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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

Porque é que eu tenho andado pelas ruas a olhar para as pernas das mulheres

Tenho andado pelas ruas a tentar aperceber-me da evolução recente do tamanho das saias, mas ainda não consegui detectar qual é a tendência.

 

A única e triste conclusão a que até agora cheguei é a de que diminuiu drasticamente a quantidade de mulheres que usam saia, o que me deixa  reaccionariamente saudoso dos tempos da minha adolescência em que as raparigas não podiam ir para o liceu de calças – o que conferia a real dimensão machista à questão «quem usa calças lá em casa?».

 

Subsidiariamente, fiquei impressionado com a adesão maciça à moda das botas de cano alto usadas por cima das calças. Um tipo que tenha estado fora alguns meses e depare com este fenómeno, fica de certeza intrigado com esta esmagadora conversão feminina ao hipismo.

 

Para não ficarem convencidos que sou um tarado, informo que o trabalho de campo que me obrigada a andar pelas ruas a olhar para as pernas das mulheres se prende com a curiosidade de perceber se a queda das bolsas veio para ficar (e tenho de me habituar a viver com o mercado urso), ou se se trata apenas de uma nuvem passageira.

 

Eu explico. O antropólogo britânico Desmond  Morris, que me foi apresentado através da leitura da sua incontornável obra «A Tribo do Futebol», formulou a «Skirt length theory» que estabelece uma relação de causa a efeito entre o cumprimento das saias e os humores dos mercados.

 

A teoria é simples. Se a economia cresce, os consumidores estão confiantes e esse optimismo reflecte-se no cumprimento das saias, que sobem, e nos mercados bolsistas, que se valorizam.

 

A história recente parece confirmar a teoria de Morris. A prosperidade dos anos 60 foi a mãe da Mary Quant e da sua abençoada invenção da mini-saia. Os choques petrolíferos que abalaram os anos 70 são o pai e a mãe dessa aberração inestética que dá pelo nome de maxi-saia.

 

Só detecto uma brecha na teoria de Morris. Parece-me uma abordagem excessivamente racional a um mercado que assenta os seus alicerces numa enorme dose de irracionalidade – que outra explicação se arranja para um profissional treinado e competente achar bom negócio vender Sonae SGPS a 1,18 a um outro profissional competente e treinado que acha um excelente negócio comprar a esse preço o papel da holding da família Azevedo?

 

Impressionado com o facto de nas duas primeiras semanas deste ano se terem evaporado todos os ganhos acumulados em 2007 pelo PSI 20 (16,27%), resolvi olhar para as pernas das mulheres.

 

Apesar de tudo, só uma espécie de teoria «feng shui», como a de Morris sobre a relação entre o comportamentos dos mercados e o cumprimento das saias, pode ajudar a explicar coisas aparentemente inexplicáveis com o paradoxo de em 2006 o PSI 20 se ter valorizado 29,9% apesar de nesse mesmo ano os lucros das 20 maiores do Euronext Lisbon terem caído 1,1%.

 

Por isso, vou continuar a olhar para as pernas das mulheres. Sempre é mais agradável do que olhar para uma bola de cristal, tentar ler nas folhas de chá ou marcar uma consulta com o professor Karamba.

 

Jorge Fiel   

 

www.lavandaria.blogs.sapo.pt

 

Esta crónica foi ontem publicada no diário económico Oje (www.oje.pt)

 

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