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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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"Coçar as costas" à portuguesa



Coçar as costas é algo que todos fazemos ou fizemos. "Backscratching",em inglês - desculpem a minha anglofilia - designa, no meu conceito, o que acontece na sociedade quando alguns têm que dizer bem de outros para que estes outros, um dia qualquer, digam bem deles, ou os defendam em situações difíceis.

Por exemplo, num dos jornais deste fim-de-semana, João Salgueiro fazia o 'backscratching' de Vítor Constâncio, dizendo que as explicações dadas pelo governador do Banco de Portugal a propósito da sua actuação no caso do BCP eram claras e suficientes.

Há uns quinze dias, o antigo ministro das Finanças e antigo colega de Constâncio na governação do BdP, também lhe coçava as costas num belo artigo no Público em que, basicamente, dizia que era melhor verem as culpas dos auditores do banco, que não viram - como deviam - que alguém tinha criado 17 sociedades off-shore para serem veículos compradores das acções do banco em aumentos de capital que não tinham tido aderentes suficientes.

Os "back scratchers" - gosto tanto da expressão que só não a pus em título porque tive medo que o o engº Sócrates, visitante deste blog, não tivesse dado esta lição na sua cadeira de Inglês Técnico - os 'back scratchers', dizia, são 'has been' ou 'wannabes', quer isto dizer, desculpem outra vez a minha anglofilia,  gente que 'já foi' ou 'quer ser', como precisamente acontece com Salgeuiro e Campos e Cunha (que tem uma magnífica reforma do Banco de Portugal, note-se, apesar de ser ainda relativamente jovem). E portanto, coçar as costas é o mais natural em partes importantes da sociedade portuguesa.

Alguém acha que as explicações de Constâncio foram boas? Alguém percebeu o que aconteceu no BCP? Quando muito sabe-se que Constâncio não deu conta de nada e que Carlos Tavares também não sabia e que Teixeira dos Santos, que foi presidente da CMVM, idem aspas. E que aplicamos as melhores práticas do mundo na regulação bancária, 'dixit' ainda Constâncio, mas há 12 milhões de operações activas no mercado de capitais e não se pode ver todas. Mas ainda não vi Constâncio propor nenhuma medida para inovar essas melhores práticas e tentar fazer ainda melhor, como é seu dever. Porque se as melhores práticas são estas, como é que o governador faz com operações de capitais vindas de sítios às vezes muito estranhos que chegam ao mercado português? Ou porque, como se viu nesta história do crédito "subprime' (crédito hipotecário de alto risco) a regulação dos bancos centrais está tão ultrapassada que, muitas vezes, nem percebe as operações que lhe passam debaixo do nariz?

No fim, quem se lixa é o mexilhão. O Expresso lá trazia na capa este sábado que o BdP desconfia do pequeno BPN... É assim mesmo!

Manuel Queiroz

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