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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Aos 90 anos, a avenida tem diversas caras

Após o 25 de Abril, a avenida sofreu uma fase de terciarização acelerada, que avança no sentido Rotunda/Castelo do Queijo e tem o seu sinal mais visível na coexistência pacifica de três hotéis de cinco estrelas num raio de algumas (poucas) centenas de metros.

 

Esta vaga de terciarização chegou até às imediações da Fonte da Moura, onde já se pressente o cheiro a maresia, pela mão da Bolsa do Porto, que aqui teve a sua segunda e última casa.

 

O resultado é a concentração nos 5,2 quilómetros desta avenida - que tem a sua jurisdição repartida por seis juntas de freguesia - de mais de 12% dos serviços de toda Área Metropolitana do Porto, ou seja, da Póvoa até Espinho.

 

Com quase 90 anos de idade, a Boavista tem diversas caras.

Começa pequeno burguesa, com a Casa da Música a conviver com pequenas mercearias, restaurantes modestos, as sedes do PCP e do Goethe-Institut, a sua única livraria e os Enfermeiros Reunidos.

 

O Porto Palácio, de um lado, e o palacete Arte Nova da viscondessa de Lobão, do outro, marcam a fronteira para um troço mais cosmopolita, recheado de hotéis cinco estrelas.

 

E a partir daqui quase nunca mais pára de subir na escala social. O endereço postal diz tudo. Quanto mais alto for o número, maior deverá ser a conta bancária dos seus residentes. A partir do 2000, é praticamente seguro que é da classe média. Do três mil para cima, há pelo menos um BMW ou Mercedes na garagem.

 

No miolo da avenida, estão expostas à vista de todos os contrastes e as contradições em que o Porto é fértil. Junto ao Estádio do Bessa, o horrível edifício do Dallas – um centro comercial fantasma mandado encerrar pela câmara por ordem do tribunal – mora em frente à elegante galeria Bristol, com as suas lojas requintadas de «griffes» como a Hugo Boss, Godiva ou Stefanel.

(continua)

 

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

 

 

 

Morte aos atrasados e a quem os apoiar!

 

Não sei se já repararam mas na publicidade, os relógios estão sempre na hora da postagem aqui na Bússola: 10h10

 

O meu amigo Sousa (nome fictício) é alérgico às horas e geneticamente incapaz de comparecer a um encontro com um atraso inferior a duas horas.

 

Nós, as vítimas do Sousa, costumávamos brincar, dizendo que o problema era de fabrico, pois ele vinha de origem regulado para funcionar noutro fuso horário (talvez o de Varsóvia)  e tudo se resolveria se ele fosse exportado para a Rússia.  Em Moscovo, ele até seria capaz de chegar aos compromissos um bocadinho antes da hora.

 

Toda esta benevolente teoria ruiu como um castelo de cartas quando soubemos que o Sousa chegou mais de 24 horas atrasado a uma reunião com um cliente. Afinal, o caso não se resolveria nem que ele fosse transplantado para Brisbane. Convencemo-nos que os pantagruélicos atrasos dele não são uma manifestação de má educação, mas antes um sintoma de uma terrível doença incurável.

 

Da mesma maneira que há pessoas que não conseguem evitar roubar (cleptómanas), também há gente, como o Sousa, que não conseguem cumprir horários – ou seja cleptómanas do tempo dos outros.

 

O problema é que há mais portugueses a sofrer da doença do Sousa do que diabéticos e hipertensos – juntos!

 

Os nossos costumes são mesmo brandos. Em Portugal pratica-se, convive-se e desculpa-se o péssimo hábito de chegar depois da hora. Ao ponto da etiqueta considerar ”rude” chegar alguns minutos antes – e classificar de “chique” chegar atrasado.

 

A conferência de imprensa está marcada para as 15 horas? Se aparecer antes das 15h30 ficará para todo o sempre conhecido como o jornalista precoce.

 

A vernissage de uma exposição está marcada para as 19h00? Se ousar chegar antes das 19h45 ficará para todo o sempre classificado como o bimbo desocupado.

 

O jantar está marcado para as 20h30? Se se atrever a chegar antes das 21h30 ficará para todo o sempre com a fama de ser o convidado esfomeado.

 

A AESE- Escola de Direcção e Negócios, dirigida pelo meu amigo e conterrâneo José Ramalho Fontes, reconheceu a importância desta praga quando, no estudo do Caso Portugal, diagnosticou dois aspectos em que temos de melhorar: a gestão do orçamento familiar e a pontualidade.

 

O combate a favor da pontualidade exige-nos não só chegar a horas, mas também adoptar uma atitude de tolerância zero para com todos os que usam o relógio de pulso apenas como adorno e acham que murmurar uma vaga desculpa sobre o trânsito é suficiente para que 9h30 e 10h10 sejam a mesma coisa.

 

Não podemos repetir o mantra «tempo é dinheiro» e continuarmos a malbaratar o tempo. Uma maneira fácil e barata de melhorar a produtividade é exterminar a perda estúpida de horas de trabalho provocadas pela falta da pontualidade.

 

Além de ser um enorme desperdício de horas de trabalho, chegar atrasado é um acto de profunda de má educação e de absoluta falta de respeito pela pessoa que ficou à nossa espera.

 

Por isso, ficam desde já a saber que a minha tolerância máxima para os atrasos passa a ser de um quarto de hora – com uma única excepção, o Sousa (que tem a desculpa de ser doente).

 

Jorge Fiel

 

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

O impulso dado pela ponte da Arrábida

 

 

A Carris foi tão essencial para o desenvolvimento da avenida como o caminho-de-ferro o foi  na construção dos Estados Unidos. A sua importância ressalta de uma frase escrita por um jornalista na sua reportagem sobre o incêndio de 1928 na «remise»:

 

«Para os lados da Boavista, o movimento é sempre frouxo. A longa e larga avenida só vive da vida dos seus carros e das suas fábricas. Fechadas as fábricas, ao anoitecer, paralisado o trânsito dos eléctricos, fica deserta, recolhida no seu silêncio elegante, de avenida moderna, aristocrática».

 

A primeira vaga de povoamento da avenida, durou até aos anos 20, com a construção na sua parte inicial (logo a seguir à Rotunda) de casas de brasileiros, amiúde rodeadas das palmeiras que correspondiam ao seu gosto. Foi preciso esperar quarenta anos para a inauguração da ponte da Arrábida ser a locomotiva de um novo e espectacular surto de desenvolvimento da Boavista, para onde se deslocou gradualmente o centro de gravidade da cidade, que outrora residira na Baixa e zona Oriental.

 

Junto à saída da nova ponte, o BPA implantou nos anos 60, no local onde laborara a Fábrica de Tecidos Graham, o Foco, uma urbanização moderna, com andares destinados às classes média e média/alta. Mais recentemente, junto à Fonte da Moura, o terreno deixado livre pelo fim das Sedas Aviz foi usado para a construção de grande empreendimento, conhecido pelo antigo nome da fábrica (Aviz), com características idênticas às do Foco, mas mais denso e ainda está a ser desenvolvido.

 

Daqui até ao mar, correndo ao longo do Parque da Cidade até desaguar no Oceano Atlântico, fica a zona com mais baixa densidade populacional da avenida, ocupada com vivendas elegantes mandadas fazer por industriais e banqueiros, a partir de meados do século passado.

(continua)

 

Jorge Fiel

www.lavandaria.blogs.sapo.pt 

A mais bela artéria da zona moderna e luxuosa

O rasgar da avenida demorou o seu tempo. Iniciado no virar do século, só foi concluído em 1917, o ano da revolução bolchevique, com a conclusão do troço final, entre a Fonte da Moura e o Castelo do Queijo, que nos anos 50 viria a ser a principal recta do Grande Prémio de Fórmula I do Porto, estrelado pelo famoso Stirling Moss.

 

Demorou, mas valeu a pena. Sant’Anna Dionísio considerou-a logo como «a mais bela artéria da zona mais moderna e luxuosa» do Porto e e não poupou nas palavras quando a qualificou como «um dos mais acertados e desenvolvidos golpes de expansão que a cidade recebeu nos últimos 50 anos».

 

A avenida teria de esperar mais de meio século para acolher dois novos e importantes ícones que romperam com a tímida escala que caracteriza a cidade.

 

A Casa da Música e o Parque da Cidade foram arrojados empreendimentos apadrinhados por Fernando Gomes, que sonhou reeditar, um século depois, o período mais próspero e expansionista do Porto.

 

O Parque da Cidade concretizou, em 1991, o velho projecto do pai da avenida, Gustavo Sousa, de equipar o Porto com um vasto pulmão verde, e viria a receber, dez anos depois, um ousado remate marítimo pensado por Solá Morales. Como o parque não chegava à praia, o arquitecto catalão resolveu fazer desaterros, abrindo o caminho para o mar subir até ao parque. Funcionou!

 

A Casa da Música, saída do estirador do holandês Rem Koolhas, é um espantoso e estranho edifício com uma altura equivalente a 12 andares , implantado no quarteirão outrora ocupado pela «remise» (a recolha dos eléctricos) e pelos escritórios da Carris (actual STCP), que, além de escriturários, albergavam barbeiros e alfaiates que cuidavam das fardas e aspecto dos funcionários da companhia.

 

(continua)

 

Jorge Fiel

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Rotunda seria uma réplica da parisiense Etoile

O pai da avenida da Boavista é Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, um engenheiro da Câmara e veterano do Cerco do Porto, onde serviu como alferes no batalhão comandado por Vitorino Damásio, o fundador da Associação Industrial Portuense.

 

Homem de ideias modernas e desempoeiradas, Gustavo de Sousa tinha dirigido as obras de construção do Palácio da Bolsa, empreendimento de envergadura, financiado até ao último tostão pelos homens de negócios reunidos na Associação Comercial do Porto.

 

Contratado para engenheiro da Câmara, definiu dois grandes projectos baseados na abertura da Rotunda da Boavista, uma praça ampla e arejada, com 200 metros de diâmetro - uma espécie de réplica portuense da parisiense Etoile.

O engenheiro imaginou a Rotunda da Boavista como um coração, ligado à Quinta da Prelada por um imenso parque verde e de onde partiriam quatro artérias, das quais a aorta seria a avenida que ligaria a cidade à Foz, que em meados do século XIX era ainda uma humilde povoação piscatória dos arredores. Falhou a primeira concretizou a segunda.

 

A transferência, no final do século XIX,  da Feira de S. Miguel para a Rotunda da Boavista, assegurou a rápida animação desta ampla praça, ao atrair a visita dos lavradores dos arredores que a ela acorriam em busca de alfaias agrícolas, cangas, jugos, tamancos, louças, chapéus de palha, varapaus ou, tão só, do afamado doce da Teixeira.

Também ajudou à festa a construção, em 1889, no local onde está agora o Tabernáculo Baptista, da praça de touros chamada Real Coliseu Portuense. 

(continua)

 

Jorge Fiel

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A curta biografia de uma longa avenida

O Porto tem uma escala de cascata de S. João, apenas rompida pelo Paço Episcopal, a avenida da Boavista, o Parque da Cidade e a Casa da Música – e os dois últimos ficam na avenida da Boavista…

 

Numa cidade em que o poder religioso (apoiado pela burguesia local) foi suficientemente poderoso para impedir os nobres de residirem no interior dos seus muros, não espanta o domínio imperial que o Paço Episcopal exerce sobre o casario que preenche a encosta que desce da Pena Ventosa até à Ribeira e o rio, compondo o mais batido dos postais ilustrados do Porto.

 

Com os seus 5,2 quilómetros em linha recta que desaguam no mar e fazem dela a maior avenida do país, a Boavista é uma herança do século de ouro do Porto, o XIX, em que a cidade foi berço e baluarte do liberalismo, e recebeu, em troca da heróica resistência ao cerco miguelista, o título de «Invicta, mui nobre e sempre leal» e o coração de D. Pedro, que está guardado, como uma relíquia, na Igreja da Lapa.

 

Jorge Fiel

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PS. A publicação, em seis episódios, da curta biografia da nossa mais longa avenidas,deve-se a dois motivos. O primeiro é pessoal – em Abril vou viver para um apartamento na avenida da Boavista. O segundo tem a  ver com a minha militância portuense. Irrita-me o imobilismo e a falta de arrojo que se apoderou da cidade e que tem atrasado a abertura da via Nuno Álvares, que ligará Praça do Império à avenida da Boavista. Espero que a canonização do Condestável apresse o início das obras. Quando falha a fé nos homens, só nos resta virar-nos para o divino…

 

Os 200 mil da Avenida e o lápis do cosmonauta

Yuri Gagarin, o cosmonauta soviético que a 12 de Abril de 1961 se tornou o primeiro homem no espaço

Devido à ausência de gravidade, as esferográficas normais não funcionam no espaço.

Este foi mais um dos milhões de problemas que os cientistas norte-americanos e soviéticos tiveram de resolver nos anos 60, quando a conquista do espaço era um dos tabuleiros em que se disputava a Guerra Fria.

Os americanos desenvolveram uma caneta que escreve em ambiente de gravidade zero. Os soviéticos optaram por uma solução mais simples: equiparam os cosmonautas com lápis.

A opção americana deve ter contribuído mais para o avanço do conhecimento, não seduz-me mais a simplicidade como os soviéticos contornaram o obstáculo.

Há sempre dois tipos de soluções um mesmo problema, as simples e as complicadas. A mim encantam-me as simples.

Foi por isso que gostei de ouvir a explicação simples que Carvalho da Silva deu, na 5ª feira, à Judite de Sousa, para 200 mil pessoas terem preferido descer a avenida da Liberdade a anteciparem o fim-de-semana.

Os 200 mil (e mais uma data de gente) não acham graça a que Armando Vara, destacado em missão de salvamento, vá para o BCP ganhar o dobro do que recebia na Caixa.

Os 200 mil não acham justo que o salário mensal médio na EDP seja de 1669 euros e que o presidente  ganhe 1666 euros por dia só em prémio de gestão.

Não me move contra Armando Vara e António Mexia, que tudo leva a crer serem sérios e competentes. Vara não ficou bem na fotografia na trapalhada da Fundação para a Prevenção e Segurança, no Governo Guterres. Mexia não tinha razão quando quis vender as posições que a Galp tinha na exploração petrolífera. Mas, caramba, quem nunca errou que atire a primeira pedra!

Mas Vara e Mexia (e tantos outros gestores) deveriam ter tido o cuidado de não se pôr a jeito dos discursos mobilizadores do líder da CGTP.

Não é bom para ninguém (tirando para o próprio Richard Fuld) que o CEO da Lehman tenha recebido 100 milhões de euros de prémio poucos meses antes do banco ir ao tapete, accionando o gatilho que fez disparar a crise.

Não é bom para ninguém (excluindo os beneficiários) que a AIG se preparasse para distribuir 168 milhões de dólares de bónus aos executivos, depois da Reserva Federal ter gasto 170 mil milhões de dólares a salvá-la.

Da mesma maneira que não é bom para a Igreja Católica (em particular para a credibilidade do voto de pobreza dos franciscanos) saber-se que o padre Melícias tem uma pensão mensal de reforma de 7450 euros, também não é bom para a paz social no país que os gestores do PSI 20 ganhem, em média, 23 vezes mais do que os trabalhadores.

De acordo com um estudo da OIT, Portugal é dos países desenvolvidos onde nas últimas décadas mais cresceu o fosso entre os trabalhadores mais bem remunerados e os que recebem salários mais baixos.

Para evitar o alastrar da contestação, uma solução simples (tipo lápis para os cosmonautas) seria o Governo socialista impor um tecto salarial (um múltiplo razoável do salário mínimo ou o salário do PR) a todas as empresas que sejam apoiadas com o dinheiro dos contribuintes.

Jorge Fiel

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Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

Ouve-se um silvo distante, que arrepia a água

 

“O coreto era verde ou a sua evasão

na ferrugem instigada pela chuva?

As grades e colunas, a coberta

fatigaram-se, não conseguem reter

tantos mananciais de extinta música,

poderosos ao cativarem os que em volta

se concentravam, evolavam nela.

Os seus rostos reduzidos a tinta

estão a interrogar-me?”

Excerto de poema de José Bento sobre a aguarela Jardim de S. Lázaro, de António Cruz

 

Vivi os primeiros 15 anos da minha vida no 2º andar do número 304 da avenida Rodrigues de Freitas, ao lado do Jardim de São Lázaro e em frente à Garagem Galiza.

Brinquei muito no Jardim de São Lázaro, em frente ao Colégio Nossa Senhora da Esperança, frequentado só por raparigas, que todas elas me pareciam lindas naquelas batas azul bebé (uma das frustrações que vou levar para a cova é o de nunca ter chegado a namorar com uma miúda do Esperança).

O jardim tem um coreto onde actuavam regularmente bandas de músicos fardados (GNR, polícias, bombeiros?), que foi imortalizado numa maravilhosa aguarela de António Cruz, o pintor que na análise avisada do poeta (Eugénio de Andrade) foi um dos homens que mais espreitou a alma do Porto.

Ao remexer no passado, fiquei com vontade de partilhar convosco uma pobre reprodução desta aguarela e algumas palavras sobre António Cruz escritas por quem as sabia alinhar (novamente Eugénio de Andrade):

“António Cruz inventou para a cidade uma luz de cobre que, vinda do alto, paira sobre o casario e as águas do Douro, fluindo cheia de vagares para a Foz. Uma luz morta, de brasido amortecido na lareira, de um dia de Outono já friorento a chegar ao fim. No cais da Ribeira avistam-se já manchas francas de sombra, as pequenas embarcações perdem os contornos, e Gaia começa a confundir-se com a neblina crepuscular. Ouve-se um silvo distante, que arrepia a água. Não há dúvida, a noite vai cair. Uma noite antiga, de há cinquenta anos, onde nibguém poderá presentir a desgrenhada noite dos nossos dias, ruidosa, insegura, desumana. Olhadas assim, com os olhos fatigados, as aguarelas de que estivemos a falar escorrem, também elas, melancolia”.

Jorge Fiel

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É preciso vender o Porto em Lisboa

As dormidas de estrangeiros no destino Porto e Norte de Portugal cresceram 4,1% face a 2007, que já tinha sido considerado “um ano excepcional”.

Este aumento nas dormidas reflectiu-se positivamente nas receitas turísticas, que subiram 3,8%.

A revitalização do Sá Carneiro é a mãe e o pai destas boas notícias. Abandonado pela TAP, o aerporto do Porto recebeu uma fantástica injecção de adrenalina administrada pelas low cost.

Entre 2003 e 2008, ao número de comapanhias aéreas a voar para o Porto mais do que duplicou (passou de sete a 16, enquanto que as rotas cresceram 140% (passaram a ser 56).

Mas o novo fôlego a dar ao turismo no destino Porto e Norte exige diplomacia e implica agir no mercado interno.

Para continuar a crescer sustentadamente, temos de fazer um esforço de marketing, concentrado na Área Metropolitana de Lisboa, para atrair turismo interno.

Temos também de ter a coragem descomplexada de integrar o produto turístico Lisboa que é vendido por essa Europa fora. Sugerir aos “short breakers” que visitam a capital que é uma excelente ideia tirarem um dia para darem uma saltada até ao Porto.

Jorge Fiel

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Morte à praça de Lisboa! Viva a praça do Anjo!

É assim que a Bragaparques garante vai ficar a praça de Lisboa

É certo que o nome não ajuda. Mas é inadmissível que a praça de Lisboa continue transformada numa feia pústula, um autêntico escarro, no coração do centro histórico.

A praça de Lisboa é um triângulo que fica no coração de um outro triângulo que tem como vértices alguns dos melhores símbolos do Porto -  a Torre dos Clérigos, a Reitoria da Universidade e a Lello (a mais bonita livraria do Mundo, Enrique Villa-Lobos escreveu-o assim mesmo. no El Pais, sem a cautela do “provavelmente”, e nós não temos a mínima razão para duvidar dele).

A Bragaparques ganhou a concessão da praça por meio século (o que aparentemente demonstra que a via verde dos empreiteiros de Braga não é válida apenas para os municípios de governação rosa) com um projecto do arquitecto Pedro Balonas, em que uma mega livraria da Byblos no Porto seria a âncora para a ressurreição da praça.

Como a Byblos morreu em Lisboa, de morte matada, já lá vão três meses, acho que os portuenses já tinham obrigação de saber quem a vai substituir como âncora do ressurgimento da praça.    

A mim ninguém me teria que ali há enguiço e o mais provável é que a maldição esteja relacionada com o nome. Por isso, pelo sim pelo não, eu começava por devolver à praça o seu nome original (praça do Anjo) e encomendava ao José Rodrigues uma nova estátua de um anjo - para ser colocada no lugar onde estava aquela que foi roubada e destruída por vândalos.

Jorge Fiel

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