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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

A propósito da bela princesa Zinaida Iussupova

 

Aproveitei o fim-de-semana para ir ver a exposição do Hermitage sobre a arte e cultura nos dois séculos dos Romanov. Dei o tempo por muito bem empregue.

 

Sai do Palácio da Ajuda hipnotizado pelo intensidade do olhar e pela desarmante e calma beleza da princesa Zinaida Iussupova, retratada por François Flameng, e convencido de que é boa a ideia da ministra da Cultura de instalar no nosso pais um pólo permanente do mais famoso dos museus russos, o Hermitage de S. Petersburgo.

 

Os museus representam nos tempos modernos o mesmo que as catedrais na Idade Média. São templos de culto, lugares de peregrinação, ícones de afirmação do orgulho das cidades.

 

E, nesta era da globalização, as marcas mundialmente reconhecidas e admiradas possuem uma enorme capacidade de atracção, como ficou demonstrado pelo estrondoso sucesso que o Guggenheim de Bilbau alcançou ao repetir a fórmula de sucesso que celebrizou o seu pai nova-iorquino. A saber, arte contemporânea enroupada por uma marca prestigiada e embalada por uma espectacular peça de arquitectura.

 

Há uma dúzia de anos não passava pela cabeça de ninguém ir passar um fim-de-semana a Bilbau. O Guggenheim foi a poderosa alavanca que colocou a cidade basca no mapa dos destinos turísticos europeus.

 

Apesar de essa não ser a opinião do «mainstream» português, que inveja os fundos que vão alocados a esse projecto, acho boa a ideia de Isabel Pires de Lima.

 

Já não acho boa a ideia do Governo de âncorar em Lisboa o pólo permanente do Hermitage em Portugal.

 

A Gulbenkian e a Colecção Berardo já são suficientemente atraentes para satisfazer os turistas, no segmento arte contemporânea, complementando a boa e variada oferta museológica de Lisboa, onde avultam pesos pesados, como o Museu Nacional de Arte Antiga ou o dos Coches, e pequenos museus de charme e nicho, como o Museu do Azulejo ou a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

 

O exemplo do bom senso do Governo de Madrid, que escolheu Barcelona para receber os Jogos Olímpicos, Sevilha para a Expo e  Bilbau para o Guggenheim deve iluminar o Governo de Lisboa na hora de escolher onde instalar o Hermitage.

 

Não estou a pedinchar para o Porto o pólo do museu russo. Com Serralves, o Soares Reis e pequenas jóias como o Museu Romântico, a minha cidade está razoavelmente servida neste domínio.

 

Na incursão a Lisboa para ver a exposição da Ajuda, fiz uma escala nas Caldas da Rainha. E fiquei a pensar que a instalação na cidade de Bordalo do pólo português do museu russo seria um óptimo pretexto para recuperar os magníficos (e degradados) Pavilhões do Parque D. Carlos I. E que melhor companhia se poderia arranjar para o Hermitage do que o Museu José Malhoa?

 

As Caldas são uma ideia. Mas também pode ser Coimbra, Santarém, Guimarães, Beja, Bragança, Aveiro, Lagos, Évora, Viseu, Tomar ...

 

O que estou a pedir ao Governo é que deixe de teimar em meter os ovos todos no mesmo cesto (que ainda para mais está roto) e que no momento de decidir onde vai ficar o Hermitage não olhe para o mapa de Lisboa -  mas sim para o do Portugal.

 

Jorge Fiel

 

PS. Esta crónica foi publicada hoje no diário económico Oje www.oje.pt

 

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