Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Darwin e o Vale do Ave

Às vezes os números não são tão frios como aparentam.  É o caso dos 6,8% de crescimento das nossas exportações têxteis, registado entre Fevereiro de 2007 e de 2008.

Estes 6,8% são uma estatística que nos aquece a alma e é a prova dos nove das capacidades únicas de regeneração do tecido empresarial nortenho, vilipendiado pelos panditas lisboetas do costume habituados a falar com a boca cheia pela lenga lenga dos Ferraris e do trabalho infantil -  para apoucar quem evitou que o pais abrisse falência no rescaldo da Revolução de Abril.

Pela primeira vez , após dolorosos anos de crise, as vendas ao exterior da indústria têxtil e de vestuário cresceram a um ritmo superior às importações, que no mesmo período acusaram uma quebra de 5,3%.

Estas estatísticas do INE mostram o Norte no seu melhor, capaz de se adaptar à globalização, à abertura dos mercados mundiais aos produtos chineses e à desaceleração económica nos principais mercados de exportação do sector.

A 1 de Janeiro de 2005, as portas da União Europeia e dos Estados Unidos ficaram escancaradas à entrada das roupas baratas “made in China” , que já era o maior exportador mundial de vestuário, baseando a sua feroz competitividade num tripé: custos (baixos), eficiência (enorme) e dimensão (gigantesca).

O desarmamento das barreiras alfandegárias ao livre comércio deixou o coalhado de nuvens negras o horizonte de uma indústria que, no seu essencial, baseara a competitividade num fundamento primitivo (o baixo custo da mão de obra).

No Vale do Ave, onde bate o coração da indústria têxtil, temia-se o pior. Mas o cenário desolador, marcado pelas falências e de uma perda recorde de emprego líquido (apenas superado pela registado na construção civil, que foi socialmente atenuado pela emigração para Espanha), foi sendo pintados com cores mais alegres por dezenas de exemplos luminosos de empresas que souberam reestruturar-se, adequando-se a este mundo em fervilhante mudança.   

A têxtil deu uma prova de vida ao país, explicando aos mais distraídos que eram exageradas as notícias que a davam como moribunda. Soube mudar o perfil, tornar-se competitiva na nova e difícil conjuntura, internacionalizar-se e diversificar os seus mercados. Demonstrou que Darwin estava carregadinho de razão quando há uns anos atrás nos avisou que apenas sobreviveriam os mais capazes.

Quando a crise eclodiu na Cintura Industrial de Lisboa e na Península de Setúbal, o bombeiro teve de ser o Governo a usar o nosso dinheiro para comprar a Autoeuropa e apagar esse fogo.

Quando a crise incendiou o Vale do Ave, os empresários e operários da têxtil não ficaram sentados à espera da ajuda governamental, porque sabiam que morreriam queimados se o fizessem. Encarregaram-se eles próprios de extinguir as chamas.

É esta a diferença entre o Norte e o Sul.

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada no DN

 

Música: Sagres, Luís Represas
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Publicado por Jorge Fiel às 11:32
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

O provincianismo da capital

 

A SIC Notícias tem na sua grelha um  programa de debate de ideias - A Regra do Jogo - onde intervêm António Barreto e José Miguel Júdice e é moderado por António José Teixeira.

 

Devo dizer que simpatizo com os três cada qual no seu estilo e na sua especialidade.

 

Por isso vejo.

 

Concordo umas vezes, discordo com outras e em muitos casos aprendo mas, acima de tudo, gosto da forma lúcida com que vêm o país e olham para nós.

 

Acho, desde há muito tempo, que se debate pouco em Portugal, pensa-se menos e temos andado pouco disponíveis para ouvir serenamente os outros.

 

Chama-se a isto Cidadania.

 

Acho que a nossa cultura democrática ainda está muito deficitária nessa matéria.

 

Foram anos e anos de ditadura, de censura e de repressão.

 

A factura é pesada.

 

Acredito no futuro. A coisa já foi muito pior.

 

Fiquei triste, até furioso com o António Barreto  e com uma expressão que, de forma inocente, mostra como os instalados na capital olham para o resto do país.

 

Acho mesmo que foi um deslize. Imperdoável.

 

Digo deslize porque entendo que António Barreto não pensa isso...

 

Não quero acreditar.

 

No meio da conversa Barreto tinha de opinar sobre uma matéria que para o caso não interessa.

 

Disse que não sabia muito bem, não se tinha informado e...veio a bomba.

 

Tinha estado a semana toda na PROVÍNCIA e por isso não sabia.

 

E o que é a Província? Eu sei que esteve no Douro... (espero que a fazer mais um daqueles brilhantes documentários para a televisão).

 

O que é que a província tem a ver com isso?

 

Não há jornais? Há.

 

Não há televisão? Há. Até há televisão por cabo.

 

Não há internet? Há.

 

Os telemóveis não têm rede? Têm.

 

Então o que é que faltou ao António Barreto para estar informado?

 

Nada! Ou talvez tudo e essencialmente tempo.

 

E a província com isso? Nada!

 

Ficava-lhe bem ter dito. Imagino eu...

 

-Estive muito ocupado. Não tive tempo.

 

Mas veio a desculpa da Província.

 

Esse local longínquo, longe da civilização, onde tudo falta e nada se sabe.

 

Essa província já não existe felizmente.

 

Publicado por Fernando Rocha às 17:28
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Parabéns Filipe Campos........grande piloto do Norte!!

Melhor português no Rali Vodafone Transibérico
 
 
 

A dupla Filipe Campos/Jaime Baptista foi a equipa portuguesa melhor classificada no Rali Vodafone Transibérico, com a subida ao derradeiro lugar do pódio a premiar uma actuação brilhante. Um resultado que permite aos pilotos do BMW X3cc ascenderem à liderança do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno.


Na segunda prova aos comandos do BMW X3cc, a dupla Filipe Campos/Jaime Baptista relançou a candidatura ao título nacional, já que na sequência do brilhante terceiro terceiro lugar - primeiro entre os portugueses! - em que terminou o Rali Vodafone Transibérico, os pilotos ascenderam à liderança do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno, com três pontos de vantagem sobre o mais directo opositor. Um excelente resultado para a formação, com a particularidade desta ter sido a quarta vez (uma no lugar mais alto) que Filipe Campos subiu ao pódio da prova.


À chegada ao Estoril, depois de cinco dias de competição e quase 1.500 quilómetros disputados ao cronómetro, muitas vezes sob condições atmosféricas bastante adversas, a dupla Filipe Campos/Jaime Baptista não escondeu a satisfação por acompanhar duas das maiores referências do todo-o-terreno mundial, no pódio: "É um resultado que nos enche de orgulho, mas que só foi possível conquistar pelo excelente trabalho desenvolvido pelos técnicos da X-Raid, dada a competitividade e fiabilidade revelada pelo BMW X3cc". Na realidade, como fazem questão de reconhecer os pilotos, "apenas sofremos os percalços inerentes a uma prova tão extensa e dura, nomeadamente umas saídas de estrada e um problema com um tubo de vácuo do turbo".


Mas para além do terceiro lugar final, a conquista da tão almejada posição de melhores portugueses teve, desta feita, um significado ainda mais especial, pelo facto de ter permitido que Filipe Campos e Jaime Baptista ascendessem à liderança do Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno. "Felizmente concretizámos esse objectivo, porque iniciámos a prova com essa esperança. Esta época queremos sagrar-nos campeões, pelo que para as restantes jornadas apostamos na vitória".
 
.É um resultado que nos enche de orgulho", considerou Filipe Campos à chegada ao Estoril, depois de cinco dias de competição e quase 1.500 quilómetros disputados ao cronómetro, muitas vezes sob condições atmosféricas adversas.

O piloto do Porto confessou que "não achava possível estar no pódio", depois de "uma prova tão extensa e dura", em que não conseguiu evitar algumas saídas de estrada e teve problemas com o turbo do BMW X3.

 

Parabéns Filipe, estamos muito orgulhosos de ti !

 Filipe Campos no Transibérico">

Bússola

 

Departamento de Desportos Motorizados

 

 

Mário Rui Cruz

Sinto-me:
Música: Calhambeque Roberto Carlos
Publicado por Mário Rui Cruz às 17:42
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Domingo, 25 de Maio de 2008

DESENCONTROS ENTRE PORTUGUESES

 

 

Alguns pequenos apontamentos dos últimos dias que pelos desencontros que criaram, são curiosos ou, menos simplesmente, perturbadores:

Manuel de Oliveira, cineasta, cidadão português quase centenário, recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Esteve sozinho nesta grandiosa homenagem internacional à Sua vida e à Sua Obra. Tão sozinho que o “Expresso” qualificou o momento com sugestivo título de “Cem Anos de Solidão”.

Pinto Ribeiro, Ministro da Cultura, também cidadão português, faltou à Cerimónia porque um atraso no almoço o fez perder o avião…

Uma empresa têxtil portuguesa, de Paços de Ferreira, a Petratex é a responsável pelo fato de natação LZR, considerado como o mais rápido do mundo por, em apenas 3 meses, ter alcançado 35 recordes mundiais. A Petratex leva a etiqueta “Made in Portugal” aos principais certames desportivos do Mundo e trabalha já há uns anos com a NASA na investigação e desenvolvimento de têxteis técnicos….

 Milhares de Empresas portuguesas fecharam no último ano, incapazes de resistirem à escalada da globalização e ao tão desfavorável e presuntivo sistema fiscal português. Dos desmandos da Administração Fiscal, tutelada por Teixeira dos Santos, fica apenas mais um exemplo de uma penhora de 2 prédios no valor de 38 mil euros, para garantir uma dívida e de 236 euros. Sem apelo, nem agravo…

A Empresa portuguesa Sogrape , vai apresentar na próxima semana, pelas mãos do enólogo português Luis Sottomayor, o 16º Barca Velha, provavelmente o vinho português mais prestigiado e admirado do Mundo.

A ASAE, uma espécie de “polícia económica” do governo, também portuguesa, entrou pelas IPSS a dentro e destruiu literalmente os poucos princípios de solidariedade que ainda sobram em Portugal. Todos os produtos alimentares confeccionados ou congelados – até compotas caseiras que sofriam do pecado capital de não terem rótulo, foram para o lixo num País onde vergonhosamente se passa fome. Fica este gesto terrível de, em nome do normativo, se acabar com uma virtude portuguesa em vias de extinção – a caridade! Agora ameaçam acabar com a febra e a sardinha dos Santos Populares. Para rever…

Cinco jogadores portugueses fazem parte das duas equipes que disputaram a final da Champions. Todas as equipes que venceram os campeonatos mais competitivos da Europa e do Mundo (Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal…) têm jogadores portugueses.

Miguel Cadilhe,  ex-ministro das Finanças e Jorge Coelho ex-ministro das  Obras Públicas assumem a presidência dos Grupos BPN e Mota, grupos de grande dimensão e relevância, respectivamente nas áreas das Finanças e das Obras Públicas..

Podia continuar mas os blogues não servem para catarses de grande amplitude.

E, afinal, foi só uma semana.

Uma semana de desencontros entre portugueses: governantes e governados….

 

António de Souza-Cardoso  

 

 

 

 

Publicado por António de Souza-Cardoso às 18:00
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Olhe, por favor, para a cara das empregadas da Loja das Sopas

 

Sou um fã da Loja das Sopas. Parece-me bom negócio pagar 4,70 euros e receber em troca uma taça de salada  (com feijão, pepino, tomate, beterraba, feijão, etc) regada com azeite, uma sopa, um pão e uma água – e ainda a consciência tranquila por ter optado por uma refeição saudável.

A Loja das Sopas é um exemplo das novas e bem sucedidas cadeias de restaurantes que fazem surf em cima da onda crescente de preocupação dos cidadãos com a forma física e com que lhe põem no prato .

O segredo reside na hábil combinação entre a tendência dominante no comportamento social com os eficazes métodos e organização das marcas tradicionais de “fast food”, como a McDonald’s e a Pizza Hut.

O sucesso da Loja das Sopas baseia-se na capacidade de tatuar a etiqueta “saudável” na sua imagem. O resto já tinha sido inventado: comida barata, padronizada, servida rapidamente.

A Loja das Sopas é uma das faces visíveis do triunfo do fenómeno “low cost” que está a revolucionar as economias ocidentais, transferindo o poder dos produtores para os consumidores.

Este mundo - em que almoçamos na Loja das Sopas, viajamos na Ryanair, compramos o sofá na Ikea, vestimo-nos na Zara e lemos os jornais gratuitos – está a dar razão a Américo Amorim, o homem que ganhou o seu primeiro par de sapatos quando acabou a escola primária e construiu a maior fortuna deste país usando como lema a máxima “mais do que zero é muito”.

A moda “low cost”  é uma epidemia que contagiou todas as esferas da actividade económica.

A procura dos carros “low cost”  (marca Dacia) da Renault na Europa obrigou o fabricante francês a aumentar a capacidade de produção e a construir uma nova fábrica.  A Fiat, Toyota e Honda também estão a preparar-se para criar marcas de baixo custo.

Na aviação, a galopante conquista de quota de mercado pelas “low cost” a obrigou companhias tradicionais a adaptarem-se às novas regras. Na sua luta pela sobrevivência, a TAP está a investir um milhão de euros numa segmentação em quatro categorias diferentes da tradicional classe económica, um movimento que tem como objectivo captar os passageiros que acham que “mais que zero é muito” e querem pagar o mínimo possível.

A globalização ajudou à massificação desta nova classe de consumidores que exigem serviços e produtos a preços reduzidos.

Para não morrerem afogadas pela maré “low cost”, as empresas portuguesas estão obrigadas a baixar os seus custos de produção. Para que as nossas empresas se mantenham competitivos num Mundo em que o poder está na carteira dos consumidores, o Governo não pode ceder na flexibilização da legislação laboral.

Da próxima vez que passar numa Loja das Sopas olhe, por favor, para a cara das pessoas que lá trabalham e tente adivinhar se alguma delas tem contrato para a vida e ganha horas extraordinárias.

Jorge Fiel

 www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada no Diário de Notícias

 

Música: Keep the costumer satisfied, Simon and Garfunkel
Publicado por Jorge Fiel às 09:16
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Pinto Monteiro não pode andar por aí a queixar-se que tem medo de sair à noite em Lisboa

 

O Procurador Geral da República (PGR) tem um ar simpático, é um excelente comunicador e tem um jeito muito seu de colocar na agenda mediática os dossiês que o preocupam.

 

Esta semana, Fernando Pinto Monteiro aproveitou um aparentemente anódino encontro organizado pela Associação dos Antigos Aluno da Lusíada de Lisboa para discorrer sobre crescente sentimento de insegurança que se apoderou dos portugueses, apesar do número de homicídios ser cada vez menor.

 

Na opinião do PGR o medo dos cidadãos filia-se no novo tipo de criminalidade e deu exemplo desta mudança de perfil: “Antigamente roubavam os carros que nós deixávamos nos parques. Agora roubam-nos com as pessoas lá dentro”.

 

O PGR teve ainda o engenho a série televisiva  mais vista em todo o Mundo para desculpabilizar eventuais atrasos e falhanços da sua equipa: “É como aquela série CSI. Encontra-se um cabelo e descobre-se o criminoso. As pessoas exigem que o Ministério Público actue assim”.

 

Pinto Monteiro, que até a este ponto tinha brilhado em grande altura, borrou a pintura quando no final da charla resolveu confessar que tem medo de sair à noite em alguns locais do centro de Lisboa, dando como exemplo o Cais do Sodré.

 

Nestas questões da segurança e dos direitos dos cidadãos, o PGR não é um treinador de bancada que se pode dar ao luxo de dizer que tem medo de sair à noite em Lisboa ou que ouve uns estalidos esquisitos de no telefone, que indiciam que pode estar sob escuta. Nestas matérias, Pinto Monteiro é mesmo o treinador e por isso não devia andar por aí a queixar-se pelas esquinas.

 

Jorge Fiel

 

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Música: Com um brilhozinho nos olhos, Sérgio Godinho
Publicado por Jorge Fiel às 10:51
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Governo deve olhar os portugueses nos olhos e falar verdade

É mau sinal que o ministro da Economia tenha tentado tapar o sol com uma peneira, ensaiando um desmentido canhestro ao anúncio feito pelo Eurostat de que o investimento directo estrangeiro (IDE) no nosso país caiu quase 60% do ano passado.

 

Pinho balbuciou que não, que o IDE que interessa – “ os projectos de raiz”  precisou – até está “a aumentar“, e que a culpa da quebra espectacular foi do imobiliário.

 

Não faz sentido continuar a tentar maquilhar a triste e dura realidade da crise. Em Março, a produção na construção caiu 2,7%, enquanto que nos serviços o volume de negócios registou uma variação negativa de  3,8% - sendo que estes dois sectores juntos valem 68% do PIB. E o índice de produção industrial interrompeu dois anos consecutivos de crescimento, acusando uma quebra de 3,6%, .

 

O crescimento de 0,9% da nossa economia no primeiro trimestre foi o mais baixo de toda a zona euro, que no mesmo período acelerou 2,2%.

 

O que todo o Governo tem a fazer é aprofundar a política iniciada na conferência de imprensa dada pelo ministro das Finanças no final da última reunião do Conselho de Ministros. Olhar os portugueses nos olhos, falar verdade, não lhes escondendo que atravessamos um crise de que não sabemos quando sairemos -  e que por isso têm de estar preparados para viver com menos dinheiro nos bolsos..

 

Editorial publicado hoje no Diário de Notícias

 

Música: Clandestino, Manu Chao
Publicado por Jorge Fiel às 17:12
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O povo, os presidentes de câmara, os que gostam e os que não gostam deles

 

O Dia do Poder Local foi assinalado com a publicação dum estudo da Eurosondagem onde no essencial se "mostra" que os cidadãos, numa esmagadora maioria, gostam dos seus Presidentes de Câmara.

O estudo foi encomendado pela associação representativa dos municípios a ANMP - associação nacional de municípios portugueses, o que para muitos poderá parecer suspeito.

Não fazendo parte do universo visado exerço um cargo autárquico, por eleição, o que para alguns também lhes poderá fazer desconfiar.

São riscos!

Devo confessar que não me espantam, em nada, os resultados pelo contrário confirmam aquilo o que era uma convicção pessoal muito antiga.

Não me surpreende que o trânsito, segurança e acção social estejam no topo das preocupação dos portugueses. As pessoas "exigem" qualidade de vida...e bem.

Os Presidentes de Câmara, que os há também muito fraquinhos, são na sua generalidade competentes e sérios.

Daí o reconhecimento púbico.

Há um problema.

São mais expostos. Estão junto dos eleitores. São sufragados quase que diariamente. São mais fáceis de atingir. A opinião publicada, bem falante e com grandes tribunas, encontra sempre nos Presidentes de Câmara os alvos fáceis para os acusarem de todos os males que vêm ao mundo.

Lembro-me que o actual Presidente da República, Cavaco Silva, disse um dia que um escudo aplicado por uma autarquia era mais bem aplicado do que o mesmo escudo quando investido pelo poder central.

É uma verdade.

É igualmente verdade que foi o mesmo Primeiro Ministro, Cavaco Silva, que suspendeu a Lei das Finanças Locais "asfixiando" as autarquias.

O estudo também  conclui que o Poder Central deveria dotar as autarquias de mais meios financeiros.

O país mudou muito. Para melhor na maior parte dos casos.

Não é corrente ouvir dizer-se que uma das maiores conquistas do 25 d'Abril foi o Poder Local?

Apesar de tudo ainda há muito que fazer em áreas que não foram prioritárias durante anos como no ambiente, na cultura, educação, renovação e requalificação urbanas, etc, etc.

Veja-se a coincidência. Passaram 10 anos sobre a EXPO. O que é que sobrou depois da Festa? A renovação. O alargamento do espaço urbano qualificado.

Aqui, no exemplo da EXPO, entronca um dos maiores problemas da nossa democracia: a descentralização.

Só houve Expo porque foi em Lisboa!

O país tem que ser visto e Governado como um todo na igualdade de oportunidades. Isso não acontece hoje.

Daí haver regiões deprimidas... 

Publicado por Fernando Rocha às 16:28
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Para acabar de vez com o footing no Sá Carneiro

 

 

 

 

Ao contrário do Ministro Mário Lino, nunca tive grandes dúvidas sobre as vantagens universais de confiar a gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro a privados. Como diz e muito bem o ainda presidente da AEP, Ludgero Marques, este é o ministro que já se enganou e mudou de opinião tantas vezes, que o mais natural é que neste caso seja só mais uma...

 

 

 

Apesar do autêntico assalto à mão armada (uma espécie de “planejacking”...) que é hoje viajar de avião entre as duas maiores cidades do país, sou obrigado por motivos profissionais a usar o aeroporto com muita frequência, até para ir e vir de Lisboa. No início desta semana voltei a fazê-lo e com ela foi a terceira vez em dez dias que regressei ao Porto vindo da capital, e foi também a terceira vez que perdi a paciência com o “footing”que a actual gestão deste magnífico equipamento obriga os passageiros a fazer.

 

Das três vezes o avião acostou a uma das mangas mais afastadas do acesso à sala de saída, quando quase todas as outras mangas mais próximas estavam livres.

 

 

 

Das três vezes todos os passageiros foram obrigados a percorrer a pé uma distância infindável, sobrevoando a sala onde gostariam de já estar e passando por um acesso muito mais próximo que sempre esteve fechado, vá-se lá saber porquê.

 

Das três vezes, nem sequer o carrinho eléctrico que já por lá vi para auxiliar pessoas em dificuldades ou mais idosas, deu qualquer sinal de vida e fomos encontrá-lo paradinho, muito bem estacionado, no final da longa caminhada ao lado das escadas rolantes, que finalmente nos levaram até á sala de recolha de bagagens.

 

Acredito, ou melhor, quero acreditar, que existam razões técnicas poderosas que impeçam os aviões destes voos de utilizarem mangas mais convenientes para os seus passageiros.

 

 

Acredito, ou melhor, quero acreditar, que subsistam razões de segurança impenetráveis que desaconselhem a circulação dos passageiros destes voos por caminhos aparentemente reservados a quem chega vindo de espaços não Schengen.

 

Mas também acredito e aqui tenho mesmo de acreditar, que com um bocadinho de boa vontade, inteligência e capacidade de gestão, estas situações verdadeiramente caricatas que dão cabo da paciência a quem nos visita, podiam ser resolvidas, ou pelo menos atenuadas em larga escala.

 

 

Não sou perito no tema e imagino não estar na posse de toda a informação relevante, mas há duas alternativas que me parecem evidentes e que estou farto de ver e utilizar em outros aeroportos. Nem sequer é preciso ir muito longe.

 

 

 

 

Desde logo em Lisboa o acesso pelo controlo de passageiros de voos não comunitários tem um corredor de acesso facilitado a quem não tem que passar por esse controlo. No Aeroporto Sá Carneiro não é possível criar um corredor semelhante, que permita encurtar significativamente o percurso entre as mangas mais afastadas e a saída?

 

A segunda sugestão são as passadeiras rolantes. Ainda agora estive em Barcelona, onde a distância entre algumas das mangas e a saída também é considerável, mas existem várias passadeiras rolantes que facilitam a vida ao passageiro. Também não é possível fazer o mesmo no Porto? Será um luxo?

 

Das três vezes seguidas que me obrigaram a perder tempo precioso e me estimularam esta crónica, nem foi mais por mim que me indignei, que tenho bom corpo para este desporto compulsivo. É a pensar no conforto de quem nos visita pela primeira vez e leva essa “estalada” de mau gosto e sobretudo nos passageiros mais idosos, que vi aflitos de bagagem de mão pesada a arrastarem-se pelo infindável corredor deserto (ainda por cima com o “oásis” à vista...) que desafio publicamente a gestão do Aeroporto a encontrar uma solução para esta situação, nem que seja para se poder pensar que, pelo menos neste caso, a gestão privada não faria melhor.

 

Exército de Salvação Nacional

 

Batalhão Bússola

 

Departamento editorial do JN

 

Manuel Serrão

 

 

 

Publicado por Manuel Serrão às 08:39
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O despertar tardio de Rui Rio

 

Apesar de não ter passado a usar óculos, nem ter sido operado às cataratas, Rui Rio passou, de repente, a ver melhor. Descobriu que o Governo Sócrates concentra os grandes investimentos públicos na região de Lisboa e faz vista grossa ao Norte.

“O país discutiu o novo aeroporto, depois começou a discutir-se a nova travessia sobre o Tejo, antes tínhamos discutido o TGV e em particular a ligação Lisboa-Madrid, e agora temos a frente ribeirinha com mais 400 milhões de euros”, declarou o presidente da Câmara do Porto.

Foi a frente ribeirinha, que Sócrates quer que seja a obra emblemática do seu consulado, que fez acordar Rio, que não leva bem que o Turismo de Portugal contribua com 70 milhões de euros para esta empreitada.

“Quantos anos são necessários para o Turismo de Portugal dar 70 milhões ao Porto? Se calhar 70 anos”, ironizou.

Rio acordou tarde, Mas, como diz o povo, mais vale tarde do que nunca. Qualquer ainda o apanhamos a fumar (não num local proibido, como o outro, porque o autarca é um cidadão cumpridor da lei), a defender a Regionalização e a frequentar o Estádio do Dragão.

Para o ano há eleições autárquicas.

 

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt.

 

Música: Knowing me, knowing you, Abba
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Publicado por Jorge Fiel às 08:01
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Governo errou ao brincar com Certificados de Aforro

Teixeira dos Santos não esteve bem no episódio dos certificados 

O Governo já se apercebeu que cometeu um erro tremendo quando a 26 de Janeiro alterou as regras dos Certificados de Aforro a meio do jogo.

Ao acabar com a emissão dos Certificados de Aforro da Série B e reduzir a taxa de juros para os títulos desta série, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) provocou uma corrida aos resgates.

Nos três meses que se seguiram à mudança das regras, os aforradores retiraram, em média, oito milhões de euros por dia, o que constitui o dobro das entradas registadas nesse período. Até Fevereiro, o valor das emissões de novos certificados foi sempre muito superior ao dos resgates.

A carta enviada aos cerca de 700 mil detentores de Certificados de Aforro, tentando sossegá-los, prova que o Governo está alarmado e não esperava uma fuga de poupanças desta dimensão.

Os bancos estão a ser os principais beneficiários desta fuga de 736 milhões de euros dos certificados de aforro – o valor resgatado nos três meses que se seguiram à calamitosa decisão governamental –, já que a remuneração que oferecem (que ronda os 4% líquidos/ano para os depósitos a prazo) passou a ser mais atraente que as do mais popular produto de poupança.

Ao baixar a taxa de juro dos certificados de aforro o Governo deu dois tiros no seu próprio pé. Abala a imagem de seriedade do Estado português e desestimula a poupança dos portugueses num momento em que os níveis de endividamento dos particulares atingiam patamares preocupantes. Mau de mais para ser verdade

 Editorial publicado na edição de hoje do Diário de Notícias

Música: Dunas, GNR
Publicado por Jorge Fiel às 16:21
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

VIVA O CINEMA.................

 
 
fotografia
 
 

 

O realizador português Manoel de Oliveira manifestou-se hoje "muito sensibilizado por finalmente ter recebido a Palma de Ouro" no Festival Internacional de Cinema de Cannes, onde foi homenageado.

 

A organização do festival prestou um tributo ao realizador português atribuíndo-lhe a Palma de Ouro pela carreira, associando-se também aos cem anos que Manoel de Oliveira celebrará em Dezembro.
 

"Ao longo de um século eu cresci com o cinema e hoje eu sei que foi o cinema que me fez crescer. Viva o cinema!", exclamou Manoel de Oliveira no Grand Théâtre Lumière, onde foi longamente aplaudido.

.

"Esta foi a melhor forma de receber este prémio", disse Manoel de Oliveira emocionado, sublinhando que não gostaria de ser distinguido em competição com os seus colegas realizadores.

 

Na cerimónia desta tarde foram exibidos o filme "Um dia na vida de Manoel de Oliveira", realizado pelo presidente do festival, Gilles Jacob, e a curta-metragem documental "Douro faina fluvial".

 

Manoel de Oliveira mantém uma relação muito próxima com o cinema francês, com co-produções e a participação de actores como Catherine Deneuve e Michel Piccoli nos seus filmes e tem sido presença assídua em Cannes.

 

"Os Canibais" (1988), "O convento" (1995), "A carta" (1999), "Vou para casa" (2001) e "O Princípio da Incerteza" (2002) estiveram nomeados para a Palma de Ouro, o prémio máximo atribuído em Cannes.

 

"Em 2007, quando o festival de Cannes cumpriu 60 edições, Manoel de Oliveira foi um dos 35 realizadores convidados pela direcção do evento para realizar uma curta-metragem subordinado ao tema "A cada um o seu cinema".

 

Esta é a minha homenagem a um homem ímpar, sempre pronto para novos projectos e com uma alegria enorme de viver...

 

 

 Bússola

 

Departamento cultural

 

Mário Rui CruzMário Rui Cruzcomentários


 
 
 
Sinto-me:
Música: Venham mais cinco Zeca Afonso
Publicado por Mário Rui Cruz às 21:47
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Domingo, 18 de Maio de 2008

Olha Para o Que Eu Digo, Não Olhes Para o Que Eu Faço ...

 

  

 

                                                                                                          Julgo que a semana que agora acaba deu alguns sinais de esperança na melhoria da jovem, mas cansada, democracia portuguesa.

 Tenho manifestado neste espaço preocupada indignação pelos muitos “Diáconos Remédios” que hoje assumem lugares de liderança e que pretendem impor assépticos, formatados e homogéneos modelos de comportamento aos seus concidadãos.

O direito á diferença, o direito de escolha e principalmente a liberdade de opinião, de expressão e de realização pessoal, parecem-me crescentemente ameaçados por este molho de novos ditames e preconceitos que, em nome de bens supremos e indiscutíveis, nos dispensam de comportamentos espontâneos e, por isso mesmo, normalmente perigosos para nós e para o colectivo em que nos inserimos.

E, por isso, temos que mudar de hábitos para que nos saibamos conciliar, por exemplo, com o alto valor do Ambiente, nas suas mais expressivas formulações, nomeadamente de preservação do lince da Malcata,  de solidariedade perante os achaques do morcego orelhudo, ou mesmo de resgate à vida das gravuras “fozcoenses”, o expoente ultimo da nossa idílica felicidade colectiva.

Estes Mosqueteiros da felicidade e do bem-estar, têm ultimamente acelerado e aprofundado a sua cruzada, correndo à vassourada com os “charruas” da vida e acabando tenazmente com “charros, beatas e pataniscas”, tudo pecados mortais que nos distraem do caminho seguro da salvação que as estas nobres almas vão generosamente aplainando para nós.

Ora esta semana (Deus, de facto, existe e anda atento), tivemos o Senhor Presidente da ASAE a assumir erros e destemperos, a putativa “Presidenta” do PSD e ex-dama de ferro das Finanças a marimbar-se para o deficit e, pasme-se, o Senhor Primeiro-Ministro a fumar alarvemente uma cigarrada no sagrado espaço de um avião fretado à TAP.

Saber que o rapaz da ASAE se engana, que uma putativa Primeira-Ministra não vai usar dessa qualidade para nos apertar o cinto até à correia e, melhor do que tudo, que o nosso Primeiro-Ministro também, fuma, também erra, também peca e também comete (involuntariamente, claro) ilegalidades, é um sinal de infinita esperança de que a liberdade, pode “voltar a passar por aqui”.

 Neste caso, em que aquilo que nos preocupa e entristece é “o que se diz”, ainda bem que, às vezes (pelo menos destas vezes) os que o dizem acabam, providencialmente, por não o fazerem….

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

 

Sinto-me: esperançado
Música: Chamem a Policia
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Publicado por António de Souza-Cardoso às 15:19
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

E os camelos não seremos nós?

“Acidente no final da A12, junto à ponte Vasco da Gama. Na A5 e na Marginal há filas em Carcavelos. Sempre na A5 temos também a informação ainda não confirmado de acidente na zona das portagens.

“No acesso à ponte 25 de Abril, a fila está na baixa de Corroios. Na A1 está resolvido o acidente do Trancão e a fila encaminha-se agora para a Segunda Circular, Aeroporto-Benfica, que já está completamente cheia.

“Quem optar pelo IC2 encontra fila na zona do Sacavenense. No IC19, a lentidão habitual até à Amadora e fila Estado Maior- Pina Manique.

“No Porto, VCI Freixo-Arrábida, há fila do Freixo até Faria Guimarães e, no sentido inverso, de Bessa Leite até Francos. Na A3 e Circunvalação há lentidão em direcção à VCI”.

Foi este o retrato Polaroid do trânsito nas duas principais cidades do país tirado pela RFM às 8.47 desta 5ª feira. Podia ser pior. A informação de trânsito  das 8.10 apresentara-se com cores bem mais sombrias.

Não estou a dar-vos uma grande novidade. Temos todos o saber de experiência sobre o inferno que é, nas horas de ponta, é entrar e sair de carro em Lisboa ou no Porto.

Eu próprio fartei-me dos engarrafamentos em Carcavelos (nas portagens, na A5, ou na Rotunda, na Marginal) e equipei-me com um passe Lisboa Viva. Por 50 euros/euros estou dispensado das filas de trânsito e tenho direito viajar no metro e nos comboios da Linha. Parece-me um bom negócio.

No que toca aos engarrafamentos, eu estou do lado da solução. Quem continua a fazer parte do problema são as dezenas de milhar de lisboetas e  portuenses que - , por comodidade ou inexistência de alternativa – teimam em usar o carro nas suas deslocações diárias casa-trabalho-casa.

A persistência e dimensão dos problemas de trânsito deixa-me intrigado.

Somos um dos três países mais endividados da zona euro. 2008 será terceiro ano consecutivo de poder de compra , o mais longo período de variação negativa dos salários reais desde o 25 de Abril.  Nestes dez anos que levamos na moeda única, a taxa de crescimento anual média do investimento em Portugal foi tristemente negativa (-0,5%), bem longe dos 2% da média da zona euro e dos invejáveis 4,3% registados em Espanha. Apesar de todos estes sinais de crise, as filas no acesso à ponte de 25 Abril não diminuem.

O preço do petróleo duplicou, nos últimos três anos, e a Goldman Sachs prevê que o preço do barril vá atingir os 200 dólares. Os combustíveis aumentaram 14 vezes desde o início do ano. Por razões fiscais, os carros em Portugal são mais carros do que no resto da UE.

Apesar de todos estes sinais alarmantes, há um automóvel por cada dois portugueses, e de acordo com as previsões do Observatório Cetelem (a maior empresa europeia de crédito ao consumo) dentro de quatro anos vamos possuir mais carros “per capita” que os japoneses, os ingleses e os belgas.

Face à explosão do preço de petróleo, em mercados mais perfeitos e menos autistas do que o nosso, os consumidores reagem e economia adapta-se. Na India, por exemplo, os camelos voltaram a estar na moda e, pressionado pela procura, o seu preço aumentou quatro vexes num ano, fixando-se nos 600 euros por unidade.

Por cá, o pessoal assobia para o ar e faz de conta que não é nada connosco. Glosando Scolari e Mário Lino (dois pândegos que muito alegram o nosso dia a dia) eu pergunto: “E os camelos não seremos nós?”

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada no Diário de Notícias

 

 

 

 

Música: Sangue oculto, GNR
Publicado por Jorge Fiel às 09:39
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

SIC! SIC! SIC!...

 

Há  dias dispus-me a ver os Globos De Ouro que a estação de Carnaxide organiza há anos.

Fui picando aqui e ali, pelas áreas que mais me interessavam. Confesso que me vai faltando a paciência para algumas coisas!

Foi um desastre! Vi cenas lamentáveis. Até deprimentes protagonizadas pelo Herman José.

Confesso que fui fã quase incondicional do Herman.

O Herman do Tony Silva, do Hermanias e do Tal Canal.

Era um Herman que trabalhava, atento à sociedade e aos seus tiques, versátil e acima de tudo com muita piada.

 Que o homem tenha ganho um ego maior do que o mundo é um problema dele, agora "boicotar" - claramente "boicotar" - o trabalho do apresentador, quer se goste ou não, e querer ensombrar o "momento de glória" dos outros é doentio.

 A coisa começou logo a correr mal.

 "Atropelou" a Bárbara Guimarães, fez comentários inoportunos, "estragou" o alinhamento e está numa fase tão egocêntrica que nem se apercebe que está a ser inconveniente.

Via-se que a senhora não estava a gostar! E... com razão.

Mas ele nada percebeu!

Queria falar dele, dos Globos que ganhou e agora deixou de ganhar...

Choradinho para Balsemão ver e ouvir!

Cabia-lhe apresentar o melhor interprete - não sei rigorosamente a designação.

Foi o Jorge Palma. Não votei, nem sei muito bem como é que faz.

 

 

Para mim se era o Jorge Palma estava bem. É sempre merecido. É dos melhores que temos.

Pois o Herman invejoso José fez de tudo para emsombrar o momento. Atropelou, atirou com o Palma ao chão, partiu o microfone e para concluir arrastou literalmente o cantor pelo chão até fora do palco.

 

Uma cena deprimente...

 

Valeram os D'Weasel, que devem ter juízo, que dedicaram o prémio que eles próprios ganharam ao Jorge Palma.

 

Neste momento o Hermam José representa um dos lados mais negros que os portugueses têm: a INVEJA.

 

Publicado por Fernando Rocha às 15:12
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Campeã da Europa, do Mundo e da ...Humildade!Obrigado Vanessa


Imagem

 

 É o primeiro sonho para este ano realizado. Agora vêm os Jogos Olímpicos e vamos ver... Mas estes Europeus, realizado em casa, tornou-se mais importante do que os Mundiais», afirmou a portuguesa, que se tornou na primeira atleta a tornar-se campeã da Europa pela quinta vez consecutiva, batendo o recorde do holandês Rob Barel, que conquistou quatro títulos consecutivos, entre 1985 a 1988.

 

Vanessa Fernandes nasceu em Perosinho ( Gaia ) e é a actual campeã do Mundo e da Europa de Trialto, títulos ganhos em Hamburgo ( 2007 ) e Lisboa ( 2008), respectivamente.

 

 

Quero partilhar com todos que visitam este Blogue o grande orgulho que tenho nesta humilde e simples atleta, que sem vedetismos e com muito trabalho é uma referência do desporto nacional e mundial.

 

Com a sua habitual simplicidade diz que não é uma fora de série, só trabalha mais que as adversárias e por isso ganha.

 

É comovente ver a relação que tem com o pai quando termina e ganha uma prova, fico muito contente pelo "velho Lau".

 

Diz ele que a Vanessa não do Lau ,é de Portugal....bonito!

 

 

 Vamos dar força à Vanessa para fazer o seu melhor nas Olimpíadas, se possível uma medalha e se possível a de ouro!

 

Obrigado Vanessa!

 

 

Mário Rui Cruz

 

Sinto-me:
Música: "She is " the champion Fred Merc.
Publicado por Mário Rui Cruz às 02:39
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Domingo, 11 de Maio de 2008

O JOVEM CAVACO

 

  

Quem me conhece far-me-á justiça em relação às opiniões que eu possa manifestar sobre o actual Presidente da República.

Não se trata só da minha profunda convicção de que não é esta a forma de Chefia de Estado que melhor defende uma Democracia moderna como a nossa, num contexto de globalização como é o também o nosso.

Trata-se também de uma substantiva, quase inultrapassável diferença de perspectiva cultural que nutro (às vezes penso se injustamente…) com este Presidente da República desde que ele, com aquele ar provinciano de que se recordarão, resolveu fazer a rodagem de uma qualquer carripana até à Figueira da Foz.

Sempre me inquietou negativamente o paternalismo do Professor, aquele “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” que tal como nos tempos da outra Senhora teve o condão de sublinhar a indolência e a preguiça dos portugueses, tão bem entregues que estavam em tão infalíveis mãos.

Mas a verdade é que Cavaco Silva tem uma virtude cada vez mais rara na política portuguesa – tem uma integridade e um sentido de responsabilidade e de serviço quase inabaláveis que contrastam gritantemente com os seus pares na política, com quem, de resto, nunca conviveu.

É verdade que não tem o chiste nem o “golpe de asa” de outros Estadistas que a história imortalizou. É verdade também que chega já a ser cansativa esta versão de Presidente “Geleia” (lembram-se do personagem de Jô Soares?) que por escrúpulo à letra ou ao espírito da Constituição parece não ter ou não querer ter qualquer opinião ou compromisso.

Mas também é verdade que a democracia portuguesa só com Cavaco Silva logrou sair do estado de indigência e da consequente vulnerabilidade sócio-politica,  motivados pelos excessos do período revolucionário.

Para além de salvar o País da bancarrota económica e política, Cavaco Silva teve ainda outras virtudes. As mais conhecidas prendem-se com as infra-estruturas que criou. As mais valiosas prendem-se com outras coisas como um verdadeiro sentido de descentralização política e administrativa (ditado talvez pelas suas origens algarvias) e a atenção que deu à Juventude Portuguesa, criando um sistema organizativo e um conjunto de instrumentos e medidas que constituem o que de bom se fez em Portugal em termos de Política de Juventude.

Na altura de Cavaco Silva, quer com Couto dos Santos, quer com Marques Mendes, a Juventude constituía uma verdadeira prioridade política. Hoje (não falo deste Governo, mas também dos anteriores) com dificuldade sabemos enumerar um medida na área da Juventude ou sequer que detém no Governo essa responsabilidade.

Cavaco Silva reunirá amanhã com Jovens líderes de diferentes Organizações de Juventude.

Como anunciou no discurso que proferiu no 25 de Abril está preocupado com o divórcio entre os Jovens e a Politica, preocupação confirmada por um estudo recente levado a cabo pelo  Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa.

Suponho que Cavaco Silva já percebeu que o defeito está mais do lado da Politica do que dos Jovens.

A expectativa sobre os resultados e a leitura que deles fará o actual Governo,  não diminuem já o grande mérito de um Presidente que parece disposto, desta vez, a reafirmar o Seu compromisso sincero  com a Juventude Portuguesa e com o Futuro de Portugal.

 Salvé Professor!

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

  

 

Sinto-me: Jovem
Música: Com cavaquinho
Publicado por António de Souza-Cardoso às 18:35
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Um dilema cruel nas manhãs de domingo

Não sou crente. Fui baptizado, andei na catequese e até fiz as duas comunhões, na igreja de Santo Ildefonso. O facto de ser completamente desafinado vedou-me liminarmente qualquer hipótese de ser um menino de coro. Mas até podia ter feito uma carreira como acólito não fosse o azar que sublinhou a primeira e única vez que ajudei à missa. Em vez fazer ouvir um toque solitário e austero, estraguei a solenidade do momento alto da celebração com um alegre e profano repicar do sino.

Nunca consegui apurar o peso que este incidente perturbador (que atribuo à conjugação entre o nervosismo da primeira vez e ao papel pernicioso desempenhado pelas mangas excessivamente largas e compridas da veste que atrapalharam o controlo do sino pela minha mão direita) teve no meu irreversível afastamento dos caminhos da Igreja.

Vem este registo de interesses na coisa religiosa a propósito de a Igreja Católica se ter constituído parte interessada na questão da abertura (ou não) dos hipermercados nos domingos à tarde, uma das querelas terrenas que preenchem a nossa agenda política.

Com o enorme peso que a Igreja empresta à sua palavra, D. António Marto veio a público manifestar-se contra a liberalização dos horários das superfícies comerciais com áreas superiores a dois mil metros quadrados, impedidos de abrir às tardes de domingo num dos actos fundadores do guterrismo – Guterres deixou cair o ministro Daniel Bessa (uma das estrelas dos Estados Gerais preferiu deixar cair uma das estrelas dos Estados Gerais que o levaram ao poder) para poder dar esta piscadela de olho às retrógadas associações de pequenos comerciantes.

“O domingo é um dia de interioridade para Deus, para consigo mesmo, para o repouso e para a família”, argumenta o bispo de Leiria-Fátima, fundamentando a sua oposição à liberalização do horários dos hiper.

Esta posição da Igreja não é muito consequente. Os hipermercados estarem fechados ao domingo à tarde só pode estar a contribuir para afastar da missa os fiéis que trabalham durante a semana e têm de aproveitar o Dia do Senhor para irem às compras.

Como é nosso hábito ir de manhã à missa dominical, a manutenção dos hipers fechados à tarde eterniza um dilema cruel – usar a manhã de domingo para alimentar o espírito, na Igreja, ou para abastecer a dispensa e o frigorifico, nas novas catedrais do consumo.

Acresce que para ser consequente na defesa de um domingo consagrado à interioridade, para Deus e para connosco, D. António Marto ganharia em ir um pouco mais longe nas suas propostas por forma a possibilitar que as dezenas de milhares de portugueses que trabalham nesse dia (nas lojas, padarias, cafés, restaurantes, transportes públicos, museus, jornais, canais de rádio e televisão, etc) deixassem de ser obrigados a fazê-lo e pudessem consagrar esse dia ao repouso e à família.

Por todas estas razões, não me parece bem que a Igreja se tenha constituído parte interessada na questão dos horários dos hipers aos domingos. Nem a Igreja, nem tão pouco os pequenos comerciantes que indiferentes aos interesses e necessidades da sua clientela teimam em manter-se de porta fechada.

Na verdade, se os hipermercados forem autorizados a abrir ao domingo à tarde, os únicos prejudicados são as cadeias de supermercados (Pingo Doce, Lidl, Minipreço e Supercor)  que têm vivido sem concorrência dos hipers nesse horário. E esses estão calados.

 

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada no DN

 

 

 

Música: Sinfonia nº 6 "Pastoral" de Beethoven
Publicado por Jorge Fiel às 10:04
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Boavista e Salgueiral

 

O Salgueiros acabou com o futebol profissional há uns anos - foi forçado a isso por não ter dinheiro para pagar a ninguém.

(O mesmo aconteceu ao Alverca mas isso são contas de outro rosário). O Salgueiros ficou sem estádio e quase sem nada, sem a Câmara do Porto deitar uma lágrima. Que diabo, o "Salgueiral" era uma instituição antiga da cidade e merecia alguma atenção. Quenão teve.

O Boavista corre um risco sério também no futebol profissional. Aliás, creio que a diferença que se criou entre o Boavista e o Salgueiros nos últimos 40 anos teve como causa a família Loureiro - se por acaso Valentim tivesse optado pelo Salgueiros, o clube de Paranhos ainda hoje teria estádio, equipa e muito mais.

Não sei o que vai acontecer ao Boavista, que não tem hoje nem liderança, nem dinheiro, mas tem um número de adeptos já não negligenciável e tem activos (o estádio, nomeadamente) e já tem identidade. Os 40 anos da família Loureiro podem ter acabado mal, mas é injusto não reconhecer tudo o que conseguiram para o clube "de uma rotunda".

Acho que a cidade do Porto precisa de um segundo clube na I Liga, muito embora o Porto hoje possa ser uma unidade que compreende Matosinhos, Vila do Conde, Póvoa, Penafiel - ou Trofa (saravá Trofense!). É uma questão de unidade citadina ou metropolitana.

Do que o Boavista precisa é de encontrar uma nova família que tenha capacidade de liderança para perceber que o clube até pode passar uns tempos difíceis nos próximos anos - os clubes são como a economia, têm ciclos bons e maus - mas tem futuro.

Manuel Queiroz 

Sinto-me:
Publicado por Manuel Queiroz às 01:15
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Atenção! Atenção!.....que seja a última vez......não estamos habituados...nem nos queremos habituar

Jesualdo Ferreira: «Se fosse sempre assim não tínhamos ganho nada»
Caro Jesualdo Ferreira estamos claramente zangados consigo e com os seus jogadores.

Detestamos o comportamento da equipa no encontro de ontem contra o Nacional da Madeira  que nos humilhou no nosso Estádio por uns claros 3-0.

 

A equipa não pode entrar em nenhum jogo, desligada, tem que ser séria e ombriar as camisolas que veste.

Nós os sócios e os simpatizantes só queremos ganhar,ganhar e já lhe digo se para o ano na Liga dos Campeões não chegarmos às meias finais é uma má época apesar da vitória do campeonato.

Apesar dos vinte e tal pontos de avanço, não admitimos resultados negativos sempre que seja devido a falta de empenho do grupo.

 

Não jogámos à Porto, por isso o resultado!

 

Caro Zé, não penses no estrangeiro ainda te falta uma certa consistência, ontem o míúdo pelo teu lado fez dois golos, isto a acontecer num grande da Europa é para te arrumar toda a época no banco, cuidado não iludas com os media nem empresários, trabalha,trabalha para seres útil ao teu e nosso club ( sabes que te admiro imenso, mas quando metes água não consigo engolir! )

 

Por isso caro Professor que seja a última vez, pois não estamos habituados, nem nos queremos habituar, certo?

 

 

Agora uma palavra de incentivo para Cajuda: não morra na praia! força Vitória!

 

A outra palavra é para Fernando Chalana, que é realmente uma pessoa com grande descernimento: "os jogadores tinham dito que quase de certeza que ganhavam.Mais uma vez o quase fez toda a diferença"

 

Mário Rui Cruz

Sinto-me:
Música: Chamem a polícia! Trabalhadores do Comércio
Publicado por Mário Rui Cruz às 01:13
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Domingo, 4 de Maio de 2008

APOLOGIA DO DESVIO PADRÃO

Para melhor entendimento desta minha intervenção dominical, tenho que esclarecer os que fazem o favor de acompanhar este Blog que sou caçador.

Desde muito pequeno que tive o privilégio de passar parte da minha vida e dos meus momentos de lazer num ambiente rural, em íntimo contacto com a natureza. Aprendi cedo a distinguir a passarada ,  a cuidar dos ninhos afugentando os predadores principais, limpando os bebedouros e percebendo que para a protecção e equilíbrio dos ecossistemas é preciso mais do que tudo envolver os donos da terra e todos os que, como os caçadores, gostam verdadeiramente da natureza.

Pode parecer um paradoxo mas com excepção de alguns “artilheiros” formados na nossa guerra colonial, os caçadores que conheço seguem quase consuetudinariamente um determinado código de conduta e são verdadeiros amantes da natureza e da vida animal.

Isto tudo para dizer que, depois de quase se ter acabado com a caça em Portugal a seguir ao 25 de Abril, percebeu-se o rendimento que lhe poderia estar subjacente e seguindo caminhos já trilhados por outros parceiros europeus (a vizinha Espanha, por exemplo) compreendeu-se a importância que para os equilíbrios ambientais, para a não desertificação das zonas rurais, mas também para a indústria do Turismo, representa um bom planeamento cinegético e o respectivo enquadramento legislativo.

Este Governo na sua cruzada de encontrar vestígios de comportamentos profanos, resolveu apresentar novo enquadramento legal para o exercício da caça.

Como o cidadão exemplar proposto por este Governo não bebe, não fuma, come apenas os alimentos necessários, de origem biológica e previamente conservados em vácuo, faz jogging no inicio (bem no inicio) da manhã, veste fatos Armani (ou o equivalente na Feira local para quem tem menos recursos) e, de preferência, vive em Lisboa, há que legislar para “padronizar” este protótipo de português que certamente acabará com a crise profunda em que vivemos.

A última referente à lei da caça foi a da proibição de ingestão de bebidas alcoólicas, não a quem esteja a caçar, também não a quem conduza no final do exercício venatório, mas, pasme-se, a quem venha a dormir ao lado do condutor, depois de uma boa jornada de caça e do confronto festivo e gastronómico com que habitualmente termina.

O argumento é que o dito dorminhoco está perto da sua arma de caça que desmontada, impotente e adormecida na sua competente caixa viaja, apesar de tudo, perigosamente, na mala do carro.

 Então porque não, meu caro e inabalável censor, proibir pura e simplesmente a ingestão de bebidas alcoólicas aos caçadores. Mesmo em suas casas, porque também aí, estarão perigosamente próximos das suas armas.

Hoje festeja-se o dia da Mãe.

 A todas as Mães que apesar de amarem igualmente os seus filhos percebem bem as suas diferenças e os desvios que cada um manifesta em relação ao mesmo cruzamento de material genético, a todas essas saudáveis Mães, promotoras naturais da diversidade, as minhas carinhosas felicitações.

 

António de Souza-Cardoso

Sinto-me: pequeno e feliz
Música: Chamem a Policia
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Publicado por António de Souza-Cardoso às 15:12
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Sábado, 3 de Maio de 2008

Caso Maddie: toda a gente ficou mal na fotografia

No dia em que completa um ano sobre o desaparecimento de Maddie é impossível fechar os olhos e ignorar que todos os protagonistas deste ultra-mediático e triste caso ficaram mal na fotografia.

 

A polícia, a justiça, o casal McCann, os órgãos de Comunicação Social e mesmo as autoridades dos dois países não estiveram bem num caso que, em termos de notoriedade e interesse desperto na opinião pública internacional, bateu aos pontos o rapto do filho do aviador  Charles Lindbergh, que nos anos 30 apaixonou a América.

 

Na sua generalidade, os órgãos de Comunicação Social, nacionais e internacionais, transformaram o desaparecimento de uma criança numa telenovela da vida real e. na mira de potenciais ganhos de audiências, não raro foram pouco rigorosos e tornaram-se cúmplices involuntários de manobras de contra-informação.

 

A polícia e a justiças portuguesas chegam ao fim deste ano enxovalhadas e com uma imagem de incompetência que demorará anos a apagar.

 

José Sócrates e Gordon Brown não conseguiram resistir ao mediatismo do caso e envolveram-se pessoalmente nele - uma decisão que não fundamentos racionais. Os primeiros ministros de Portugal e da Inglaterra terão muita dificuldade em explicar a diferença substantiva entre Maddie e as dezenas de crianças anónimas que todos os dias são dadas como desaparecidas nos dois países.

 

A opção pela mediatização do desaparecimento de uma filha, com os telefonemas para canais ingleses de televisão inglesa foi o pecado original de Kate e Gerry McCann, que tristemente se tornaram celebridades mundiais expondo em directo a dor pela perda da sua filha – e que sublinharam o primeiro aniversário do desaparecimento de Maddie dando 25 entrevistas em dois dias.  

 

Editorial publicado hoje no DN

 

Música: A ronda dos tribunais, Zeca Afonso
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Publicado por Jorge Fiel às 16:23
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Sócrates confirma imensa sabedoria de Churchill

Na sua imensa sabedoria, Winston Churchill ensinou-nos que a democracia é a pior sistema de governo, exceptuando todos os outros que foram ensaiados até agora.

 

O Boletim da Primavera da Comissão Europeia, divulgado esta semana, veio mais uma vez demonstrar quão certo estava Churchill nesta sua dura avaliação do sistema político em que vivemos.

 

A Comissão Europeia analisa com alguma frieza e detalhe a redução do défice orçamental, que é o principal troféu do Governo Sócrates na área económica, e chama a atenção para duas coisas.

 

Primo, a redução do défice para 2,2% do PIB foi conseguida à custa do aumento da receita do Estado (impostos) e não da compressão da despesa.

 

Secondo, em 2009, ano de eleições legislativas, o Governo vai deixar derrapar o défice  para 2,6% de um aumento da despesa e da diminuição da receita -  o que não acontecia desde 2005.

 

Ou seja, a acreditarmos em Bruxelas, perseguindo objectivos eleitoralistas, Sócrates vai aliviar a pressão fiscal sobre os contribuintes e aumentar as despesas.

 

Esta atitude relativamente ao défice vem na linha dos recuos do Governo nas reformas em sectores nucleares (Saúde e Ensino). 

 

A lição deste recuo é a que os quatro anos de uma legislatura dividem-se em dois períodos distintos. Durante os primeiros três anos, o Governo faz o que pensa que é melhor para o país. No último ano entra em campanha eleitoral e faz o que pensa que é melhor para ganhar as legislativas e manter-se no poder.

 

Editorial publicado hoje no DN

 

 

Música: Riders on the storm, Doors
Publicado por Jorge Fiel às 17:24
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Senhor de Matosinhos

 

A Romaria do Senhor de Matosinhos já começou!

A festa, uma das maiores do país, vai desde o dia 1 até 18 de Maio.

Este ano, além do aliciante programa - ver mais abaixo - tem a particularidade de haver algumas alterações no que diz respeito ao espaço físico da Romaria e ainda o grande crescimento da área geográfica onde se desenvolve.

A não perder!

Igreja do Bom Jesus de Matosinhos

No séc. XVI iniciou-se a construção deste notável imóvel de traça renascentista, que tem sido objecto de inúmeras alterações até à actualidade. Destacam-se, no séc. XVIII, as intervenções de Luís Pereira da Costa, famoso entalhador setecentista, a quem se devem as obras de remodelação e acrescento da capela-mor e as de Nicolau Nasoni para o restauro da igreja. A notável combinação de volumes, estruturas e pormenores compositivos acentuam o aspecto cenográfico da fachada principal, desenhada de forma a acentuar a horizontalidade da construção e as características barrocas ao gosto nasoniano. São de admirar as duas torres sineiras, o frontão quebrado, a porta principal decorada com medalhão, no qual se insere uma concha de vieira e os dois nichos laterais que contêm as estátuas de S. Pedro e S. Paulo. No espaço interior, dividido em três naves, destaca-se o imponente altar-mor de talha dourada, que integra na parte central um nicho com imagem de Cristo crucificado, atribuída aos séc. XII / XIII. Trata-se de uma escultura em madeira oca, com cerca de dois metros de altura e extremamente curiosa, dada a assimetria simbólica do olhar, já que o olho esquerdo se dirige para o Céu e o direito para a Terra, numa clara simbiose entre Deus e o Homem.

A história da freguesia de Matosinhos entronca na do desaparecido Mosteiro de Bouças onde se venerou, durante séculos, a imagem do Bom Jesus de Bouças. No séc. XVI, face à ruína do mosteiro a imagem foi transferida para uma nova igreja que foi construída no lugar de Matosinhos. A sua construção iniciou-se em 1542 por iniciativa da Universidade de Coimbra a quem D. João III tinha concedido o padroado de Matosinhos. Para realizar esta obra foi inicialmente contratado João de Ruão, tendo a obra sido posteriormente completada por Tomé Velho.

No séc. XVIII a crescente importância da devoção ao Senhor de Bouças, particularmente entre aqueles que demandavam as terras do Brasil, vai levar à realização de grandes obras de ampliação da primitiva igreja, que ficaram a cargo do arquitecto italiano Nicolau Nasoni.

(texto retirado do sítio oficial da CMM)

 

PROGRAMA

http://www.cm-matosinhos.pt/files/50/documentos/2008042214262846757.pdf

Publicado por Fernando Rocha às 14:36
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4050-327 Porto e 1250-149 Lisboa serão dois códigos postais de uma mesma região?

Para Florida a Foz fica em Lisboa

A passagem por Lisboa do guru norte-americano Richard Florida abalou seriamente algumas das minhas convicções sobre a geografia da minha vida e do meu país.

Confesso que não conhecia Florida, um rapaz com a minha idade mas muito mais curriculum (foi professor do MIT e Harvard e mantém colaborações regulares no Financial Times e no New York Times), citado com alguma frequência por Sócrates - o que equivale a dizer que está completamente na moda.

Deslocações semanais entre duas cidades pontuam a minha vida. Terça feira, às 9.47, apanho em Campanhã o Alfa para Lisboa, onde fico a trabalhar durante a semana. Domingo, faço o percurso inverso, embarcando no Intercidades das 9.30.

Florida veio explicar-me que afinal eu estava enganado e não divido a vida entre duas regiões. O norte-americano puxa bem para cima (uns bons 600 quilómetros) a fronteira norte de uma Lisboa imensa que, do seu ponto de vista, se estende ao longo da costa atlântica  desde Setúbal até à Corunha, e que é uma das 40 megaregiões mundiais - a 34ª, à frente de Xangai, Madrid, Berlim ou Singapura .

Esta ideia é sedutora, ao arrumar na mesma gaveta as minhas viagens semanais de comboio entre o Porto e Lisboa e as deslocações pendulares diárias entre S. João do Estoril e a avenida da Liberdade (suburbano mais metro).

Suplementarmente, a ideia de Florida tem o condão de fornecer a solução para um problema que ele próprio me tinha criado com o enunciado de uma outra tese sua: “O trabalho desloca-se até as pessoas e não o contrário”.

Uma pessoa tem de ter formatos preparados para responder às FAQ da nossa vida. Por isso, quando amigos e conhecidos me comentavam, em tom levemente interrogativo,  “Então, de volta a Lisboa…?!?” eu respondia: ”É! A vida é assim. O pescador vai pescar onde há peixe”.

Ora este meu  “sound byte” contraria aparentemente o edifício teórico de Florida, já que se trata de um desdobramento do ditado do Maomé (ou seja o pescador, isto é eu) a ir ter com a montanha (ou seja a pesca, i.e. o trabalho) e não o contrário, como pretende o guru de Sócrates.

Mas a contradição é apenas aparenea já que à luz da geografia de Florida eu não mudei de região. Ele jura que a rua Júlio Dinis, 4050-327 Porto e a  para a avenida da Liberdade 1250-149 Lisboa são apenas códigos postais diferentes no interior da mesma mega-região.

Mas agora que estou iluminado pelas ideias avançadas de Richard Florida, poderei brindar os amigos que mais prezo com uma resposta mais bem elaborada.  Preparem-se. A próxima vez que me disserem “Então de volta a Lisboa…!?!” vão levar na volta do correio com um resumo das teorias de Florida, que não se esgotam na tese das mega-regiões.

Florida brilhou ainda a grande altura ao reformular a velha tese de que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem (na sua versão  “Portugal é formado por dois países; Portugal e Lisboa”). E garante que o desenvolvimento das cidades é directamente proporcional à quantidade de gays e lésbicas que alberga (Berlim e Paris, governadas por gays, estão no bom caminho).

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

Esta crónica foi publicada no Diário de Notícias

 

 

 

Música: Anzol, Rádio Macau
Publicado por Jorge Fiel às 09:10
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

José Sócrates que se cuide porque a UGT trocou o farnel pelo megafone

O feriado de hoje já pouco ou nenhuma relação tem com o primeiro dia de Maio de 1886, celebrizado pelas lutas sindicais dos operários de Chicago pela redução a oito horas da jornada de trabalho, que três anos depois a Internacional Socialista consagrou como Dia do Trabalhador.

 

Um século e meio depois o Mundo mudou tanto que se Karl Marx arriscaria um ataque cardíaco se ressuscitasse e visse os seus compatriotas operários da Volkswagen abrirem mão da semana de trabalho de 35 horas em troca da promessa da administração da empresa em não deslocalizar fábricas da Alemanha para a vizinha República Checa.

 

Em Portugal, o sinal mais importante a ler neste 1º de Maio de 2008 é a surpreendente e inédita decisão da UGT de aproveitar o dia para descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, desfraldando bandeirolas contra a precaridade do emprego e a favor da redução do IRS.

 

Até agora, a central sindical socialista encarou sempre o 1º de Maio como um dia de festa,  normalmente comemorado nas imediações da Torre de Belém, uma espécie de piquenicão abrilhantado musicalmente por cantores populares.

 

Pois foi neste ano pré-eleitoral, e com um Governo de maioria socialista instalado em S. Bento, quer a UGT decidiu por trocar o farnel pelo megafone e alinhar no endurecimento da luta contra o Governo Sócrates, retirando à sua concorrente CGTP (que às mesma hora estará na Alameda) o exclusivo do protagonismo anti-governamental.

 

O primeiro ministro deve reflectir muito seriamente neste sinal que hoje lhe está a ser enviado pelo seu camarada de partido João Proença, secretário geral da UGT.

 

 

Editorial publicado na edição de hoje do DN

 

Música: A Internacional
Publicado por Jorge Fiel às 11:59
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A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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