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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Passos não é um idiota batizado

Calma! As aparências iludem. Ao contrário do que poderá parecer à primeira vista, Passos Coelho não é burro e sabe perfeitamente o que anda a fazer. Disfarça bem, mas sabe. Disfarçar é uma tática. Há gente assim, que parece idiota, sabe que parece idiota, mas como não é efetivamente idiota tira partido desse aspeto para levar a sua avante. Senão vejamos:

A Região Norte tem a mais elevada taxa de desemprego do país e a Área Metropolitana do Porto é onde a pobreza é mais dramática e se regista um mais elevado número de falências.

Portugal é o país mais desigual da UE a 27,já que 65% da nossa população vive em regiões onde o rendimento per capita é inferior a 75% da média comunitária. No país que vem a seguir, a Grécia, essa percentagem (22%) é 1/3 da portuguesa.

O Norte é a mais exportadora de todas as nossas regiões e onde são pagos os mais baixos salários do país. O salário líquido mensal em Lisboa é de 934 euros, a média nacional é 900, no Norte é de 746 - mais baixo que o pago no Alentejo, Centro e Algarve.

Neste cenário, ao tomarmos conhecimento que o primeiro-ministro se vangloriou de ter conseguido em Bruxelas um cheque extra de mil milhões de euros a ser aplicado na Madeira (100 milhões) e Lisboa (900 milhões) - as duas únicas regiões do país com rendimento per capita superior à média comunitária - é fácil sucumbir à tentação de considerar que Passos ou é um calhau com olhos ou um idiota que se prepara para acentuar a macrocefalia lisboeta que nos asfixia.

Mas é preciso ter calma. As aparência iludem. Estou em crer que Passos não é uma coisa (calhau com olhos) nem outra (um idiota centralista), e que, por isso, depois de ter o cheque do lado de cá, vai tirar da cartola um golpe de génio.

Passos vai explicar que a reindustrialização - a pedra de toque da sua agenda de crescimento, que espera que contrabalance os esfeitos perniciosos da austeridade e permita tornar o ajustamento sustentável - exige fortes investimentos a norte, a única região do país onde o tecido industrial tem as raízes mais fundas e está disponível a mão-de-obra indispensável para o sucesso deste esforço.

Com quatro ativos por cada reformado, o Norte é a região portuguesa que melhor resiste ao envelhecimento.

E se Bruxelas lhe perguntar: então pediste dinheiro para Lisboa e vais investi-lo no Norte? Passos Coelho vai argumentar, todo lampeiro, com o famoso efeito dispersão, explicando que a reindustrialização aumentará a receita fiscal e diminuirá as despesas com subsídios e prestações sociais, engordando assim os cofres do Estado com quartel-general em Lisboa.

Estão a ver? Não nos devemos precipitar. Afinal tudo leva a crer que o Passos Coelho afinal não é um idiota batizado, mas sim um tipo genial e fino como um alho.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no JN

 

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