrado em Lisboa, fez tudo isso cheio de boas intenções, mas penso que os problemas de pele que por vezes me apoquentam estarão relacionados com essas visitas.
Hoje ponderaria uma queixa por maus-tratos caso alguém fizesse isso a um meu filho.
Na minha adolescência, quando comecei a ganhar consciência das coisas, do que nos rodeia, fiz uma escolha racional pelo Futebol Clube do Porto e iniciei um namoro que, na década de 70, se transformou em paixão.
Isto ainda antes de ter cessado o jejum dos 19 anos.
Fascina-me ver alguns “portistas” que me são próximos, daqueles que dizem que antes de nascerem já o eram (mas que nos últimos 10 anos ainda não saíram do sofá para ver um jogo do Porto), dizer entre dentes “o gajo em miúdo não era do Porto” como que decretando que eles têm um estatuto de mais “portistas” do que eu. Meus amigos, tudo o que se passou comigo em matéria criminal até à adolescência não releva – ERA INIMPUTÁVEL. Mas, se houver um medidor de paixão, acho que a grande maioria deles ficará mal. Comigo, um empate dá 6 interrupções do sono durante a noite. Uma derrota, nem se fala. O que vale é que o Porto geralmente ganha!
Isto tudo para dizer que ser-se do FC Porto é muito mais do que ser só de um clube de futebol….É muito mais do que dizer-mos, em birra de criança, que a cor da camisola do nosso clube é mais bonita do que a do clube do nosso colega de escola ou de que a do clube do nosso vizinho.
Vai bem mais fundo do que tudo isso… Tem razões sociológicas associadas. Porventura só os adeptos do Atlético de Bilbau ou do Barça nos compreenderão.
Bom, mas, se na década de 60 era natural que a miudagem fosse atrás dos feitos do clube então reinante, também seria natural que desde há 25 anos a esta parte as crianças fossem atrás dos grandes feitos nacionais e internacionais do FC do Porto.
Apesar de toda a censura que tem sido feita aos êxitos do Porto, o Porto é, indiscutivelmente, o clube português que mais tem crescido, para além dos outros crescimentos, em matéria de adeptos.
O Porto só não é, já hoje, o clube português com mais adeptos, porque existe um branqueamento dos feitos desportivos por parte de toda em imprensa, maioritariamente de Lisboa, que censura as façanhas do Porto.
Se as crianças deste País, ao longo dos últimos 25 anos, vissem retratada, nos jornais expostos nos quiosques ao lado das suas escolas, a verdade desportiva, isto é, que os tais jornais nacionais espelhassem nas primeiras páginas os feitos do grande triunfador destes últimos 25 anos, seguramente que mais de 80% desta nova geração seria adepta do Futebol Clube do Porto.
Infelizmente, o que vêem as crianças nas tais capas e nos programas desportivos dos canais de televisão (com honrosa excepção do Porto Canal)? Por um lado, e em letras garrafais, o elogio à mediocridade, e por outro, em letras minúsculas, o esconder das façanhas dos melhores.
Acho que muitas dessas crianças já se terão lembrado da fábula “o rei vai nu”….
E, infelizmente, também no desporto temos mais uma vez o paradigma do centralismo.
Vejamos o que Lisboa fez com a selecção nacional.
Criaram um seleccionador à moda de Lisboa que escolhe os jogadores para jogarem por Portugal.
Para mais, um seleccionador estrangeiro.
Que nos recentes anos de ouro do Porto, 2003 e 2004, não se dignou vir às Antas e ao Dragão ver jogos do Porto.
Que não explicou aos Portugueses, e muito particularmente aos Nortenhos, a razão pela qual não considerava sequer 3ª opção o melhor guarda-redes português – Vítor Baia.
Limitando-se a dizer que era por razões técnicas que o não convocava.
Chegando ao cúmulo de não admitir que os jornalistas portugueses, em Portugal e a tratar da selecção nacional de Portugal, lhe fizessem perguntas acerca deste caso.
Mas a verdade é que Vítor Baia foi considerado no ano de 2004 o MELHOR GUARDA-REDES DA EUROPA.
Ficaram então todos os portugueses a saber aquilo que nós portistas já há muito sabíamos, ou seja, que não era por questões técnicas que o Vítor Baia não era convocado.
E então quais foram essas razões?
Nós só queríamos, e queremos, saber quais! Acho que somos pessoas razoáveis para compreender a decisão caso nos fossem explicadas as razões que, naturalmente, teriam de ser MUITO FORTES.
ESTÁ POR EXPLICAR E NÓS NÃO NOS ESQUECEMOS.
Deixo aqui a seguinte pergunta:
Se o Vítor Baia fosse o guarda-redes de um dos clubes de Lisboa e aparecesse um seleccionador brasileiro que, sem motivo aparente e contra uma realidade evidente (era o melhor), o deixasse de convocar, o que aconteceria?
Quantas vezes teria ido Gilberto Madail à Assembleia da República, dar explicações acerca disso ?
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co Produção
Manuel ~Serrão
1) O Cheiro a Pólvora é um novo blog do SAPO da autoria do jornalista da RTP, Luís Castro que promete "arrasar" com os seus posts efectuados em cenários de guerra.
Devo, neste momento, fazer uma declaração de interesses. Sou amigo, de longa data, do Luís Castro e reconheço nele competência e essencialmente muita dedicação ao jornalismo de guerra.
O Luís Castro chegou ao jornalismo, se bem me recordo, pela tropa quando estava, nos Açores, na Força Aérea.
Depois foi a Rádio Nova e logo depois a RTP.
Depois é o que se sabe.
Não me parece que, como muitos de nós, desde "pequenino" queria ser jornalista.
É um tipo muito curioso. "Metido" no bom sentido da palavra. É assim uma espécie de "pau para toda a colher".
Quando começou queria era trabalhar. Fazer coisas. Não virava a cara à luta. Importante era fazer. Dignificar o serviço. Dar-lhe a volta. Valorizá-lo. Pensava. Propunha. Realizava.
E as nossas reportagens para o Sem Limites?!...Eram o máximo!...
Foi sempre uma pessoa muito disponível.
Nunca percebi de onde é que lhe vinha a "mania" das guerras. Mas gostava de se meter nos "barulhos".
À conta disso já passou maus momentos como o vivido na Guiné...
Já teve que ser "resgatado"... e insiste.
De guerra em guerra lá vai fazendo a sua carreira e a Silvinha aqui com o coração nas mãos.
O Luís Castro pode trazer para este mundo dos blogs o outro lado da coisa. Ou seja: como é fácil, em fim de semana que até é prolongado, eu estar a escrever confortavelmente este post no sofá e ao mesmo tempo alguém que não tem "sossego"- está num cenário de guerra - a partilhar o mesmo espaço.
É incrível .
2)Aproveito para desejar a todos uma BOA PÁSCOA
Calculo que durante os 18 anos que estive o Expresso participei em 1500 reuniões com gente de Lisboa. Apenas recordo um único incidente desagradável dessas 500 ou 600 horas de reunião.
Não me lembro do tema mas a discussão acalorada atingiu o clímax quando um colega meu, à época subdirector, desatou a gritar comigo e pôs um ponto final na sua argumentação berrando: «Era o que me faltava agora vir um gajo do Porto dar-me lições sobre jornalismo!».
O director adjunto que dirigia a reunião teve a arte de serenar os ânimos. E o subdirector exaltado teve a humildade de me telefonar, à tarde, a pedir-me desculpa do sucedido, evitando com este gesto bem educado que o incidente da manhã envinagrasse a nossa boa amizade.
O incidente ficou sepultado, mas passei a estar consciente que a minha denominação de origem geográfica atenuava a credibilidade das opiniões que expresso.
Lembrei-me deste episódio há pouco mais de um mês, quando participava numa sessão dos Olhares Cruzados sobre o Porto (uma louvável iniciativa do Público) e o presidente da Associação Comercial do Porto se lamentou dos tiques centralistas dos lisboetas.
Explicou Rui Moreira que a decisão da sua associação de encomendar um estudo sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa foi recebida com desdém na capital.
Perguntaram-lhe o que é nós, do Porto, tínhamos a ver com o assunto, como se a nossa condição de portuenses nos inibisse de nos pronunciarmos sobre questões com epicentro a sul de Aveiro – o que até poderíamos aceitar se o dinheiro dos nossos impostos fosse apenas usado para financiar investimentos públicos a norte de Aveiro.
Augusto Santos Silva, que tinha dado o pontapé de saída na discussão, não poupou nas palavras quando se tratou de concordar com Rui Moreira. Disse que, por ser do Porto, era «vítima de racismo» em Lisboa e documentou a afirmação. Na escolha de Guilherme Costa para presidir à RTP foi acusado de estar nomear «os amigalhaços do Porto».
Os exemplos dados destes «racismo» foram vários, designadamente a revolta escrita de Fernando Rosas quando da decisão de instalar no Porto o Centro Português de Fotografia («E como é agora? Temos de ir ao Porto quando precisarmos de consultar os arquivos?!!», indignou-se o bloquista) e a frieza com que Isabel Pires de Lima foi recebida na capital - «Era preciso ir ao Porto para arranjar uma ministra da Cultura?».
A palavra empregue ( racismo) pode ser forte, mas ilustra bem a situação. E já agora deixem-me dizer uma das coisas que me mais me meteu impressão. O ministro dos Assuntos Parlamentares queixa-se de ser vítima de racismo por ser do Porto, perante uma plateia cheia de jornalistas mas ninguém achou relevante reportar isso aos leitores dos seus jornais.
Na semana passada, Santos Silva voltou a dizer a mesma coisa aos microfones do Rádio Clube. Mais uma vez ninguém achou importante publicitar esta queixa e (por exemplo) perguntar as outros portuenses que vivem e trabalham em lugares de destaque, em Lisboa, se também eles se sentem descriminados.
O jornalismo é um lugar estranho.
Jorge Fiel
Esta crónica foi publicada esta semana no diário económico Oje (www.oje.pt)
Caros bussolistas
Aqui está o quarto capítulo da prosa excelente do dr Manuel Cerqueira Gomes
Por lapso meu este deveria ter sido o terceiro , mas como verão a troca não é grave.
O EXEMPLO ESPANHOL
Não precisamos de ir mais longe na Europa para ver os efeitos positivos da descentralização – Olhemos para Espanha!
Em Espanha, a Expo 92 não foi em Madrid.
Foi em Sevilha.
E a próxima não vai ser em Madrid.
Vai ser em Saragoça, neste ano de 2008.
Em Espanha, os Jogos Olímpicos não foram em Madrid.
Foram em Barcelona em 1992.
Espanha não se desinteressou do projecto da fórmula 1 dos barcos pelo facto de Madrid não ser uma cidade costeira.
Valência candidatou-se e ganhou.
Nos anos 70 fui a Madrid, numa excursão de camioneta, ver uma corrida de fórmula1 a Jarama.
Hoje já ninguém fala de Jarama e de Madrid no que se refere a fórmula 1.
Está em Barcelona e em Valência.
Lembram-se daquela final dramática da Taça dos Campeões Europeus, em Sevilha, no ano de 1986, que o Steaua de Bucareste ganhou ao Super Barcelona?
A final da Liga dos Campeões de 1999, aquele fabuloso jogo entre o Manchester United e o Bayern de Munique, não foi em Madrid, foi em Barcelona.
Bom, poderíamos ficar aqui a encher folhas e folhas com o relato de grandes acontecimentos ocorridos em Espanha que não tiveram lugar na capital Madrid.
É nestes momentos que olho com admiração para a realidade autonómica de Espanha e muito particularmente para os Catalães.
Um jovem catalão que vai trabalhar para um banco não precisa de sair de Barcelona para chegar ao topo da hierarquia.
A
Como, de resto, são todas as Cajas de Ahorros espalhadas por toda a Espanha.
Os meus amigos catalães e os seus filhos ligam as televisões e não têm de se submeter ao achincalhamento de ver nos noticiários as primeiras páginas dos jornais de Madrid, nomeadamente dos jornais desportivos, dizendo que o jogador x do Real Madrid está com dores de barriga, ou que o jogador Y vai com o cão ao veterinário.
Porque têm canais de televisão próprios na Catalunha.
E tem jornais desportivos próprios.
Já agora, para quando notícias a partir das 7h da manhã no Porto Canal?
Pelo que me disse um amigo catalão, caso o estatuto autonómico passe no Tribunal Constitucional, a Catalunha só fica dependente de Madrid das forças armadas.
E de Bruxelas das políticas macroeconómicas.
De resto é tudo com eles.
Até Supremo Tribunal de Justiça terão.
Li numa notícia no Expresso de 8 de Dezembro de 2007 que tinha como título o seguinte: “Galegos seguem exemplo dos bascos e catalães”. E no corpo do artigo referia “…A expressão “direito a decidir” está na moda em Espanha. É neste slogan que se apoiam, ultimamente, as reivindicações independentista latentes nas comunidades autónomas espanholas. A última expressão deste sentimento aconteceu no fim-de-semana em Barcelona, onde mais de 125 mil pessoas se manifestaram contra o caos nas infra-estruturas ferroviárias na Catalunha – atribuído à administração central – e reivindicaram o direito a decidir dos cidadãos sobre as obras públicas da região….”
Só através de uma organização de cariz político que alerte as pessoas para estes assuntos, as motive e interesse, é que poderemos alcançar, também, o direito a decidir sobre aquilo que nos diz respeito.
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co produção
Manuel Serrão
Para informar quem leu o post anterior que a TMN me contactou a dizer que me vai descontar os 18 euros mais o IVA correspondente, da conta que me enviou.
Isto só quer dizer uma coisa: a TMN não tem controlo nenhum sobre isto, pelo que qualquer reclamação tem provimento. Mas insisto que é a TMN que me cobra - se não tem meio de saber se é verdade, não o devia fazer. Pedi ao funcionário para a TMN me mostrar onde é que eu autorizei o dito "serviço", ou seja, pagar para receber mensagens sms.
Claro que a TMN recebe a sua parte nisto e não quer saber de nada. Insisti junto do funcionário que, a partir da queixa de um cliente - e ele disse-me que havia mais reclamações... - não podem deixar de investigar este roubo. Não fiquei, porém, nada convencido que a TMN vá fazer alguma coisa. Não lhes interessa.
Já agora: contei o episódio à família e uma das minhas irmãs, ao notar que a conta era maior do que o costume, foi ver o extracto detalhado. Também ela tinha umas mensagens esquisitas, a 2 euros cada uma, que nunca tinha enviado - tinha recebido várias que imediatamente mandara para o lixo. Claro que também vai reclamar.
Quem tiver queixas destas tem aqui um amigo. Mandem para os comentários.
É PRECISO PARAR ESTES ROUBOS ORGANIZADOS!
Espero que o Batalhão Bússola esteja a postos!
Manuel Queiroz
Fui ontem confrontado com mais uma tentativa de roubo organizado entre empresas de telefonia móvel e do chamado "mobile entertainement". Neste caso uma tal Wixawin que, pelos vistos, é holandesa. Mas parece que rouba em todo o mundo.
Verifiquei a minha conta do telemóvel e havia uma série de mensagens para o 3345 que eu não tinha enviado. Fui à TMN perguntar o que era até porque ao todo montava a 18 euros e uns pozinhos:
"Ah, o senhor deve ter respondido a uma mensagem e assim activou o serviço", responderam-me.
Só que a única coisa que eu tinha feito era responder a um daqueles inquéritos que aparecem na Net e que dão prémios. E devo ter posto (nabo!, reconheço) o meu nº de telemóvel. Mas nunca respondi a nenhuma mensagem para o telemóvel.
Ou seja: eles queriam que eu pagasse mensagens que recebi! Não eram mensagens que eu tivesse enviado, eram apenas recebidas, geralmentre duas no espaço de poucos minutos com perguntas estúpidas e três respostas possíveis. E que eu apagava imediatamente. E por isso disse ao empregado da TMN:
"A TMN se quiser pague as mensagens. Eu não pago. Digam lá aos senhores que vão receber a minha casa que eu logo lhes digo!".
Para já está feita uma reclamação e estou à espera que a TMN me diga alguma coisa. Mas pagar eu não pago. Estes roubos organizados são, pelos vistos, aceites pela ANACOM porque, dizem na TMN, a tal empresa Wixawin é legal.
Legal o... tanas! Que me mostrem a minha declaração a dizer que podiam cobrar por mensagens que me enviam.
Só me faltava mais esta. Mas pelos vistos é preciso ter cuidado. Até porque, se o telemóvel fosse da empresa, como no meu caso era até há alguns meses, ninguém iria verificar e lá se pagava. E nos vossos filhos, para jogos e toques, é muito fácil roubar assim.
Manuel Queiroz
AQUILO QUE EU GOSTARIA QUE ACONTECESSE
Que enchêssemos a Avenida dos Aliados sempre que tivéssemos que reclamar contra uma injustiça do governo central.
Não tivéssemos de aturar os tiques de grandes senhores, dos Senhores Ministros, que de forma sobranceira nos vêm dar esmolas. Ora, com correctivos arrogantes, dizendo que gastámos muito no Metro (já esqueceram as derrapagens da Expo e agora do Metro de Lisboa) quando estão a meio da legislatura, ora com patéticas inaugurações e promessas quando perto das eleições
Pudéssemos ser nós, no Norte, a decidir, por vezes juntamente com Bruxelas:
· Da oportunidade da construção de mais uma linha de metro;
· Da passagem do TGV pelo aeroporto Sá Carneiro;
· Do estabelecimento de condições aeroportuárias diferentes para um low cost;
· Da apresentação pelas forças políticas da nossa região, juntamente com empresários do Norte, da candidatura a um grande evento internacional;
Como eu gostaria de sair de casa ao fim-de-semana e comprar o semanário da minha região, dispensando a compra dos que falam da politiquice dos corredores de Lisboa.
Como eu gostaria de estar às 7h da manhã a tomar o pequeno almoço com os meus filhos, antes de os levar à escola, e não ter de gramar nas televisões, ditas nacionais, a leitura das primeiras páginas dos jornais desportivos que, invariavelmente, trazem em letras garrafais que o treinador do Benfica está com uma unha encravada, que o jogador tal do Sporting tem joanetes e, agora só em rodapé e em letras minúsculas, que o Porto é cada vez mais primeiro, ou que o Porto teve mais uma grande vitória europeia.
Como eu gostaria de ver todas as manhãs os portuenses com o Comércio do Porto e/ou com o Primeiro de Janeiro debaixo do braço.
Como gostaria de ver todos os passageiros dos voos da companhias nacionais pedirem o livro de reclamações de cada vez que nos desviassem um avião do Porto para Lisboa. Ou quando nos vendessem um Porto/Milão Milão/Porto, este com uma escala técnica
Como eu gostaria que os nortenhos batessem o pé e exigissem que os seus problemas fossem decididos no norte e não nos corredores do governo central ou à mesa dos restaurantes da capital.
Como eu gostaria que os nortenhos continuassem a ter orgulho na sua pronúncia do português. Emocionando-se de cada vez que os seus filhos trouxessem da rua alguns “bês” que os pais já não foram capazes de lhes transmitir. Porventura não os incitando a tal, mas, seguramente não os perseguindo com constantes correcções.
Como eu gostaria de não ter razões para não ter vontade de visitar a bonita cidade de Lisboa.
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co Produção
Manuel Serrão
Nas minhas leituras de fim de semana ancorei num artigo de opinião do Professor Catedrático Jubilado da faculdade de Medicina da U.P Levi Guerra sobre um pessoa que muito estimo e admiro.
"Portuense que se tornou figura internacional", "cidadão indissociável da freguesia de Nevogilde"; advogado "por paixão", defensor da liberdade, homem de cultura mas, acima de tudo, do culto "no sentido ciceriano" dos amigos, foi galardoado com a a Ordem de “Officier National du Mérite” pelo Cônsul Geral de França no Porto, Senhor Philippe Barbry, foi um acto de grande distinção hoje ocorrido nesse magnífico espaço que é a Casa do Roseiral nos vergeis do Palácio de Cristal e onde a razão do acontecimento foi muito bem explicada pelo Senhor Cônsul Geral, é Miguel Veiga, de seu nome.
Tendo simultaneamente aprendido o francês e o português, Miguel Veiga fez da França, Pátria de sua Mãe, a sua Mátria, como sublinhou, não se estranhando que o seu luculente discurso de agradecimento tivesse sido bilingue e onde o homenageado alternou o brilho dum Vítor Hugo e dum Montesquieu com o dum Vieira ou dum Eça.
“A liberdade foi sempre uma das minhas fidelidades”
“Causídico ilustre”, como o classificou o Presidente Cavaco Silva na homenagem promovida pela Junta de Freguesia de Nevogilde em sua honra, a que presidiu há cerca de um ano (Junho de 2007), tem tido uma intervenção política de grande mérito enquanto membro do PSD, tendo revelado uma singular coerência de pensamento ao longo dessa sua vida política, até hoje.
É um “homem de afectos e de paixões”que felizmente hoje a nossa sociedade já não anatematiza:”Reivindico as contradições: o direito de ser outro de mim próprio e até estranho à minha própria imagem ou à definição que faço de mim mesmo…declaro-me humanista personalista, heterodoxo, sujeito de razões e emoções, de convicções, de sentidos, de valores ético-sociais, pautado por referências normativas, embora desamparado de deuses e avesso às gramáticas de obediência e às cartilhas dogmáticas…Pareço-me com um político de vez em quando, mas, mesmo quando intervenho politicamente, advogo causas. Quase sempre de cidadania…
A sua paixão pela arte espelha-se neste seu desabafo: “Nasci, cresci e tenho vivido no meio de miríades de livros e de centenas de pinturas…as letras são a minha respiração, a literatura é a prova de que a vida não chega…”
“Com o correr dos anos a poesia foi-se-me tornando tão necessária como o pão de cada dia para a boca…”
A sua grande acção de cidadania esteve, talvez antes e acima da política, no exercício da advocacia. Disse:”Fui fundamentalmente um advogado togado…Enquanto existirem advogados a ideia de cidadania terá conteúdo…a cidadania exerce-se também no cumprimento diário de um trabalho profissional sério, decente e competente… Sobretudo nestes tempos em que a escola fácil não prepara para a vida difícil.”
”A amizade é o essencial, o sal da vida…”
O Dr. Miguel Veiga foi feito Oficial de Mérito de França. Ele é, entre nós, verdadeiro símbolo do Mérito, e o Governo Francês, honrando justamente o cidadão, honra, ao mesmo tempo, o Porto e Portugal. É assim, sobretudo, que as Pátrias se aproximam…
O Presidente da República, Cavaco Silva, acaba de anunciar o seu primeiro Veto a uma medida do Governo de Sócrates.
O Veto surgiu aos 3 anos anos da mandato facto que prova uma boa sintonia e cooperação institucional entre Belém e S. Bento.
Não é para falar do três anos de Governo - que até teve direito a comício aqui no Porto - que escrevo estas linhas.
Não se sabe ao certo porque é que o Presidente vetou a lei que "devolvia" zona ribeirinha de Lisboa à cidade ou seja à Câmara Municipal.
Aqui no Bússola , na altura da pomposa cerimónia de transferência de posse do "governo" para António Costa, levantei este problema.
Aplaudi, estranhei e reprovei.
Aplaudi porque é um absurdo que se arrasta há dezenas de anos e nunca nenhum Governo, apesar das promessas, resolveu o assunto.
Não faz sentido que as administrações portuárias detenham importantes zonas costeiras e ribeirinhas que nada têm a ver com o seu "negócio".
António Costa percebeu isto - como escrevi - logo que chegou à Câmara.
Uma das zonas mais nobres e mais nucleares da cidade estava nas mãos de entidades que a cidade não sufragou!...
São como disse uma espécie de "enclaves" estranhos dentro das cidades!...
Estranhei a pressa. Foi tudo muito rápido. Costa chegou. Viu. Protestou. Sócrates aceitou e legislou.
Reprovei. Reprovei porque achei, como acho agora, que o problema não podia ser "reduzido" só a Lisboa.
E o Porto?
E Matosinhos?
E Viana do Castelo?
E Aveiro?
E Vila Nova de Gaia?
E?E E?E E?E E?E E?....
Cavaco mostrou estar atento.
Não tenho dúvidas que o VETO teve só a ver com isto.
Não é necessário nem obrigatório ser jurista para saber que as Leis têm de ser gerais e abstractas. Esta não era.
Era uma Lei casuística e feita à medida de satisfazer a vontade do Presidente da Câmara de Lisboa. Não pode ser...
Agora resta ao Governo fazer a sua obrigação que é legislar para o país e duma vez por todas acabar com absurdo.
PS: Achei lamentáveis as declarações do Presidente da APL-Administração do Porto de Lisboa onde se regozijava com a decisão e logo levantava o "fantasma" da especulação imobiliária e das autarquias locais.
Quem é que elegeu este senhor?! Não me lembro ...
Caros Bus sulistas
Convidado pelo próprio fui ontem ao Pavilhão Atlântico ver o concerto de Tony Carreira. Em dois dias esgotou aquele espaço. 15 mil pessoas em cada um dos dias. Não há muitos cantores que o possam fazer. Do staff disseram-me que se tivessem disponibilidade tinham solicitações para encher num terceiro dia o pavilhão o atlântico .
Havia gente de todo o país, e muitas que vieram de propósito do centro da Europa e até da África do Sul.
Para dizermos se gostamos ou não de alguma coisa temos de ir ver. Francamente, gostei do que vi.
Uma produção gigantesca, um palco arrasador , uma qualidade de som como poucas vezes tenho visto e ouvido, e um cantor que sabe o pé que tem para a bota que quer calçar.
O género musical não é o meu preferido mas há musicas que entram imediatamente no ouvido. E que até aprecio. Mas o mais importante é quem em duas horas e meia de espectáculo ,as 15 mil pessoas acompanharam de pé e com a cantar todas as letras que sabiam de cor.
Vibraram e saíram de coração cheio e feliz, algumas com lágrimas tal a emoção por terem a oportunidade de desfrutarem de horas de intensa e imensa satisfação.
Tony Carreira mantém uma humildade invencível . 20 anos depois de ter iniciado a carreira e que ontem festejava em tão gigantesco cenário, trata os fãs como se fossem da família.
No final do concerto faz o que a grande maioria não é capaz ou não quer fazer: Em vez de fugir por um corredor de óculos escuros e casaco comprido protegido por seguranças rumo a um qualquer topo de gama que o leve de regresso ao hotel, Tony Carreira, mantém-se no pavilhão o só sai quando der o ultimo autografo de uma interminável fila de fãs. Na véspera tinha saído do pavilhão atlântico duas horas depois do concerto acabar. Foi quando deu o último autografo.
Perguntei-lhe porque o fazia e disse com toda a sinceridade que só tem 20 anos de carreira de sucesso porque se não fossem os espectadores ele não existia.
Para além do espectáculo , sinceramente acho que não nos faz mal nenhum por vezes vermos estes exemplos que escapam ao nosso dia a dia.
A MENTIRA
Acho, muito sinceramente, que vivemos num país de mentira permanente.
Existe uma capital que ainda olha para o seu umbigo como capital do Império.
Criadora de burocratas.
Que usa os recursos de todos nós para se promover.
Tudo aquilo que de importante se passa neste país, por decisão dos burocratas, tem de passar pela capital.
Mega construção do Centro Cultural de Belém nos finais dos anos 80, princípio dos anos 90.
Lisboa capital europeia da cultura em 1994.
Expo 98 Lisboa, onde se fizeram obras estruturais que foram pagas por todos nós. Como por exemplo o pavilhão Atlântico que agora serve de palco aos grandes eventos do mundo do espectáculo.
Em 2001, porque Lisboa não podia repetir, tivemos a capital europeia da cultura no Porto, embora “a meias” com Roterdão.
Já se fala numa candidatura aos Jogos Olímpicos de Lisboa de não sei quando. Isto porque, pelo que me disseram, só o facto de haver a candidatura obriga a que se façam uma série de obras prévias.
A capital (mais precisamente a zona de Oeiras) candidatou-se àquilo a que se chama a fórmula 1 dos barcos. Que iria obrigar a avultados investimentos na zona marginal que, por certo, não iriam sair do orçamento da Câmara Municipal de Oeiras.
O Senhor Primeiro-ministro inaugurou há pouco tempo o Museu Berardo, em Lisboa, regozijando-se com o facto pois, até aí, segundo ele, em matéria de arte contemporânea, só havia Madrid, esquecendo-se, de forma imperdoável, do Museu de Serralves no Porto.
O autódromo do Estoril, onde se fazem os grandes eventos automobilísticos, está na zona da grande Lisboa.
A final da Taça dos Campeões Europeus de 1967 entre o Inter de Milão e o Celtic foi no então Estádio Nacional em Lisboa.
A final do campeonato do Mundo sub 21 em futebol foi em Lisboa.
A final do Campeonato da Europa de 2004 de futebol foi em Lisboa.
A final da Taça UEFA de 2005 em Lisboa.
No resto do país não houve qualquer final importante.
Bom, mas há quem diga que muitos dos grandes eventos são feitos na zona de Lisboa pela iniciativa particular. O Estoril Open; o próprio autódromo do Estoril. Mas o problema é sempre o mesmo. O centralismo obriga a que a maior parte das pessoas válidas do país vão viver para Lisboa. Onde constituem família e por lá ficam.
Quem é que, não ouviu já falar de coisas deste género – “agora se quiser subir mais na estrutura (do banco, ou da empresa) tenho de ir para Lisboa”. Não é assim, Júlio Magalhães?
Até o raio do Tratado tinha-se que chamar de Lisboa… Neste particular lembrei-me logo de Nice e de uma belíssima terra na Holanda que se deu a conhecer ao mundo porque deu nome a um grande Tratado – o de Maastricht.
Assusta-me a falta de visão global do país por parte das pessoas que nos têm governado!
Os burocratas de Lisboa mais parecem aqueles meninos caprichosos e mal-educados que têm sempre de ter os melhores brinquedos, esquecendo-se de os repartir, tanto mais que aqueles que deveriam ser contemplados com a repartição são, afinal, seus irmãos.
Mas enquanto durou a presidência portuguesa da UE, lá foram os ministros fazer umas reuniões pelo país fora, para calar as gentes da província.
Mas o Tratado, esse, jamais se chamaria de Guimarães, ou de Braga, ou de Faro, ou do Funchal.
Tinha de ser de Lisboa.
Tanto provincianismo têm os burocratas de Lisboa…
Alguns vêm dizer que o País é muito pequeno pelo que é natural que tudo se concentre em Lisboa…
Só que,
É unanimemente reconhecido que Portugal é o um dos países mais centralizados na UE.
Lisboa, embora sendo a capital, é apenas uma cidade entre muitas outras do país, inserida numa região/zona entre muitas outras.
Falta uma voz política que se faça ouvir e que ponha tudo isto a nu.
Que interpele o governo central.
Que exija que este evento, aquela obra, ou aquele empreendimento, venha para o Norte ou para qualquer outra zona do país.
Que, concertadamente com os banqueiros do Norte, nomeadamente com aqueles que fundaram os dois maiores bancos pós 25 de Abril, batam o pé e exijam que a bolsa de valores fique no Porto (olhem, por exemplo, para Frankfurt e para Milão), ou pelo menos que também fique no Norte.
Que ajude a criar condições para as sedes dos bancos e seguradoras, que muitas delas historicamente são do norte, tenham efectivamente as administrações, os departamentos de estudo e os principais quadros no Norte.
Que proteja os empresários do Norte.
Mas que também lhes peça explicações quando estes vão anunciar a um hotel de Lisboa um grande negócio, quando o deveriam fazer num hotel do Porto, ainda que só tivessem presentes os jornalistas do JN, do Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro.
Que articule com as Universidades e as empresas os meios necessários para criar uma grande escola de negócios no Norte, impondo-se quando algumas pessoas, por pequenas questões de vaidade, entopem o processo.
É que há situações incompreensíveis neste país.
Por que raio é que ainda há pessoas do norte que acham bem ir tratar de assuntos a Lisboa?
Serão masoquistas?
Porque raio não podemos tratá-los no Norte?
Porque razão é que há grandes empresas do Norte que têm as sedes operativas no Sul?
É mais barato?
Porque razão, tendo nós no Norte os 2 maiores empresários pós 25 Abril, é que um nortenho que tira um curso relacionado com publicidade tem de ir para Lisboa?
Se os 2 maiores grupos privados portugueses pós 25 de Abril são do Norte porque é que não há grandes empresas de publicidade no Norte?
Não me digam que é porque no Sul podem fazer anúncios no Guincho!
Façam-nos na praia “Emília Barbosa”, ou noutra qualquer de Matosinhos, na Foz ou em Leça, ou então nesse maravilhoso vale do Douro…
Ouvi, outro dia no Porto Canal uma entrevista com um afamado estilista nortenho que dizia que o grande acontecimento de Moda do nosso País é, PASME-SE, a Moda Lisboa.
Se isto continuar assim, qualquer dia ainda levam o Museu do Vinho do Porto para Lisboa. Acho que já faltou mais…
Olho para o nosso País e sinto-me envergonhado com este centralismo.
Mas quando constato o que se passa aqui ao lado ainda mais revoltado fico.
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co Produção
Manuel Serrão
Tenho para mim que uma pessoa tem de se agarrar a sólidas normas orientadoras para se desembrulhar nesta vida, que está cada vez mais complicada.
Um dos princípios que sempre me norteou, sintetiza-se numa pequena frase: «Se queres ganhar ao Boris Becker não vás jogar ténis com ele».
Esta frase orientadora é filha directa da filosofia fundadora da guerrilha. Devemos evitar entrar em batalhas que à partida sabemos que vamos perder e, em alternativa, esforçar-nos por atrair o adversário para um terreno que nos seja favorável.
Vem esta história a propósito do braço de ferro entre professores e Governo, que a mega manifestação de sábado atirou para um beco que aparentemente não tem saída.
A peregrina ideia do PS de responder à impressionante demonstração de força e unidade dos professores através de um comício nacional de apoio a Sócrates, sábado, no Porto, equivale a uma vâ tentativa de ganhar ao Boris Becker desafiando-o para a medir forças num court de ténis. É uma atitude estúpida e suicidária.
Domingo, cem mil professores (a grande maioria num universo total de 140 mil) inundaram o centro de Lisboa, desfilando do Marquês até ao Terreiro do Paço.
É patético que o PS, que governa com maioria absoluta, escolha responder na rua à revolta dos professores. Não é preciso ser um Einstein para adivinhar que o Governo ser goleado na comparação.
Alguém no aparelho do PS já deve ter percebido isso e , prudentemente, ordenou a transferência do local da manifestação da praça D. João I para o mais aconchegado pavilhão do Académico, que não será difícil de lotar pois é uma sala à medida da capacidade de mobilização do Bloco de Esquerda.
É à mesa e não na rua que o Governo pode ultrapassar esta crise. Mas para vencer, Sócrates tem de ter a humildade de perceber que não lhe basta ter razão e que avaliou mal a situação quando em Outubro declarou que não confundia professores com sindicatos.
O gigantesco esforço de democratização do ensino que se seguiu ao 25 de Abril já deu alguns frutos. Prova disso é o facto de, em 20 anos, a taxa de escolarização no secundário ter aumentado 50%. Mas ainda há muito longo caminho a percorrer . Os 17% de alunos repetentes no secundário estão dramaticamente longe demais dos aceitáveis 3,9% que constituem a média de repetentes neste escalão de ensino nos países da OCDE.
Os 120 mil alunos que chumbam anualmente no básico e os 46% que abandonam a escola no 12º ano são números que gritam por uma urgente reforma do nosso sistema educativo.
Sócrates tem razão quando diz que não se pode adiar por muito mais tempo esta reforma. Mas tem de ter a lucidez de perceber que não a pode fazer contra a vontade dos professores, que são os principais intérpretes e a peça chave do sistema educativo.
A pífia remodelação de 29 de Janeiro retirou ao primeiro ministro a margem de manobra para deixar cair Maria de Lurdes Rodrigues. A única bóia de salvação que ele tem ao alcance é agarrar-se à proposta de mediação apresentada por João Lobo Antunes, o ex-mandatário nacional de Cavaco.
Jorge Fiel
Esta crónica foi publicada esta semana no diário económico oje (www.oje.pt)
Numa opinião que também subscrevo, Cerqueira Gomes acha que o problema não é de Lisboa enquanto cidade, bonita por sinal, o problema é da gentinha, talvez a mais provinciana de todo o Portugal, que tornou uma cidade, que deveria ser só a capital de Portugal, num monstro macrocefálico e asfixiante.
AS RAZÕES DA SITUAÇÃO
AUSÊNCIA DE VOZ POLÍTICA ORGANIZADA
O estado a que tudo isto chegou tem culpados que são facilmente identificáveis – TODOS NÓS NORTENHOS.
É verdade que houve sempre uma certa subserviência relativamente à capital.
Se recuarmos na História verificamos que sempre nos sacrificámos pelo país, muitas vezes em proveito de Lisboa.
A história das tripas, na célebre expedição a Ceuta, é paradigmática.
Tripas essas que, de restos menores do animal, se transformaram num dos ex-libris da gastronomia portuense.
Mas tudo mudou.
Já há muito concluímos que não há mais razões para sermos subalternizados relativamente a Lisboa.
De resto, acho que não há, na maioria das pessoas do Norte, qualquer complexo de menoridade relativamente a Lisboa.
Noto, isso sim, algum desconforto e dor de cotovelo de muita gente de Lisboa quando o nome do Porto se começa a ouvir cada vez mais e pelas melhores razões, nomeadamente quando se fala:
· do esmagador êxito, Nacional e Internacional, do FC Porto;
· dos dois maiores bancos portugueses pós 25 de Abril terem sido fundados no Porto;
· dos dois maiores empresários do país, no pós 25 de Abril, serem do Norte;
· de Serralves, como uma referência mundial na gestão de Museus;
· das ruas do Porto e das estradas do norte cheias de turistas trazidos por companhias estrangeiras (não pela TAP);
· que os arquitectos do Porto são repetidamente galardoados nos melhores prémios da arquitectura mundial; etc.
Muitos, geralmente do sul, dizem que nós estamos sempre a dizer mal de Lisboa, por isto e por aquilo.
Não nos preocupa o que Lisboa tem. O que verdadeiramente nos preocupa é aquilo que não temos e que deveríamos ter caso este país fosse, conforme todos nos prometeram, descentralizado.
Mas se é evidente que já se nota um despertar das gentes do norte relativamente às injustas assimetrias deste país, também não deixa de ser verdade que ainda não nos insurgimos com a determinação que a situação justifica.
Pergunto:
Quantas pessoas vieram para as ruas no Porto, ou em Braga, por causa do traçado e dos timings TGV?
Na verdade,
Causa-me grande incomodidade verificar que as Injustiças causadas pela macrocefalia não provocam, ainda, qualquer reacção organizada.
A não ser uma cobarde resignação de todos nós.
Por um lado, sofremos para dentro.
Não explodimos como os espanhóis.
Por outro, não somos devidamente orientados por uma referência, por um líder, que assumidamente nos defenda.
Já viram que ao longo de tanto tempo ainda não fomos capazes de criar um líder político que defendesse os nossos interesses?
Dos políticos que aqui nasceram, muitos deles brilhantes, não houve um sequer que nos dissesse aquilo porque ansiosamente aguardamos: “Sou político, sou do Norte, quero defender a causa dos meus conterrâneos e, sosseguem, a última coisa que quero é ir para Lisboa”.
Infelizmente todos eles tiveram a mesma tentação fatal, isto é, não descansaram enquanto não chegaram a Lisboa, uns para deputados, outros para o governo…
E o Norte sente muito isso, só que sofre para dentro, pelo feitio próprio das nossas gentes.
Para se ver como sofre e não esquece, está o caso paradigmático do castigo que o povo do Porto infligiu ao Dr. Fernando Gomes que, incompreensivelmente, trocou a Presidência da Câmara do Porto pelo ministério da polícia de Lisboa. Como foi possível ter acontecido?
Acho que as gentes do Porto ficaram desiludidas, sentiram-se atraiçoadas.
Verificámos que não era aquela a pessoa que precisávamos.
Com todo o respeito pelo vosso trabalho e com o que é feito noutras iniciativas, julgo que não chegaremos a lado nenhum sem que tenhamos um canal político próprio que possa, de forma sistemática e organizada, defender os interesses do Norte.
Podem dizer: mas estamos todos fartos dos políticos e dos partidos! Também eu, e é por isso que faz falta quem faça política de forma diferente, uma politica próxima do eleitor e em que este se reveja.
Já viram o que seria um partido político do Norte que elegesse deputados?
Que forçasse uma verdadeira regionalização!
Temo, contudo, que tal não possa ser levado a cabo por impossibilidade legal/constitucional.
Alguém ainda tem dúvidas que o crescimento de Espanha se deve, em grande parte, à força das regiões autónomas e da vontade que têm de se afirmar?
A cumplicidade positiva entre as forças vivas de uma determinada zona com o poder político regional que as representa tem sido um dos segredos do crescimento de Espanha.
Repugna-me ter de continuar a eleger deputados que vão confortavelmente para o hemiciclo dizer que sim a tudo aquilo que o partido impõe, esquecendo, pura e simplesmente, que estão lá para defender os interesses das pessoas que os elegeram.
Não temos, em conclusão, um verdadeiro sistema representativo!
Manuel Cerqueira Gomes
Próximo capítulo " A mentira em que vivemos " a postar brevemente
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co produção
Manuel Serrão
Bom dia caros bus sulistas :
Serve este post para convidar todos aqueles que tenham disponibilidade e vontade para estarem presentes hoje pelas 18.30 no edifício da alfandega do Porto onde farei a apresentação do meu livro intitulado "Os Retornados - um amor nunca se esquece".
A obra será apresentada por Elisa Ferreira e pelo jornalista José Ferreira Fernandes.
O livro, colocado no mercado há apenas uma semana, já lidera os tops de vendas das principais livrarias, facto que acontece, creio eu, por se tratar de um tema muito pouco abordado no nosso país sobre aquela que foi a maior ponte aérea de sempre em Portugal e a saga dos Retornados, ainda que já tenham decorrido 30 anos sobre esse momento da história contemporânea portuguesa.
O êxodo de Angola para Portugal entre 1974 e 1975 atingiu cerca de meio milhão de pessoas e abalou e transformou profundamente a sociedade portuguesa.
Além das inúmeras histórias verídicas relatadas no livro sobre esse momento da história portuguesa, a obra é também romanceada.
Deixo um pequeno texto de pré publicação do livro neste nosso blogue:
"...pela frente um longo corredor com filas repletas. Joana nem conseguia olhar para os passageiros que enchiam aquele Jumbo 747. Firme, de olhar pregado no fundo do corredor esperou que a voz do comandante a salvasse daquele prolongado silêncio.
Bem-vindos ao voo 233 da TAP. A nossa viagem com destino a Lisboa tem a duração de 7 horas e 35 minutos. O tempo previsto em rota é bom. Peço a vossa atenção para as instruções de segurança que a seguir apresentamos".
O Comandante Afonso Rosa sabia que não podia alongar-se muito mais, nem sequer deixar transparecer um sorriso. Dizer a todos aqueles passageiros "bem-vindos ao voo 233 da TAP" já era demasiado doloroso. Ninguém naquele avião desejava fazer aquela viagem..."
Um abraço e boas leituras.
Confesso que tenho andado angustiado com a situação política. Não propriamente com os balanços que se vão fazendo dos três anos de Governo - muito previsíveis consoante o analista ou a proveniência ideológica dos comentários; nem sequer com a força da manifestação dos professores, tão esperada como ineficaz face à teimosa arrogância do Governo; e muito menos com as peripécias futebolísticas das nossas principais equipas na Europa... O que me preocupa é o modo como a crise interna so PSD está a ser coberta pela comunicação social.
Em resumo, é assim: o dr. Menezes fala, faz uma qualquer resposta e imediatamente é "derretido"... Jornais, rádios e televisões são rápida e eficazmente invadidos de notáveis, a maior parte sociais-democratas, que atacam, trucidam, rebatem, indignam-se com as ideias do presidente do PSD... e quando este consegue no meio da balbúrdia responder, nova vaga de comentários submerge qualquer hipótese de êxito por parte da actual direcção social-democrata.
O que é estranho, depois de alguma atenção nas últimas semanas, é que os jornais, rádios e tvs ouvem ou citam sempre a mesma dezena se nomes, a saber: Pacheco Pereira, Miguel Relvas, Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, Aguiar Branco, José Luís Arnaut e mais alguns que, como estes, foram e são inimigos declarados de Luís Filipe Menezes, nomeadamente na campanha interna do seu partido... Além destes, uma outra dúzia de comentadores e editorialistas que previram a impossibilidade de Luís Filipe Menezes chegar á presidência do PSD afadigam-se agora em ter razão à posteriori...
Muito bem, é a vida! - dirão alguns mais cínicos. Pois, acrescento eu, é mesmo a vida, só que é estranha...
O que eu estranho é a dificuldade que os órgãos de comunicação parecem ter em ouvir quem esteja de acordo com Luís Filipe Menezes, nomeadamente e pelo menos os que fazem parte da sua direcção política ou até aqueles que lhe deram uma maioria de dois-terços no último Conselho Nacional do partido... Afinal, onde estão os "notáveis" quando o partido reúne os seus órgãos estatutários? E onde estavam esses notáveis nos últimos congressos do partido? Ausentes? Pois agora que legitimidade tem para protestar tanto e de repente mostrarem tanto interesse na vida do partido? E afinal não era uma boa parte destes notáveis dirigentes do partido qundo este foi ilegalmente financiado e condenado por isso?
Não posso deixar de achar muito estranho que tudo isto não seja sequer aflorado na comunicação social hoje nas mãos de três ou quatro grupos económicos (todos em Lisboa, por acaso...).
Por exemplo, ainda hoje se fizeram manchetes com o comentário de Ferreira Leite atacando a direcção do PSD por este ter chamado Rui Rio ao Conselho de Jurisdição do partido... E agora compare-se com o (não) destaque ou mesmo silenciamento da posição de Mota Amaral em defesa de Menezes...
Há explicação para esta diferença de tratamento?
No fim de semana que agora acaba estive num Norte especial e fora do comum : o Norte Alentejano. A primeira coisa que é preciso dizer , diz bem do Norte. Enfim ...diz bem de todos os nortes : A Região de Castelo de Vide ´e um regalo para os olhos e um conforto para a alma.
Tanto no campo que a rodeia , como no seu perímetro ubano , cujas dificuldades fomos vencendo à medida que um determinado grupo ia sendo chamado para validar as confidências,a região de Castelo de Vide merece uma visita urgente.
Mas não só ! Para além do óbvio ululante , vão encontrar pessoas que se lembram que está na berra outra realidade menos conhecida que também merece um olhar atento e urgente e que é a Orientação ! Ou não fosse esta modalidade um desporto em que a bússola assume uma presença indispensável . Sempre a apontar o Norte , para ninguém se sentir perdido. Como o país está bem necessitado , mas isso hoje não interessa nada , como dizia a Teresa Guilherme.
Também neste fim de semana e também em Castelo de Vide fiz a minha estreia na modalidade de Orientação.
Sirvo-me deste blog para a recomendar a toda a tribo , que gosta de desporto, vida ao ar livre , experiências diferentes e não traumatizantes ....
Como se trata de uma modalidade menos mediática mas que começa a enraizar-se no desporto escolar , não tardará teremos atletas com capacidade para dar o salto em direcção a uma competitividade que no Norte da Europa ( sempre o Norte...) já é considerada desporto nacional
Para aqueles que nunca tinham ouvido falar nesta modalidade , que luta para alcançar o sonho de se tornar olímpica ( e tem todas as condições para isso ) aproveito para recomendar que se inscrevam numa prova aberta a todos os debutantes que terá lugar no fim de semana de 19 e 20 de Abril nos maravilhosos jardins da Fundação de Serralves , o que acontecerá pela primeira vez.
Até porque sendo a primeira nunca se sabe se não será também a última , trata-se de uma oportunidade imperdível.
Para mais informações em www.gd4caminhos.com
À frente deste que é um dos principais clubes da Oriemtação , está Fernando Costa , um verdadeiro homem do Norte !
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão desportivo
Manuel Serrão
Em dia de «Marcha da Indignação» os professores dirigiram-se a Lisboa. A viagem começou cedo para muitos dos docentes que quiseram protestar contra as políticas governamentais para a Educação.
E foram muitos os que se indignaram e chegados à capital pediram mesmo a demissão da ministra.
Realmente 100 mil demonstra uma coesão de classe muito grande!
Os meus parabéns!
Caros professores estou completamente solidário com a classe, com as suas preocupações, com a falta de respeito que a tutela por vezes demonstra, mas meus caros não se deixem instrumentalizar.
Sabemos que, como em outras profissões , há pessoas que pouco gostam de trabalhar , há docentes muito fracos a ensinar nas nossas escolas,continuamos a ver em alguns professores umas balditas que nada abona para a classe, continuamos a ver os nossos miúdos,com uma cultura muito a desejar.
A avaliação de desempenho dos professores tem que ser feita, possivelmente não agora mas para o próximo ano, é urgente fazer um levantamento das competências do corpo docente de modo a poder fazer a melhoria contínua dos recursos piores preparados.
Qualquer empresa competitiva a avaliação de desempenho dos seus recursos é um imperativo.
E agora?
A tutela vai continuar o seu caminho não ouvindo as queixas dos docentes de falta de respeito e que parem as medidas para ouvir as escolas, e os professores sem prejudicar os alunos irão continuar as suas lutas na rua e sei lá uma manifestação no Porto com outras 100 mil professores....o comercio do Porto agradecia!
Os professores são uma gota de água no descontentamento que vai no país e isto é que é a grande realidade!
Um abraço
MRC
Nos últimos dois dias cerca de 120 homens e mulheres com menos de 45 anos, resolveram subir o Rio Douro e reflectir em conjunto sobre que novos desígnios Portugal deve acolher para melhorar decisivamente o seu desempenho, promovendo melhor e mais auspicioso futuro aos Seus vindouros.
Tal como o inefável Carlos Pinto Coelho recorrentemente afirmava no saudoso “Acontece”, “ eu estive lá” e fui testemunha privilegiada e comprometida desta realização promovida pela ANJE e pela Sedes.
O trabalho tinha sido iniciado algumas semanas antes. A metodologia era prometedora. Ao invés de se discutirem os tradicionais sistemas operativos do Estado, aqui a aposta foi a de escolher sete elementos referenciais que fariam emergir, depois de uma induzida reflexão, sete desígnios maiores para Portugal.
Foram organizados 7 grupos em torno dos seguintes referenciais:
Pessoas, Espaços, Recursos, Cultura, Conhecimento, Organização e Valores.
Não é possível resumir neste espaço os desígnios escolhidos, porque eles surgiram enquadrados num contexto próprio e fundamentados em pressupostos que carecem de boa digestão.
Como síntese do conjunto dos desígnios propostos, poderia ensaiar qualquer coisa como:
Apostar na qualificação integral das Pessoas e na regeneração, reabilitação e dimensão crítica dos Espaços, por forma a proporcionar uma eficiente utilização dos Recursos naturais e humanos capaz de propor uma Cultura nova, ancorada no Conhecimento, na criatividade e na tecnologia e servida por um modelo de Organização transparente e eficiente que promova permanentemente os Valores da responsabilidade, do mérito e da excelência…,
Síntese, que apesar da vantagem de ser descartável e se meter no bolso, tem o pecado mortal de ser injusta, redutora e desproporcionada ao genuíno e elevado esforço de “construir” a que, com agrado, presenciei.
Talvez mais importante do que as próprias conclusões, é esta ideia da vontade autêntica de participação de uma geração nova que não tem os preconceitos da guerra, da ditadura ou do condicionamento industrial, que conhece o mundo (40% dos presentes estudaram ou trabalharam fora do País), domina a tecnologia e gosta, felizmente muito, do Seu País.
Esta a principal esperança deste Grupo que promete continuar e comprometer-se, sempre com independência mas seguramente com a determinação de fazer render os Seus Talentos pelo futuro de Portugal e das novas gerações de Portugueses.
A última razão de esperança para este PPR escrito em Português e generosamente dedicado às gerações futuras é o facto de, como muitas outras coisas boas, ter nascido no Norte, numa inspiradora viagem por esse Douro austero e memorial e baptizado (apresentado à comunidade), um dia depois na cidade do Porto na moderna, criativa e também promissora Casa da Música.
Tudo razões para desejar longa e profícua vida ao “Novo Portugal” e ao seu genuíno propósito de ajudar a fazer, generosamente, o Portugal Novo!
António de Souza-Cardoso
Penso que nunca me esquecerei da conferência de imprensa em que Michael O’Leary, vestido com a camisola do FC Porto, lançou a operação da Ryanair para o aeroporto Sá Carneiro.
Michael sabia que a recente vitória dos dragões na Champions e a anunciada transferência de Mourinho para o Chelsea ia ajudar o Porto a ser um destino sexy para os viajantes ingleses.
Mário Ferreira, o empresário do Douro Azul, estava sentado ao lado de um dono da Ryanair obviamente interessado em tirar partido da fama de que o Vinho do Porto desfruta nas ilhas britânicas e oferecendo um produto que combinasse cidade com um cruzeiro fluvial até aos socalcos onde nasce o vinho.
A operação Porto da Ryanair tornou-se um enorme sucesso e ajuda a explicar a performance notável do Sá Carneiro, que viu o número de passageiros que o usam explodir de três para quatro milhões entre 2006 e 2007 – e passou a estar ligado a 56 destinos através de 16 companhias aéreas.
O turismo em Portugal deixou de ser apenas Algarve, Madeira e Lisboa. O Porto e o Norte passaram a figurar no mapa – assim como o Alentejo s os Açores,
São vários os sinais da importância crescente do turismo na nossa região, que foi a que conheceu no ano passado um maior aumento de dormidas.
Mesmo na época baixa, as ruas do Porto são diariamente sulcadas por «double deckers » descapotáveis bem guarnecidos de turistas estrangeiros.
A prestigiada revista de viagens Condé Nast Traveller elegeu o Porto, na sua edição de Janeiro, como o único destino português de um total de 14 recomendados aos seus leitores. A Casa da Música, Serralves, o Coliseu e a Torre dos Clérigos são os pontos obrigatórios de visita salientados.
O investimento no Sá Carneiro - premiado internacionalmente e o único português servido por metro - já começa a dar frutos.
A sábia decisão de fundir numa só as diferentes regiões de turismo nortenhas faz também todo o sentido.
Há todas as condições para que o turismo se torne um dos sectores mais importantes da nossa economia regional e até venha a ser uma das alavancas do ressurgimento nortenho.
Mas para que isso aconteça é preciso acabar com os entraves burocráticos que impedem a concretização de vários importantes projectos de investimento na região do Douro.
E é também preciso ser ousado e descomplexado.
Por que não negociar com a Região de Turismo de Lisboa a inclusão de uma escapada até ao Porto nos programas oferecidos aos «shortbreakers« que visitam, a capital?
Por que não fazer uma campanha de turismo interno, visando convencer os lisboetas a virem passar um fim de semana ao Porto?
Jorge Fiel
Não gostei do que diz hoje no JN, Eduardo Cabrita, Secretário de Estado da Administração Local, sobre o papel da autarquias na Educação.
Diz o nosso governante que a "educação vai passar a ser prioridade das câmaras".
Parece-me mal por duas ordens de razão:
A primeira é o facto deste tipo de afirmações me "cheirar" a uma intromissão do Governo na vida das autarquias locais.
O Poder Local livre e democrático - uma das maiores conquistas da revolução dos cravos - não obedece a "ordens" governamentais, tem objectivos próprios que assume com as populações e é, de quatro em quatro anos, escrutinado pelo povo.
A segunda razão tem a ver com o facto das autarquias locais já há muitos anos terem percebido que a Educação é mesmo a prioridade das prioridades.
Digo-o com experiência. Fui responsável pela Educação numa das grandes autarquias portuguesas e cedo percebi que o futuro começava na escola.
Melhor. Na Pré-escola.
Uma criança feliz na Escola é uma criança feliz para a vida e disponível para aprender.
Tinha esta convicção e consolidei-a um dia em conversa informal, mas profunda, com o então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.
Dizia o Chefe de Estado, em jeito de confissão e ao mesmo tempo de aconselhamento, de que se voltasse a ser Presidente de Câmara iria canalizar a maioria dos seus esforços para a Educação.
E reafirmava convictamente: - É o futuro! É o futuro!
De acordo.
Felizmente as autarquias perceberam isto há já alguns anos.
Deixo aqui uma pequena nota para reflexão.
As escolas do Pré e do 1ºciclo são da responsabilidade das autarquias. Vejam como estão e como funcionam na sua esmagadora maioria?
As EB 2/3 e Secundárias dependem do Governo e apresentam habitualmente mau aspecto.
Porque será?
Será que era nisto que o Secretário de Estado estava a pensar?
Arranjar uma empresária para ilustrar um artigo de capa foi um dos mais difíceis nós que tive de desatar durante os dois anos em que editei a saudosa Revista do Expresso.
A ideia era encontrar uma mulher que dirigisse uma empresa de grande porte. Passei em revista as listas do costume, o PSI 20, as «utilities», as maiores e melhores, mas nicles, nada, niente, rien de rien – nothing at all. Por mais voltas que desse, só deparava com homens.
Depois de muito espremidas as meninges, o «eureka» chegou do mais improvável dos sectores (a construção civil) , Vera Pires Coelho, da Edifer, foi a capa da Revista de 14 Dezembro 2002.
Passaram-se cinco anos, mas a relação de forças nos nossos Conselhos de Administração não mudou significativamente. As mulheres portuguesas estão em larga maioria no mercado de trabalho, mas vão se tornando uma minoria cada vez mais ínfima e escassa à medida que olhamos para cima na cadeia hierárquica, E quando chega o fim do mês, elas levam em média para casa salários 15% inferiores aos deles.
Não me parece que seja sábio deixar entregue ao mercado a correcção destas terríveis e gritantes desigualdades que afectam as mulheres portuguesas.
Compete ao Governo e aos organismos de regulação impor as medidas correctoras de descriminação positiva que tão bons resultados estão a dar noutros países.
Aqui ao lado, Zapatero deu-nos um exemplo luminoso ao formar um governo em que há tantas mulheres como homens. E a CNMV deu-nos outro belo exemplo a seguir ao recomendar às cotadas que integram mais mulheres nas administrações e cargos de direcção. No Ibex 35, somente 3,5% dos lugares de topo são desempenhados por mulheres.
Em França, onde apenas 6% dos administradores das companhias do CAC 20 são mulheres, foi legalmente imposto um patamar mínimo de 20% .
A Noruega é o farol da luta a favor da concessão da igualdade de oportunidades no acesso a lugares dirigentes para ambos os sexos . Em 1979 ( há quase 30 anos!) Oslo aprovou uma Lei de Igualdade de Status que impõe a paridade dos sexos nos organismos públicos.
Mas recentemente foi dado um prazo de dois anos, para que as empresas norueguesas ocupem com um mínimo de 40% das administrações das empresas cotadas. Os incumpridores incorrem no pagamento de fortes multas e são ameaçados com a pena máxima da dissolução das suas companhias.
Cada qual à sua maneira, mas todos recorrendo à descriminação positiva, Espanha, França e Noruega adoptaram quotas para proporcionar às mulheres uma maior igualdade de oportunidades no acesso aos lugares de comando nas empresas.
Seria muito bom que José Sócrates, Teixeira dos Santos e Carlos Tavares aproveitassem a próxima comemoração, a 8 de Março, de mais um Dia Internacional da Mulher, para copiarem estas boas ideias e colmatarem uma desigualdade entre sexos que só nos envergonha.
Eu, por mim, anseio por ver o dia que uma primeira mulher será eleita presidente de uma companhia do PSI 20.
Jorge Fiel
Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje (www.oje.pt)
A partir de hoje tenho outro blogue, a pedido da Antena 1. De Trivela - o título, muito bom, não é meu, creio que é do Paulo Sérgio, editor do desporto da Antena 1 - e já lá está o primeiro post. É em http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/detrivela/
É sobre desporto e sobre futebol, naturalmente, e andarei por lá sempre que se justificar, mas seguramente três dias por semana, pelo menos.
Manuel Queiroz
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"O combate ao crime violente será reforçado. O Governo quer manifestar repúdio por esses actos e está atento às novas formas de criminalidade violenta, apostando num policiamento de proximidade com as comunidades.As forças de segurança tudo estão a fazer, em todos os domínios, para evitar a proliferação da criminalidade.O combate ao crime violento será reforçado com medidas enérgicas" foi o que disse o nosso ministro da Administração Interna Dr.Rui Pereira
O que nós vimos na prática é que são só intenções pois cada vez mais há mais insegurança em qualquer zona do País principalmente nos grandes centros urbanos.
Por muito menos o antigo ministro portuense Fernando Gomes foi cilindrado pela comunicação social de Lisboa o que implicou a sua demissão e com este nada!
Sem contar com o que se passou com os grupos rivais de seguranças na noite do Porto e nos últimos dias em Lisboa, o que se está a passar deixou de ser preocupante, passou a realidade no nosso dia a dia , este ministro já não deveria estar onde está, é um incompetente.
É a Alexandra Neno que depois de ser surpreendida por um assaltante dentro do seu carro, um disparo atingiu-a fatalmente no peito.
É o jovem de 21 anos, Diogo Filipe Ferreira,que é baleado na cabeça no piso -1 do Oeiras Parque por dois encapuzados que tentavam furtar uma viatura.
O António Patriarca, 47 anos, foi abatido por engano com um tiro na cabeça no café Brasileiro em Loures.
Num aterro de lixo perto de Loures apareceu morta mais uma pessoa, a Luna, um travesti.
Em Viseu uma mulher escapou a tiros contra a sua casa.
Também em Viseu, dois homens, alegadamente seguranças de uma discoteca, terão sido atingidos por chumbos de caçadeira.
Esta madrugada na Foz do Douro na discoteca Bela Cruz , um segurança foi atingido na nuca por um cliente,estando neste momento nos cuidados intensivos do hospital Santo António
Há pouco mais de uma mês, Rio de Mouro, era palco de uma luta entre gangs, cujas as consequências ainda estão para durar e avaliar.
Em Ferreira do Zêzere um final de namoro mal resolvido o rapaz mata a ex-namorada suicidando-se de seguida.
Isto só prova duas coisas, não se está a fazer uma caça às armas e este ministério está completante fora de controlo.
Qualquer indivíduo anda armado, estamos todos sujeitos a levar com um tiro.
Já não há escolhas de locais problemáticos,pode acontecer em qualquer lugar.
Onde estão as câmaras? Onde estão os bravos homens da polícia?
Povão sê corajoso!
Mário Rui Cruz
Na quarta-feira passada o meu companheiro Bussolista Manuel Serrão deu à estampa no seu qualificado e habitual espaço de opinião do JN, um artigo sobre as próximas eleições da AEP com o qual me revejo tão integralmente que, com risco do aroma a repetido, não quis deixar de pronunciar em sublinhado, nesta Bússola do Norte.
Cumpre-me pois, em primeiro lugar pedir desculpa ao autor e refugiar-me na ideia de que numa sociedade com tão escassa participação cívica também as verdades, para fazerem bom caminho, precisam de ser ditas mais do que uma vez.
O Abílio Ferreira publicou no Expresso há algumas semanas um artigo sobre as eleições na AEP onde apontava como mais fortes candidatos à sucessão do Engº Lugdero Marques, o Presidente da ATP, Dr. Paulo Nunes de Almeida e o Dr. Adalberto Neiva de Oliveira, conhecido Empresário do Grupo Cabelte.
Nenhum dos dois evidentemente inspirou ou deu azo àquela notícia, mas julgo que ela teve o condão de os pôr, aos dois, a pensar no assunto. Ainda mais promissor, de colocar os actuais dirigentes da AEP e principalmente os seus associados perante a esperança de poderem ter uma sucessão ao nível dos enormes desafios que a AEP enfrenta no futuro.
Amanhã um conjunto estrito de membros designados pelo Conselho Geral, apresentará publicamente o perfil do candidato a esta sucessão. E daí a oportunidade desta reflexão que importa ao Norte e ao País.
Para que se não diga que não se disse, julgo em primeiro lugar que desta vez o Engº Ludgero Marques vai mesmo sair. Conheço a vontade de renovação manifestada pelo Presidente da AEP em outros momentos eleitorais e o “caminho arrepiado” outras tantas vezes, por falta de comparência das putativas alternativas, ou pelo inequívoco espírito de Missão que sempre demonstrou. Julgo, no entanto, que o Engº Ludgero Marques deixa um legado de tão grande valor para a AEP que não pode nem quer, arriscar-se a “desnobilitar” o grandioso trabalho que empreendeu, a levar um jogo já ganho para um incerto prolongamento. Não há, em suma e desta vez, espaço para mais do que a Grande Homenagem e o Engº Ludgero Marques sabe-o melhor que ninguém.
Julgo, em segundo lugar, que a AEP tem a sorte e a circunstância de poder contar com a disponibilidade de duas personalidades de tão rara qualidade humana e tão ajustada experiência profissional.
Conheço o Dr. Paulo Nunes de Almeida desde o ano de 1991 em que entrei para Director Geral da ANJE. Era ele então Vice-Presidente e mais tarde Presidente Adjunto da Direcção. Entendeu o destino, depois dessa experiência tão próxima, colocar-me em lugar privilegiado para acompanhar o fulgurante percurso associativo que teve desde então. Admirei sempre a sua inteligência – lógica, emotiva e relacional, mas também a determinação, a capacidade de trabalho, o conhecimento amplo das principais questões económicas e do tecido empresarial, a facilidade de gerar consensos, desenhar modelos e mobilizar pessoas.
Conheço igualmente o Dr Adalberto Neiva de Oliveira. Porque foi e ainda é Presidente do Conselho Fiscal de uma Organização a cuja Direcção presidi. Mas, principalmente, pelo notável trabalho que realizou no impulso e afirmação em Portugal da Ordem Soberana e Militar de Malta. Aprendi a admirar a sua imensa capacidade de comunicação e persuasão, pendurada num sorriso franco, generoso e confiável. A experiência empresarial e associativa do Comendador Neiva de Oliveira falam por si e dispensam bem estes meus modestos sublinhados.
A AEP tem assim a sorte de ter dois grandes possíveis Presidentes que, conhecem bem a casa, o associativismo e o tecido empresarial. Não me interessam os perfis, nem vou cair na tentação de comparar a alternativa geracional e o dinamismo tranquilo de Nunes de Almeida, com a astuta experiência e o sólido percurso empresarial de Neiva de Oliveira.
A AEP não pode provavelmente contar com os dois (ou pode?), mas muito menos se pode dar ao luxo de os dispensar. Porque não há melhores, porque só um dos dois poderá confirmar o caminho de liderança da AEP no associativismo empresarial português.
O Engº Angelo Ludgero Marques tem assim uma Missão crucial para o futuro da Instituição a que preside. Uma Missão pela qual será também avaliado na justa homenagem que o Norte e o Tempo certamente lhe farão. A de não deixar que os seus dois “melhores” se anulem na elegante recusa de um confronto, ou no desencanto da intriga que uma disputa sempre favorece. Abrindo as portas a uma terceira via menos qualificada e diminuída e também por isso mais fragilizada e vulnerável às piores especulações.
Os Associados da AEP têm igualmente esta enorme responsabilidade de não deixar escapar este irrepetível momento de afirmação, mostrando um espírito de vigilância e de empenho capaz de recusar terceiras vias e promover a escolha da melhor liderança e do melhor futuro para a sua Associação, para o Norte e para Portugal.
António de Souza-Cardoso
Num dos agitados jantares que pautaram o parto da Bússola, estava em cima da mesa a escolha do local para o anúncio, «urbi et orbi», da boa nova do nascimento deste blogue.
Três hipóteses foram aventadas:
a) Durante uma viagem do Metro do Porto até à Póvoa, numa carruagem alugada para o efeito;
b) Num pequeno almoço no «trendy» bar de alterne Calor da Noite;
c) No interior do Mercado do Bolhão.
A maioria escolheu o Bolhão. Assim se fez.
Apresentamo-nos ao Mundo tendo como cenário a fonte central do mercado e como banda sonora o desbocamento das vendedeiras que cravaram beijos ao Juca (acharam-no ainda mais bonito do que na televisão!) e se encostaram, dengosas, aconchegando-se na enorme solidez do Manel Serrão.
Foi um número. Um número já um bocado gasto, mas de sucesso (mediano) garantido. Não é por acaso que os líderes políticos em campanha eleitoral não dispensam a visita ao Bolhão.
O mercado é colorido e cinematográfico o que, aliado às bocas javardas das vendedeiras (que tratam o vernáculo por tu), garante automaticamente preciosos minutos de televisão nos telejornais. A receita tem-se revelado infalível.
Vem isto a propósito da histeria que se apoderou da cidade a propósito da sábia decisão da Câmara de concessionar o mercado a privados, matando vários coelhos com uma só cajadada – evita que ele venha abaixo e moderniza-o sem ter de nos ir aos bolsos.
A «overdose» de notícias sobre o Bolhão, que infesta as colunas dos jornais e inunda os noticiários televisivos, provocou-me uma alergia ao assunto e impediu-me de me documentar com detalhe sobre o projecto da holandesa TCN.
Mas acompanhei a abertura do dossiê, que já leva alguns anos de existência.
O lançamento concurso público de ideias e projectos para a modernização do Bolhão não mereceu, à época, o mínimo reparo aos «suspeitos do costume», uma manada onde se distingue a «dramaturga Regina Guimarães» - só falta mesmo lá a infatigável Dona Laura da Associação de Comerciantes para o folclore ficar completo.
Dois candidatos (a Amorim Imobiliária e a TCN) apresentaram as suas propostas e ninguém tugiu nem mugiu.
Agora que o processo está concluído e pronto a ir para o terreno, é que os contestatários de aviário despertaram para o assunto e armaram este banzé, um triste «remake» da «rivolização», que os Media, na sua doce incompetência, aceitaram transformar num lamentável Watergate à moda do Porto - num eco regional do massacre mediático proporcionado pelo desaparecimento da pequena Maddie. Um inferno.
Não conheço em pormenor o projecto da TCN para o Bolhão, mas sei que da demolição das velhas Halles, no coração de Paris, só sobreviveu o típico restaurante «Pied de Cochon», aberto 24 horas por dia.
Sei também que o Covent Garden, um velho mercado transformado em galeria comercial, se tornou umas das principais atracções turísticas londrinas, onde se pode beber um Merlot enquanto se ouve um quarteto de cordas a interpretar ao vivo peças clássicas populares – ou presenciar espectáculos de rua de habilidosos malabaristas.
As cidades não são museus. Não podem ser conservadas em formol. Os tempos mudam. Seria uma tolice enorme e um vão esforço tentar transportar intacto até ao século XXI o Porto do passado, dos barcos rabelos, do Aniki Bobó, das casas sem esgotos, das donas de casa a gritarem água vai antes de despejaram os penicos para a rua.
Só os conservadores e reaccionários não compreendem a urgência e inevitabilidade da mudança.
Por norma, as pessoas resistem à mudança. Mário Soares considerou criminosa a decisão de construir o Centro Cultural de Belém, qualificando-a como um atentado ao Mosteiro dos Jerónimos . Está aí alguém que me contesta se eu disser que o CCB valorizou e enquadrou os Jerónimos?
Os pregadores do imobilismo armaram um enorme pé de vento contra o Cubo que José Rodrigues instalou na Praça da Ribeira, recolheram assinatura contra os molhes que protegem a barra do Douro, maldisseram a arquitectura inovadora e arrojada de Koolhas na Casa da Música e agora protestam contra a largura projectada para a Via Nun’Álvares que ligará a praça do Império à avenida da Boavista.
Os conservadores contestatários não se incomodaram enquanto o belíssimo Palácio do Freixo fenecia. Só despertaram para o destino desta jóia de Nicolau Nasoni quando a Câmara negociou com o grupo Pestana a instalação de uma Pousada de Portugal neste palácio, o que não só permite a sua recuperação e alindamento como dota a cidade de mais um importante trunfo para a atracção de turistas.
Quer-me parecer que se as cassandras catastrofistas mandassem, haveria uma feira de gado na praça D. João I, um mercado de cavalos nos Poveiros, a feira do pão na Praça de Lisboa – e a árvore da forca na Cordoaria.
Acordem! Os centros comerciais e os hipermercados são as novas feiras. Aceitem a mudança. Não sejam ridículos a tentar fazer frente aos ventos dos novos tempos que sopram.
Rui Rio está certo ao recorrer aos privados para tentar recuperar espaços e equipamentos importantes para a cidade e que estão degradados, como o Bolhão, a praça de Lisboa, o Ferreira Borges, o Rosa Mota ou o Bom Sucesso.
Compete aos cidadãos do Porto participar activamente na discussão pública dos projectos apresentados pelos privados, uma atitude de vigilância para garantir a qualidade destas intervenções e a transparência dos contratos de concessão.
Jorge Fiel
PS. Foi minha a proposta vencida que sugeria que a Bússola fosse anunciada durante uma vigem do Metro. Gosto de olhar para a frente. Adoro a História - mas o passado só me interessa para me ajudar a perceber o presente e melhor me preparar para o futuro.
Talvez por causa da felicidade que é ver um pai completar 80 anos de perfeita saúde ( e a esperança que isso nos dá , somada a essa alegria...), hoje acordei com vontade de escrever um post diferente do habitual , esquecendo por momentos esta espécie de ditadura da maioria ruidosa que o Terreiro do Paço exerce sobre o resto do país.
Imbuído deste espírito e agora já sem perceber muito bem porquê , dei comigo a pensar no ciclóstomo que mudou a minha vida ....durante alguns almoços.
A lampreia é claramente um produto do Norte. Ao contrário , por exemplo do peixe espada ,que é notoriamente um peixe do Sul, a lampreia não se deixa comer facilmente. Como não se deixa cozer por qualquer um.
Quer se queira à bordaleza , quer se faça em arroz ou então numa versão mais moderna e menos interessante do meu ponto de vista , que é assada no forno ,a lampreia exige um operador muito qualificado , quase certificado.
Mesmo respeitada a condição do parágrafo anterior , comê-la não está ao alcance de qualquer um. Não falo do custo que também não é coisa pouca , mas o que quero dizer é que não é qualquer um que tem capacidade para gostar de lampreia.
A lampreia não é um bitoque , nem um jaquinzinho que qualquer funcionário de um qualquer Ministério come enquanto o diabo esfrega oum olho. Para ser capaz de comer um lampreia há que ter um dom especial que nasce connosco. Não se aprende , nem se compra..
A lampreia só se deixa comer ou cozer por quem sabe e só quem sabe é que a merece.
Conquistado o gosto pela lampreia ela dá-nos tudo o que tem ...e até uma digestão complicada se não tivermos alguns cuidados. Mas esta consequência menos positiva é reflexo da sua generosidade e do nosso empenho : é por a querermos tanto e ela se dar tanto , que os efeitos do enlace perduram pelo resto do dia. Como se nem nós , nem ela , nos quiséssemos esquecer do que aconteceu entre nós.
É assim que eu vejo as pessoas do Norte. Uma vez amigas , amigas para a vida. Assim fôssemos todos capazes de não nos deixarmos comer ou cozer por qualquer um !
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Departamento Gastronómico
Quartel de Mestre de Avis
Manuel Serrão