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Bússola

A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.

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DESENCONTROS ENTRE O PORTO E O RIO

 

Sou um admirador confesso do Presidente Rui Rio. Talvez pelo que de anti-politico se lhe descobre, na forma como encara a política e a coisa pública. Não sei se é uma máscara, mas a ser é bem-feita e cala fundo na opinião do Povo.

Trabalhei proximamente com o Dr. Rui Rio numa grande manifestação em Madrid a propósito da libertação Timor – foi talvez a maior manifestação feita por portugueses fora do seu País.

Ficou-me, dessa altura, a memória de uma grande integridade e simplicidade de carácter que casava bem com a determinação e o empenho que punha e pôs naquele altruístico objectivo comum.

Como todos os portuenses vi com expectativa a sua eleição para presidente da Câmara (para a qual digo já que não contribui, até porque ainda me encontrava recenseado em Matosinhos).

A partir daí em muitas conversas de muitos e variados círculos e tertúlias, se discutiu o Porto – o seu definhamento progressivo, a falta de desígnio, de palco, de voz, de lideranças…

As conversas resvalavam ligeiras para o seu Presidente de Câmara e para a forma como não soube nem conciliar a cidade e os seus principais agentes, nem desenhar e promover um projecto mobilizador que voltasse a colocar o Porto no topo da competitividade a nível nacional e europeu.

Ouvi também a defesa do Presidente Rio em muitas circunstâncias – tinha sido eleito para presidir à Câmara do Porto e não para liderar o Norte e os seus mais generosos desígnios. Propôs a luta pela habitação condigna, pela segurança e pelas acessibilidades e era nesse exacto contexto que se sentia legitimado e motivado a actuar.

Entretanto assistimos, independentemente do lado em que está a culpa, a muitos desencontros entre Rio e os agentes e instituições da cidade, mas vimos principalmente o Porto a definhar progressivamente em valor, influência e auto-estima.

Julgo portanto que prevalece este pecado original que constitui o equívoco de sempre entre Rui Rio e a sua cidade.  Os portuenses elegeram-no e reelegeram-no, porque sentem falta de uma liderança forte e de um desígnio prometedor para o Porto. E porque valorizam as características pessoais de Rio para servir essa liderança.

Mas Rui Rio julga que foi eleito para acabar com os arrumadores e no geral, cumprir um programa que os portuenses mal conhecem. Um programa que apesar de repleto de coisas úteis, não concita nem entusiasma os agentes e instituições da cidade e poderia ser entregue a qualquer empresa municipal.

O desencontro é claro – o Porto precisa do Rio que quer, mas este Rio que já não parece precisar do Porto, não quer claramente ser aquele que o Porto precisa.

 

António de Souza-Cardoso

 

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