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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Duarte Nobre Guedes

Anda feliz da vida e é caso para isso. Não é todos os dias que o Estoril recebe mil jornalistas e publicidade gratuita, por acolher um acontecimento do calibre da Cimeira Ibero-Americana, que propicia a Juan Carlos e Hugo Chavez, autor e destinatário da mais célebre frase do século – “porque no te callas?” – um reencontro no local onde o rei se fez homem.

O Estoril está habituado a receber famosos. Em 1870, a Cidadela de Cascais foi escolhida por D. Luiz para residência oficial de Verão. Entre as duas guerras, era, a par de Biarritz, Mónaco e San Sebastian, uma das jóias do turismo europeu - ao ponto de ser a estação terminal do Sud Express. E na II Guerra, foi nesta costa elegante e sofisticada, transformada em centro de espionagem, que se refugiaram meia dúzia de famílias reais e Edmond de Rothschild, o homem mais rico do Mundo.

Depois de nos anos 60 ter sido escala obrigatória do roteiro de vedettes, como Sylvie Vartan, Adamo, Grace Kelly ou Françoise Hardy, chegou a vez de Cristina Kirchner e Lula se encantarem com a baía de Cascais. “A cimeira ajuda a divulgar o Estoril como destino privilegiado para grandes reuniões internacionais”, reconhece Duarte Nobre Guedes, 59 anos, que preside ao Turismo e Centro de Congressos do Estoril, após ter feito carreira na cerâmica (Cerexport e Vista Alegre).

Por estes dias, Duarte e os seus colaboradores andam com os jornalistas estrangeiros ao colo, mostrando-lhes o que o melhor da região, não só de Cascais, mas também o Palácio da Pena ou os Jerónimos, porque não são ciumentos. “Lisboa faz parte do produto do Estoril. Há uma complementaridade. Por isso, vendemos Lisboa como um produto nosso”, afirma este gestor que fez três Dakars (6º, 8º e 27º lugares), sendo o único português a ganhar uma etapa e o único concorrente, em toda a história do rali, a cortar a meta antes das motos.

“Não somos um bairro turístico de Lisboa. Somos um destino. Temos dimensão e notoriedade”, acrescenta Duarte, que escolheu almoçarmos no Costa do Estoril, em frente ao Centro de Congressos e bem perto do Hotel Palácio, onde Ian Fleming escreveu Casino Royale, o primeiro livro da saga 007. Como já lhe conhecem os hábitos, não precisou de pedir a salada de alface e tomate com que abre sempre a refeição. No final, cedeu à tentação e, antes do chá, comeu uma colher de mousse de chocolate.

Tradicionalmente famoso como estância balnear, o Estoril foi ultrapassado, no segmento sol e praia pelo Algarve, e passou um mau bocado nos anos após o 25 de Abril, em que foi desqualificado, esquecido e maltratado. Corrigida a rota para destino de alta qualidade para negócios e congressos, vive um novo e próspero fôlego, documentado pelas 1,2 milhões de dormidas, com uma estadia média de quatro dias (contra apenas 2,5 de Lisboa) por turista, vendidas em 2008.

A qualificação da oferta (em 31 hotéis, dez são de cinco estrelas e outros dez são de quatro) explica porque é que o Estoril tem o mais alto preço médio por quarto – 90 euros acima de Lisboa (80) e dos 70 que são a média nacional e da Madeira.

Com sete campos de golfe, o maior casino da Europa, autódromo, marina, hipódromo, aeródromo, Parque Natural, e os dois empreendimentos imobiliários com o m2 mais caro do país, é natural que o Estoril aguente melhor a crise. “Este ano, o nosso preço por quarto vai cair 4%. Em Lisboa cai 11% e no Algarve não digo senão o secretário de Estado mata-me”, conta.

A sustentabilidade é a mais recente arma que ele está a usar para tornar o Estoril um destino ainda mais sexy. O seu Centro de Congressos é o único do Mundo com certificação ambiental, conseguida após um esforço de redução em 12%  do lixo produzido e racionalização dos consumos de água, papel e energia. O próximo passo é um investimento fotovoltaico, que fará a electricidade emigrar da coluna das despesas para a das receitas.

E como os plásticos estão absolutamente proibidos, os chefes de Estado e Governo dos 22 países ibero-americanos vão beber água de garrafas de vidro e receber lápis para tomarem apontamentos durante as reuniões da Cimeira no Centro de Congressos.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Restaurante Costa do Estoril

Avenida Amaral, Estoril

2 couvert… 2,00 euros

1 salada … 3,00

2 Filetes de garoupa com arroz de tomate … 30,00

2 Castello 0,25 l … 3,00

1 Vitalis … 2,00

1 Mousse chocolate … 3,50

1 chá … 1,50

1 café … 1,00

Total … 46,00 euros

Cheira mal, cheira a Lisboa

Tenho o nariz torto. A narina esquerda não funciona. Infelizmente, esta surdez parcial do meu olfacto não me protege do fétido fedor que sevicia quem passa ao largo de Aveiro. Falo do mau cheiro literal, não do figurado - do negócio do sucateiro Zé Godinho ter quartel general em Esmoriz, de Oliveira e Costa ser de Esgueira, e Vara e os Penedos serem visitas frequentes de Aveiro, onde mantêm longas conversas com o juiz de instrução criminal.

Se trapalhadas e negociatas obscuras libertassem realmente um odor pestilento, não se podia passar perto de Aguiar da Beira e os carteiristas do eléctrico 28 estavam no desemprego, pois a podridão do ar nos mais belos e ricos bairros de Lisboa afugentaria os seus 2,5 milhões de turistas.

A fábrica de Cacia da Portucel é a origem do fedor que tortura os automobilistas viciados na A1 e os passageiros económicos e/ou ambientalistas do Alfa. Há coisa de 15 anos, quando visitei esta celulose,  comprovei a enorme capacidade humana em se adaptar a circunstâncias adversas. Achei que o almoço era a ocasião certa para fazer a pergunta. Fartos de a ouvir, os anfitriões responderam pacientemente que algumas semanas bastavam para concluir o processo de dessensibilização - e deixarem de sentir o cheirete.

Esta fantástica capacidade para comermos num ambiente de latrina preocupa-me muito, principalmente nesta altura em que para decifrarmos os casos de actualidade é preciso ter um curso de Direito (e dos bons, aqueles da Independente não chegam). Só assim compreendemos as nuances da arquitectura de um sistema judicial canceroso e sabemos traduzir para português um dialecto judicial atulhado de “atentados ao Estado de Direito”, “elementos probatórios”, “irrelevância criminal”, “denegação de justiça”, “medidas de coação”, “expedientes administrativos” e “emissões de certidões”.

Temo que, tal como os trabalhadores da Portucel de Cacia, nós, os portugueses, nos dessensibilizemos e deixemos de sentir o fedor a podridão da pandemia de escândalos a que estamos sujeitos. Por isso, ou estes políticos conseguem reduzir drasticamente a quantidade de lixo que produzem e arranjam um eficiente tratamento da sua porcaria (dotando-se de um sistema subterrâneo de esgotos e de uma ETAR na periferia, longe dos nossos olhos), ou o melhor é darmos ouvidos ao conselho de Eça de Queiroz: “Os políticos e as fraldas devem mudar-se com frequência – pela mesma razão”.

Não me apetece viver num país que cheira como uma casa de banho que continua em uso apesar ter o autoclismo avariado – e em que não consigamos ouvir a marcha “Cheira bem, cheira a Lisboa” sem nos escangalharmos a rir às gargalhadas.

Jorge Fiel

Esta crónica foi publicada hoje no Diário de Noticias

Vicente Themudo de Castro

Foto Carlos Manuel Marques

O pastel de nata deve falar connosco. Pegue num, resista à tentação de dar logo uma dentada, vire-o, aproxime-o da orelha e aperte-o delicadamente com os dedos. Se ele ronronar um ligeiro crrec crrec está tirada a prova dos nove. Temos pastel de nata!

Esta foi uma das revelações feitas ao almoço por Vicente Themudo de Castro, 37 anos, um dos dois confrades honorários do Pastel de Nata, que andou 14 anos perdido no mundo das finanças até que, há dois anos, deu o seu grito do Ipiranga e dedicou-se à gastronomia (é crítico profissional e autor amador), a sua grande paixão desde os seis anos, idade em que em vez de jogar ao pião preferiu iniciar-se no segredo dos fios de ovos com o cozinheiro francês da tia bisavó.

A Pastelaria Cristal foi uma escolha óbvia, já que o seu pastel de nata foi eleito o melhor do mundo, na prova realizada em Abril, no Pavilhão de Portugal, por um júri constituído pelo advogado José António Sousa (o outro confrade honorário), o enólogo Domingos Soares Franco e os chefs Vítor Sobral e David Pasternack (nomeado o melhor chef de Nova Iorque), que redigiram notas de prova levando em conta seis critérios: frescura, qualidade da massa, teor de açúcar, cozedura, aspecto e sabor.

Apesar de relativamente acanhado (quatro mesas, oito cadeiras), a Cristal é muito concorrida por clientela habitual do bairro que se despacha ao balcão. Durante a semana vende, em média, 150 natas por dia. Mas ao fim de semana marcham 500 por dia e há fila. “Já vi dois Ferraris estacionados à porta ao mesmo tempo”, conta Herculano Marques, 65 anos, que depois de correr mundo a gerir marisqueiras (das quais a mais célebre foi a Napolitano, na ilha de Luanda), optou por, há 14 anos, mudar para o ramo da pastelaria e deitar âncora na Lapa.

Como vinha de uma prova de Barcas Velhas, tinha um lanche na Penha Longa e um jantar em Beja, Vicente não acabou o croquete e o esplêndido rissol de leitão, empurrados com uma Sagres, antes de se concentrar no pastel de nata.

“Desde que não se peça Coca Cola…” foi a resposta quando lhe perguntamos qual a bebida adequada para acompanhar a nata. “Como não é um pastel muito doce, harmoniza muito bem com um vinho generoso seco, um Moscatel, Madeira ou Porto rubi”, explica Vicente, acrescentando que a combinação mais usual é o café/nata, o invariável almoço do professor Marcelo quando estava ali ao lado a tentar gerir o PSD.

“O pastel de Belém é um pastel de nata com marca registada”. Uma frase chegou para arrumar este assunto melindroso, antes de detalhar as diferenças: “O folhado é mais amanteigado, mais à francesa do que este”, refere, enquanto pega na nata da Cristal e a vira-a ao contrário. “Está a ver? Não cai nada. Já não arriscaria fazer isto com um pastel de Belém que tem um creme muito mais líquido”. Por estas razões, a nata de Belém tem um prazo mais validade muitíssimo mais curto (duas/três horas) do que a generalidade das outras, que aguentam até ao dia seguinte.

A rede social The Star Tracker, que reúne mais de 20 mil quadros portugueses espalhados pelo mundo, foi a barriga onde se deu a gestação da Confraria. Nas conversas na rede, Vicente constatou que não é fácil por os portugueses de acordo. O Ronaldo nunca rende na Selecção e o vinho do Porto não seduz os abstémios. Apenas o pastel de nata reunia o consenso e gerava a unanimidade.”É o melhor embaixador de Portugal”, concluiu.

Um dia ao fim da tarde, na Versalhes, Vicente e José António Sousa comentavam como a nata se tornara o mais vigoroso símbolo internacional da portugalidade, quando decidiram fundar a confraria – uma estrutura leve, sem trajes nem presidentes, apenas confrades (263), dos quais dois honorários, que são os porta vozes – que decidiu proclamar o dia da sua fundação (1 de Julho) como o Dia Mundial do Pastel de Nata. E para o ano, para comemorar o seu 2º segundo aniversário, vai expedir, em aviões da TAP, meio milhão de natas para serem gratuitamente distribuídos nas empresas em que trabalham portugueses, em destinos tão variados como Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro, Luanda, Paris, Joanesburgo, Bruxelas, São Paulo, Luxemburgo ou Maputo.

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

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Pastelaria Cristal

R. Buenos Aires 25 A, Lisboa

2 rissóis de leitão… 2,60 euros

2 croquetes … 1,80

1 Sagres … 1,10

1 Super Bock… 1,10

1 Moscatel Favaios … 1,00

3 pastéis de nata … 2,70

2 cafés … 1,10

O senhor Marques não nos deixou pagar o almoço

Não gosto que façam de mim parvo

A coexistência pacífica entre os povos e não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados foram os princípios aprovados, em 1955, na conferência de Bandung, que esteve na origem do Movimento dos Não Alinhados, que queria aquecer a alma enregelada de um mundo que vivia a Guerra Fria entre EUA e URSS.

23 anos depois, numa cave da rua Antunes Guimarães (Porto), a meio de uma directa de estudo para a cadeira de Teoria da História, o meu amigo Zé Meireles elaborou uma feliz adaptação ao indivíduo dos dois princípios estabelecidos em Bandung para as nações: 1. Cada qual leva no que é seu;  2. Quem dá conselhos na rua leva no cu em casa.

Ao longo vida tenho observado o espírito de tolerância e respeito pelos outros encerrado nestes pedacinhos de ouro do Meireles, que invoco a propósito do casamento gay. Como sempre achei que cada qual leva no que é seu (e me habituei a não arriscar a dar conselhos) sou naturalmente a favor. Desconfio que os gay não sabem no que se vão meter, mas, repito e sublinho, estão no seu direito.

Hoje em dia o pessoal opta por juntar os trapinhos (a chamada união de fcato) e marimba-se para a legalização da situação nos livros dos notários ou aos olhos do Senhor. O que até se compreende porque o prazo de validade das relações não pára de encurtar e se casar até é barato (custa, em média, 100 euros), o divórcio é muito caro, não só em chatices afectivas mas também materiais – fica a 250 euros, se for amigável, porque se não, upa upa, por causa dos honorários dos advogados. Como metade dos casamentos acaba em divórcio, há cada vez mais gente a cortar-se.

Os gay querem casar-se de papel passado? Porreiro, pá! As grandes vítimas do Simplex (os notários) até agradecem. Casem-se! Compreeendo-os perfeitamente. É a velha história do fruto proibido.

Já compreendo mal porque é que Sócrates meteu no topo da agenda política um dossiê que faz azia a Cavaco, indispõe a Igreja e fractura o seu grupo parlamentar, quando há um ano podia ter despachado o assunto, deixando-se ir à boleia da proposta do Bloco de legalizar o casamento gay.

E não compreendo de todo que os panditas do PS e PSD – em particular os dois lideres parlamentares, pessoas do Porto que ou não leram, ou não perceberam, A Queda de um Anjo, de Camilo – citem o Zé Maria do Big Brother e digam que “não há condições” para avançar com a Regionalização porque não é uma matéria urgente e é preciso reunir um grande consenso político.

Estão a brincar connosco? A legalização do casamento gay é uma matéria urgente? Havia um grande consenso político quando se convocaram os dois referendos sobre o aborto? Andam a fazer de nós parvos. E eu não gosto que façam de mim parvo. 

Jorge Fiel

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Nuno Sousa

Foto Paulo Jorge Magalhães

Dantes, mal se levantava da cama, às seis da manhã, ia logo por o café a fazer. “Adoro o cheiro do café”. Agora, a primeira coisa que faz é despachar o email, rotina que repete religiosamente antes de se deitar, por volta das duas. “Não preciso de dormir muito”, confessa Nuno Sousa, 41 anos, médico e investigador na área nas Neuro-Ciências. “Sete horas de sono são, em média, suficientes para um adulto. Dormir demais faz mal porque torna os processos mais lentos”.

Quando se é uma das maiores autoridades mundiais em stress, não podemos estranhar ter a caixa de correio sempre a abarrotar, e ele não considera educado deixar um mail sem resposta mais de um dia.

O email e o telemóvel podem facilitam-nos a vida mas são também indutores de stress. “Estamos a acelerar cada vez mais as nossas vidas”, constata Nuno, que distingue dois tipos de stress, o bom e o mau.  “Debaixo de algum stress, a nossa performance melhora, sem consequências porque a adrenalina tem um efeito rápido”, explica. O problema é o stress crónico, que se verifica quando os estímulos indutores ultrapassam, de forma continuada, a nossa capacidade de adaptação e provocam doenças, fazendo subir a tensão arterial e aumentando o risco de diabetes e depressão.

Nuno tornou-se uma coqueluche mundial ao publicar (em conjunto com sete outros cientistas portugueses) na revista Science, um artigo, onde conclui que as pessoas expostas a stress tendem a tomar decisões erradas, mas que isso pode ser resolvido.

Encontramo-nos na Escola das Ciências de Saúde da Universidade do Minho, de que ele é o director e um dos fundadores. Logo à entrada, ficamos com a sensação de estarmos numa universidade americana transplantada para o campus de Gualtar, nos arredores de Braga. A escola está povoada por grupos de estudantes com ar feliz, que conversam, comem, estudam e discutem, espalhados por salas e laboratórios com equipamento state of the art.

O ensino da Medicina em Braga é muito diferente do ministrado nas outras faculdades do país. Para praticarem consultas, os 600 alunos têm ao dispor cerca de 70 doentes standard, actores formados durante um ano para serem especialistas numa doença (pericardite, infecção renal, insuficiência respiratória, etc), também usados no processo de avaliação. Parte dos exames são feitos num consultório equipado com uma câmara, que permite aos professores, que estão no gabinete ao lado, seguirem o diálogo entre aluno e actor, a quem previamente entregaram o guião - o falso doente pode começar a consulta a dizer ao futuro médico que só precisa que ele lhe passe uma receita.. .

Depois de uma vista de olhos pela escola, fomos no Toyota Corolla do Nuno para o Arcoense, famoso pela sua comida caseira, onde almoçamos sem stress (não ligamos aos telemóveis) até às 16h30.

Nuno é do Porto, onde se licenciou em Medicina e começou a usar o cérebro para entender como funciona o cérebro. O período de maior stress da sua vida foi a fase final do doutoramento em que provou que, ao contrário do que se pensava, o stress crónico não provoca uma matança neurónios e o hipocampo apenas fica atrofiado porque diminuem as sinapses (a comunicação entre neurónios) - ou seja, que eliminando a causa a situação era reversível.

Este tese foi o ponto de partida para a investigação de uma equipa multidisciplinar (médicos, biólogos, bioquímicos, psicólogos, veterinários e engenheiros de sistemas, biomédicos e biólogos) cujas conclusões publicadas na Science, despertaram o interesse do New York Times.

Com base em trabalho laboratorial com ratos, Nuno provou que o stress leva-nos a tomar decisões erradas, pois, ao atrofiar o circuito cerebral que nos dá a flexibilidade para encarar e reagir a uma situação adversa e inesperada, deixa-nos dependentes da parte do cérebro onde temos armazenados os hábitos, que nos permitem, por exemplo, guiar até a casa, em piloto automático, sem ligar ao trajecto. A boa notícia é que através de terapia, fármacos e estímulos eléctricos vai ser possível, proximamente, activar o circuito atrofiado e poupar-nos aos erros e depressões a que o excesso de pressão nos tem obrigado. Ou seja, dentro de poucos anos, o guarda redes Enke já não se teria suicidado…

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Arcoense

R. José Justino Amorim 96, Braga

Dobradinha… 2,50 euros

Favas com presunto … 2,50

Pataniscas de bacalhau … 3,00

Assado misto (costela mindinha, cabritinho e porco bisel)… 43,50

Meio litro de tinto da casa (Douro) … 6,50

Diversos (pão, água e café) …5,70

Total … 63,70

Eu estava a ressonar durante o blackout

O Froiz subiu de 5,95 para 7,90 euros o preço do quilo do rolo da carne picada recheada com queijo e chouriço, em linha com aumentos superiores a 30% verificados no bife. Tenho pensado muito nas razões deste aumento e até já me passou pela cabeça escrever ao Dear Economist, do Financial Times, para saber o que é que o Tim Harford pensa sobre o assunto.

A melhor explicação que arranjei para a brutal inflação do custo da matéria prima do meu assado dominical foi a da que a pessoa que marca os preços das carnes na rede galega de supermercados foi uma das vítimas do flash forward e teve uma visão muito cor de rosa do estado da nossa economia a 21 de Abril de 2010.

Passo a dar o contexto, para acautelar o caso, altamente improvável, de não ser umas das 12 milhões de pessoas que não perdem um episódio de FlashForward. A intriga desta série televisiva (AXN, 4ª feira, 22h25) baseia-se num desmaio global ocorrido às 11 da manhã (Pacific Standard Time) do passado 6 de Outubro, com a duração de 2m17s, durante o qual a generalidade das pessoas abriu uma janela no futuro e teve uma visão da sua vida a 21 de Abril de 2010.

Não sei se fui vítima deste blackout, o que até se compreende porque às 11h00 em Los Angeles são três da manhã no Porto e eu, a essa hora, tenho o hábito de estar a dormir. Não tive nenhuma visão do futuro, que fundamente uma atitude mais optimista ou pessimista na compra de prendas de Natal. Mas sei que o marcador do preço das carnes do Froiz não foi o único a ter uma visão encorajadora durante os 137 segundos em que perdeu a consciência.

Os bancos voltaram a abrir a torneira do crédito à habitação e o preço das das casas voltou logo a subir. A Brisa prevê, para 2010, um aumento de 3,6% no tráfego das auto-estradas. E, apesar da tradicional correcção de Outubro, os indicadores anualizados do Euronext Lisbon dizem que o champanhe está de regresso à bolsa.

Apesar desta euforia, eu (que, como estava ressonar durante o blackout, não faço a mínima do que vai acontecer na Primavera) continuo bastante preocupado com o Inverno da nossa economia revelado pelas previsões de Outono da Comissão Europeia de que Portugal vai ter crescimentos microscópicos do PIB (0,3% em 2010, e 1%, em 2011), dos mais baixos da UE e do Mundo, depois de este ano termos perdido a riqueza que demoramos quatro anos a construir.

Eu não sou daqueles que olham para os dois lados antes de atravessar uma rua de sentido único, mas não consigo deixar de enrugar a testa quando vejo o Estado a gastar mais de metade do PIB e os escândalos a sucederem-se, ameaçando tolher o Governo numa altura em que, mais que nunca, o país precisa de governo.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

Marta Crawford

A professora, de 48 anos e educação religiosa, nunca tinha tido um orgasmo. A sua experiência sexual pouco satisfatória resumia-se ao ano em que esteve casada. Após dez anos de abstinência, ouviu Marta preconizar o recurso à masturbação. Seguiu o conselho e desfrutou o seu primeiro e maravilhoso orgasmo.

A sexóloga chorou quando ouviu a descrição minuciosa do enorme prazer sentido pela professora, que marcou uma consulta só lhe agradecer.

Licenciada em Psicologia, onde era conhecida pelo apelido Valente, a primeira grande paixão de Marta foi o teatro (onde usava o apelido Tereno) e conheceu o marido Filipe, que lhe deu o apelido Crawford e dois filhos, a Bárbara, 17 anos, e o João, 13, uma família acrescentada há três anos com o Jack, um grande cão cinzento de raça Weimaraner, que ela reconhece ser ainda virgem e não levar uma vida sexual muito saudável.

Iniciou-se nos palcos na Barraca, com uma adaptação do Baile, de Ettore Scola, encenada por Helder Costa. O mais provável é que hoje fosse conhecida da telenovela das nove, e não dos programas sobre sexo apresentados em horário, se não tivesse sido vitima de uma daquelas partidas de mau gosto que a vida às vezes nos prega.  Deixou de ser actriz porque uma pessoa a quem era muito chegada morreu na véspera de ela estrear uma comédia para crianças.

Garante que a saída do anonimato, induzida pelos programas que fez na televisão, não lhe mudou muito a vida. “Não se metem muito comigo. Nunca tive uma experiência desagradável”, diz, apesar de reconhecer, que de vez em quando, a abordam na rua com perguntas, como aquele senhor na casa das 70 anos, que devia ser um pouco surdo pois falava aos berros, e a interpelou quando ela andava às compras na Massimo Dutti do Vasco da Gama, para saber se ela estava de acordo com o tratamento que o médico lhe prescrevera para o seu problema de disfunção eréctil.

Ser míope ajuda-a a preservar a privacidade. “Se não me maquilhar e estiver de óculos ninguém me conhece”, diz. Na verdade, não a reconhecemos à primeira quando ela chegou à porta do Aya com os seus óculos de massa Ralph Lauren, que funcionam como máscara.

Escolheu um combinado de sushi e sashimi, acompanhado de saké frio (espalhou logo o sal fino pelas bordas da caixa), e sepultado por um gelado de chá. Marta nunca foi ao Japão, mas a filha Bárbara viveu lá um ano, a norte de Tóquio, no âmbito de um programa de intercâmbio de jovens ASF. Uma experiência dura, que a mãe resumiu e funcionou como desbloqueador de conversa, no início do almoço, aqui e ali agitado pela comemoração ruidosa de um aniversário por um grupo de amigos de outra Bárbara (a Guimarães) no compartimento ao lado.

Marta começou a dar consultas de sexologia a transexuais, no Júlio de Matos, ainda durante o estágio do ISPA,  pelo que está numa belíssima posição para avaliar a evolução recente do estado sexual da Nação.

Ao longo dos últimos 15 anos, uma das coisas que mudou foi a atitude masculina em face da falta de desejo. “Há muito mais homens a pedirem ajuda. Dantes escondia-se o problema. Os homens achavam que era uma vergonha não estarem sempre prontos a ter uma erecção. A disfunção eréctil deixou de ser uma vergonha e passou a ser encarada como uma doença”.

Outro dos problemas cada vez mais frequentes na sua consulta é o vaginismo, doença em que, por mais excitada que a mulher esteja, a vagina fecha-se de tal modo que é impossível penetrá-la. Na origem desta fobia está um medo, qualquer-     de engravidar, de apanhar uma doença, de sentir dor – que a ela tem de identificar para poder tratar. Marta não se cansa de dizer que é um mito achar que o sexo passa pelo penetração, mas quando o casal procura engravidar o vaginismo é um sério problema.

As novas formas de infidelidade, como uma relação virtual privilegiada entre duas pessoas, que se masturbam enquanto se excitam à distância, foi outras das grandes alterações, bem como o crescimento do fenómeno de homens viciados na prostituição de luxo. “É muito aliciante para homens sem problemas de dinheiro recorrerem a raparigas lindíssimos, com corpos de modelo, poderem variar e sentirem-se à vontade para verbalizar os seus fetiches”, refere.

A sua maior preocupação é a falta de informação. Por incrível que pareça ainda há mulheres que lhe  perguntam se correm o risco de engravidar por se terem sentado num assento que estava quente  e tinha sido usado por um homem.

As mulheres que se divorciam na casa dos 40 anos, que sempre tiveram uma relação de confiança com um só parceiro, são o grupo com maior progressão da Sida, porque não estão habituadas a usar preservativo e começam a fazer sexo sem estarem protegidas.

“Os miúdos deviam brincar com preservativos desde a 4º classe. Para se habituarem a usá-los e encará-los como uma segunda pele”, preconiza Marta, que defende a distribuição aos pré-adolescentes de preservativos de dimensão adequado ao tamanho do seu pénis.

O normal também mudou  Quando ela começou a dar consultas, o sado-masoquismo estava indexado na lista de comportamentos desviantes. “Hoje normal é tudo o que os parceiros envolvidos permitam”, remata Marta, que aguentou com boa cara estar quase três horas a satisfazer-nos a curiosidade durante um almoço XL que custou praticamente o mesmo que ela leva por uma consulta de uma hora (95 euros).

Jorge Fiel

Esta matéria foi hoje publicada no Diário de Notícias

 

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Aya

R. Campolide 351, Twin Towers, Lisboa

Ponte sushi sashimi …60,00 euros

Sake especial (masusake) …. 19,50

Maccha ice … 4,50

Cream anmitsu … 6,00

3 cafés … 3,60

Total … 93,60

Salto à Vara para a riqueza

A audiência correu bem. O senhor, de idade avançada, expôs o seu drama ao ministro, que logo lhe deu razão e instruiu o chefe de gabinete a pôr em marcha a resolução do problema.

À despedida, o idoso estava encantado. Desdobrava-se em vénias e repetia protestos de eterna gratidão, agarrado à mão do ministro, quando pronunciou a frase fatal: “Dou por muito bem empregues os 500 contos que paguei para conseguir esta audiência”.

O ministro estremeceu e pediu-lhe para repetir o que acabava de dizer. Afinal tinha ouvido bem à primeira. “Foi ao senhor deputado x”, respondeu o cidadão, quando perguntado sobre quem lhe solicitara os 500 contos. 

Como o ministro tinha sido tão atencioso, o idoso não podia dizer não quando ele lhe pediu escrever o que acabara de contar - e assinar por baixo. Cópias deste manuscrito seguiram para a direcção do partido e do grupo parlamentar. “O deputado ainda está lá, na Assembleia da República” é o final triste desta história contada pelo ex-ministro.

Já se passaram alguns anos sobre este episódio, e pelo andar da carruagem, a Transparency International tem a razão quando põe Portugal em queda livre no ranking dos países menos corruptos do mundo. Em 2001, estávamos em 25º. No ano passado, íamos em 32º. Cravinho, ex-ministro das Obras Públicas, já nos avisara que “a grande corrupção de Estado é uma situação muito complicada e em crescendo”.

É triste constatar que Balzac estava cheio de razão quando escreveu que por de trás de cada fortuna há um crime, pois não me lembro de ter tropeçado em alguém que tivesse enriquecido à custa do seu salário.

É muito triste reparar que continuam por esclarecer o negócio dos submarinos, o Freeport, o caso Portucale e a Operação Furacão – a que agora se junta a Face Oculta, em que tudo leva a crer que um sucateiro de Ovar conseguiu comprar, a dinheiro ou em Mercedes, responsáveis pela nata das blue chips do PSI 20 (Millennium, REN, Galp e EDP). 

Não podemos assobiar para o lado e fazer de conta que não vemos o degradante espectáculo de haver gentalha, que era suposto ser honesta, a abusar da sua posição para nos roubar.

Há duas emoções que comandam o pensamento e acção dos ladrões de colarinho branco: o medo e a ganância. Para pôr um travão aos desmandos provocados pela ganância é urgente implantar um regime de tolerância zero para quem rouba o nosso dinheiro.

O Governo que estabeleceu um regime de terror fiscal para amedrontar os pequenos contribuintes, tem obrigação de saber criar um regime de terror, que atemorize os corruptos. Se não o fizer, todos nós nos sentiremos incentivados a dedicar-nos à prática do salto à Vara para a riqueza.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias

Adélia Carvalho

Quando chegou à recepção do Bairro Alto Hotel, pouco antes das seis da tarde, a inglesa vinha numa pilha de nervos. Não trazia bagagem e o problema era mesmo esse. A companhia aérea extraviara-lhe a Samsonite com a toilette para a festa dessa noite em Lisboa.

Alertada para o drama, A directora geral assumiu o comando das operações. Acalmou a cliente. Tudo se iria resolver. “It’s impossible”, repetia a inglesa que não acreditava que fosse possível o suave milagre operado nas duas horas seguintes, em que, num corrupio, desfilaram pelo seu quarto vestidos, sapatos, malas, cabeleireira, maquilhadora e manicura. Às 20h30, estava belíssima, pronta para a festa. Para Adélia, “impossible is nothing”.

É por estas e por outras que a Conde Nast Traveler elegeu como o 31º melhor do Mundo este pequeno hotel (55 quartos) muito fotogénico, instalado num edifício pombalino. Uma das outras razões que levou a bíblia do turismo e viagens a inclui-lo na lista exclusiva Best of The Best foi a extraordinária capacidade de Adélia, que acaba de vencer o I Concurso Nacional de Motivação, promovido pelo ISCTE.

“Para mim, trabalhar é um enorme prazer. Amo tudo o que faço. Ou é a sorte que vem ter comigo, ou sou eu que consigo transformar tudo em paixão”, declara Adélia, que começou a carreira como recepcionista no Meridien, após ter acabado o curso da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa. Transferiu-se depois para a Penha Longa, onde se demorou dez anos e fez de tudo (de directora de alojamento a directora de banquetes), menos cozinha (que é especialidade do marido, subchefe na Bica do Sapato), até aceitar o convite para abrir o Bairro Alto, porque ficou encantada com o projecto e lhe deram carta branca para escolher a equipa.

Almoçamos no fabuloso terraço do hotel, que tem uma vista de cortar a respiração do rio e telhados de Lisboa. Escolheu a salada Caesar, porque anda a ver se perde algum do peso ganho durante a gravidez do Santiago (que tem dois anos e meio), se bem que o objectivo não seja recuperar a forma que tinha quando era atleta de ginástica acrobática do Sporting.

Nativa do signo Virgem, Adélia é uma perfeccionista e “uma vendedora nata”, sendo provável que a queda para as vendas faça parte do património genético, pois os pais tinham uma loja de electrodomésticos em Sacavém. Pensa, fala e decide muito rápido. Está sempre o radar ligado, olhos e ouvidos atentos ao que se passa à sua volta. Irrequieta e eléctrica, dispensa a cafeína. Na hora do café, optou por um “pingo clarinho”. E usou um argumento demolidor para não aceitar que pagássemos a conta: “Ficava logo toda a gente a pensar que o meu orçamento para despesas tinha levado um grande corte”.

“Às vezes basta pormo-nos no lugar das outras pessoas”, responde quando lhe perguntamos a receita para agradar e motivar. E conta um episódio para demonstrar como aprende com os clientes. Durante a campanha eleitoral, um comício nocturno e barulhento no Largo de Camões estava a impedir um cliente de dormir. Ele queixou-se. Ofereceram-lhe um chá e um quarto mais resguardado. No dia a seguir, cheio de olheiras, o cliente comentou que. se lhe tivessem perguntado o que podiam fazer para o ajudar, teria pedido que o mudassem para outro hotel. “Estava cheio de razão. Devíamos ter-lhe feito essa pergunta e arranjado um quarto num hotel onde ele pudesse passar a noite sossegado”, diz.

“Como sou muito sensitiva, consigo estar muito próxima das pessoas. Esforço-me por ouvir, apoiar e orientar. É fundamental ter as pessoas motivadas. Só se estivermos bem é que conseguimos fazer os clientes felizes. Quando há problemas é bom ter um ombro amigo. Sei que, de vez em quando, é preciso compensar as pessoas e dizer-lhes, ‘o que é que andas aqui a fazer?, está sol, vai para praia!’”, afirma.

A gestora mais motivadora do país dirige uma equipa de 65 pessoas, em não há um licenciado sequer. “Não há nenhuma faculdade em que se aprenda a oferecer bem estar”, explica Adélia, que, no entanto, está a encarar seriamente a hipótese de se inscrever no ISPA e fazer Psicologia – para aprender a motivar ainda melhor!

Jorge Fiel

Esta matéria foi publicada hoje no Diário de Notícias

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Terraço do Bairro Alto Hotel

Praça Luís de Camões 2, Lisboa

Salada Caesar (peito de frango grelhado, alface romana, lardons de bacon e molhos caeser) …12,50 euros

Sandwich Garrett (pão ciabatta com presunto pata negra, queijo brie e tomate marinado) … 9,50

Chá gelado de ananás, menta e coco … 4,50

Água de Castello … 2,50

Copo de Planalto … 5,00

Pingo claro … 3,00

Café ... 3,00

O almoço foi oferecido, numa cortesia do Bairro Alto Hotel

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